As Coisas Como São
1 ♪ Só Por Uma Noite
Notas iniciais
"Só de ouvir a sua voz, eu já me sinto bem"...
–-ღ--
"Eu procurei em outros corpos encontrar você
Eu procurei um bom motivo para não falar
Procurei me manter afastado
Mas você me conhece, eu faço tudo errado
Tudo errado"...
Os gemidos altos de uma mulher preenchiam o cômodo onde eu me encontrava. O som era algo tão monótono, que já não me importava mais. Porque não eram os sons dela. A imagem de uma garota de longos cabelos loiros ocupou minha mente e eu parei completamente, incapaz de prosseguir.
– Por que parou Nat-kun? — A mulher perguntou manhosa, pressionando seu corpo nu nas minhas costas e abraçando meu pescoço.
– Pare Lisanna... — Falei retirando seus braços do meu pescoço. Com isso, levantei da cama onde estava e procurei minha camiseta pelo quarto. A coloquei e caminhei até a porta, abrindo-a.
– Então é isso? Não vai terminar o que começou de novo? — Lisanna gritou enfurecida. Ainda de costas, eu respondi:
– Achei que conseguiria, mas não sou tão forte. Não voltarei a procurá-la Lisanna, não se preocupe.
Dito isso, abri a porta e saí apressado.
–----x-----
– Eu disse que era uma péssima ideia.– Meu melhor amigo, Gray, falou pelo telefone.
– Obrigado por jogar na minha cara, "amigo", mas isso eu já percebi! — Falei irritado. Andei até minha cozinha e peguei uma garrafa d'água, para logo depois sentar no sofá (lê-se "atirar-se e quase fazer meu gato voar").
– Você diz que já percebeu, mas foi procurá-la mesmo assim.
– Eu... Eu sei, mas... Ah, eu só queria esquecer um pouco as coisas entende? Especialmente ela.
– "Ela" tem nome Natsu.– Gray disse um tanto irritado. Ele tem seus motivos para estar assim.
Permaneci um tempo em silêncio até ouvir Gray suspirar cansadamente do outro lado.
– Olha, Natsu, você é meu melhor amigo, isso é fato. Eu estarei aqui se precisar conversar, mas preciso lhe dizer que esse tipo de conversa é um tanto delicada. Tipo, olha de quem estamos falando!
– Acha que não me sinto desconfortável ao falar disso com você? — Falei incomodado.
– Acredito que seja difícil, mas não muda a situação.
Outro momento de silêncio. Desta vez, eu tomei a palavra.
– O que acha que devo fazer?
– Sinceramente? Eu não sei. Mas se quer realmente minha opinião, não é em uma casa de programas que você irá encontrar o "alívio necessário para a alma". Não é isso que você quer. Pense em si mesmo. Pense na Lucy.
Meu coração falhou uma batida ao ouvir esse nome.
– Esse é o problema. Eu só penso nela. Prometi à ela que iria tentar me afastar, dar um tempo mas... Só uma noite cara. Eu queria esquecê-la só por uma noite.
"Fim de semana, sei lá
Vou viajar
Vou me embalar
Vou dar uma festa
Vou tocar um puteiro
Vou te esquecer nem que for
Só por uma noite"...
– Você... Quer falar com ela?– Gray falou receoso. A pergunta me pegou de surpresa.
– ... Acha que ela vai querer falar comigo?
– Não custa tentar. Espere um pouco, vou chamá-la.– Gray disse e ouvi ele repousar o telefone. Após, ele a chamou.
– Lucy, pode vir aqui, por favor?
Pude ouvir a delicada voz dela pelo aparelho:
– Já vou Onii-chan!
Mais segundos de aflição, até eu ouvir novamente a voz de Gray.
– Tem alguém que quer falar com você.
– Quem?
Houve silêncio novamente e eu sabia que eles estavam se entendendo sem palavras.
– Ah... Natsu quer falar comigo? Sério?
Não, eu estou brincando. Claro que é sério!
– Sim Lucy, tenho certeza. Fale com ele.
Essa espera que não acabava nunca droga!
– Alô? Natsu?
– A-Ah... Oi L-Lucy... — Falei gaguejando. Parabéns idiota, começou bem!
– Como você está?– Ela perguntou com a voz carregada de gentileza. Como sempre foi.
– E-Eu vou levando. E você?
– O mesmo.
A falta de assunto entre nós era ridícula. Sempre tínhamos o que conversar. Mas depois do ocorrido, não esperava que fosse diferente.
– O que queria falar comigo?– Ela perguntou de repente.
– Nada especial. Só... Queria ouvir a sua voz. — Eu disse, finalmente.
"Mas só de ouvir a sua voz
Eu já me sinto bem
Mas se é difícil para você, tudo bem
Muita gente se diverte com o que tem
Só de ouvir a sua voz
Eu já me sinto bem
Mas se é difícil para você, tudo bem
Quando a gente se diverte com o que tem"...
– Natsu, eu...– Ela disse com a voz trêmula. Droga, ela queria chorar. Como eu sou imbecil.
– Eu sei, eu sei. Não precisa explicar nada. Eu é que lhe devo explicações. Eu realmente, só queria falar com você novamente. Ver você novamente.
– N-Natsu, por quê?– Ela perguntou e eu senti que ela já estava derramando lágrimas.
– Não chore Lucy, por favor... — Eu disse, me sentindo um monstro por ser a causa dessas lágrimas.
Fiquei com telefone "grudado" na minha orelha apenas ouvindo ela chorar. Depois de alguns minutos, ela voltou a falar, mais calma.
– Desculpe. Não queria que você me ouvisse chorar. É patético.
– Não, não é. Não sinta-se culpada por coisas que não fez.
Ela suspirou e fez uma pergunta um tanto inesperada:
– Encontrou o que queria?
Nos primeiros segundos, permaneci em silêncio. Suspirei fechando os olhos logo em seguida.
– Natsu...?– Lucy chamou-me.
– A-Ah... Na verdade, ainda não. — Falei. Enfim derrotado. Na realidade, acho que no final disso tudo, eu não estava confuso e sim com medo. Medo de não ser suficiente. Eu não merecia alguém como Lucy ao meu lado, e com esses pensamentos, me afastei dela, com a estúpida desculpa de: "Preciso me encontrar, acho melhor darmos um tempo".
Tempo. Ora, parabéns meu caro Natsu, você conseguiu seu tempo mas e agora? Adiantou alguma coisa? Claro que não. Fui burro e lerdo demais para entender que só conseguia ser eu mesmo quando estava ao lado de Lucy.
– Entendo. Eu espero, sinceramente Natsu, que você se encontre. Você pode não saber quem é, mas eu sei.
– ... Sabe? — Perguntei confuso.
– Aham. Você é o garoto pelo qual eu me apaixonei.– Ela disse, e pude sentir um sorriso brotar no seu rosto.
Fiquei estático. Boom! Lucy sabia como me deixar sem palavras.
– Você sempre sabe como me deixar mudo Luce... — Falei rindo e ela me acompanhou.
– Claro que sim, eu te conheço Natsu.
– Melhor do que ninguém. — Falei suspirando. — Então deve saber que eu sou um grandessíssimo idiota.
Ouvi a risada doce dela do outro lado do telefone.
– Sim, Natsu, você é um idiota.
– Será que esse seu enorme coração poderia me perdoar? — Perguntei esperançoso.
Não havia mais porque ficar separado de Lucy. Eu tinha feito a maior burrada da minha vida e estava disposto a me redimir.
– ... É claro que sim...– Ela falou serena.
Um peso fora retirado das minhas costas.
– Ah, que bom... Obrigado Lucy. — Falei, sentindo meus olhos marejarem. — Espero que possamos... Recomeçar.
– Estou mais do que disposta.– Lucy respondera e meu interior esquentou.
Ter Lucy de volta, mesmo como amiga, já era mais do que suficiente para mim. Apenas a queria ao meu lado, de onde ela nunca deveria ter saído, e de onde nunca mais sairá.
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