As Crônicas Aladas - Principatus
13 Capítulo Doze.
Notas iniciais
O carro bate em algo.
Isso é uma coisa ruim, não quero olhar para ver no que ele bateu, mas sei no que foi. Não quero a confirmação.
Infelizmente eu tenho que olhar para frente para poder continuar guiando o carro. O para-brisa está trincado e sujo de sangue. Sei bem de quem é esse sangue.
Tenho muita sorte por tudo isso não passar de um sonho.
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Olho para os lados e alongo-me. Esticar os braços com força de manhã é uma coisa libertadora.
Após eu permanecer-me sentada, me levanto e vou até a parte de fora da caverna, pois eu sei que lá estarão os dois meninos esperando a minha presença para o café da manhã.
Assim que comemos, eu volto e tomo um banho e faço toda a higienização necessária para o dia de hoje.
Loran está me esperando com uma camiseta da cor dos seus cabelos. O sol os deixa mais claros e mostra alguns fios que estão, tendo uma boa vida, despenteados.
—Bom dia. — Falo como uma saudação.
—Bom dia, Emilly. — Ele responde e vem para mais perto — Hoje eu quero te ensinar algo mais legal.
—Algo mais legal? — Penso e não posso deixar de fazer uma brincadeira: — Tipo colar na prova sem ser pega, ou enganar uma criança com truques de mágica baratos?
O ruivo ri e então me analisa.
—Você está de bom humor hoje. — Ele faz um comentário óbvio. — Não, hoje nós vamos aprender a como fazer alguns truques como esse.
Em questão de segundos as duas asas aparecem totalmente abertas atrás dele. E logo, elas voltam a se esconder.
—Ou isso. — E agora, uma espada está em suas mãos. O mais legal é que ela tem cor, diferente da última vez, em que ela era preta. Agora ela tem uma cor alaranjada, e a aura que sai dela é da cor do cabelo de Loran.
—A sua espada. — Começo — Ela mudou. Da primeira vez que eu a vi ela era totalmente preta e era bem maligna.
Ele sorri maliciosamente e então chega mais perto.
—Quer pegar? — A mão que está com a espada se aproxima. Pego a espada e vejo o quão ela é pesada. —Aquela vez... Digamos que era a minha primeira vez. Quando um anjo é mandado para a Terra, ele virá para cá no seu avatar. O avatar tem a missão de nos dar uma versão terrena, ele pode ser escolhido da forma que quisermos, podemos até mudar o sexo, mas isso gasta muita energia e poucos anjos o fazem. Na primeira vez que você invoca as coisas celestes no seu avatar elas virão descoloridas, pois ele ainda não se adaptou totalmente com a sua aura angelical. Entendeu?
—Então ela estava preta por que era a primeira vez que usava ela? — Resumo.
—Isso mesmo. Quando você invocar a sua pela primeira vez, você verá que ela virá da mesma cor. — Explicou ele. — E o mesmo é com as asas: elas virão pequenas e não aguentarão o seu peso.
— Você está me chamando de gorda? — Brinco. Ele ri.
—Não, não. Nunca te chamaria de gorda, a não ser que você esteja gorda. — Loran explica. — Bem, vamos começar. O que quer invocar primeiro?
—As asas. — Respondo rápida.
Ele ri, cruza os braços e me olha com a cabeça torta.
—Todos os seres humanos tem uma afeição pelo voo que eu nunca vi igual.
—Você não entende isso porque você não é um humano. Você sempre teve asas e sempre pôde voar.
—Faz sentido. — Diz ele fazendo uma pose mais normal e relaxada. — Vamos iniciar o tutorial de como invocar as asas então. Emilly concentre um pouco de energia angelical, mas não nas mãos. Concentre nas costas.
—Ok! — Falo e começo o meu primeiro exercício. Concentrar energia não é a parte mais difícil. O que complica é o local em que ele escolheu.
Tento uma, duas, três vezes e não consigo sucesso algum.
—Para ajudar, imagine que o poder angelical corre nas suas veias. Aí todos eles estão indo para uma festa que se localiza nas suas costas. — Diz Loran levemente.
—Você está falando sério? — Eu tenho que rir com esse exemplo.
—Sim.
Tento imaginar isso. A festa das costas: Caso você seja um poder angelical, venha já. Sua presença é indispensável.
Isso é engraçado e infantil demais, porém funciona! Sinto uma boa quantidade de energia no local em que eu desejei.
—Pronto.
—Ok, agora tente libertar isso, como se nas suas costas estivessem dois canos de liberação para alguma coisa. Tente fazer toda energia passar por esse cano.
Tento fazer isso. É um pouco mais fácil do que parece, porém isso cansa demais.
—Cansada? — Pergunta ele.
—Demais. — Digo. Posso sentir as gotas de suor escorrendo da minha nuca até o pescoço. Posso sentir também os fios de cabelo que colaram na pele, devido ao suor.
—Pode descansar então. — Ele fala como se isso fosse uma coisa simples demais.
—Sério? Ok! — Sento-me no chão. Sentar não é o bastante, então eu me deito. Relaxo mais o corpo enquanto olho para o lindo dia em que está hoje. O sol não está muito forte, e o clima está ótimo. Dá para ouvir o som dos animais e o mover das águas. Posso ver também alguns pássaros voando em círculos.
—Ok, o tempo acabou. — Anuncia Loran. Eu ponho-me em pé e tento fazer todo o mesmo percurso.
Pela segunda vez é bem mais fácil.
—Você está ficando tensa demais. — Diz ele. — Você sempre fica tensa.
—Eu preciso de concentração.
—Se concentrar não é deixar o corpo duro. Enem fazer no rosto de quem acabou de chupar limão.
Eu tenho que rir. Meu corpo todo relaxa novamente.
—Deixe seu corpo relaxado para tudo o que for fazer agora. Ou vou ter que fazer cócegas em você toda vez que formos treinar.
Isso é um tanto constrangedor, então eu me esforço para manter o corpo relaxado e mesmo assim não perder a concentração. Consigo liberar uma boa quantidade de energia e com isso, uma explosão.
—Parabéns, Emilly. — Fala Loran atrás de mim, aplaudindo. — Você acabou de liberar duas asas minúsculas.
Sinto uma alegria intensa tomar conta de mim.
—Mas nem parece. — Falo.
—Não mesmo. — Diz ele. — Elas são tão pequenas que você nunca voaria mesmo se pesasse gramas, o peso de um grão e poeira.
Essa frase foi uma bela patada. Tento mover as asas, mas é como se não estivesse nada de diferente nas minhas costas.
—Agora vamos exercitá-las. — Fala Loran vindo para mais perto. Ele quase cola os nossos corpos. Mas se afasta um pouco para manter uma distancia respeitável. Acho que ele entendeu o que eu queria antes mesmo de eu falar. Sinto duas mãos sobre algo nas minhas costas e então, ele começa a mexer no que eu creio que são as assas.
—O que você está fazendo?
—Estou vendo se elas estão boas mesmo. — Explica. — Elas fazem todos os movimentos corretamente. E são bem bonitas! Parabéns, Emilly.
Iai! Mais uma etapa concluída.
—Agora, todos os dias, antes de dormir, durante a tarde e depois de acordar, eu quero que você invoque as asas e alimente-as com um cinco minutos de energia. Para passar energia para elas é só fazer a mesma coisa que você fez para soltá-las. —Movo um pouco a minha cabeça para cima e para baixo, assentindo. — E para fazer com que as asas desapareçam é só imaginar que você está pondo uma tampa num buraco que está nas suas costas.
—Ok! — Digo e imagino isso. Ele fala que eu fiz tudo direito e eu me sinto a garota mais inteligente do mundo.
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Loran me liberou para fazer o que quisesse por uma hora, então eu vim aqui, para dentro da caverna, comer.
Kyle aparece se senta ao meu lado. Ele está usando uma camiseta preta e uma calça cinza claro. Tênis cano alto, da cor preta, nos pés. E na mão direita, um pedaço de pão.
—Olá! — Diz ele enquanto se acomoda ao meu lado.
—Olá! — Digo e sorrio. Lembro-me do “sonho” que tive. — Sonhei com você hoje.
Ele olha para mim e rança, com os dentes, um pequeno pedaço de pão. Após mastigar e engolir, ele me pergunta:
—E como foi o sonho? O que acontecia nele?
Sorrio lembrando.
— Nada demais. Eu só te atropelava. E quando olhava para o para-brisa, ele estava trincado e todo sujo de sangue. — Digo e olho para o rosto dele ao terminar. Sua expressão facial nesse momento é uma coisa muito hilária. É uma mistura de Kyle, O Sério com surpresa e medo.
Tenho que rir.
—Você sonha que em atropela e ainda ri de mim?—Pergunta assustado. — Você é estranha, Emi.
— Bem, eu vou indo. — Falo e ponho-me em pé. Bato com as duas mãos na parte de trás do corpo para tirar alguma sujeira existente.
Loran está sentado lá flora, brincando com a sua arma. Ele gira a espada, segurando-a pela fita vermelha que sai do cabo. A espada parece uma hélice enquanto gira e chamas alaranjadas surgem da lamina.
—Olá! — Falo. Ele para de girar a espada e finca-a no chão. E então vira-se para mim. — Já estou pronta para continuar o treino.
Ele se levanta.
—Então vamos lá... Você quer invocar a espada, Né?
—Isso mesmo. — Digo enquanto paro ao lado dele.
—Então use a mão que você utiliza para escrever. Concentre uma boa quantidade de energia nela, mas não as solte. Caso faça isso, ela virará aquela esfera que você está acostumada a lançar.
Começo a concentrar a energia na palma da minha mão direita.
—Agora a feche, como se estivesse segurando o cabo da espada. — Fala Loran e demonstra como se faz.
Imito-o.
—Agora você vai imaginar a espada. E vai tentar materializá-la em sua mão. — Fala ele enfim. — Caso dê errado, você terá que tentar de novo.
— Ok.
Começo a imaginar uma espada, mais ou menos, do tamanho da do Loran e da espada do Kyle. Imagino o formato da lamina, do cabo onde irei segurar e da divisória entre lamina e o cabo.
Fecho os olhos e começo o processo de materialização. Fazer isso é meio complicado: Você tem que ir soltando a energia aos poucos e dar o formato que imaginou para ela. É como se você soltasse algo líquido num recipiente. O líquido irá preenchê-lo e tomar o formato do recipiente. Depois você pode colocá-lo num refrigerador e assim que o líquido ficar sólido, você pode quebrar o recipiente.
Infelizmente a quantidade de energia que eu concentrei em minhas mãos não foi o suficiente para criar a espada por completo. Interrompo o processo.
—O que aconteceu? — Loran fica curioso com o meu ato.
—Não concentrei energia o suficiente para materializar a arma. — E4xplico bufando. Meu corpo está cansado. Apoio minhas mãos nos meus joelhos e curvo-me um pouco para respirar. Minhas pernas tremem e eu estou completamente molhada pelo suor do meu corpo.
—Você usou energia demais hoje. Acho melhor ir tomar um banho, beber alguma coisa, se nutrir. Descanse mais um pouco, Emi. Não podemos abusar logo no começo. Se você usar muita energia sem ter um corpo preparado para isso, você poderá explodir.
—Que horror! — Falo imaginando a cena.
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Enquanto observo o teto do meu quarto, deitada, eu começo a imaginar como deve estar sendo a vida de Lena e do meu irmão. Imagino que Tony está preocupado comigo, já deve ter até se comunicado com a polícia local pedindo por buscas. Lena deve estar tendo que ajudá-lo no lado emocional, para que ele não fique depressivo por ser o único da família, por ele não se achar culpado por sua irmãzinha ter desaparecido.
Maggie deve estar tendo a sua vida de antes. A escola deve estar à mesma coisa. Devem até ter matriculado um novo aluno em meu lugar.
Agora, perante as coisas sobrenaturais, tento imaginar o que será aquele tigre que defendeu Tony no dia do ataque. Que ele é um guardião, isso é fato, mas por que será que um guardião defenderia o meu irmão?
Será que os meus pais morreram de causa natural? Agora a morte deles não faz mais muito sentido, pois eles podem ter morrido tentando me proteger de algo... Mas tudo isso é um fato muito complexo.
Observo, finalmente, os detalhes do teto desse cômodo. Várias estalagmites da cor cinza escuro, decoradas com um pouco de musgo, estavam ali, parecendo que iam cair e me furar a qualquer hora.
É observando o cômodo que uso como quarto, que tenho uma grande ideia. Levanto-me, respiro e vou escondida até um local da caverna que eu tenho certeza que irá me ajudar na produção de energia.
Após virar alguns corredores com cautela, começo a correr, pois tenho certeza de que Kyle e/ou Loran não escutarão o eco dos meus passos.
Após alguns minutos andando, quase, sem rumo pelos corredores confusos da caverna, eu chego ao local que eu queria.
Entro no cômodo e já me sinto outra pessoa. É incrível o poder que a Árvore da Vida tem. Sinto-me ser preenchida por uma energia do mais puro tipo. Uma energia nobre. Fecho os olhos. Respiro o puro ar daqui. É como se eu estivesse num campo cheio de plantas e árvores, onde nenhum humano pisou, onde nenhum instrumento poluiu o ar ou alguma coisa pertencente a essa realidade.
Fico um tempo ali, ao lado da árvore, sentada, só recebendo as energias puras que ela transmite para qualquer um que esteja dentro do alcance. Encosto minha cabeça no tronco duro e relaxo o meu corpo. Assim que as minhas pálpebras começam a pesar, eu me ponho em pé. Me despido do local e saio correndo pelos corredores confusos.
Volto lá para fora e me encontro com Loran.
—Já está boa? — Pergunta ele assim que apareço no local.
—Melhor impossível. — Falo sorrindo.
Loran sorri com a minha resposta, isso com toda a certeza o agradou.
—Então vamos voltar ao treino. — Fala— Já sabe o que fazer.
Assinto com a cabeça e começo a concentração necessária para poder invocar a arma. Crio a imagem da espada perfeita em que eu seguraria e começo a focalizar a energia em minhas mãos, como se estivesse forjando-a. E se for parar para pensar, eu realmente estou forjando uma espada, porém de um modo totalmente diferente do convencional.
Vejo o brilho na palma da minha mão direita e começo a me concentrar mais ainda. Ele vai crescendo e começa a adquirir um formato cilíndrico, um pouco maior do que a minha mão. Algo no formato circular cresce em cima do fim do cilindro. E logo após uma grande lamina surge em cima disso tudo.
Continuo concentrando o máximo de energia possível nisso. Loran me diz que se eu me desconcentrar agora, pior será quando for tentar na próxima vez, pois já estou concentrando bastante energia para fazer uma materialização plausível agora.
Só mais um pouco e pronto! Estou segurando uma espada do tamanho do meu braço. Ela tem uma coloração preta incrível. Seus detalhes são visíveis mesmo assim: o punhal tem um símbolo da liderança. No cabo é possível ver as cordas amarradas para escondê-lo. Tudo isso numa coloração preta. A lâmina é grande, e pelo jeito, está bem afiada. Mexo-a e vejo que assim que os raios solares batem nela, é possível ver as cores do arco-íris bem rapidamente. O estranho é que essa espada não tem peso algum.
Uma fina camada de energia queima sobre ela.
—Parabéns, querida Emilly! — Fala Loran enquanto aplaude-me. — Você conseguiu invocar uma bela espada, pelo que estou vendo.
—Obrigada! — Digo orgulhosa.
—Agora venha! — Ele abre os braços, estufando o peitoral — mostre-me se você é boa com isso! Pode vir. — Diz ele assim que percebe a minha hesitação.
Seguro a espada bem firme com as duas mãos. Olho para Loran. É impossível querer ir com tudo tendo um ruivo daquelas na sua frente, te olhando com um semblante que implora por piedade.
—Vamos logo, Emilly. — Fala ele bem alto. — Eu estou cansado de ficar com os braços erguidos! Eles podem cair.
Rio com a sua brincadeira. Fecho os olhos e inspiro. Começo a correr, desajeitadamente, até ele. Assim que percebo que estou próxima o bastante, faço um movimento, com a espada, de cima para baixo, da esquerda até a direita, formando um corte na diagonal. Minha espada é impedida de chegar ao chão.
Abro os olhos e ele está com a sua espada. Ambas colidiram.
—Não... — Falo. Dou um passo para trás. — Não vou lutar com você, não agora.
—Qual é? — Diz ele fincando a lamina no chão e escorando-se na espada. — Não quer aprender a usá-la de um jeito bom? Treinar comigo é a melhor opção. Treinar com Kyle é suicídio.
—Eu sei, mas... Eu não estou preparada para lutar com uma espada de verdade, contra alguém de verdade... — Falo olhando parta o lado, envergonhada pela minha fraqueza.
—Ok então... — Diz ele calmo. Olho para ele e o ruivo está vindo em minha direção. — Se você não quer treinar agora, podemos pular essa parte e tentar aprender uma coisa mais legal. — Ele para bem próximo de mim. Tenho medo do que ele quer fazer agora. — Já sabe guardá-la?
—Não... — Falo.
—Então eu irei te mostrar como. — Ele pega minha mão direita e pressiona o dedo indicador contra a palma. Sinto um pouco de energia vindo do dedo dele. Ele desenha algo, uma runa invisível. — Agora pegue a espada e coloque-a aí. Comece pela lamina e termine pelo cabo.
—Posso mesmo fazer isso? — Pergunto incrédula. — Não quer me cortar e tal.
Loran ri. Deve ter soado como uma piada para ele.
—Pode sim, afinal, não desenhei a runa na sua mão sem motivos.
Essa é uma bela resposta, característica dele falar desse jeito, com um tom agressivo, como se tudo fosse óbvio. Ele estava tão diferente ultimamente que eu até estava pensando que ele era um garoto totalmente dócil.
—Está esperando oq ue? — Pergunta ele. — Vamos! Acelera.
—Calma! — Falo seca. — Eu não estou preparada para tudo isso.
—Você só vai guardar uma espada, Emilly. Quer preparação para isso?
Pego a espada e faço o que ele pediu. Sem ensaio, sem drama e sem hesitação. Um brilho surge assim que a lamina toca a minha palma e a espada é puxada para a minha mão, como se houvesse um aspirador de pó ligado ali.
—Feliz agora? — Pergunto olhando para ele.
—Muito feliz! — Responde ele entrando na caverna. —Vamos comer! — Grita lá de dentro.
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Como a minha comida quieta, assim como eles dois. Temos sopa hoje. É meio estranho você comer sopa quente num dia quente. E ainda está de dia, isso significa que iremos fazer algo especial à noite.
—Está preparada? — Pergunta Kyle olhando para mim de um modo intimidador.
—Para o que? — Pergunto curiosa. Eles estão tramando algo.
—Para a sua tarefa da noite. Algo especial — Diz Loran sorrindo maliciosamente.
—E.. — Engulo em seco. Estou com muito medo desses dois — E qual seria?
Eles riem.
—Lavar toda a louça da semana! — Fala Kyle se levantando rapidamente. Loran o acompanha e ambos saem do cômodo apressados. — Até mais, Emilly, Lave tudo direitinho. Espero que se divirta! — Grita ele.
Essa é a coisa mais estúpida que ambos já fizeram! Eu estava realmente pensando que era algo sério. Não me negaria em lavar a louça, já que eu contribuo para lavá-la também. Isso foi algo totalmente estranho, vindo da parte deles.
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Pego a escova de cabelo que está próxima da margem e começo a passá-la no meu, para desembaraçá-lo. Após conseguir isso, mergulho mais uma vez.
A água está fresca, o que a torna excelente, agora. Lavo meus pés, minhas mãos, todo o meu corpo pela segunda vez. E, após outro mergulho, saio da água e agarro a minha toalha azul e começo o processo de secagem.
Visto roupas limpas e vou andando lentamente até o meu quarto. Deito-me e agradeço por esse dia, mas não estou com a mínima vontade de dormir. Sei bem o que me espera, não quero ter outra noite perturbada igual as a que eu venho tendo desde que cheguei nesse local. É tão desagradável.
Sinto minhas pálpebras pesarem e simplesmente cedo-me ao sono.
Abro os olhos e estou em minha casa, deitada na minha cama, com Lena ao meu lado.
—Não acredito que aquela... – Eu iria chamá-la de vaca, mas aí eu estaria xingando a mim mesma — garota vai aprontar comigo no meu lar!
Levanto-me depressa e olho para o relógio. É o horário em que eu levanto para ir à escola. É uma boa coisa. Decido ir me trocar para ir ver como estão às coisas por lá.
Passo pelas ruas silenciosas e vou até o grande local em que todos os alunos são obrigados a estudar. Passo pelos corredores infestados de pessoas diferentes, que conversam alegremente. Olho para todas.
Entro na minha sala. Isso é tão nostálgico. Sento-me no local de costume e espero os outros alunos chegarem — até nos sonhos eu sou a primeira a chegar.
Não demora muito para que os alunos entrem. Uns me olham estranhamente, mas outros nem me percebem.
É então que Maggie e Loran entram.
Maggie está vestindo um pequeno casaco da cor marrom, com uma saia colegial xadrez. Meia-calça e uma bota preta. Seu cabelo está lindo como sempre. Ela está abraçada com os seus materiais, para não deixá-los desabar. Loran está impecável ao lado dela. Com um dos braços passando pela cintura de Maggie. Eles estão juntos. E eles são perfeitos juntos. O cabelo vermelho-alaranjado de Loran está meio bagunçado, seu rosto está branco e ele veste uma roupa listrada da cor branca e azul claro. Uma calça jeans azul desbotada e, nos pés, All star preto, de cano alto. Ele está bem bonito, até.
Ambos se separam e sentam-se, olhando um para o outro com um sorriso de orelha a orelha. E sombra somente um acento na classe. Kyle ainda não chegou.
O professor entra na classe e o silencio surge. Todos os alunos ficam quietos para responder à chamada, mas antes dele começar a citas os nomes listados em seu caderno, alguém bate na porta.
Kyle! Ele chegou. O professor se vira lentamente e dirige-se até a porta, Com um puxão um pouco forte, ele a abre.
Não é só o Kyle que entra. São dois alunos. Um casal.
Kyle está lindo, com uma jaqueta de couro, da cor preta, aberta mostrando a sua camiseta lisa da cor preta por baixo. Uma calça jeans da cor preta acompanha o look. E coturno nos pés dele. Seu cabelo está bagunçado, deixando-o totalmente sexy. Ao seu lado, estou eu. Emilly está ali, com os seus cabelos lisos e loiros, com os olhos grandes e um rosto impecável, feliz da vida, olhando para mim.
Ela se agarra no braço grosso de Kyle. E ele também olha para mim.
E todos os alunos da classe olham para mim.
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