Notas iniciais
Olá. Aqui está mais um capítulo como prometi ontem. Acredito que vocês devem estar me odiando no nível máximo,porque fiquei um tempo sem postar e quando volto, é direto com um capítulo que Thalia e Luke brigam, mas pra compensar, eu estou escrevendo um agora(que deve ser o 18, 19 ou 20) que está pra lá de fofo. Ou seja, já deu pra ver que eles ão vão ficar brigados pra sempre.
Espero que gostem do capítulo de hoje e por favor, não deixem de comentar. Obrigada, beijos
Isabell

Tá bem. Já chega. Chega de dúvidas por hoje, já estou cansado delas. O que é isso? O que é essa faca na minha mochila? Eu não coloquei isso aqui e tão pouco foi Thalia. Eu mantive essa mochila nas minhas costas o dia todo e tenho certeza que ninguém tocou nela além de mim. Será que alguém daquela escola colocou isso aqui? Não. Impossível. Eu teria notado.

Estou confuso, de novo. Confuso, exausto e chateado com tudo isso. Pra piorar está frio e eu estou tremendo como no primeiro dia. Tudo o que eu queria era voltar para o beco e simplesmente deletar todas as chateações que causei a Thalia. Como ela deve estar agora? Arrasada, aposto. Por minha culpa ela deve estar sentada no chão, chorando e dizendo o quanto eu sou idiota. E sou mesmo. Só espero que ela fique bem.

Thalia é uma garota forte. É possível afirmar isso só olhando pra ela. Porque apesar de morar na rua e ter só dez anos, ela mete medo nas pessoas, falo isso porque confesso que tive um pouco de medo dela quando a conheci. Ela te olha e fala com você como se fosse pular em suas costas e te bater até você chorar. Mas o que eu fiz a deixou frágil. O que eu fiz é imperdoável. Eu me odeio.

Meus pensamentos voltam para a faca em minha mão. Não era exatamente uma faca, estava mais para uma adaga, dessas de luta. Um material que eu não conhecia, mas de alguma estranha forma, o nome me surgiu à cabeça: Bronze Celestial. Eu não sei de onde vinha nem porque estava no meio das minhas coisas, mas eu ia descobrir. Bem, pelo menos, por enquanto deva servir para algo. Guardei-a de volta na minha mochila.

A noite foi chegando e o frio aumentava. Era setembro, início do outono, o frio não era tão intenso, mas não aconselho passar uma noite na rua nesta época do ano sem nada pra se esquentar. E eu não tinha nenhuma fonte de calor além do meu casaco. Eu não me dera o trabalho de aprender a fazer uma fogueira. Thalia sabia e isso bastava. Esse era o trabalho dela, nos esquentar e o meu era de nos alimentar. Teria dado tudo certo, até nos separarmos. Queria que ficássemos juntos, seria mais fácil para os dois.

Eu senti que queria chorar, de novo. Então coloquei o capuz do meu casaco na cabeça, me deitei no banco da praça e, apesar do frio intenso, consegui dormir.

E sonhei.

No meu sonho, eu estava com Thalia, de volta na casa abandonada dela. Olhávamos para aquele quadro dos deuses gregos que havia na sala e tínhamos aquela mesma conversa sobre a mãe dela. Mas então ela parou, parou de falar e parou de se mexer, era como se ela não estivesse ali, mas ainda sim eu sentia a presença dela. Ela estava paralisada como se fosse um transe. Eu estava perdido no meio daquela sala, eu tentava fazer Thalia sair do transe, mas era impossível. De repente tudo começou a sumir, os móveis, o tapete, o sofá, tudo. As únicas coisas que ficaram foram eu, Thalia em seu estado vegetativo e o quadro dos deuses.

Luke. – uma voz chamou. A princípio eu não sabia de onde vinha, mas logo vi que os deuses gregos do quadro criaram vida e se mexiam. – Luke, olhe bem, tenha cuidado com o que é meu. – Um deles falou. Era Zeus.

Eu não entendia bem o que ele queria dizer. Ter cuidado com o que era dele? O que era dele que eu tinha que ter cuidado?

Faça as escolhas certas garoto. – outro deus disse. Esse era Dionísio, o deus do vinho. Graças às aulas do Sr. Linus, eu sabia o nome deles. – Não me decepcione.

E porque eu me preocuparia em agradar ou decepcionar um deus grego? O que todos eles queriam de mim?

Você também irá ter o que é meu. Tenha cuidado. – Atena, a deusa da sabedoria falou.

- O que é de vocês? Com o que tenho que tomar cuidado? – perguntei. Eu estava assustado. Assustado por eles estarem falando comigo coisas que eu não entendia e assustado pelo estado paralítico de Thalia. – O que vocês fizeram com Thalia?

Nós não fizemos nada, rapaz. Você fez. – falou Hera, a deusa do casamento. – Você tem que tomar cuidado com suas decisões.

Até escolher o que é correto, a sua amiga ficará assim. – Dessa vez foi Poseidon, o deus dos mares. Todos os deuses o olharam como se concordassem com o que ele acabara de dizer. Todos, menos Zeus, era como se tivessem colocado o estado de Thalia em votação e Zeus fosse o único que tivesse votado contra ela ficar em transe. O que é bem estranho, porque ele é o deus dos deuses e as decisões deveriam partir dele.

Eu começara a sentir que estava acordando, o sonho estava ficando embaçado. Mas um último deus disse:

Lembre-se Luke, você é o herói. – Esse era Hermes, o mensageiro dos deuses.

Legal, eu sou o herói. Obrigado Hermes, você foi o único que me disse uma coisa legal que não fosse do tipo “Ei garoto, se você não cuidar do que é meu (seja lá o que for), eu vou te esmagar com meus poderes de deus grego até você virar purê para eu servir nas divindades do Olimpo.”

Beleza, mas o herói de que? Esses caras podiam ser mais específicos, né? Tenho que cuidar de seja lá o que for que pertence a Zeus e Atena, não decepcionar Dionísio e ser herói de sei lá o quê para Hermes. Ok, certo, entendi, pode deixar.

Acordei do sonho ainda pensando naquilo, já era de manhã.