As Crônicas de Sarcina
1 Prefácio
Notas iniciais
Grandes impérios são erguidos com sangue. Fulgur não foi exceção.
A Vila Latebras foi arquitetada aos poucos ao redor da Floresta dos Corvos, como apelidaram o pequeno bosque que possuía varia espécies de negras aves. Nela, refugiados da Guerra dos Quatro Reinos de Sarcina buscavam um abrigo, longe das batalhas e do sangue. Enquanto bandidos fugitivos, pequenos camponeses e andarilhos misteriosos construíam seus edifícios simples, o desconhecido espreitava da floresta, cada vez mais próximo.
Intrigados com acontecimentos misteriosos na região, os líderes de Latebras se unem, descobrindo nas entranhas da Floresta os Veneficas, feiticeiros que obtinham sua magia através da força vital das árvores. A ganancia apodera-se dos homens que selam um tratado em troca do sigilo, o Tratado do Silêncio. A favor dos Homens, outro acordo foi feito. O Tratado do Reino prometia um império rico em magia e poder, com castelos e riquezas imensas, assegurado com a Magia de Sangue em que um rei e uma rainha seriam eleitos, sendo um humano e o outro Venefica, mantendo unidas para sempre as duas raças.
As gerações que se seguiram mantiveram a frágil paz, marcada pela confraternização de saberes mágicos e a comemoração do Festival dos Mortos, onde aqueles que já haviam partido voltavam em forma de espectros para seus parentes vivos durante a primeira noite do ano, abalizada pela primeira precipitação da neve.
Toda a bonança rompeu-se no Levante, o motim concretizado na Vila Latebras. Liderados por Genere, jovem cuja as doutrinas repudiavam qualquer feitiçaria ou magia, os aldeãos incendiaram a Floresta. Alguns dos Veneficas escaparam, outros permaneceram, acreditando na proteção que o bosque iria lhes conceder.
Nenhum feitiço foi pronunciado, nenhum que salvasse a vida dos magos e de suas crianças. Enquanto as chamas ardiam, um sussurro foi ouvido por todo o reino, vindo da terra e do céu, que se repetiu durante um longo tempo: “O Reino cairá em desgraça nas mãos de seu jovem rei.”
Quando o fogo por fim cedeu, viu-se que nenhuma árvore havia caído ou sucumbido a ele, embora seus fiéis moradores estivessem agora em forma de cinzas.
Restava-lhes, então, exterminar os Herdeiros do Tratado, manchados com o sangue dos Veneficas que corriam em suas veias. O Dia da Vitória marcou a invasão do Castelo do Rei e a queda da nobreza. Os salões, manchados de vermelho estavam vazios e o trono clamava por um novo rei: Genere.
Os Quatro Reinos selam a paz após sete anos de guerra, e seus olhos se voltam para Latebras.
Enquanto novas ameaças se aproximam, o novo império ganha um nome: Fulgur, o Reino da Luz. Uma aliança se forma após ameaças de combate e diplomacia, criando então os Cinco Grandes Reinos.
Toda a magia deveria ser exterminada de Fulgur e todo aquele acusado de bruxaria teria o mesmo fim.
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