Notas iniciais
Bem, acho que todos nós podemos dizer: uou que demora! E como, mas estamos de volta *3* Estão ansiosos? Aí vai mais um cap de Principatus :3 Boa leitura!

Eu estou parada em minha frente, mesmo isso não fazendo sentido algum. Olho melhor para a minha cópia. Seu sorriso é totalmente sarcástico.

— O que é que você está olhando? — Pergunta-me ela. Sua voz é totalmente igual a minha.

—Como pode?

—O que?

—Eu estar na minha frente... Você... — Eu estou confusa.

Ela ri. Eu realmente não vou com a minha cara. Espero não ser assim. E espero não ter essa risada estranha também.

—Emilly, você não sou eu. Eu sou você. Isso sim. — Diz ela.

Odeio pessoas confusas, mas como ela e eu somos a mesma, isso significa que eu me odeio?

—O que? — Digo esperando uma explicação melhor.

Emilly bufa.

—Você é muito burra, não? O seu retardo mental se desenvolveu tanto assim em pouco tempo?

Ela está me irritando.

—O que raios você quer comigo?

Ela sorri. Um sorriso sádico demais para estar vindo de mim. Odeio ver as pessoas sofrendo, mas ela parece ter um prazer enorme em vê-las sentido dor.

—Eu quero somente uma coisa, que você pode fazer melhor do que ninguém... —Ela anda até mim. Ficamos a dois passos de distancia. —Eu quero que você morra.

Suas mãos grudam no meu pescoço e começam a pedir para se encontrarem uma palma com a outra. O ar começa a acabar e eu entro em desespero. Não posso ser morta por mim mesma, não posso!

Tento reagir, mas não consigo, Meu cérebro está ocupado demais tentando fazer com que eu respire. Começo a me debater. O ar já parece ser algo raro como o ouro.

E enfim, cedo.

+++

Acordo num impulso, subindo com o tronco do corpo e respirando o máximo que posso. Respiração pesada e corpo molhado de suor. Esse é o meu estado. Lembro-me do que estava acontecendo e olho para os lados procurando a minha versão maléfica. Não a encontro. Respiro aliviada.

Era um mero sonho. Um mero sonho confuso onde eu era morta por outra eu, que acreditava ser a verdadeira. Isso é confuso. Ainda bem que ela não existe verdadeiramente!

—“Queridinha, é claro que eu existo!” — Disse. A voz irritante. Eu.

Droga!

—“Você é uma droga, querida.” — Comentou — “Pensou que poderia me ignorar para sempre?”

Levanto-me ignorando-a e vou até o lago. As paredes do local estão totalmente invisíveis e o silencio reina na caverna. Ou era para reinar, se não fosse por essa voz irritante na minha cabeça.

Assim que encontro o lago da caverna, tiro minhas roupas e entro no lago. A água está fria. Isso é bom. Sinto uma sensação melhor, como se não tivesse acabado de quase ser morrer num sonho por minha culpa.

+++

Como não consegui dormir, fiquei treinando na floresta os socos na mesma árvore, pude saber qual era, pois estava marcada.

Eu já conseguia fazer mais marcas na árvore apenas com o soco, mas ela não se movia nem nada.

Ei você, por que não me ajuda? Seria ótimo.

—“Aprenda a se virar sozinha, menina mimada!”

Você é um saco, sabia?

—“Se eu sou um saco, imagine você. Não sei como esses meninos te aguentam!”

Bufo e volto a treinar. Sem ajuda de ninguém.

Após um tempo dando socos na árvore e quase criando um buraco nela, Kyle levanta e vai ao meu encontro.

—Você gostou mesmo de perder para uma árvore, hein! — Diz ele. Dou um giro de 180º e vejo-o apoiado numa outra árvore, olhando para cá enquanto sorri.

—Eu só quero aprender, a me defender sozinha, logo. — Explico — e amaria começar a aprender a usar meu poder logo.

Kyle vem até mim.

—Hoje sua aula não é comigo. — Revela. — Então, talvez, você já vai aprender alguma coisa legal hoje.

Uau! Isso é totalmente emocionante! Imagina que legal aprender a voar? Certamente, se eu pudesse, esfregaria na cara de todos que eu sei voar.

— “Mas como você é retardada! Já é uma estúpida e fica mil vezes pior perto desse menininho ai. E voar nem é tão legal assim.” — Tinha que ter alguém para estragar o meu momento de felicidade com Kyle.

—O que foi?— Ele está analisando meu rosto. Devo ter mudado a expressão.

—Não, nada... — Pensei Emi, pense. AH! Já sei! — Só pensei o quanto Thony deve estar preocupado comigo agora... Eu saí sem avisar e... Ele deve estar muito ruim.

—Ele realmente deve estar preocupado! Mas isso não é motivo para você ficar chateada, Emi, tente completar esse treino o mais rápido possível, para assim retornar ao seu lar o mais cedo possível também.

Assenti com a cabeça.

—Bem, agora eu quero voltar a treinar. — Digo, esperando que Kyle volte a dormir — acho que vou começar a acordar mais cedo sempre, só para treinar um pouco o que eu aprendi no dia anterior.

—Isso é bom! – Disse ele se afastando. Mas Kyle não voltou a dormir, ficou ali me observando a treinar.

Continuei atacando a árvore. No final, houve somente um buraco formado no tronco dela.

Eu e Kyle fomos até Loran e tomamos o café da manhã. Loran disse para o moreno o que ele tinha que fazer e, Kyle foi para lá trabalhar também.

—Bem, Emi... – Começou Loran com um sorriso no rosto. Ele estava bonito hoje, tenho que admitir. — Que tal iniciarmos a nossa aula, de um jeito um pouco teórico?

Pensei. Seria bom até.

—Ok! – Concordei.

Estávamos na mesa, feita de troncos de algumas árvores que nos rodeavam, onde tínhamos tomado o nosso café da manhã.

—Os anjos são dotados de poderes especiais. Normalmente, um anjo tem algum poder legal que a sua casta permita que ele tenha. Se você der sorte, pode ser um Ishin e controlar algum elemento. Ou então, pode ser um Querubim e ter o dom da luta.

Uma dúvida surge na minha cabeça.

Levanto o braço como se estivesse em aula. Loran ri um pouco, e permite-me a fala.

—Quais são as castas dos anjos?

Loran sorri como quem está satisfeito.

—Você é uma boa aluna, Emi. — Ele comenta e então começa a explicação: — Existem os Querubins — como Kyle. — eles são anjos guerreiros. Seus poderes são baseados em força, percepção, furtividade e rapidez.

—Então os querubins seriam tipo... — Procuro uma palavra apropriada para um. — Um... Soldado do exército do céu?

Loran ri.

—Isso mesmo. — ele umedece os lábios e continua: — Existem os Serafins. Eles são os nobres, políticos e burocratas. São mestres na persuasão e em manipular mentes. Então tome muito cuidado caso tombe com algum Serafim!

Dou uma pequena risada e Loran prossegue com a explicação das castas angelicais:

— Os Elohins são anjos que vivem no plano físico. Vivem disfarçados de seres humanos e são hábeis em se adaptar em etnias e grupos sociais. — Ele se senta um pouco — Os Ofanins são anjos da guarda. São anjos bons e vagam pelo mundo ajudando os humanos. Eles são carismáticos e são ótimos em controlar emoções. Os Hashmalins são os anjos torturadores. Os anjos que estão com o trabalho de punir. Podem controlar os espíritos e as trevas.

Esse tipo de anjo deve ser bem ruim. Não sei se confiaria num assim.

— Os Ishins são anjos dominadores, anjos elementares! Eles podem controlar água, terra, fogo e ar.

—Igual aos guardiões. — Penso alto.

—Isso mesmo. Muitas vezes temos problemas com os Ishins em lutas, pois eles não aceitam muito bem a ajuda dos Guardiões...

Faço que sim com a cabeça e Loran volta a falar sobre as castas.

— Os Malakins, a última casta, são os anjos “universitários”. — Dou uma pequena risada com a gracinha que ele faz com os anjos — eles estudam sobre o universo e a humanidade. São, praticamente, os N.E.R.D’s daqui. Eles podem moldar o tempo e o espaço também.

—E de qual casta eu seria? — Pergunto. Isso realmente me incomoda. Quero saber logo quais são as minhas habilidades.

—Temos que fazer uma bela sondagem, ainda, na sua cabeça. — Explica — é incomum o fato de você estar aqui e não reconhecer que é um anjo, não poder invocar os poderes. Acho que são poucas às vezes que isso aconteceu até agora.

Uou, sou um caso raro.

—E quem irá fazer essa sondagem na minha mente?

—Eu mesmo! – Fala.

—Pode ser agora?

—Uou, que apressadinha! — Ele ri e se levanta. — Vamos voltar para a caverna. Lá é melhor para fazer esse tipo de coisa.

Assinto e vamos para lá.

+++

Estou sentada num toco que me deixa bater, mais ou menos, no peito do Loran. Ele pede para que eu feche os olhos e eu o faço.

Sinto suas mãos grandes tocando as minhas orelhas, como se estivesse impedindo-me de ouvir algo.

Ele pressiona um pouco mais as mãos, como se quisesse juntá-las.

Sinto uma vontade imensa de abrir os olhos e ver o que está acontecendo, mas tenho certeza de que ele irá ficar bravo comigo.

Após uns dez minutos nesse mesmo jeito, sinto as suas mãos desgrudarem de mim e ele se afastar.

—Pode abrir os olhos, querida Emilly. — Diz ele.

Abro-os e fito um Loran sério em minha frente.

—E então? — Pergunto curiosa para saber o que ele viu aqui dentro.

—O seu caso é muito sério, querida Emilly — ele fala ainda sério, com um rosto de pensador. — Sua mente está bloqueada. Há uma parede nela.

Uma parede? O que isso significa?

—Parede? Bloqueada?

—Eu posso vasculhar sua mente até mais ou menos uns seis anos atrás. Depois disso, existe uma grande e grossa parede. Não posso prosseguir. — Ele fala ainda pensando. — Esse deve ser o motivo de você ter vivido como um humano até agora, sem saber da verdade. Seus poderes devem estar para lá do bloqueio.

—E agora?

Loran pensa mais um pouco.

—Não vou conseguir quebrar o bloqueio. É perigoso demais para você, não quero te machucar, querida. — Ele fica quieto por alguns segundos — então, o que podemos fazer, é algo como um furo. Um pequeno buraco na parede e esperar que parte dos seus poderes escape por ali.

—Mas eu creio que já venho tendo ajuda dos meus poderes... Eu vi hoje de manhã enquanto tentava derrubar a árvore... — Digo.

—Vamos fazer assim: Peça para o Kyle te ajudar com isso. Tente liberar cada vez mais e mais do seu poder para quebrar coisas cada vez mais difíceis. Assim que conseguir derrubar uma árvore, tente pulverizá-la apenas com o toque. Depois tente quebrar uma rocha. Peça a ele que ensine coisas do tipo.

Assinto com a cabeça.

—Vou pensar o que podemos fazer para que o seu poder venha, querida Emilly. — Ele fita-me por um bom tempo. Sinto meu rosto corar. — Temos que conseguir isso o mais rápido possível. Está dispensada.

+++

Faço uma concha com a minha mão e levo a água até a boca. Bebo um pouco. Ela tem um gosto bom, um pouco diferente da água da cidade.

Mergulho mais uma vez, agora com a intenção de ir mais fundo ainda. Abro minhas pernas e fecho-as criando um impulso que me leva para baixo, já que meu corpo está inclinado para baixo, movo as mãos como se me segurasse em algo e me apoiasse nele para empurrar-me. Esse deve ser um tipo do nado peito. Claro que o nado peito verdadeiro deve ser bem melhor.

Não tarda muito para que o ar clama para sair da minha boca. Voltar sempre é mais fácil do que afundar. Então em questão se segundos, estou respirando novamente na superfície da lagoa da caverna.

Vou até a borda, mais ou menos próximo das minhas roupas e apoio os cotovelos ali.

Uma barreira.

Qual será o motivo dessa barreira existir? Quem será que a colocou lá? E como será que eu nunca percebi que esse negócio está em mim?

+++

A hora de dormir já pode ser considerada como a hora oficial da Emilly revoltada vir me encher o saco.

Olho para os lados, procurando de onde ela virá hoje. Graças a ela, eu já sei quando estou sonhando e quando não. O saco é que os sonhos são muitos reais e é dificílimo sair deles.

Ouço passos vindos da minha direita. Viro bruscamente e espero o demônio aparecer. Demônio é um ótimo apelido para eu mesma.

A loura aparece com um sorriso lindo no rosto.

—Olá Emilly, como você está bonita. – Diz ela. Ela ainda se acha a original. — Preparada para morrer?

Bufo enquanto viro os olhos.

—Você ainda pensa que pode me matar? — Digo dando um passo para frente. Dessa vez, eu quero intimidá-la, fazê-la sentir-se menor. Mostrar quem é a verdadeira Emilly. — Você realmente acha que uma cópia pode superar o produto original? Já fazem quantas noites que você vem me perturbando? E quantas vezes você conseguiu o que queria?

Ela ri.

—Meu amor, calma. Você não precisa ficar estressadinha nos seus últimos momentos. Eu sei que perder a vida é difícil. Ainda mais quando a pessoa que irá tirá-la é mil vezes melhor do que você, mesmo tendo a mesma aparência.

Começo a rir.

— Você sabe muito bem que se eu quiser, é só eu abrir os meus olhos. E então, estará tudo acabado. — Digo.

—Tente. Não dou a mínima para o que você acha que pode fazer. — Ela cruza os braços — Eu sou mais forte. E você sabe que a cópia aqui é você.

Solto uma risada exageradamente alta.

—Vá sonhando, querida. — Tenho que dar uma entonação diferente na hora de pronunciar a palavra “querida”.

—A única sonhadora aqui é você. Pena que os mortos não sonham. Aproveite seu tempo.

— Não adianta usar essas frases contra mim. Elas não me atingem. — Digo. — Me ataca diretamente, fisicamente. É mais eficaz.

Eu, às vezes, tenho eu controlar minha língua. Emilly veio voando para cima de mim e começou a me empurrar contra o chão. Fiz um pouco de força para que não cedesse e caísse, e deu certo. Tento dar uma palmada bem dada na face dela, mas ela para a minha mão com a dela e, usando a outra, ela arranha meu braço.

Uma ardência dos infernos começa. Olho para o braço e vejo que os riscos, que ela fez utilizando as suas unhas, estão sangrando. Olho para ela, enfurecida. O olhar é retribuído com um sorriso de malícia.

Dessa vez, sou eu quem vai para cima. Faço a coisa mais previsível do mundo: ataco o cabelo. Emilly deixou os seus fios louros, que copiam os meus totalmente sem proteção. Consigo dar uma bela puxada neles, mas paro, pois ela começou a me copiar.

—Quem é a cópia agora, menina? — Digo arfando.

—Quem é a que está te derrubando agora, menina? — Ela fala, enquanto verbaliza o que disse.

Bato fortemente contra o chão. Sinto uma dor profunda. Olho para o meu braço e ele está quase inteiro da cor vermelha. Chuto a barriga da revoltada e rolo, ficando por cima. Fecho meu punho e preparo-me para um belo soco.

Desço minha mão com uma velocidade e raiva tremenda.

Sei que fiz um belo estrago no meu próprio rosto.

+++

Levanto com uma sensação de vitoriosa. Ando até a minha mochila e pego um pano de rosto para limpar as gotículas de suor que estão deslizando sobre ele.

Não quero mais dormir, isso é obvio, então começo a andar pela caverna.

Vou até o cômodo em que Kyle dorme e observo-o. Ele parece um anjo, de tão belo. Ele é um anjo. E eu uma burra, por pensar que um anjo parece um anjo. Mas não... Ah, isso nãoo convém agora.

Kyle respira calmamente. Seu peito incha e desincha. Chego mais perto do seu corpo e sento-me ao seu lado. Junto às pernas e levanto-as, com a intenção de fazê-las como apoio para meu rosto.

Fiquei observando o moreno dormir e se virar no chão forrado. Não sabia o quanto ele era bonito dormindo. Logo, depois de virar umas três vezes, ele estava com o rosto na minha direção de novo.

Observava seu rosto e pensava nos nossos momentos juntos. Ele era bonito e cavalheiro. Por que não o namorar? Seu beijo é ótimo também.

—Até quando você vai ficar aqui? — Kyle me assusta. Sou um pequeno pulo e ele sorri, mostrando todos os seus dentes brancos e alinhados perfeitamente.

—Eu não consigo dormir. — Digo. Nem Kyle e nem Loran sabem sobre a Emilly revoltada.

—E veio procurar o sono aqui? — Perguntou ele enquanto se sentava.

—Ok, já estou de saída. — Levanto-me e saio do local, mas o ato é em vão. Kyle me segue.

— Você já quer iniciar a sua aula? Sei que é muito cedo, mas...

—Acho legal. – Digo. — Loran me pediu para que você desse um jeito de me ajudar a liberar cada vez mais e mais do meu poder angelical.

Kyle fez uma pose de pensador. Estávamos indo para fora da caverna agora. O sol ainda não tinha nascido, mas já estava um pouco claro, tornando a paisagem mais sombreada. Andamos até um local onde as árvores abriam um pátio.

— Ele já te disse como libertar o poder? — Perguntou Kyle parando de andar. Paro ao lado dele.

—Ele me disse como eu posso fazer para usar uma pequena parte do meu poder. — Esclareço.

Kyle olha para os lados como se estivesse procurando algo ou alguém.

—E o que ele disse?

— Ele disse para eu imaginar e crer no poder. Falou que isso ajuda a materializá-lo. — Revelo.

Kyle olha mais uma vez para os lados. Será insegurança? Mas se for, do que é?

—E deu certo? — Questiona.

—Sim, um pouco. — Respondo.

— Mostre — ele aponta para uma árvore. — Faça, usando o poder, o que viemos fazendo até agora.

Faço que sim com a cabeça e ando, em passos largos e rápidos, até a árvore para qual ele apontou.

Ponho-me de frente para ela. Inspiro e respiro. Fecho o punho e os olhos. Imagino uma tênue camada de poder angelical sendo formada, no formato de uma esfera, em volta da minha mão.

Inspiro. Forço mais a mão e abro os olhos. Ergo o braço em que estou preparando para usar, que no caso é o direito, empurro-o para frente. Antes mesmo de o meu punho tocar na superfície da árvore, algo toca, criando uma pequena cratera. No final, eu consigo cortar a árvore ao meio.

Viro-me para Kyle e ele começa a aplaudir.

— Você até que conseguiu ir bem nessa liberação de poder, mas deixou a parecer que dói ao liberar a força. — Comenta.

—Isso é sério?

—Sim, você demorou demais para materializar pouco poder. Temos que alterar isso.

—E qual será o método? — Pergunto.

—Vamos intensificar o seu treinamento. — O moreno revela.

Suspiro, mas não de alívio. Sabia que isso estaria por vir, mas não queria que fosse tão cedo assim.

— E como fazemos isso?

Kyle para e pensa. Lembro-me do que Loran disse.

— Posso começar a quebrar coisas maiores e mais difíceis, tipo rochas. —Sugiro.

Kyle faz um rosto de quem ainda estava processando a mensagem enviada. Logo, o seu semblante muda para como se estivesse ouvido uma ideia genial.

—O que seríamos de nós sem Loran? — Fala ele.

Não acredito nisso. Não acredito que Kyle acha que não sou capaz de ser boa o bastante para ter uma ideia dessas.

— Não Emilly, isso não tem nada a ver. Eu acho que você teria capacidade para pensar em coisas assim. — Diz ele. Olho-o estranhando sua fala. — E sim, você precisa melhorar a sua defesa mental. Você está bem desprotegida, até uma criança tem uma defesa maior do que a sua, Emilly.

— EI! – Digo em protesto. — Você está lendo a minha mente? Não quero ninguém xeretando a minha única intimidade.

—Calma — diz ele rindo. — Só estava te ando uma sugestão de coisas para pedir para o Loran ensinar. E que tal irmos logo quebrar as rochas?

+++

Andamos até um local onde as árvores abrem espaço para várias rochas. Havia pouca grama, no chão, o que mais reinava era o solo rochoso. Algumas árvores rebeldes erguiam-se parta competir com as rochas no quesito altura.

— Observe Emilly. — Começou Kyle andando. Parei de me mover assim que ele começou a frase — eu irei te mostrar, somente uma vez, como se quebra uma rocha. Veja como eu faço e depois copie. Só vamos ir embora daqui depois que você quebrar três dessas rochas do modo certo! Só paramos para comer, após você quebrar uma! Entendeu?

Faço que sim com a cabeça.

—Agora observe bem! — o moreno avisa mais uma vez.

Seu punho direito se fecha. Uma esfera surge em volta da sua mão. Tenho certeza que isso é o poder angelical. Isso significa que eu estou indo pelo caminho certo!

Em questões se segundo, sua mão desaparece e a rocha se espatifa em vários pedaços, de vários tamanhos. Um deles voa e vem quicando em minha direção. Abaixo e o pego quando ele finalmente para. A pedra ainda está um pouco quente, deve ser por causa do contato rápido da pedra com o poder angelical.

—Bem, agora que você já sabe como é, pode tentar Emilly. — Anuncia.

—Ok!

Ando até uma das rochas do local. Escolho a menor, que bate, mais ou menos, na minha testa. Fico uns dois palmos de distância dela. Fecho a mão, sem fechar os olhos juntos, e tendo me concentrar. Ergo a mão e soco, com força total, a rocha. Recuo a minha mão com velocidade, sem ar. Não houve resultado, a não ser que eu tenha quebrado a mão, esse seria um dos resultados possíveis.

—Você não se concentrou direito — Kyle deixou o óbvio audível.

—Como você quer que eu me concentre se fica me olhando? — Digo sem olhá-lo.

Ele ri e se vira, ficando de costas para mim. Sei disso por causa da minha visão periférica.

Concentro-me. Tento olhar para a pedra, e imaginá-la sendo destruída ao toque do meu punho. Vou com o punho, não com toda a força, em direção a pedra. Nada. Tento de novo e de novo, e mais uma vez. Sem sucesso.

—“Mas que fracassada!”.

Ótimo, era tudo o que eu precisava para me concentrar nesse momento!

—“Se fosse eu, teria quebrado essa pedra apenas com a mão, sem ajuda de nenhum poder angelical”.

Vá dormir.

—“Para quê dormir, sendo que te ver aqui, tentando quebrar uma simples rocha e fracassando, é mais interessante?”.

Cale a boca, Emilly. Você está me atrapalhando.

—“Ah, então eu estou conseguindo o que eu quero. Por que não me deixa no controle? Tenho certeza que eu quebraria as três rochas e iríamos logo daqui, antes mesmo do meio dia!”.

Meu Deus, Emilly, fique quieta, por favor!

Fecho os olhos tentando aguentar, enquanto a Emilly revoltada ri de mim.

— Algum problema, Emilly? — Diz Kyle.

Viro-me e vejo que ele está com um semblante sério.

— Não, nenhum... —Digo, não posso contar ao Kyle e nem ao Loran sobre a Emilly revoltada. Não quero contar. E não existe motivo para isso.

—“Essa é a parte clichê em que ele te ajuda a quebrar a pedra e depois vocês vão para a cama. Awn, que Roman... Idiota! Não existe nada de romântico nisso, eca!”.

Pare de me atrapalhar, pensamento idiota!

—Os pensamentos idiotas estão te perturbando? — Kyle pergunta.

—Eu não quero ninguém xeretando a minha mente, eu já disse! — Falo com o tom um pouco alterado.

—Emilly, — ele começa a vir em minha direção — eu posso ver no seu rosto que algo está te perturbando. — Estamos muito próximos um do outro agora. Ele está com o braço cruzado, há uns dois centímetros, olhando profundamente em meus olhos como se quisesse saber da verdade e pudesse consegui-la lá. — Conte-me o que é, por favor.

Sei que estou corada, Nessas horas é impossível eu não estar. Sinto sua respiração leve em meu rosto.

—Eu... — Bufo — eu estou preocupada com o meu irmão. Deve ser muito ruim para ele estar pensando que, agora, está sozinho no mundo. Já foi ruim quando perdemos os nossos pais. E depois eu não posso simplesmente aparecer! Vai ser muita cara de pau minha... Não! Vai ser muita cara de pau nossa fazer isso. — Nessa hora, eu me sinto aliviada. Sei que Kyle não desconfia, pois ele está com um semblante menos tenso.

—Emi, você fala que ficou alguns dias com... Você inventa uma desculpa. Nós inventamos uma. — Fala ele, ainda olhando para mim. — Tenho certeza que ela acreditará. Vamos dar um jeito de isso acontecer.

E eu entendi perfeitamente o que Kyle quis dizer com essa frase, não gostei muito. Não gosto muito dessa ideia de mentir para o meu irmão, mas, agora, é inevitável. Ao menos ele não irá saber que é mentira.

+++

O sol já está bem em cima de nós e eu ainda estou tentando quebrar à primeira pedra. Não é fácil com Kyle, com a Emilly revoltada e com esse calor me atrapalhando.

—Vou ir avisar o Loran que não temos hora para voltar. — Anuncia Kyle. Olho para ele no tempo de vê-lo tirando a camisa e posso apreciar suas costas malhadas. Posso ver exatamente o nascer de suas asas. É algo lindo, incrível. Seria como você assistir um vídeo de um broto de feijão crescendo, numa velocidade acelerada exageradamente. As assas surgem depressa, começando pequenas e depois vão ficando grandes. Uma pequena abertura é feita e algumas penas negras caem no chão. Ele parte em retirada, me deixando sozinha. Vou até o local em que ele estava e pego uma de suas penas, guardando-a no meu bolso.

Volto minha atenção para a rocha. Tenho que terminar isso aqui o mais rápido possível. Olho para ela. Se essa rocha tivesse vida ela, com toda a certeza, estaria caçoando de mim. Talvez, estaria até rolando no chão de tanto rir da minha cara.

Uso isso como motivo de raiva para me dar um “impulso”. Fecho a mão rapidamente e tento concentrar uma quantia exagerada de poder espiritual ali. Aos poucos, uma pequena esfera surge. Levanto minha mão até a altura do peito e levo meu punho para frente. A esfera de energia bate na superfície da rocha e se desfaz. Minha mão bate na rocha também, logo em seguida, me fazendo sentir uma dor legal.

Olho para ela. Vejo que minha mão já está um pouco inchada e suja.

— “Vai chorar é, fracassada?”.

—Fique quieta, Emilly.

—“Deixe de ser mole, garota. A pedra não vai se autodestruir enquanto você olha para a sua mão”.

Não respondo, apenas continuo olhando para a mão.

—“O que o moreno ali te disse? Acho que foi algo como você só estar livre para fazer uma parada para descansar após ter quebrado a primeira rocha”.

Continuo quieta. Logo ela se cansa e vai embora dos meus pensamentos. E aí eu voltarei à ativa.

—“Fracassada? Morreu foi?”.

É meio engraçado saber que eu estou me deixando no vácuo. E é engraçado o quando eu me acho irritante agora. Opa! Espero não ser assim na vida real. Tenho que me lembrar de perguntar aos garotos depois se sou tão irritante assim.

—“Escura aqui, lourinha, você pensa que pode ficar sem me responder desse jeito, é? Saiba que eu posso muito bem ajudar a sua situação, sua ignorante”.

—Pode? — sinto um enorme alívio ao ouvir isso. Pelo menos uma vez na vida ela será prestativa.

—“Mas que menina interesseira!”.

—Fala logo! — Digo estressada. Começo a imaginar o quão hilário seria se Kyle chegasse agora e me visse falando sozinha.

—“Espera aí queridinha, acha mesmo que vai conseguir uma ajuda minha assim sem nenhum esforço? Se pensou que sim, está bem enganada”.

— Vá logo ao assunto, Emilly. — Já estou irritada devido ao enrolo que essa garota está fazendo.

— “Eu quero fazer um acordo com você, Emilly!”.

Notas finais
Acham que valeu a pena esperar? O que acharam desse capítulo? Gostaram? Razoável? Péssimo? Qualquer tipo de crítica construtiva é bem-vinda! E isso é tudo, pessoal!