As Crônicas De Nárnia - Aurora De Fogo
1 Cap 1 - Tripulante Misteriosa
Notas iniciais
Era noite, estava frio e o oceano continuava calmo. Depois de três meses em viagem, o rei Caspian regressava ao reino após outra missão cumprida ao lado de seu fiel capitão Drinian. Tudo estava aparentemente calmo. Caspian descansava na cabine enquanto os marujos mantinham o navio velejando. Um deles ajustava as velas, quando avistou não muito distante do Peregrino, um pequeno barco que parecia se aproximar. Ele apanhou um monóculo e se aproximou da lateral do navio tentando ter uma boa visão do pequeno barco.
- Capitão! _disse o marujo chamando atenção de Drinian que descia as escadas do convés.
- O que foi Sebastian? –perguntou o capitão.
- Parece que aquela pequena embarcação está se aproximando. Creio que tenha alguém em seu interior. Talvez precise de ajuda, devemos fazer alguma coisa?
- Deixe-me ver... –Drinian se aproximou e apanhou o monóculo das mãos do marujo. –É uma... –Drinian afastou o monóculo e encarou Sebastian. –Moça. Parece estar desacordada. –ele voltou a olhar pelo monóculo. –Vamos colocar um dos nossos barcos no mar. Vamos verificar...
- Sim capitão...
Sebastian se afastou e passou a ordem do capitão a mais dois marujos, que logo puseram um barco pequeno na água. Por uma longa escada de cordas, os três marujos desceram embarcando no pequeno barco e logo se aproximaram do outro onde encontraram aquela moça, coberta com tecidos escuros. Verificaram seu estado, e então decidiram levá-la para o navio. Com todo cuidado, os marujos conduziram a moça para dentro do Peregrino com ajuda de uma espécie de elevador feito com cordas e madeira. Drinian analisou a garota de cabelos dourados que puxava um tom rosado, enquanto a mesma permanecia deitada no chão do navio. O rei desceu as escadas sendo seguido por um dos marujos que o teria avisado da presença de um novo tripulante.
- O que está acontecendo Drinian? –disse o rei ao se aproximar.
- Esta moça rei Caspian... Não parece bem.
- O que aconteceu com ela? –Caspian dobrou os joelhos e retirou um tecido que cobria parte do rosto da moça.
- Estava sozinha em um barco. Já verifiquei e não encontrei nenhum ferimento em seu corpo, mas ela não desperta. –respondeu o capitão.
- Pode ter batido com a cabeça e perdido a consciência. –se manifestou Sebastian olhando o belo rosto da moça.
- Vamos cuidar dela... _disse Caspian se prostrando de pé. –Drinian conduza a moça até os aposentos do rei. Ela ficará mais confortável lá.
- Sim majestade. –concordou o capitão.
Drinian logo tomou a garota em seus braços levando-a para o quarto do rei. O capitão deixou a misteriosa moça sobre a cama macia dos aposentos de Caspian, enquanto o mesmo apenas observava com curiosidade a garota.
- Pode pedir que tragam frutas, ela pode acordar com fome... – disse Caspian assim que Drinian se aproximou.
- Acha que é seguro manter a moça a bordo majestade? –disse ao fitar o rosto da jovem.
- É apenas uma moça. –Caspian sorriu e tocou o ombro do capitão. –Que mal ela pode nos fazer?
O rei se retirou dos seus aposentos logo sendo seguido pelo capitão, e fechando a porta. Ambos se dirigiram ao convés. Na cama quente e confortável, a moça despertou abrindo os olhos parcialmente notando estar sozinha no interior do navio. Ela se levantou, e andou até a porta, abrindo apenas uma pequena fresta por onde viu o rei e seu capitão descendo as escadas. De volta ao interior dos aposentos, ela procurou por algo nas gavetas dos armários. Quando encontrou o que precisava, ela esboçou um sorriso largo. Então ouviu passos vindos do lado de fora e corre até a cama deitando-se novamente. Um marujo adentrou o aposento deixando uma bandeja repleta de frutas e outras provisões, depois se retirou novamente. A garota analisou a bandeja sortida, e depois decidiu voltar a fingir que dormia.
A noite passou, e a manhã se fez presente com seus raios de sol que aqueciam o convés inteiro. Caspian despertou na parte baixa do navio, deitado em uma das redes assim como os marujos. Após levantar-se ele se dirigiu a parte superior do navio, e encontrou Drinian.
- Bom dia majestade? –disse o capitão.
- Bom dia Drinian. E a nossa nova tripulante?
- Creio que ainda dorme majestade.
- Eu vou ver como ela está. –Caspian se dirigiu rumo às escadas e adentrou logo a seus aposentos.
O rei avistou a moça misteriosa ainda deitada sobre a cama, com a fronte voltada para a parede, e encolhida com os joelhos dobrados, em posição fetal. Caspian notou que a bandeja de frutas estava intacta, ou seja, não foi tocada durante a noite. Ele se afastou, andou até a janela e abriu-a deixando a luz do dia entrar. A moça se mexeu sobre o leito e se virou abrindo os olhos e esticando os braços. assim que viu o rei, ela se sentou sobre a cama e se encolheu contra a parede.
- Quem é voce? –disse ela com tom arisco.
- Fique calma, voce está segura... –Caspian se aproximou.
- Fique onde está... – ela subiu com os pés na cama, e apanhou um punhal de cima de uma mesinha onde estava a bandeja. – Eu sei usar isso...
- Não duvido! –sorriu o rei. – Mas repito você está segura, não há o que temer, eu não vou machucá-la, por favor... – disse em tom calmo e moderado.
- Onde eu estou? – a moça questionou olhando ao redor.
- Em um navio. Encontramos você em um pequeno barco, sabe o que aconteceu?
- Eu... Não me... Lembro.
- Tudo bem... –Caspian apontou para o punhal. – Posso?
- Não... –ela o empunhou na direção do rosto do rei. –Ainda não me disse quem voce é...
- Caspian... Rei de Nárnia!
- Caspian? –disse franzindo a testa. –Você é? Ah meu Deus... –a garota lançou o punhal no chão, desceu as pressas da cama e se curvou pondo um dos joelhos no chão. –Me perdoe majestade... Eu não sabia.
- Por favor, levante-se... –disse o rei se aproximando e tocando os ombros da moça.
- Eu pensei que fossem piratas... Sinto muito pelos meus modos. –disse olhando nos olhos do rei.
- Se sente bem?
- Sim...
- Está com fome? –Caspian ergueu as sobrancelhas olhando para a bela bandeja de frutas.
- Muita... –ela olhou na mesma direção.
- Por favor, não se acanhe elas foram deixadas aqui pra voce.
- Posso?
- Vá em frente! –Caspian estendeu sua mão na direção da bandeja.
Enquanto a garota avançava rumo às frutas, Caspian sorriu e se abaixou apanhando o punhal do chão e deixando-o sobre a mesa. Depois observou a moça enquanto ela se alimentava. Caspian sentou-se parcialmente sobre a mesa maior e disse com um sorriso amistoso:
- Então! Como se chama?
- Hum... –disse com um pedaço de maça na boca. –Aurora! Majestade...
- Prazer Aurora! O que fazia sozinha em um barco, em pleno mar aberto?
- Não, me lembro de ter saído tanto do meu curso... Majestade.
- Certo. Bem, logo estaremos em terra! E poderá voltar pra casa.
- Obrigado majestade. Por ter me resgatado!
- Não precisa agradecer! Termine seu café. –Caspian levantou-se e andou rumo a porta. –Depois conversaremos mais! –ele sorriu e abriu a porta logo saindo e deixando a moça sozinha.
A garota ficou séria, e deixou uma maça mordida dentro da bandeja e encarou a porta como se Caspian ainda estivesse ali. Depois se levantou e andou até a porta, virou-se olhando para o interior da cabine e disse:
- Sinto muito majestade! Mas a viagem do Peregrino termina aqui...
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