As Crônicas Aladas - Principatus
9 Capítulo Oito.
Notas iniciais
O que acharam dela?
Eu e Danny ficamos maravilhados y.y
Esperamos que vocês curtam o capítulo e não liguem minha emice em certas partes :v
Boa leitura
Estou num quarto todo decorado como se pertencesse a era vitoriana, sentada na cama mais perfeita que já vi, não só ela como o quarto parecem ter sido tirados de um filme de princesas da Disney, com todas as cores voltadas pro vermelho, marrom e dourado.
De repente escuto a porta se abrindo, é Kyle, usando suas roupas habituais, ele leva seus olhos ate mim, e vejo que estou só com um baby doll, Ruborizando puxo o lençol e me cubro.
Ele para em frente à cama.
– Você não precisa ter vergonha Emi – Fala enquanto segura minha mão e me puxa para junto dele, coloco a mão em seu peito para me apoiar, sinto seu calor. Meu Deus, ele é realmente quente. Levanto minha cabeça para olhar em seus olhos
— Kyle, o que es—Sou interrompida por sua boca, eu retribuo o beijo, um longo e demorado beijo, com ele conhecendo cada parte de minha boca e me puxando cara vez mais para si.
— Eu quero você, Emi – Kyle fala quando paramos para respirar, olho para baixo, eu não deveria fazer isso, sou muito nova e não conheço ele a tanto tempo assim. Mas de alguma maneira, não consigo resistir a seu olhar sedutor.
— Eu também – É tudo que eu consigo dizer.
Ele acaricia meu rosto e me deita na cama. Ele fica em cima de mim, começa a me beijar, mas para, descendo para o meu pescoço e me dando pequenos chupões e enfia uma mão debaixo de minha blusa, tocando em um de meus seios.
— Kyle – Chamo-o em meio a gemidos. Mas percebo que ele para e sinto algo molhado em mim, levo um susto. Olho para ele e vejo que Kyle tem uma faca cravada em seu coração.
Ele cai ao meu lado, eu grito seu nome varias vezes.
— Kyle, Kyle, Kyle – Mas ele já não respira e tudo fica escuro.
+++
Abro os olhos e percebo que Kyle esta me encarando.
— Esta tudo bem Emi? Você estava falando o meu nome enquanto dormia – Sinto um calor em minhas bochechas. Para meu alivio, aquilo tudo foi um sonho. Eu adormeci enquanto estávamos no carro, deitada no ombro de Kyle.
— Ta tudo bem, eu só estava sonhando.
— Comigo? Posso saber o que estava sonhando Emi? – Ele pergunta num tom sedutor e provocativo, quase como se pudesse saber sobre o sonho.
— N-Não foi nada de importante!
Ele ri e vira o rosto para o outro lado. Percebo que ainda está escuro e que estamos no meio de uma estrada que eu não conheço. Loran ainda está no comando do automóvel.
—Para onde estamos indo? — Solto.
—Para o local do seu treinamento. Não imagine que vamos ficar num hotel cinco estrelas, pois lá não chega nem perto disso. — Disse Loran. Percebi que ele tentou ser o mais amigável possível nessa frase, por isso, não levei como uma patada.
—Hum...
Sinto o vento bater em meus cabelos. Uma sensação totalmente nova me enche por dentro. Essa é a sensação da liberdade. E essa liberdade que estou sentindo agora é totalmente boa. Algo que eu poderia me embebedar de tanto provar.
Olho para o céu por curiosidade. Por sorte, onde estamos não é um local com muita iluminação, então o céu está todo coberto por pequenos pontos luminosos. Formando desenhos e criando uma paisagem totalmente linda. A lua também se encontra deslumbrante. Está totalmente redonda e brilhante, como se fosse a atração principal dessa noite.
—“O que você está fazendo aí parada enquanto olha para o céu, sua lesada?”
Olho para os lados, assustada, procurando quem disse isso. A voz é muito familiar, mas não é do Kyle e nem de Loran. Não existe mais ninguém aqui, além deles e eu.
—“Quem você está procurando? A mamãe? Ela já morreu sua trouxa! Agora leva a sua vida para frente. Pensou que ia ficar na mordomia a vida toda? Poupe-me!”.
Isso deve ser coisa da minha cabeça. Os garotos parecem nem ouvir. Decido apenas ignorar seja lá o que for que está se comunicando comigo no meu psicológico.
+++
Paramos num posto no meio a estrada para abastecer o jipe. Kyle vai comprar comida enquanto eu vou para o banheiro fazer as minhas necessidades. Tenho certeza de que se alguém me espetasse com um alfinete sairia urina, no lugar de sangue, de mim.
Após me esvaziar, vou lavar as mãos. O local até que é bem limpo. Não tem pichações e até tem um bom cheiro. Após lavar as mãos e sair do lugar, olho para os lados. Não posso voltar agora para o jipe, preciso de um tempo para respirar o bom ar, de um tempo para alongar as minhas pernas e para me sentir mais livre ainda.
Só percebo que ainda estou na frente da porta do banheiro quando ouço vozes dentro dele e alguém, numa tentativa de sair do local, esbarra em mim me mandando para o chão.
— Me desculpe! Eu não sabia que você estava ai, eu... Desculpe-me. — uma moça começa a falar comigo. Sua voz é doce. Como estou caída e barriga para o chão, não posso vê-la.
—Está tudo bem, não foi nada. – Digo. Tento me levantar, mas a moça parece ainda estar em cima de mim.
—Tem certeza que não foi nada? — outra voz pergunta. Só então percebo que existe mais uma ali.
—Sim.
A que está em cima de mim, finalmente se levanta. Sinto-me livre para respirar normalmente e depois de um tempo no chão, eu faço forças para me por em pé. Limpo as minhas vestimentas que estão sendo usadas no momento e então olho para elas.
Há algo estranho em ambas. As duas são altas e usam uma jaqueta preta, com calças jeans e botas escuras. A pele de ambas é rosada, mas não consigo ver o que existe e estranho nelas. Continuo analisando um pouco mais. Percebo que a cor do cabelo delas é escuro. E que suas orelhas são um pouco diferentes do normal: são pontudas.
Elas parecem perceber que eu vi as orelhas e abrem grandes sorrisos que aparenta ser cheio de más intenções.
—Bem, me desculpe. – Digo tentando me livrar o mais rápido dessas duas meninas com sérios problemas nas orelhas e mais alguma coisa que não consigo descobrir o que é — Mas tenho que ir, eu estou com pressa.
Elas continuam sorrindo. Percebo que ambas são totalmente iguais, mas isso não é o diferente que vejo nelas.
—A pressa não ajuda em nada. — Diz uma. — Vamos conversar aqui um pouco, o que acha?
—Acho que devo ir. – Ok, não sei o que é isso, mas um cheiro totalmente bom está no ar agora. Tento me mover, mas não consigo.
—Venha conosco, querida — Diz uma das mulheres, que está vindo em minha direção.
Percebo que o cheiro que sinto deve ser o motivo de estar paralisada.
Assim que a moça está a, pelo menos, dois passos de mim eu percebo o que mais ela tem de diferente: Os olhos são totalmente negros. Com um brilho maléfico.
Ela me pega com uma mão,isso mesmo com só uma mão, e começa a me levar no sentido contrário do que eu devia ir.
Ambas acabam me levando para o meio da floresta. Espero que Kyle e Loran percebam que eu estou aqui no meio, inteiramente impossibilitada de me mexer e com duas mulheres loucas que querem fazer algo estranho comigo.
A que está me segurando me joga no chão com força. Sinto pouca dor.
—Traga a espada para o sacrifício! – Diz ela para outra.
—O que? Sacrifício?!
Isso não pode ser verdade! Não pode, não pode!
— Isso mesmo, docinho, nós vamos te usar como um sacrifício para reviver a nossa adorada comandante.
Tenho certeza que estou corada agora.
A outra moça volta com uma espada grande, a navalha parece ser bem afiada. A luz do luar que chega até aqui, reflete na espada, criando feixes de luz.
—O que vocês são afinal? — Pergunto quase tropeçando nas palavras que falo.
A que está empunhando a espada me olha com um rosto de desprezo.
—Somos fadas. Não dá para perceber isso?
—Achei que fadas eram legais e amigáveis.
—Humpf! Poupe-me!
Ela ergue a espada, deixando o rosto ser divido pela lança.
—Então vamos lá – murmura baixo. — "Em nome do sol que nasce revelando lindas paisagens, e que volta para o seu local e origem, deixando o céu numa coloração quente, em nome do vento que passa entre as árvores levando pequenas folhas para longe, que cria onda nos mares e lagos, que todos os seres precisam disso puro para viver, em nome de toda a água existente, doce ou salgada. Em nome de todos os espíritos malignos e sagrados, eu peço forças para trazer algo que me pertence, que me tem valor grande, algo mais valiosa do que todos os elementos. Deem-me forças para trazer para cá a vida de um ser amado!"
A espada é levantada. Consigo ver a mão tremula da fada. Tenho certeza que essa é a primeira vez dela. Iniciante.
Sinto um aperto no corpo. Eu ainda quero me mover, mas agora estou diante da morte e, mesmo se não estivesse mais sob o efeito do aroma paralisante, não conseguiria me mover por causa do medo.
E em questão de segundos, uma espada atravessa um corpo. Por questão de sorte, não é o meu corpo e sim o da fada maléfica que queria me sacrificar. Olho para cima e velho ela parada, com as mãos erguidas e, entre elas, uma espada que estava ansiando por sangue. Exatamente na barriga dessa fada, há uma espada preta com uma áurea roxa que a circula.
Sangue é esguichado do furo e um pouco chega até o meu rosto me deixando suja. Isso é nojento, mas fui salva. E isso é o que importa agora.
Kyle aparece correndo com um semblante preocupado.
—Você está bem, Emi? — Ele se agacha ao meu lado e com um simples toque, eu sinto-me livre para me mexer novamente. — Está ferida gravemente?
Seu olhar parece estar revirando minha alma. Ele me olha fixamente nos olhos. Eu normalmente ficaria irritada com quem estivesse fazendo isso, mas 1) quem está fazendo isso agora é o Kyle 2) eu fui salva por ele 3) não consigo ficar irritada com ele, mesmo que eu queira. Nunca consegui me estressar com esse desertado.
— Estou. Elas tentaram me sacrificar.
—Elas?
—Eram duas. A outra deve ter fugido. – Digo passando a mão no local manchado de sangue.
Kyle olha para a floresta, preocupado.
—Que seja, vamos.
Chegando ao jipe, tenho que ouvir um pequeno sermão de Loran. Eu estaria grata e não veria problemas em ouvir esse sermão DELE, caso ELE tivesse ido me salvar. Mas não fez nada a mais, nada a menos, do que ficar sentado num jipe ligado, deixando o seu amigo com todo o trabalho.
Ele pisa fundo e vamos com uma velocidade legal. Deixamos o local em pleno silencio.
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Olho para o céu mais uma vez e, só então, eu percebo o óbvio. O jipe não tem teto. Isso foi uma grande descoberta para mim hoje.
—Posso fazer uma pergunta?
—Claro que pode querida Emilly. – Loran está me irritando com essa “querida” toda vez que vai falar o meu nome.
Respiro fundo.
—Bem, eu sou um anjo, não? — Falo. Isso é uma pergunta retória, então, continuo: — Eu seria então um Querubim ou alguma coisa assim? Quais vocês são? E qual tipo e treinamento eu vou ter?
Loran e Kyle ficam em silêncio, mas quem o quebra é o moreno.
—Eu sou um Querubim.
Loran não diz o seu “tipo”, mas responde as outras perguntas que eu fiz:
—Você terá que passar pelo treinamento para sabermos o que você é. Os treinamentos serão psíquicos e físicos. E preferimos referir os tipos de castas. É bem mais elegante. Ah e você também irá aprender a voar em diferentes situações, então se prepare.
Ok vai ser muita coisa para eu aprender. Não sei se darei conta, afinal, não sei como fazer a maioria dessas coisas, alias nenhuma delas.
+++
Estamos na caverna onde iremos acampar o treino inteiro. Olho para os lados e não vejo nada além e paredes que formam um túnel onde o final é inacessível e invisível de onde estou. O local é úmido e frio. Isso é bom, mas ao mesmo tempo chega a ser ruim, caso faça frio.
—Não existem animais aqui... Correto? — Odiaria acordar com um urso ou algo rastejando sobre mim.
Loran para, me olha por uns segundos e ri.
— Não... Mas pensando bem, até que seria legal ver você surtando e gritando feito uma garotinha indefesa, pois uma aranha ou algum outro ser vivente está sobre o seu corpo.
Isso não é legal. Não gosto nem um pouco e insetos ou de animais que me atacam enquanto durmo. Não que eu já tenha sido atacada, mas...
—“Bem, eu acho que você devia deixar de ser tão delicada assim, afinal, não vai durar um dia no treinamento!”.
Essa voz irritante de novo! Não consigo descobrir o mistério: de onde será que eu a conheço? Por que será que só eu a ouço?
Simplesmente ignoro e bufo.
Sento numa pedra que tem a superfície achatada e ponho minha mochila no colo. Começo a tirar as coisas de dentro dela.
Após fazer isso, vou dar uma volta pelo local. Kyle e Loran continuam naquele cômodo conversando entre si. Não queria ouvir a conversa deles e nem estragar o momento de paz entre um caído e um normal.
Levanto-me e vou em direção ao túnel que, a meu ver, parece ser sem fim. As paredes continuam esticando-se por uma distancia considerável. O local começa a escurecer, mas conforme vou passando mais tempo naquele breu, minha visão se acostuma.
Chego a uma parte totalmente legal de se ver: O túnel tem o seu fim num grande salão de festas. É possível ver a conexão entre o chão e o teto, feito por colunas de pedras. Algumas estalactites estão pelo caminho de um jeito tão natural quanto o gramado em uma floresta.
Ando um pouco mais até me deparar com um ponto onde terei que escolher um entre três túneis para entrar. Escolho o do meio e começo a ir numa velocidade maior. As estalactites estão bem mais presentes agora e é possível ver umas que ainda estão se formando. O local tem uma beleza legal.
Após andar um bom bocado pelo local, encontro uma sala que é totalmente bela. É uma sala ampla onde, no meio dela, existe uma árvore grande, mas digo grande mesmo. Sua imensidão é incompreensível. Pergunto-me como ela nasceu aqui e como está desse jeito. Percebo que o próprio cômodo tem uma luz estranha. Estamos tão baixo, tão longe do sol e parece que estou ao ar livre. Uma brisa fria e boa passa por mim, balançando e bagunçando os meus cabelos dourados. Respiro. Sinto-me preenchida da mais pura e real força. Olho para a árvore e percebo que as suas folhas são totalmente verde de um tom belo demais para uma árvore normal. E esse grande milagre, que está em minha frente, é repleto de flores, de vários tipos, tamanhos, aromas e cores. Como tudo isso é possível?
Em alguns lugares da sala, está crescendo um gramado a cor verde vivo. É como se alguém passasse mais do que vinte e quatro horas por dia tomando conta do local, caso possível.
Pouso a mão sobre o tronco, que para mim deve ser velho, mas não aparenta. Sua textura é totalmente diferente de outra textura. Sinto como se a árvore estivesse mandando ondas de energia para mim, relaxando todo o meu corpo. Estou leve. É como pisar nas nuvens. Ou deve ser como, nunca pisei em uma para saber, mas imagino que a sensação deve ser praticamente igual a essa que estou sentindo agora.
—Lindo, não? — Uma voz grossa e sexy surge na sala. Sei bem quem é o dono ela.
Viro-me e vejo Kyle me observando da entrada da sala.
—Demais. — Respondo calma.
—Essa árvore se chama Árvore da Vida. Sua própria existência é um milagre, como pode ver. — Explica enquanto se aproxima.
Sinto seu calor. Kyle também emana uma energia boa, mas não como a da árvore. A dele é uma mais aconchegante. Uma energia que parece existir especialmente para mim.
—Está cansada? — Sua voz rouca perto de mim é, praticamente, um convite à morte.
—Não estou cansada mais. Essa árvore é muito boa para nos restaurar. Mas não sinto vontade de ficar acordada. — Explico. É algo confuso, mas Kyle parece entender.
—E o que acha de dormir aqui, comigo?
Dormir. Aqui. Comigo. Oh. Meu. Deus.
Kyle está totalmente provocante agora, tenho certeza que tudo isso faz parte do seu plano para me fazer cair também. Mas não posso me deixar levar pelos desejos carnais de uma adolescente comum, afinal, eu não sou comum. Sei que a proposta de estar aqui é algo totalmente longe de namorar. Estou aqui para ficar forte o bastante para proteger aqueles que amo. E terei que me esforçar para isso.
Mas... Eu estou com tanto sono.
— Podemos dormir aqui?
—E qual seria o motivo para não dormir aqui? — Sua frase é grotesca, mas o modo de como ele a fala torna-a romântica.
Ele se deita e abre os braços numa posição parecida com a letra “T”. Deito-me ao lado dele e Kyle me abraça. Sinto seus braços musculosos me envolvendo. Consigo perceber também ambas as energias, a de Kyle e a da árvore, sendo transmitidas para mim deixando-me quase grogue. Inspiro. Sinto o agradável cheiro do anjo perfeito. Tenho certeza que ele foi banido dos reinos celestiais por estar próximo demais da perfeição. Não vejo outros motivos para tal coisa ter acontecido.
Kyle é uma droga. E a cada minuto que eu passo perto dele, fico mais viciada, mais dependente dele. Sei que a partir deste momento, para mim, ele é mais importante do que o meu próprio coração, do que meu próprio cérebro. Ele é o meu ar.
O moreno beija-me a cabeça. O que me faz sentir mais calma. Segura. Como se ali fosse o lugar criado para que eu ficasse toda a eternidade.
Adormeço em seus braços, sendo mimada por suas carícias.
Notas finais
Bom, até o próximo capítulo!
Isso é tudo, pessoal!
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