Notas iniciais
Bem, eu sei que ultimamente estamos demorando para postar e isso não é legal! Porém o fim de ano está corrido para Danny e para mim, espero que entendam isso. E talvez, ano que vem se torne até pior, já que os estudos ficaram pesados para ambos. Mas faremos de tudo para postar, ao menos, um capítulo grande por mês. Façam um bom proveito do capítulo!

— Um acordo? Você está louca? — Ela realmente deve ter pirado. Espero que isso não tenha realmente acontecido, pois vai que eu tenha pirado também... — Por qual motivo eu faria um acordo com quem tenta me matar toda santa noite?

— “Ora, pois você está precisando de algo que eu posso te dar. Claro que não farei isso de graça. Ninguém faz nada de graça. Aceita ou não? Não vai ser nada demais o que eu pedirei Emilly”.

Penso um pouco sobre o assunto, claro que eu não quero fechar esse acordo com ela, mas e se eu só tiver a perder se recusar?

—Ok. – Digo enfim.

—“O acordo é o seguinte: Eu te dou o poder angelical, só que você terá que fazer tudo, exatamente tudo o que eu pedir”.

— Você quer me usar como escrava, isso? — Mostro a minha visão sobre o que ela disse.

—“Isso não tem nada a ver. Os escravos eram pegos a força...” — Ela começa, mas então, decide parar — “Ah você conhece a ladainha toda... Topa ou não?”.

—Quero uma demonstração do que você tem a me oferecer. — Falo.

Posso ouvi-la, ou imaginá-la, bufando.

— “Vá à rocha e tente fazer o que você estava fazendo antes”.

Ponho-me perante a rocha e fecho o punho. Concentro um pouco de energia na mão e posso perceber que dessa vez foi algo bem mais fácil e veio muito mais poder. Ergo o punho e espero um tempo. Estico o braço e o poder forma uma cratera funda na rocha, mas não a quebro por inteiro, como fez Kyle.

—“Você quer quebrar algo com tanta calma assim?” — Ela fala como se estivesse caçoando de mim.

—Hã?

—“Você teria quebrado essa rocha aos poucos se fosse um pouco mais rápida e repentina com o seu soco. Mas tem que fazer todo um ensaio antes e perde o tempo e a força” — Essa explicação... Por que raios eu não falei com essa garota antes?

—Trato feito. — Falo.

Repito o processo de antes, porém dessa vez com uma pequena alteração: Meu soco é lançado assim que a esfera de energia se forma em meu punho. A rocha que está em minha frente se desfaz em vários pedaços.

Comemoro o sucesso com alguns pulinhos e palmas.

—“Que ridícula!”.

Penso na possibilidade de Kyle chegar agora e me ver durante a realização desse ato. Com certeza ele iria pensar a mesma coisa que a Emilly falou. Paro de pular e vou descansar por um tempo.

+++

Acordo com alguém me cutucando incansavelmente. Abro os olhos e vejo que esse alguém é Kyle com um belo sorriso no rosto.

—Acho que a senhora não cumpriu as suas tarefas...

Eu olho em minha volta e vejo que estou deitada no chão, com somente uma pedra destruída, ainda. Eu cochilei.

— Que hora são? — Pergunto pondo-me em pé.

— Ainda antes do meio dia. — Explica olhando para o céu. — Você já conseguiu algum resultado?

—Consegui destruir uma rocha. — Digo com um sorriso bobo de vitoriosa no rosto.

Kyle ri.

—Uou, pago para ver essa.

Ponho-me em frente à outra rocha, essa é um pouco maior do que a anterior. Fecho o punho e tento concentrar mais força na mão. Movo rapidamente e dou um belo golpe na grande rocha.

Ela explode e eu explodo de felicidade junto. Está bem fácil agora de destruí-las e usar o meu poder.

Obrigada, Emilly.

—Uou! Emilly, você está de parabéns! — Diz Kyle enquanto bate palmas com o intuito de me parabenizar.

Abaixo-me, como as pessoas fazem quando estão gratos pela atenção.

—Obrigada. — Falo.

—Acho que isso está fácil demais... – Fala ele. — Que tal mudarmos? – seu semblante torna-se monstruoso.

—Mudarmos?

—Isso, tente destruir duas rochas ao mesmo tempo, só lançando a esfera!

— Argh! — Falo enquanto me imagino lançando as esferas e explodindo as rochas.

Kyle aproxima-se de mim.

—Quer uma demonstração?

—Eu duvido que você consiga. — Disse desafiando-o. É evidente que eu sei que ele pode, mas sempre é bom fazer as pessoas ficarem estressadas nessas horas.

Kyle andou até um ponto em que ficava na mesma distancia para duas rochas que erma praticamente do mesmo tamanho. Ele ergueu ambos os braços na altura do peito e apontou, com cada um, para uma pedra. Em cada uma das mãos, que estava com as palmas viradas para baixo e todos os dedos juntos, deixando a palma numa forma côncava. Delas, começaram a crescer duas esferas de uma cor que parecia alternar entre preto, roxo e azul escuro. Assim que o poder dele ficou num tamanho menor, mais ou menos igual a uma bola de basquete, ele lançou-as em direção às rochas. Ambas no mesmo tempo. As rochas pareciam ter combinado e explodirem juntas.

O moreno se virou em minha direção e se abaixou, abrindo os dois braços, num gesto e agradecimento.

—Nossa... — Disse. Eu estou realmente impressionada com o que acabei de ver. Eu não sei o que falar — eu quero que... Você me ensina a fazer isso que acabou de demonstrar.

Kyle Ri.

—É só você juntar energia na sua mão e soltá-la um pouco. Ela ira flutuar e ser atraída para a palma da mão, então, você continua fazendo isso até que ela fique grande, porém, não deixe que se torne pesada. Após ter feito isso, é só lançar com força.

Assinto com a cabeça. Na verdade, eu só entendi uns setenta por cento do que ele disse, mas eu posso me virar sozinha.

Tento uma vez. Ponho-me numa distancia igual entre duas rochas e faço os mesmos gestos que Kyle. Começo a juntar a força na palma da mão. As bolas descem alguns centímetros separando-se da minha palma. Deixo-as do tamanho de uma bola de basquete e, finalmente, lanço-as.

Ambas as bolas flutuam para frente um pouco, acho que cerca de um metro, e caem no chão espatifando-se e virando fumaça. Como imaginei, não funcionou.

—Que desperdício, Emi — Fala Kyle rindo.

Mostro a língua para ele e volto minha atenção para as pedras.

Ei, Emilly, que tal dar uma mãozinha?

— “Mãozinha com o que?”.

Ajuda-me a quebrar as rochas ou, ao menos, fazer com que as esferas cheguem até o destino.

— “Garota, lembre-se do que o ruivo te disse. É só isso que precisa fazer”.

Lembrar-me do que o Loran falou... Devo acreditar no poder para que ele exista?

Tento novamente, dessa vez, crendo que dará certo. As duas esferas flutuam numa velocidade alta até as rochas e as quebram em vários pedaços.

— Pois é, Emilly, você está indo muito bem! — Fala Kyle vindo até mim.

Viro-me para ele e sorrio.

—Eu sempre fui boa, afinal, eu sempre fui um anjo... Ou não... Ah, você entendeu...

Ele ri.

—Bem, quem é anjo, nasce anjo. Mesmo que os seus poderes estejam, por um motivo desconhecido, aprisionados, você sempre foi um anjo.

—Pois é. — Digo. Vejo que a nossa conversa terminou ali. — E agora, o que eu vou fazer? — Pergunto.

Kyle pensa.

—O que você quer aprender?

Penso em todas as coisas que eu já vi ele e Loran fazendo.

—Como eu faço para invocar aquela dimensão... O plano Ethereo?

Kyle para. É como se ele precisasse de um tempo razoável para lembrar-se da resposta correta.

—Bem, é como chamar um gato, ou qualquer outro animal, para perto de você.

Assinto e complemento:

—Então eu teria que gritar o nome do plano?

—Quase isso. — Fala — nós, anjos e anjos caídos, pensamos no nome do local e nos imaginamos no local. — Ele olha para mim, para ver se estou ouvindo e entendendo o que ele está falando. — Tente uma vez.

Movo a cabeça para cima e para baixo.

Estralo um pouco o pescoço e começo a pensar, a chamar o plano.

Imagino uma porta se abrindo e vindo em nossa direção numa velocidade rápida. Em questão de segundos, imagino eu, estou naquele local escuro e com aquela tênue neblina branca flutuando perto do chão preto.

Olho para os lados e vejo que realmente estamos nesse local.

O plano ethereo... Foi em vão. Em questão de segundos estamos de volta no local rochoso.

—Você se distraiu! — Anuncia Kyle, debochando de mim. — É preciso ficar, mais alguns segundos, concentrado na materialização do ethereo, para que ele fique onde você o invocou.

Faço que sim com a cabeça. Sinto minha barriga protestar de fome.

—Estou com fome. — Falo.

—E o que você quer comer?

— Qualquer coisa que faça um peso na barriga.

Kyle pensa por alguns segundos.

—Que tal peixe?

—Isso é bom. — Falo.

—Ok, você terá que pegá-lo com seus poderes angelicais! — Anuncia. Reviro os olhos.

— E como eu faço isso?

—Bem, você terá que fazer o mesmo processo para destruir as rochas em distancia, porém, vai criar uma lança e não esferas! — Ele para e olha para mim, para ver se eu entendi tudo. — É fácil. Vamos lá. Vou pegar um peixe para mim e você tenta depois.

+++

Estamos na frente do lago que fica próximo a caverna. Estou sentada no chão com as pernas cruzadas enquanto Kyle está em minha frente, de costas para mim, com a lança angelical em sua mão, esperando um peixe.

Em questão de segundos, sua lança escapa-lhe da mão e fica imóvel na água. Ele a puxa e posso ver o peixe preso nela.

Vou até ao lado dele e tento repetir o processo. Espero um peixe aparecer para poder pegá-lo, mas nenhum se aproxima. Foco-me mais um instante olhando para a água, como se isso fosse ajudar a trazer um peixe para cá, mas nada acontece.

Kyle ri, sem intenção de me irritar, mas esse seu ato me deixa estressada. Tento várias vezes, mas em nenhuma delas eu consigo pegar algum peixe.

Após várias tentativas posso até sentir as gotas de suor escorregando pelo meu corpo, a camiseta colando e o clima mais quente. Esforcei-me demais. Sei que não posso judiar desses meus poderes, pois eles cansam o corpo físico.

Tento criar uma lança novamente, porém dessa vez ela não se materializa. Olho para a palma da minha mão e tento materializar a lança novamente, vejo uma pequena forma cilíndrica se formando e desaparecendo logo em seguida.

Sento-me para descansar um pouco. Estou sem comer e fraca. Meus braços tremem e estou com muito calor. Se eu continuar me esforçando mais, tenho certeza que irei soar e que a roupa irá feder mais tarde.

—Posso fazer algo? — Pergunto olhando para Kyle, tirando-o de um transe em seus pensamentos.

—O que? — Ele põe a mão sobre as sobrancelhas com a palma virada para baixo criando uma sombra em seus olhos para melhorar a visão.

—Posso nadar um pouco? — Pergunto. Vejo que ele não entendeu totalmente a minha ideia, então explico: — Não quero feder mais tarde.

Kyle concorda virando a cabeça para um lado e depois para o outro. Tiro o tênis e as meias e pulo, com as vestimentas que sobraram na água. Ela está fresca. Algo bom, pois isso refresca o meu corpo.

Após alguns mergulhos saio da água e fico parada onde estava, esperando ela se acalmar para que os peixes voltem onde estavam, para mais perto de mim.

Assim que vejo que eles voltaram, penso em todas as coisas que um pescador faz antes de lançar a isca na água.

Crio uma lança e fico ali, esperando os peixes irem para onde eu quero. Espero mais um tempo, em silencio, para que os animais pensem que ali é um local seguro.

E então, antes de lançar, me surge uma ideia genial. Mudo a forma da lança para uma rede de pesca, cavo um buraco na terra para pegar algumas minhocas, jogo a rede em um local e tento atrair eles para lá jogando as iscas.

Alguns peixes veem e mordem as minhocas. Os outros, ao ver que lá existe algo bom, vão para lá também. Espero até ter, no mínimo, três peixes na rede para fechá-la e puxá-la com cuidado para que eles não caiam ou que ela se desfaça. Vitória.

Desfaço a rede ao colocá-la na terra seca, longe da água. Espetos os peixes com pedaços de galhos secos e ponho-os na fogueira que Kyle acendeu para nós.

—Você foi genial na hora da rede. — Admite enquanto se aproxima.

Sorrio, puxo o peixe quando ele já está bom, mordo-o. Após engolir, respondo:

—Não é por nada que eu era muito boa em algumas matérias. — Sorrio.

Kyle ri por uns segundos e avisa:

—Tem um pouco de carne no meio dos seus dentes. — Diz enquanto ri e olha para a fogueira.

Fecho a boca na hora e tento tirar a carne com a língua. Sem sucesso. Enfio os dedos na boca e tento puxá-los. Finalmente!

+++

Olho para o s lados enquanto mecho nos meus cabelos para tentar arrumá-los. Kyle me dispensou do treino por hoje ainda cedo e decido que eu ainda posso fazer alguma coisa normal durante o resto do dia.

Após pentear o meu cabelo, pego um espelho e aprecio-o. Está normal. Coloco o espelho no chão, com a parte refletora virada para mim, olho para ele e dou inicio a uma trança.

Após trançá-lo todo, pego o instrumento refletor e olho-me de vários ângulos diferentes. Está bom.

Levanto-me e vou procurar o que fazer.

Durante o percurso deparo-me com Loran.

—Já terminou seu treinamento? — Pergunta.

—Ah... Sim! Agora estou procurando algo para fazer.

Ele ri.

—Quer vir comigo?

É um bom convite.

—Para onde? — Pergunto. Não posso aceitar sem saber, ao menos, o que vamos fazer.

—Eu preciso ir numa cidadezinha aqui por perto comprar coisas para sobrevivermos. — Explica.

É uma boa. Não há motivos para recusar.

+++

A sensação do vento batendo em meus cabelos me deixa para cima. Fecho os olhos e inspiro o ar quase puro do local onde estamos — ainda na estrada, nada de cidade. Algumas árvores erguem-se no meio do nada. Casas de madeiras antigas estão sozinhas, com algumas vacas pastando ao lado.

O sol está iluminando o caminho, mas não está quente. Deve ser pelo carro estar se movimentando.

Olho para o lado e encaro Loran. Ele dirige concentrado, como se eu não estivesse ali.

—Algum problema? — Ele percebeu o que faço.

—Nenhum. Você dirige como se eu não estivesse aqui. — Explico — não que isso seja ruim, mas é engraçado.

Ele ri e logo em seguida, sem desviar a atenção da pista, diz:

—É que eu preciso manter a atenção na pista e em outras coisas, como por exemplo, ver se não tem nenhum demônio ou um ser maligno na pista.

—Ah... Como você faz isso? — Essa é uma boa oportunidade de começar uma aula diferente.

O ruivo fica alguns segundos sem me responder.

—Bem, é como usar a sua aura como radar. Os morcegos fazem isso. É quase igual. — Explica. — Você só tem que soltar uma quantia insignificante dela e ver se é retribuída. Se for, é porque existe algum ser místico no lugar. Se não for, é porque não há nada.

Arregalo os olhos com a informação. Isso é bem mais fácil do que pensei.

Tento fazer a mesma coisa que ele disse.

—Como é que solto essa quantia? — Pergunto após ver que é um pouco complicado.

—Bem... Eu não sei explicar... — Loran força os olhos, mas não para ver melhor e sim para procurar uma explicação plausível para mostrar. — É como peidar.

Solto uma gargalhada com essa comparação dele.

—Ok, então eu tenho que fazer força para peidar? — Pergunto ironicamente.

—Não... Relaxe o corpo e imagine a aura saindo levemente de você, dos seus poros.

Tento relaxar. Não sinto nada de diferente, mas não tenho mais tempo para isso. Chegamos à cidade. Era bem pequena e com algumas lojas. Loran abasteceu o automóvel enquanto eu olhava as vitrines.

+++

Saímos da cidade e voltamos para a caverna com comida, roupas e com o tanque cheio. Vou até o meu quarto apreciar o que comprei para mim enquanto Loran e Kyle se juntam para fazer o jantar.

Eu até queria ajudá-los, mas Loran disse que eu já estou fazendo muito treinando e que eles precisam fazer algo útil.

Após o jantar, o frio cai sobre nós. Somos obrigados a criar uma fogueira que, como um método de treino, tenho que mantê-la acesa criando uma pequena proteção usando a energia angelical.

Kyle, Loran e eu estamos em volta da fogueira, encolhidos e cobertos por edredons quentes.

—Seria um bom momento para começarmos a contar histórias de terror. — Digo.

—Isso não é uma boa coisa! — Retruca Kyle.

—Não mesmo, Emi! — Loran reforça o que o moreno disse — se você faz isso, pare.

—Por quê? — Não vejo motivos para eu parar de fazer essas coisas normais.

—Se você conta histórias de terror, é claro que nelas vão acontecer coisas ruins, coisas envolvendo magias negras que atraem demônios e espíritos de mau agouro. — Começa Kyle — Isso certamente atrairá demônios e mau agouro para perto de você.

—Hã... — É claro que isso não deve ter algo a ver, pois nunca me aconteceu nada. Eles simplesmente devem estar falando isso para me assustar. — E o que vamos fazer então?

Ninguém disse nada. Podia ser ouvido claramente o barulho das chamas ecoando pelo local.

—Como é o ato de cair, Kyle? — É a primeira coisa que vem em minha cabeça. Não sei se ele gosta de falar sobre isso, mas estou supercuriosa para saber como é.

Ele se ajeita, olha para fogueira e começa o discurso.

—É um ato mais simples do que parece. — Afirma — basta você fazer algo mundano por um bom tempo que você irá cair. Um anjo deve manter-se limpo e fazer os seus deveres na terra, mas se ele não o fizer, ele deixa de ser um anjo e se torna um caído.

— Ah... Existe diferença entre os caídos e os anjos?

Dessa vez quem responde é o Loran:

—Claro que existe querida Emilly. Os anjos fazem o dever divino, fazem o que Deus manda. Os caídos não. Muitos não fazem absolutamente nada — ele olha para Kyle, como se isso fosse uma indireta. — E outros vão para o inferno e tentam conseguir um cargo lá. Assim que conseguem, começam a matar humanos e a devorar almas. Já ouvi muitas histórias de anjos que ficam bêbados com o gosto das almas e acabam tornando-se comedores de almas.

—E o que seria isso? É um tipo de caído?

—Não. Os comedores de almas não têm mais uma consciência. Seriam como demônios fracos, mas até esses tem um pouco de consciência. Os comedores de almas comem almas penadas, anjos enfraquecidos e até mesmo demônios fracos, se bobearem.

—Nossa! — Essas coisas são realmente terríveis. — E onde eles vivem?

Kyle dessa vez é quem toma a frente.

—Eles vagam pelo mundo. Andam no meio das pessoas como se fosse um inseto, ou uma alma penada normal. Ele não consegue atacar aos humanos vivos, pois eles têm um protetor. Então, assim que um deles morre com um Comedor por perto, é uma luta para os ofanins. Mas por sorte, poucos tem se tornado esses seres repugnantes!

—Qual a aparência?

—Imagine um caminhoneiro com a barba enorme e os cabelos também, cheirando a álcool e suor. Agora, imagine esse mesmo caminhoneiro sendo um obeso. As suas asas tornam-se negras, porém pequenas em relação ao corpo. Eles vagam por aí sem vestimenta, mas por sorte as suas banhas tampam tudo.

Um ser desse é a pior coisa que existe.

—Ah, eles também deixam um rastro de baba por onde passam. — Acrescenta Kyle.

—Que asqueroso. Como um anjo pode se tornar algo assim?

Loran ri.

—Essa também é a minha pergunta. — Ele fica quieto por um segundo e logo a sua face torna-se maliciosa. — Podemos saber, já que temos algo perto disso aqui, não é? — Ele olha para Kyle.

—Não começa! — Interrompo antes que eles deem inicio a uma discussão.

O assunto termina. Ficamos quietos olhando um para o rosto do outro até adormecermos.

+++

Essa noite não foi nada diferente, até uma parte. Tive sim, um sonho com a Emilly, mas dessa vez estávamos disputando algo.

—“Vamos lá, Emilly. Mostre para mim o quão boa você é!” — Ela sorri, para mim, maliciosamente.

Estou dentro de um carro. Ela está dentro de outro, ao meu lado. Olho para os lados e vejo que estamos numa pista que fica entre uma floresta. As arvores se contorciam e os animais voavam no céu que estava preenchido por nuvens grandes e brancas. Olho para ela novamente.

—Eu não vou disputar! — Falo.

JÁ!

Ambos os carros começam a correr numa velocidade incrível. Eu não sei nem quem deu o sinal para irmos e nem sei como o carro está dirigindo.

Ponho as mãos no volante e tento tomar o controle. A Emilly consegue tomar a minha frente por questão de segundos e, então, toma um rumo diferente do meu. A pista se separa em duas e cada uma de nós vai para um lado diferente. A dificuldade é que uma rocha gigante (o pico de uma montanha, talvez) é o que separa as pistas e não posso enxergar onde a outra está.

Após uma boa distancia, as pistas convergem. Fico lado a lado com ela, até que uma pequena raspada dá um solavanco no meu carro.

Olho para ela e a loira ri. Agora, estamos numa pista que fica no meio de um deserto. Sinto as gotas se suor escorrendo pelo meu pescoço e pela minha testa.

Viro o volante para o lado dela e bato com força no carro dela, ela faz a mesma coisa e ficamos nisso, arrastando a lataria até algum lugar que eu não sei onde é.

As pistas se separam novamente, mas, dessa vez, posso ver onde ela está. Vou dirigindo olhando para ela, até que consigo, finalmente, ficar em sua frente. Quando olho para frente me surpreendo com o que vejo: Kyle está parado nela.

Freio com a maior velocidade do mundo. O cenário é preenchido pelo som violento dos pneus se arrastando. O carro não para mesmo assim. Kyle está cada vez mais perto.

Fecho os olhos.

O carro bate em algo.

Notas finais
O que acharam? Curtiram? Bem, espero que vocês mandem reviews com a sua opinião sobre a história! Muito obrigado por lerem até aqui e até o próximo capítulo! E isso é tudo, pessoal!