-Hoje, Rodrigo vem cá ter comigo! – Dançava Catarina pelo quarto fora com um vestido junto de si.

-Quem é o Rodrigo? – Perguntava a sua ama.

-Há, ainda não te contei… Ontem no baile o príncipe de Solar pediu-me para dançar, estivemos na conversa, reparamos que temos muito em comum e ele disse que vinha cá hoje.

-Vamos ter casamento?

-Pode ser que sim!

Catarina passou a manhã toda a passear com Rodrigo no jardim do palácio enquanto Luana estava no seu quarto a pensar no que acontecera na noite anterior. Incrivelmente Rodrigo e Catarina estavam a gostar verdadeiramente um do outro, decidiram que depois de almoçar fariam uma caminhada pelas montanhas, perto do palácio e assim foi.

-Esta a ser divertido, não? – Perguntava Catarina enquanto escalava.

-Estou a adorar, mas é porque estou contigo! – Catarina não respondeu e continuou a subir a montanha, mas colocou mal o pé e escorregou – Catarina!? – Gritou Rodrigo.

-Calma posicionei mal o pé! – Tentava Catarina acalmar Rodrigo.

Quando estavam no cimo da montanha Rodrigo abraçou Catarina e disse:

-Não aguento mais, não sei o que esta a acontecer comigo, mas quando vi que ias cair fiquei descontrolado, ontem mal consegui dormir só a pensar em ti!

-Estas a deixar-me sem palavras! – Catarina estava a ficar corada com o que estava a ouvir.

-Catarina, agora tu podias ter morrido, por isso, não posso esperar mais – Rodrigo ajoelhou-se, tirou uma caixa do bolso e disse – Queres casar comigo? – E abriu a caixa que continha um anel de ouro branco com um diamante cor-de-rosa que brilhava com a luz do sol. Catarina ficou sem palavras e permaneceu uns minutos sem dizer nada – Diz alguma coisa, senão vou morrer!

-Sim! – Ao prenunciar esta simples palavra Catarina puxou Rodrigo para cima e abraçou-o com todas as forças que conseguia encontrar no seu corpo depois beijou-o.

Catarina e Rodrigo voltaram para o palácio ao por do sol, jantaram e quando Catarina se despediu do seu noivo dirigiu-se ao quarto de Luana e bateu á porta.

-Sim?

-Luana, posso entrar?

-O que queres?

-Olha desculpa pelo que te disse ontem… Fui muito provocante, eu tenho sido muito má contigo mas tenho uma notícia e gostava que fosses a primeira a saber.

-Entra! – Catarina entrou, viu a sua irmã na cama e sentou-se ao seu lado.

-Olha – e mostrou o anel que Rodrigo lhe oferecera.

-É lindo! Onde o compras-te?

-Não comprei. Vou-me casar, Luana!

-O quê? Assim tão rápido? – Luana sentia-se demasiado feliz pela irmã mas estava muito preocupada pois acontecera tudo muito depressa.

-Sim! Hoje fui escalar com Rodrigo, o príncipe de Solar, eu ia caindo e ele disse que não queria esperar mais e no cimo da montanha pediu-me em casamento!

-Que bonito!

-Olha terei mesmo que te pedir desculpa, eu ontem não devia ter dito aquilo do Dário se gostas dele vai em frente não tem importância se é um príncipe ou não, os pais iriam ficar orgulhosos de ti, de lutares por aquilo que queres.

-Obrigado. Mas que tens? Nunca foste assim para mim?

-Hoje podia ter morrido e percebi que mais vale a pena morrer feliz com as pessoas que gosto do que andar em guerras.

-Ainda bem que chegaste a essa conclusão porque mais um dia com as tuas cenas e eu fugia do palácio – e riram-se as duas, passaram a noite a falar de preparativos para o casamento até que adormeceram no quarto de Luana.


O castelo andava muito atarefado com os preparativos para o aniversário das meninas, faltava um dia, Luana e Catarina passaram a manhã juntas no quarto a escolher penteados. Luana estava muito nervosa pois Dário iria á tarde ao palácio para as princesas escolherem os vestidos. Elas almoçaram e foram para o quarto de Luana assim esperando pelo Dário.

-Estás nervosa? – Perguntava Catarina.

-Porque haveria de estar, são só vestidos!?

-Luana, não me referia aos vestidos.

-Não sejas parva – “truz, truz” ecoaram dois toques da porta do quarto de Luana, elas já sabiam quem era mas Luana não teve coragem de falar.

-Entre! – Exclamou alegremente Catarina.

Dário entrou pelo quarto a dentro cheio de vestido nos braços, quando viu Catarina ali desequilibrou-se e caiu, os vestidos cobriram-no e ele desejava ficar ali mas levantou-se e começou a apanhar os vestidos.

-Vai ajuda-lo! – Segredava discretamente Catarina para Luana.

-Eu ajudo-te! – Luana dirigiu-se ao monte de vestidos, como a irmã lhe dissera, ajudou Dário a apanhar os vestidos e a coloca-los na cama.

Passaram a tarde toda a experimentar vestidos enquanto Dário dava as suas opiniões que na maioria dos casos eram sempre boas, depois de experimentarem dezenas de vestidos Catarina já tinha encontrado um prefeito mas Luana não, então num ato desesperado colocou-se no meio dos vestidos e remexeu bem fundo até que encontrou um vestido azul pérola com lindos brilhantes na saia superior e disse:

-É este mesmo! Está escolhido! – Suspirava Luana.

-Finalmente! – Ria-se Catarina.

-Bem como já escolheram os seus vestidos, vou retirar-me – dizia Dário enquanto dirigia-se para a porta com o resto dos vestidos.

-Porque não fica para jantar? – Perguntou Catarina correndo para perto de Dário, Luana ficou pasmada com a atitude da irmã.

-Não pretendo incomodar – Dário virou-se para traz e olhou para Luana.

-Não será nenhum incómodo! – Exclamou Luana rindo-se para Dário.

-Sendo assim aceito.


Um raio de luz penetrou a janela bateu no espelho e refletiu a luz nos olhos de Luana o sol estava mais brilhante que nunca, Luana acordou e refletiu “Hoje é um dia diferente, faço dezoito anos e a partir de hoje farei o que o meu coração desejar”.

Catarina acordou normalmente, levantou-se, dirigiu-se ao espelho e pensou “Estes últimos dias têm sido os melhores do mundo, tenho que esquecer o testamento e pensar nas coisas boas que tenho, uma irmã e Rodrigo, o meu amor”.

As duas irmãs passaram a manhã toda muito ocupadas. Escolheram os seus penteados, os sapatos que mais combinavam com os vestidos. As grinaldas, os colares e a maquilhagem. Há tarde decidiram andar um pouco de cavalo para poderem desanuviar, cavalgaram pela floresta enquanto conversavam sobre o passado dos seus pais, ao meio da tarde voltaram para o castelo e assim arranjaram-se para o grande baile de dezoito anos.

Quando acabaram de se arranjar Luana e Catarina decidiram que iriam descer as duas e combinaram que seriam recebidas pelos seus pares, Catarina já tinha o seu par definido que era Rodrigo mas Luana não sabia quem seria o seu par então estava muito nervosa.

Luana ao aproximar-se das escadas deu uma breve espreitadela para saber quem seria o seu par mas nada viu, o lugar para o seu parceiro estava vazio, por ocupar. Catarina chegou junto da irmã e fez sinal para descerem, desceram degrau a degrau. Luana estava muito atenta e ao mesmo tempo desesperada, faltavam dois degraus quando de repente Dário estava no lugar vazio, ela sorriu ao poder ver aquele lugar ocupado e ficou ainda mais feliz por ver que era ocupado por Dário então encheu os seus pulmões com uma golfada de ar e expirou, desceu os últimos dois degraus e juntou-se a Dário.

-Estas muito bonita! – Elogiou Dário.

-Obrigado – disse Luana dirigindo-se para o centro do salão.

Catarina e Luana fizeram uma vénia para abrirem o baile com os seus pares. Tocou uma balada e as irmãs começaram a dançar.

-Estas outra vez nervosa! – Sussurrava Dário ao ouvido de Luana.

-Estas sempre a dizer isso! – Ria-se Luana.

-É a verdade – Dário juntou-se mais a Luana e ficaram cara a cara.

Os convidados juntaram-se as aniversariantes e pouco tempo depois entraram dois grandes bolos, um cor-de-rosa para Catarina e outro azul para Luana, a iluminação foi apagada e dois focos de luz ficaram posicionados para as irmãs. Os convidaram cantaram os parabéns e as velas foram apagadas, as irmãs tiveram o mesmo pensamento “Dezoito anos!”.

-Parabéns princesas! – Disse Dário a Luana e Catarina.

-Parabéns princesas! – Disse Rodrigo a Luana e Catarina.

E assim continuou a noite. As irmãs receberam os parabéns de muitas pessoas.

-Pode vir comigo, alteza? – Perguntou Dário a Luana.

-Onde?

-Tenho uma prenda para si, vem? – Insistia Dário.

-Sim! – Luana estava muito entusiasmada.

Dário saiu com Luana sem ninguém perceber, tapou-lhe os olhos, levou-a para o jardim e quando lá chegaram destapou-lhe os olhos.

-O que estamos aqui a fazer? – Perguntou Luana surpresa.

-Luana quero que feches os olhos – pediu Dário.

-Para quê?

-Faz parte da surpresa! – Exclamou Dário piscando o olho.

Então Luana fechou os olhos. Dário olhou para trás e fez sinal a dois músicos para começarem a tocar uma música romântica.

-O que é isto? – Perguntou Luana abrindo os olhos.

-É a minha surpresa! – Dário ajoelhou-se e disse – Gostaria muito de dançar contigo a sós, aceitas?

-Sim!

Dário levantou-se. Segurou na mão de Luana. Colocou-se mais perto dela e começou a dançar. Quando a música acabou Dário olhou-a nos olhos, colocando os seus lábios perto dos dela mas Luana colocou o seu dedo na sua boca e disse.

-Não Dário – prenunciando estas palavras Luana saiu a correr do jardim e juntou-se à festa mas quando corria deixou cair o seu colar e Dário encontrou-o.

A festa continuou e Catarina estava muito divertida com Rodrigo já a sua irmã ficou muito nervosa com o que se passara no jardim. A noite foi longa.

Era quase de manhã quando a festa acabou. Enquanto as duas princesas subiam as escadas para se dirigirem aos seus quartos, Catarina disse:

-Esta festa de dezoito anos foi espetacular! Não achas?

-Sim foi estupenda! Estava muito bem organizada.

-Vou dormir! – Disse Catarina bocejando.

-Está bem. Adeus! – Luana dirigiu-se para o seu quarto. Quando fechou a porta suspirou, caiu em cima da cama, pegou no livro que andava a ler e recostou-se.

O livro parecia diferente, as cores, a forma era como se aquele livro não fosse o seu. Abriu-o e uma luz veio de lá de dentro. Assustou-se e atirou-o ao ar, aterrando aberto no meio da sua cama.

Luana chegou-se para ver em que pagina o livro ficara aberto e para seu espanto havia cinco palavras sublinhadas, ela não gostava de riscar os livros, chegou-se mais perto para poder ver as palavras e disse-as em voz alta.

-Água, Terra, Fogo, Ar e princesa – eram as palavras que estavam sublinhadas. Pensou que seria um sonho, então colocou o livro na mesa-de-cabeceira, deitou-se.

Pouco tempo depois estava a dormir.