As Crônicas Dos Dez - Cálice da tormenta
2 Testados: Parte um.
Testados: Parte um.
Há dez anos a guerra estourou. Três lordes de diferentes raças se uniram para subir ao trono por toda a terra média. Juntos seus três exércitos se tornaram símbolo de morte, caos e destruição. Uma a uma as batalhas foram devastando os vales e as grandes cidades.
Dois anos após o inicio da guerra a noticia sobre os dez fora espalhada. Tanto camponeses quanto senhores feudais vangloriavam o poder dos dez, e reverenciavam seus nomes, como sendo sua única salvação contra os três imperadores Luca, Nicholai e Inxas que se autodenominavam Prodromos.
~OoO~
– Mestre, quem são eles? – Indagou um garoto de olhos vermelhos e cachos castanhos.
– São seus novos irmãos. – Disse um homem de cabelo cinza descendo do cavalo negro, com um sorriso doce nos lábios e indo até os dois pequenos que estava em uma égua rajada. Pegou os dois garotos loiros, de uma vez, pois eram muito pequenos e mirrados.
Vrael os colocou no chão, e foi até o lugar onde as outras sete crianças estavam, todas de sete a dez anos. Atrás delas uma mulher de cabelos loiros sorria docemente para o homem que chegou e lhe tomou os lábios, em um singelo selinho que foi recebido pelos pequenos com assobios e gritinhos alegres.
Quando se separou da mulher as crianças grudaram em suas pernas, sorrindo e pulando para que as pegasse no colo. Logo que ele terminou os cumprimentos, se virou para os dois que continuavam encolhidos aos pés da égua. Os dois pequenos tinham cabelos loiros, e olhos muito azuis. Tinham sete anos e pela igualdade de traços deduzisse que eram gêmeos.
– Estes são Saiko e Gekai, vão morar conosco a partir de hoje. – Os meninos ficaram olhando assustados para aquele amontoado de crianças, enquanto os outros sete olhavam com curiosidade.
Ficaram assim durante um tempo, e então um garoto de cabelo castanho avermelhado, um pouco mais velho chegou perto da dupla de tímidos sorrindo, suas belas covinhas a mostra. Ele se abaixou e pegou uma pequena flor branca que estava no chão, e estendeu a mão para os dois.
– Oi, eu sou o Kami. – Disse chegando mais perto.
O gêmeo de cabelos mais escuros pegou a flor e sorriu sendo seguido do outro.
– Oi, eu sou o Saiko.
– E eu sou o Gekai. – Disse o de cabelos mais claros, mostrando sua fileira de dentinhos em um sorriso.
Ao fundo os dois adultos continuavam olhando a cena enquanto aos poucos os dois novos aprendizes começavam a interagir com os outros. A mulher cabelos loiros se encolheu no peito de Vrael quando este a abraçou, a acolhendo em seus braços.
– Nossa família esta crescendo Amelie. – Disse ele sorrindo docemente.
– Sim Vrael. – Respondeu ela, deitando a cabeça em seu peito, enquanto sorria.
~OoO~
A noite chegou e com ela o característico som de bagunça na longa mesa onde as dez crianças estavam sentadas jantando com os adultos que riam das historias que os pequenos contavam sobre suas bagunças, e artes.
– Ai quando o Samuel percebeu que o galho ia quebrar ele pulou e caiu sentado em um formigueiro! – Dizia uma garota de cabelos castanhos, rindo. Pela aparência era uma das mais velhas.
– Sessili, não conta isso! – Disse Samuel, o de olhos vermelhos, emburrado.
~OoO~
DEZ ANOS DEPOIS.
Entre os altos pinheiros da floresta Gazzen, os dez estavam espalhados. Cada em busca de seu ultimato, que alegaria assim se eram ou não merecedores de tal honra. Cada um em ponto diferente da floresta, indicado em um bilhete que receberam durante a madrugada.
Na área noroeste da floresta, um grande carvalho se erguia majestoso em seus mais de trinta metros de altura. Seus galhos se propagavam em volta do tronco com uma grande tenda marrom esverdeada.
Sentado sobre o solo gramado embaixo da arvore centenária, um rapaz de cabelos brancos repousava silenciosamente. Seus olhos estavam fechados, e seus sentidos em alerta. Seus traços finos demonstravam calma e concentração. Seus cabelos desciam até sua cintura. No topo de sua cabeça um coque firme prendia algumas mechas. O rapaz vestia uma espécie de quimono branco.
Sobre suas pernas dobradas repousava uma flauta. A mesma tinha um tom azul celeste, que tinha um brilho prateado quando a luz pousava em si.
Um barulho a direita fez com que abrisse seus olhos azuis. Agora concentrados. Com sua audição treinada, pode ouvir o som de passos de aproximando.
Então eles apareceram, um em cada extremidade em volta da arvore. Os seis Wendigos encaravam Eratus com fúria. Seus olhos vermelhos brilhavam em suas faces lupinas. As criaturas disponibilizavam de quatro braços, sendo dois em tamanho normal, e os outros dois chegavam até seus calcanhares, fortes e musculosos. Uma grande juba de pelos cinzentos e sujos desciam por suas costas, havia pelos também em seus peitos e ombros, tendo o resto de seu corpo cobertos por uma espécie de couro cinzento.
Os Wendigos encararam o jovem uma ultima vez, para logo em seguida o som de seus rugidos guturais vibrarem pelo ar na clareira, no ritmo que eles avançavam com as garras e dentes a mostra.
Eratus se permitiu sorrir uma vez. Um sorriso sádico. Em uma velocidade inumana a flauta tocou seus lábios.
Quando a primeira nota vibrou no ar as criaturas pararam como que por uma força invisível. Pouco a pouco as notas começaram a ganhar cada vez mais força. Um a um os monstros foram jogados de encontro aos troncos. Seus corpos começaram a ser prensados, como se um tronco invisível os estivesse amassando. Em uma nota mais potente o primeiro Wendigo estourou, fazendo com que seu sangue negro e sua carne pútrida se espalhassem pelo chão. Em outra nota potente mais explodiu, e assim se foi até que quatro deles jazessem despedaçados pelo chão.
A flauta foi retirada dos lábios. Quando a ultima nota vibrou e se desfez os corpos enfraquecidos caíram ao chão, rugindo quando viram o estado de seus companheiros. Enfurecidos, se ergueram investindo contra Eratus. O primeiro desferiu um golpe com as garras que mais pareciam foices.
Eratus se desviou no ultimo instante do ataque que lhe deceparia a cabeça. Em um movimento duas adagas saíram de suas mangas. O jovem de cabelos brancos deu um giro de 360º com os braços esticados como uma lança, acertando em cheio as costas da criatura que caiu de joelhos. O próximo ataque veio do auto. O Wendigo restante saltou de um galho do carvalho com as garras esticadas como uma águia prestes a conseguir sua caça.
Eratus porem foi mais agiu, saltou fazendo uma pirueta dupla no ar. Com a graça de uma pena, caiu com os joelhos flexionados a cinco metros do monstro que lhe encarava com fúria. A criatura investiu.
Rápido com uma cobra ao dar o bote, Eratus se desviou de todos os ataques com facilidade. Com os pés descalços desferiu um chute contra o peito do atacante, o arremessando contra um dos galhos do carvalho, que apesar de grosso de partiu coma força do impacto.
Com dificuldade o Wendigo se ergueu junto com o que fora ferido nas costas, que nesse momento se encontrava de quatro. Com agilidade, Eratus saltou no ar girando como um tornado de cabelos brancos, De suas mãos as adagas foram lançadas. Novamente pousou no chão, sem atrito ou som.
Olhando para as duas criaturas pode ver suas armas enterradas nas testas de ambos.
Novamente sentou-se aos pés do carvalho, murmurando uma palavra fazendo com que suas armas voassem dos cadáveres e parassem fincadas no chão a sua frente. A flauta que antes fora esquecida, agora repousava novamente nas mãos de Eratus, que a levou aos lábios, ressonando uma apática melodia.
~OoO~
Não muito longe dali, mas especificamente andando sobre as águas do lago Nwi’ne, uma bela ninfa apreciava a beleza dos peixes se aglomeravam abaixo de si. Seus pés tocavam a agua como se estivessem tocando o mais firme granito, andando sobre o liquido como se tivesse uma ponte transparente entre seus pés e a água.
Seus cabelos castanhos estavam amarrados em um rabo de cavalo alto, com uma franja que cobria metade de seu rosto. Suas vestes simples eram apenas um espartilho de couro, e uma saia de batalha do mesmo tecido, seus pés eram cobertos por uma bota feita de couro. Em suas mãos, munhequeiras de couro escondiam a pele de dedos alvos.
Com passos leves e suaves a moça rumou para a beira do lago, começando a adentrar a floresta que ali havia.
Andava silenciosa e a espreita, aguardando um ataque surpresa ou alguma armadilha medíocre colocada na mata.
A moça fechou os olhos, concentrando sua energia. Quando os abriu, seu corpo se dissolveu, tornando-se uma brisa e flutuando para cima em um dos galhos mais altos em um uma fração de segundo.
A ninfa concentrou sua energia novamente, voltando a materializar seu corpo, ficando em pé sobre um galho. Com seus sentido treinados começou a avaliar a região, ficando agachada sobre o galho, como uma ave de rapina.
Rápida como o bote de uma cobra, Sessili virou a cabeça para o norte onde o som de cascalhos se movendo se originou. Com habilidade saltou para o galho da frente, e depois para o da proxima arvore, começando a correr assim.
Logo suas suspeitas se concretizaram quando o quer que a estivesse perseguindo, saltou no galho a sua frente.
Inicialmente ela pensou que fosse um homem com um manto negro sobre o corpo, mas logo a criatura começou a se deformar, se tornando um humanóide, porem completamente negro, o que mostrava seus músculos definidos a aparência masculina, primeiro um negro brilhante, para depois passar para o preto fosco, mostrando que havia se tornado algo sólido.
A criatura aspirou o ar profundamente, apreciando o cheiro feminino que provinha da Ninfa.
– Hm... Uma fêmea. Há muito tempo não conseguia uma caça tão... Promissora.
– Hoje a unica coisa que será caçada aqui é você criatura.
A criatura sorriu, e seus olhos se prenderam nos seios fartos da ninfa, para logo depois começar a olhar todo o corpo da ninfa com um olhar faminto, desejoso chegando a ser algo luxurioso.
– Nós sombras, há muito caímos no esquecimento. Vivemos sempre espreitando em florestas e grutas... Toda a nossa glória de outrora se foi. Mas você – Dizia ele ainda cobiçando a ninfa, e chegando cada vez mais perto. – Terá a honra de servir um dos últimos dessa raça tão poderosa.
– Eu não vou servir ninguém. A unica que vai receber de mim, será uma morte rápida. – Dizia a ninfa em fúria.
O homem-sombra sorriu novamente, e saltou em um mortal, grudando seus pés no galho de cima, ficando de cabeça para baixo.
– Fêmeas ariscas, sempre nos proporcionam um prazer elevado...
A frase não terminada, pois enquanto o homem-sombra falava soberbo, a ninfa saltou, acertando-lhe um chute na face, fazendo o voar quatro metros e bater contra o tronco central da arvore, fazendo com que toda a estrutura tremesse.
– O único prazer que lhe proporcionarei será o dos meus punhos.
A sombra ficou de quatro, enquanto se erguia rindo debochado. Sua mão direita pousada no maxilar, aonde o chute tinha pegado com intensidade.
– Você tem um bom chute ninfa. E a propósito, meu nome é Lazan’g, apenas para você saber quem te domou fêmea selvagem.
Rápido, avançou contra Sessili, que desviou do soco certeiro no ultimo instante, virando em uma posição de ponte. Antes que Lazan’g pudesse fazer algum ataque, a ninfa forçou os pés para cima, acertando novamente o queixo do homem sombra, o jogando pra cima.
Com o impacto, o galho que antes ele se prendera se partiu, quando caiu, a ninfa acertou outro chute, jogando o corpo de Lazan’g para o chão, vinte metros abaixo.
Sessili saltou, fazendo uma pirueta no ar, e pousando graciosamente a quinze metros, de Lazan’g que se erguia.
– Minha vez. – Diz com a voz soberba.
Antes que Sessili pudesse pensar em desviar um soco acertou seu peito, jogando-a contra o tronco de uma arvore. Mal teve tempo de ser, e as mãos do homem-sombra se fecharam em seus cabelos, erguendo seu rosto. Lazan’g fechou o punho e acertou a face da ninfa com um soco. E com um puxão, a arremessou contra outra arvore.
O som da risada do homem-sombra encheu aquela parte da floresta. Com dificuldade, Sessili se ergueu, um filete do liquido escarlate descia pelo canto de sua boca. Logo ficou em pé, e concentrou novamente sua energia, recuperando totalmente suas forças. E sem dizer nada desapareceu, fundindo-se com o ar.
Lazan’g olhou assustado para onde a ninfa se encontrava, e olhou para os lados, procurando-a.
Sessili se encontrava atrás de uma árvore, ainda como uma leve brisa que rodopiava em torno de si mesma. E sem aviso pairou até a frente de Lazan’g ficando a uns dez metros do homem-sombra.
Novamente ela concentrou sua energia, e com um grito voltou a sua forma original, no mesmo instante que uma coluna de terra saia em diagonal de trás de Lazan’g, o jogando para ela que o recebeu com uma seqüência de chutes e murros.
Quando o corpo debilitado da criatura, estava tentando se erguer, Sessili bateu seus dois punhos no chão, fazendo com que manoplas de pedra grudassem em suas mãos, formando luvas maciças.
Veloz como uma cobra acertou o primeiro murro, e depois outro e outro. O corpo negro a sua frente já se encontrava setenta por cento com rachaduras estranhas. Jogando as placas de pedra para o lado ela agarrou a cabeça da criatura com as mãos nuas.
– Só para você saber quem te matou; Meu nome é Sessili. – As palavras foram seguidas do estalido de osso se quebrando, que vinha do pescoço de Lazan’g.
O corpo tombou e logo se dissolveu em uma poeira enegrecida, que foi soprada pelo vento ao gosto da ninfa.
~OoO~
Capitulo revisado por: persefone tenou
Bom dia,
E aî, o que acharam? Explicando: Resolvi separar o primeiro capitulo em quatro partes, pois se não acabaria ficando muito grande e assim cançativo. Estes quatro capitulos tretaram dos testes que eles terão de passar, para mostrar que são fortes o suficiente para mudar o rumo de uma guerra.
Os persongens de hoje foram: Eratus e Sessili.
No proximo capitulo: Samuel, Saiko e Gekai.
Por favor peço que deixem reviews, pois isso me motiva a escrever cada vez melhor, querendo assim agradar a todos.
Obrigado, Yuk.
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