As Crônicas de Mhaglacia
2 Baile Real
-Esta será a melhor oportunidade para mostrar a toda a gente que sou melhor que a minha irmã! – Exclamava Catarina ao espelho.
-Não acha que exagerou no que fez? – Perguntava a ama.
-Isto é só o começo, ela nem sabe o que lhe espera.
Luana estava na varanda do seu quarto aborrecida, não gostava nada da ideia de ter que arranjar um noivo esta noite, foi direta ao guarda-roupa para se arranjar quando se depara com o seu vestido azul claro, o que ia levar ao baile, completamente chamuscado.
-Isto não pode estar a acontecer! Eles vão pensar que foi eu! E agora? – Luana dirigiu-se há varanda muito preocupada. Tinha que arranjar uma solução, pois iriam pensar que era uma irresponsável. Sentou-se no banco da varanda e começou a choramingar, quando de repente ouve um barulho estranho vindo debaixo da varanda.
-Luana! Luana! – Alguém a chamava, ela aproximou-se da varanda e espreitou lá para baixo e estava Dário, o estilista da corte.
-Que tem princesa? – Dário parecia muito preocupado com Luana.
Luana não podia confiar em ninguém, pois não sabia quem estava a ajudar a sua irmã a acabar com a sua vida mas não tinha escolha e estava ali o estilista.
-Suba cá a cima, mas que ninguém o veja.
-A menina está maluca, o palácio está cheio de criados!
-Diga-me que tem ai algum vestido acabado de ser costurado!
-Sim, mas para quê? Não gostou do seu? — Dário estava confuso com aquela conversa toda.
-Traga o vestido e suba por aquela trepadeira!
-Para quê? A menina esta bem? — Dário estava a ficar cada vez mais confuso, não sabia o que fazer, mas como Luana era a princesa decidiu fazer o que lhe pedia. Dário tirou o vestido da carroça, colocou-o num saco e começou a trepar a trepadeira quando deu mau jeito no pé.
-Dário! – Luana ficou muito preocupada e dirigiu-se para a trepadeira para poder ajudar.
-Dê-me a sua mão!
-Ainda caímos os dois, não!
-São seja machista – Luana estendeu a mão e Dário agarrou-a, ele tinha medo de fazer força demais, puxá-la e caírem, então lançou o saco com o vestido, que aterrou no meio da varanda, conseguindo trepar o resto da trepadeira e entrar.
-Menina Luana depois do que se passou tem que me contar tudo.
-É muito simples, foi a minha irmã que queimou o vestido, vê? — Luana dirigiu-se ao guarda-roupa tirou o vestido queimado e mostrou-o.
-Mas porque se dão tão mal?
-Não sei porquê mas ela teve sempre inveja de mim, os nossos pais davam-nos todo por igual mas ela estragava as suas coisas e queria as minhas, e depois que os nossos pais morreram a situação piorou ela só pensa no testamento e em ser rainha deste lugar.
-Isso e muito mais complicado do que dizem por ai!
-Mostra-me o vestido, para ver se me serve! — Dário foi á varanda buscar o saco e de lá retirou um lindo vestido azul.
-É tão bonito, muito obrigado!
-Não tem de quê!
-Vou vestir-me, volto já, fique aqui para me dizer como fica... Ou fique porque vai comigo ao baile!
-Mas princesa… — Luana fugiu para dentro e não deu tempo para Dário falar. Ele tinha um fato para ocasiões especiais, então voltou a descer a trepadeira, retirou o seu fato da carroça e subiu a trepadeira.
Começou a despir-se quando aparece Luana à porta e fica a observa-lo: tinha um corpo esbelto com abdominais que pareciam rolos por debaixo da pele e as costas pareciam fortes, quando ele vestiu a camisola pôde se ver os músculos a mexerem-se ele tinha cabelo preto e os olhos eram verdes, um verde-claro. Ele era mais alto que ela, tinha 1,84 metros.
Quando ele se vira para o espelho Luana finge ter acabado de entrar.
-Desculpe mas como disse que eu ia consigo, resolvi vestir-me – Dário ficou embaraçado e corado.
-Não faz mal, acabei de chegar! – Luana fazia-se de desentendida.
-Acho que isto não é uma boa ideia.
-Ninguém disse que não podia levar parceiro!
-Mas eu sou o estilista do reino, não sou nenhum príncipe rico!
-Também ninguém disse que eu ia casar com um daqueles príncipes, isso é para a minha irmã!
-Mas mesmo assim… vão comentar.
-Não quero saber, ou vem comigo ou escolho um criado e ele vem, de certeza!
-A menina está a ser tão mazinha!
-Vamos!
Luana e Dário desceram as escadas e toda a gente ficou a olhar, principalmente Catarina.
-Como é que ela tem aquele vestido? – Perguntava Catarina.
-Não sei, patroa!
-Princesa estão todos a olhar!
-Não se preocupe, simplesmente sorria! – Luana estava confiante no que tinha feito e não voltaria atrás.
-Ainda não lhe disse, mas esta muito bonita!
-Obrigado!
As horas foram passando e Luana mantinha-se sempre junto de Dário, todos os convites de príncipes para dançar foram recusados, já Catarina fartava-se de dançar com os maiores príncipes do baile.
-Vou-me casar com aquele! – Conversava Catarina com as suas amigas.
-Mas como sabes se ainda nem o conheces! – As suas amigas estavam divertidas com a situação.
-Conheço pois, aquele é o príncipe Rodrigo é filho do rei de Solar, os meus pais conheciam-no, viram o nascer! Espera um bocadinho que ele já cá vem pedir-me para dançar!
-Ele já foi à tua irmã não espere… — Susana, amiga de Catarina não pode acabar a frase pois Rodrigo estava mesmo a sua frente.
-Princesa Catarina aceita esta dança? – Pediu Rodrigo ajoelhando-se.
-Claro que sim! – Catarina ao dirigir-se para a pista de dança com Rodrigo virou a cabeça e fez uma careta para as suas amigas.
-Do que mais gosta? – Perguntava Rodrigo enquanto dançavam.
-Gosto de escalar!
-Eu também!
-Qual é o seu prato favorito? – Perguntava Catarina.
-Gosto muito de borrego assado.
-Eu também! – Riram-se os dois ao aperceberem-se que tinham os mesmos gostos e continuaram a dançar.
-Já que aqui estamos… Aceita esta dança? – Perguntou Dário a Luana.
-Pode ser! – Luana e Dário dirigiram-se para a pista de dança quando a música acabou e começou uma romântica, Luana ficou um pouco embaraçada mas Dário pegou na sua mão colocou-a a sua volta, agarrou na sua cintura e começou a dançar, Luana ao princípio estava um bocado atrapalhada com a situação mas logo se acomodou e acompanhou Dário.
-Está muito nervosa – dizia Dário.
-Não, não!
-Vejo isso nos seus olhos – segredou Dário no ouvido de Luana.
Luana não conseguia responder então decidiu ficar calada até a musica acabar e Dário não insistiu mais. Quando a música acabou Luana não aguentou mais, saiu a correr da sala, foi para o seu quarto e Dário segui-a.
-O que se passa? – Dário batia na porta do quarto de Luana.
-Estou mal disposta deve ter sido qualquer coisa que comi! – Mentia Luana.
-Esta bem – Dário desceu as escadas e ao dirigir-se para a porta principal Catarina chama-o:
-Dário!
-Sim, minha senhora.
-O que se passou com a minha irmã? – Catarina fingia-se de preocupada.
-Está mal disposta, foi qualquer coisa que comeu.
-Está bem – Catarina não ficou muito satisfeita com a resposta então decidiu ir ao quarto de Luana saber mais.
-Luana!
-O que queres? – Luana parecia estar a chorar.
-Abre a porta, aconteceu algo muito terrível!
-O que foi? – Luana limpou as lágrimas e abriu a porta.
-Estava a ver que não abrias a porcaria da porta.
-O que aconteceu?
-Nada! – Disse Catarina com grande descaramento.
-És tão mentirosa, o que queres?
-Porque estas a chorar? – Perguntou Catarina.
-Estou mal disposta, agora fiquei ainda pior.
-Isso é tudo por causa do estilista?
-Já disse que estou mal disposta ou és surda, agora sai do meu quarto!
-Não tens vergonha? Entraste naquele salão com um criado e vens para o quarto chorar por causa dele! — Catarina queria enervar a sua irmã e estava a consegui-lo.
-Cala-te! – Luana ao dizer estas palavras esbofeteou a irmã.
-Não sabes com quem te estas a meter!
-Guardas? – Gritava Luana, poucos segundos depois estavam dois guardas a porta.
-Sim menina.
-Levem-na para fora do meu quarto!
-Não é necessário eu tenho pés – ao dizer isto Catarina vira as costas e sai do quarto.
-Já podem ir!
Nessa noite Luana não conseguiu dormir, só pensava no que se tinha passado no baile, não conseguia tirar da cabeça a imagem de Dário despido no seu quarto “O que se passa comigo? Estarei maluca? Deus me ajude!” pensava ela.
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