As Crônicas de Astra
1 Prólogo
Notas iniciais
Em meio à névoa e magia se oculta um mundo que nós, meros mortais, chamaríamos de mágico. Mas o que seria mágico? Controle sobre os elementos, controle sobre tudo? Talvez... Mas nesse lugar a magia está nos pequenos detalhes e em detalhes ocultos. Uma chuva que reluz sobre a luz das velas, uma criatura vista de relance num bosque, isso é a magia em Astra.
Astra, definitivamente é um dos mundos mais velhos que o universo poderia ter registro, talvez o primeiro mundo. No princípio tudo era apenas luz, diferente de muitos lugares, onde o princípio era apenas treva. Astra nasceu da luz e das estrelas, sendo, no princípio, antes da chegada dos mortais, o mais belo dos mundos. Realmente, as lendas sobre a criação desse lugar são tão infinitas quanto às estrelas no céu. Mas o fato é que tudo reluzia como ouro em forno. Porém, até o ouro dos deuses envelhece e foi isso que aconteceu a Astra. O mundo envelheceu e a beleza se esvaiu junto. As belas florestas de folhas cristalinas murcharam se tornando apenas florestas. Os rios, outrora dum azul brilhante, se tornaram apenas rios. Os animais, fofos e felizes, se tornaram apenas animais. Tudo que havia de belo em Astra se perdeu na aurora dos dias.
Por qual motivo esse mundo se destruiu? Bem, a resposta é algo bem simples: os deuses simplesmente cansaram de brincar com aquele belo mundo e resolveram abandona-lo e sem o poder divino, Astra entrou em decadência. E a tendência era piorar. Pois após alguns anos os deuses retornaram ao seu mundo, e lá, usando o resto da beleza do mundo, criaram os primeiros humanos. Eram poucos, cem no máximo, dotados de grandes poderes, inclusive da dita magia. Esses humanos se reproduziram como coelhos e logo habitaram todo o mundo, mas a cada geração a magia e a habilidade de reprodução rápida se perdiam. Hoje a magia está quase extinta e os humanos não se reproduzem com tanta facilidade. Os humanos destruíram parte do que sobrou do mundo natural, construíram monumentos do tamanho da vaidade deles, se proclamaram reis e rainhas e habitaram fixamente, agradecendo periodicamente aos deuses. A magia por fim estava oculta e mesclada ao mundo normal.
Mas aquilo era apenas o princípio do fim. Milhares e milhares de anos depois, quando o mundo já estava tingido de sangue, falsidade e ódio, pessoas que dominavam perfeitamente magia começaram um movimento, alegando que eles deviam ser donos do mundo, pois seriam uma raça superior. O céu se tingiu de negro e o mar foi banhado de sangue. A guerra durou inúmeros anos, eram poucos dominantes de magia que eram contra o Movimento e esses logo eram mortos. O maior ponto de resistência em Astra, com certeza, era o Grande Palácio de cristal de Pandorian, o maior e mais rico reino do mundo. Aquele lugar era o mais detestado pelos seguidores do Rei do Movimento, registrado na historia apenas como Senhor. Por anos o lugar foi atacado e os arredores devastados, mas o palácio não ruiu.
O fim da Guerra é o que podemos chamar de irônico. O reino mais forte foi o primeiro a cair. As forças do Movimento haviam aumentado muito, se mesclando inclusive com não magos e principalmente, se juntando com os demônios dos dias antigos. Aquele exército caiu como uma tempestade sobre Pandorian, devastando tudo. O Senhor estava na frente de seu exército e entrou pessoalmente no castelo e assassinou o rei e toda sua família. Exceto um bebê, uma garotinha, a filha do rei. Pois no sangue real há poder. Mas naquele mesmo dia o Movimento chegou ao fim. Os demônios se rebelaram repentinamente, como é da natureza deles, traíram seus mestres novos e começaram a destruir seus aliados. O restante da devastação veio por parte da resistência que eliminou o resto do Movimento e triunfou, após cinquenta anos. Mas muitos morreram naquele dia, mortos tanto pelos magos do Movimento, quanto pelos demônios, que naquela noite voltaram para as profundezas. O Senhor, porém conseguiu escapar para o extremo leste, para as terras sombrias e lá, até hoje é o Rei. A princesa se perdeu, talvez esteja morta, o que seria bom, pois apenas o sangue da menina seria capaz de reerguer Ele.
Esse é um pequeno fragmento da grande historia de Astra, escrita sobre mentiras e sangue. Hoje com parte da magia perdida, o mundo de Astra é quase um mundo “normal”. Porém, coisas sombrias se movem silenciosamente nas sombras, coisas antigas.
Mais sangue e mais mentiras estão prestes a surgir nesse mundo, tempos sombrios e sangrentos estão cada vez mais próximos. Um sangue que se levanta, uma sombra que se move, uma estrela que cai, pequenos detalhes formam Astra. Nossa historia começa num pacato vilarejo no norte, onde a vida duma jovem camponesa está prestes a mudar...
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