As Crônicas dos Marotos
4 O Erro dos Marotos - Parte I
Notas iniciais
Remus deixou a torre de astronomia pensativo a respeito de tudo que o professor Dumbledore acabara de lhe dizer. Como ele poderia saber tanto a respeito? Será que, em algum momento, ele e Sirius vacilaram? Era provável que, se o diretor sabia do seu envolvimento com ele, outras pessoas também suspeitariam. Ele precisava tomar mais cuidado das próximas vezes.
Pisando a grama macia do jardim, Remus ouviu passos apressados e olhou para trás. Pettigrew vinha ao seu encalço abanando as mãos e tentando sinalizar alguma coisa. Remus parou, sem entender nada.
— Lupin! Lupin! — Peter gritava desesperadoramente.
— O que é, Peter? O que foi? — Lupin respondia no mesmo tom.
— O James pegou o Snape! Ele pendurou ele numa árvore ali perto! — gritou o rapaz, e Lupin logo sacou a varinha e saiu correndo na direção indicada pelo amigo.
Poucos metros a frente, James estava com os pés em cima da varinha de Severus Snape, da Sonserina, e havia colocado o pálido e cabeludo rapaz preso entre alguns galhos de algo que parecia um carvalho.
— James! — Lupin esbravejou. — O que é que você está fazendo?
— Estou coletando informações! — James gritou, sem nem se atrever a olhar para o outro.
— Mas, o quê? A respeito do quê? — Lupin parecia realmente confuso.
— Eu não fiz nada, eu juro! — A voz de Snape parecia definitivamente desesperada.
— Desce ele, Potter... — pediu o outro que, na verdade, nem parecia muito interessado em vê-lo no chão.
— Não antes de ele dizer onde colocou o pergaminho! — com um maneio na varinha, Snape começou a girar no ar.
Remus Lupin arregalou os olhos e sacou a varinha. Seu olhar era furioso.
— Você enlouqueceu, James? Falou do pergaminho pra outra pessoa! Você é um idiota! — Remus atravessou na frente do amigo e apontou a varinha para ele.
— Burro é você! Quem você acha que pegou? O único verme que faz esse tipo de coisa é o ranhoso! Eu tenho certeza!
— Eu não fiz nada! — gritou Snape, para se certificar.
— Desce ele, Potter! — ordenou Lupin. — Agora!
— Não vou descer ele. Não enquanto ele não falar!
— Expelliarmus! — Lupin apontou para a varinha de James, que foi arremessada longe. Snape ganiu de dor ao cair no chão.
— Você está maluco, isso sim! — James foi se aproximando de Remus com o intuito de, no mínimo, machucá-lo bastante.
— Você quer mesmo brigar, Potter? — desafiou Lupin. — Esqueceu que não tem sua varinha?
Por falar em varinha, Snape mais que depressa já retomou a sua e saiu correndo para dentro do castelo sob os olhares amedrontados de Peter Pettigrew que, a essa altura, estava imóvel e com os joelhos batendo um no outro.
— Brigue que nem um homem, Lupin! Você ainda sabe o que é isso? Sabe? Sabe o que é ser homem, Moony? — Ele se aproximava enquanto Lupin caminhava lentamente para trás, com os olhos vermelhos de raiva.
— Você sabe que não podia fazer isso! Você sabe que não pode falar esse tipo de coisa, James! Expelliarmus! — desarmado, o feitiço atingiu o abdome de Potter que foi arremessado a alguns metros para trás.
Lupin já saiu correndo e grudou no colarinho do outro. Peter gritou.
— Seu desgraçado! — o punho de Remus atingiu com tudo o nariz de James, que empurrou o amigo e logo os dois saíram rolando pelo jardim.
Peter saiu correndo para dentro do castelo.
— Não podia ter falado nada do mapa pro Ranhoso! Agora sim ele vai querer saber o que era. — Remus conseguiu acertar mais um murro em James que, ao que parecia, estava um pouco aéreo depois do feitiço e do outro golpe. — Você não aprende, seu idiota! Babaca! — agora de pé, Lupin deu um chute no rumo das costelas de James. — Se alguma coisa acontecer com a gente e com o Sirius, vai ser tudo culpa sua!
— Chega! — a voz aguda e desesperada de Lilian Evans desfez a fúria momentânea de Remus. — Parem com isso! — bradou, correndo até o namorado.
Severus Snape e Peter Pettigrew vinham logo atrás. Remus foi na direção deles.
— Lupin! — a ruiva gritou. — Você enlouqueceu? O James precisa ir pra enfermaria!
— Dois socos e um feitiço de desarmar não são motivos pra enfermaria, Evans. — fez uma pausa. — Ah, desculpe, eu esqueci que o James é um frouxo ridículo. — sua voz exalava ódio. — Cuide do seu namorado e vê se fala pra ele parar de fazer besteira. — Remus atravessou o jardim passando entre Peter e Snape em direção ao castelo pisando duro.
Snape correu até a ruiva, tentando se explicar.
— Ele de repente me encontrou no corredor e me trouxe até aqui! Falou de um pergaminho... Eu não sei o que ele queria dizer com isso. Eu juro Lily, eu não fiz nada! — a ruiva sequer encarava o sonserino.
— Tá bom, Snape, tá bom! Agora me ajuda a levar ele pra enfermaria, pode ser? — James tinha desmaiado.
— Eu não vou ajudar o cara que queria me bater. — Snape se levantou, altivo. — Desculpa, Lily, mas nem por você eu faço isso. — logo correu para dentro do castelo.
— Eu ajudo! — Peter gritou, correndo até a ruiva e o namorado. Peter colocou o amigo no colo e caminhou com ele, lentamente.
— Ah, obrigada Peter! — respirou fundo, aliviada. — Você pode me dizer do que é que eles estão falando, Peter? Por que é que o Jay fez isso?
— O-Olha... — ele já arfava. — E-Eu não sei. Quando eu cheguei aqui o Ranhos... — ele parou, pálido. — Q-Quer dizer... O Severus estava pendurado e depois o Remus chegou e fez isso com ele! — James parecia pesar muito mais do que aparentava, mesmo com a ruiva segurando seus pés.
— E você sabe me dizer a respeito algo sobre o tal pergaminho? O que tem nesse pergaminho de tão impressionante? — ela o fitava com um olhar inquisidor.
Peter limitou-se a balançar a cabeça negativamente. Sua respiração já estava muito alterada por não estar acostumado a fazer exercícios e Lilian simplesmente deixou pra lá, afinal, poderia questionar o namorado quando ele acordasse.
Com muito custo eles conseguiram, enfim, colocar James num dos leitos vazios da enfermaria. Madame Ponfrey simplesmente ficara indignada com o que ouvira e decidiu convocar a professor McGonagall, diretora da casa de Grifinória, para que ela desse as devidas punições ao senhor Lupin e ao senhor Potter.
Fale com o autor