As Coisas Como São
9 ♪ Me Encontra
Notas iniciais
"Me encontra, ou deixa eu te encontrar"...
–-ღ--
"Hoje eu vou sair para encontrar o amor
Espero há tanto tempo e ainda não rolou
O vento diz que é hoje em meio à multidão
Que eu vou encontrar a dona do meu coração"
O cenário completamente alvo e congelado preencheu minha visão. As árvores se encontravam "nuas" e repletas de delicados cristais de gelo, ou seja, o inverno já estava no seu auge.
E, isso incomodava-me em excesso.
Sempre preferi as estações mais quentes, como o verão. Mas, era a Lei da Natureza. Todos os anos precisamos passar por esse período gélido, para a minha infelicidade.
Respirei profundamente antes de enrolar um pouco mais meu querido cachecol ao redor do pescoço, e saí de casa, caminhando pelas escorregadias ruas cheias de neve. Pois era feriado, e eu iria aproveitá-lo na presença dos meus amigos. O que era ótimo, eu não tinha nada para reclamar em relação à eles, mas tinha um porém nisso tudo.
Eu era o único solteiro do grupo.
Então, podem imaginar o nível do bullying que essa pessoa que vos fala sofre diariamente.
Porém, eu levo tudo isso na brincadeira, afinal eu sempre fui o único solteirão. Mas lá no fundo, nos lugares mais obscuros de mim, uma estranha sensação nunca me abandonava.
E se eu ficasse sozinho para sempre?
Claro, eu tinha os meus "casos", mas nenhum nunca vingava. Eu e minha possível companheira sempre acabávamos naquele papo furado: "Vamos ser amigos apenas, que tal"?
Minha querida, eu estou com 27 anos, por favor, friend zone para cima de mim, não!
Mas não adiantava. Minha lista de amigas apenas subia, e isso era mais que frustrante.
Ficava me indagando qual era o meu problema. Nunca considerei-me feio, sempre achei-me normal. Será que minha conversa era sem graça demais? Eu tinha cara de querer ser amiguinho de todas as mulheres com as quais eu criava interesse?!
Muitas perguntas, pouquíssimas respostas.
Deixei essas ideias de lado e concentrei-me em seguir o meu caminho até a Confeitaria Flocos de Açúcar, meu ponto de encontro favorito, e dos meus amigos também.
Não demorou para que eu avistasse uma pequena construção quase que espremida entre dois outros estabelecimentos. Passei pela porta de vidro, ouvi o singelo tilintar do sino, anunciando minha chegada. Uma lareira em um dos cantos da confeitaria aquecia o local, e eu agradeci por isso.
Passei meus olhos ao redor e acabei vendo o braço de Gray levantado, indicando o lugar que ele e meus outros amigos se encontravam.
Quando cheguei à mesa, todos estavam com seus respectivos pares, sobrando um único lugar vago.
Ou seja, o meu.
– Ah, o solteirão chegou! — Gajeel disse ao lado de Levy, que lhe dera um leve tapa pela piada. Como se eu não ouvisse isso toda hora.
O que eles ganhavam jogando na minha cara que eles tinham alguém e eu não?
– Oi para você também Gajeel... — Falei um tanto incomodado e juntei-me a eles.
Algum tempo atrás eu não ligava para esse tipo de situação. Porém, ultimamente, isso tem ganhado mais atenção.
"Aí sempre
Sorrir e chorar e ter alguém para compartilhar sempre
Viver para alguém que me ama e dividir sempre
Felicidade e amor".
– Ei, o que houve Natsu? Parece desanimado. — Perguntou Erza, a única que tomava sua dose diária de "semancol".
– Eu estou bem, de verdade. Vocês sabem que eu não gosto muito do frio, é isso. — Falei e finalizei com sorriso forçado.
Erza não pareceu convencida, mas não insistiu, para o meu alívio.
Depois disso, o clima ficou mais divertido e logo estávamos rindo e falando bobagens. Quando eu estava com meus amigos não pensava nos problemas, apenas aproveitava cada segundo.
Conversa vai, conversa vem, e depois de um bom tempo resolvemos que era melhor irmos embora, antes que escurecesse e o frio piorasse.
Leves flocos de neve acumulavam-se no meu cabelo a medida que eu caminhava. Eu tremia por inteiro e meus dentes batiam graças a brisa mais que fresca. Queria chegar em casa logo, mas meus passos eram dificultados pela neve, então minha velocidade acabava diminuindo.
Estava passando na frente de um parque, sinal de que eu não estava longe do meu lar doce lar. Porém, um vento forte soprou e coloquei meus braços em frente a cabeça, para proteger-me.
Nisso, senti algo esgueirando-se para fora do meu pescoço e quando olhei era tarde demais.
Meu cachecol saiu voando, até que ficou preso no galho de uma árvore.
– Mas que droga! — Reclamei contra o vento.
Eu não podia perder aquele cachecol, não era uma coisa simples que se compra em qualquer lugar. Minha mãe havia o feito como presente de Natal para o meu pai, e depois ele passou para mim.
Igneel havia falecido há cinco anos. Era uma das poucas lembranças dele que eu ainda mantinha comigo.
Sem perder tempo, corri para a árvore e logo tratei de começar a escalá-la. Mas o tronco estava puro gelo, e escorregadio demais. Devo ter tentado mais de cinquenta vezes e nada.
Na última tentativa, havia conseguido subir mais alto e estava prestes a comemorar quando eu pisei em um galho frágil e ele quebrou, levando-me ao chão novamente.
– Porcaria de inverno... — Murmurei enquanto limpava a neve da minha roupa.
Olhei para o cachecol que continuava ali, oscilando com a brisa como se fosse uma bandeira e suspirei. O que eu iria fazer?
– Precisa de ajuda? — Uma voz surgiu entre o barulhento uivo do vento e rapidamente olhei na direção do som.
Uma mulher estava parada muito próxima a mim. Tinha longos cabelos loiros que se destacavam naquele ambiente albino. Seus olhos castanho claro tinham um brilho gentil e suas bochechas estavam coradas, talvez pelo frio. Vestia um grande e comprido casaco bege, calças de material grosso e botas até o joelho.
E por Deus, como ela era linda...
– Oi? — Perguntei um tanto desnorteado ainda.
– Oi, como vai? Está precisando de ajuda? — Ela repetiu a pergunta aproximando-se ainda mais de mim.
– Não muito bem... — Brinquei. — Meu cachecol prendeu na árvore. Agradeço a preocupação mas não vai poder me ajudar. Nem eu consegui subir, está congelado.
Ela ergueu uma sobrancelha e olhou para cima, avistando o dito cujo.
– Oh, é isso? Pois bem, deixe-me cuidar disso... — Ela disse um tanto determinada e retirou as mãos dos bolsos do casaco, indo até a árvore.
– O que vai fazer? — Indaguei-a, mas ela ignorou meu questionamento, e começou a escalar. — Hey, o que está pensando?!
Ela era maluca ou o que?!
– Relaxa, só vou pegar seu cachecol, ué. — Respondeu como se fosse nada, e continuou a subir.
– Você pode cair, sua doida! Eu não estou afim de levar ninguém para o hospital! — Ameacei ao ver o quão longe ela chegara. Se ela despencasse a uma altura daquelas...
– Estou quase lá! — Gritou ao esticar a mão para pegar o cachecol.
Eu estava quase surtando de tanta agonia e preocupação. Essa mulher...
– Peguei! — Ela gritou novamente e começou a descer lentamente. Suspirei aliviado, tanto por ela estar bem quanto por ter meu cachecol de volta.
Caminhei até a árvore para esperá-la, mas no meio do caminho vi que seu pé havia prendido em alguma coisa. Quanto tentou retirá-lo com certa força, acabou perdendo o equilíbrio e começou a cair depressa na minha direção.
Instintivamente levantei as mãos para tentar pegá-la e aliviar sua queda. Senti um peso grande desabar nos meus braços e ambos rolamos pelo chão.
– Você... É totalmente pirada. — Concluí assim que paramos de rolar.
A ouvi soltar um leve riso e abri os olhos, encontrando-a em cima de mim, com meus braços ao redor de sua cintura, rodeando-a. Eu não me importava de permanecer desse jeito.
Até porque, eu tinha uma visão perfeita dos traços delicados de seu belo rosto.
– Ahn... — Ela murmurou quando olhou para mim e saiu de onde estava, fazendo-me protestar internamente.
– Você se machucou? — Perguntei ao me levantar também.
– Não... — Ela olhava para o cachecol, e carregava uma expressão entristecida.
– O que houve? — Perguntei confuso.
Ela ergueu a peça e vi que havia um pequeno rasgo, nada de muito grave.
– Desculpe-me por isso... — Disse com voz arrependida e eu sorri de canto.
– Hey maluquinha, está tudo bem. — Falei colocando minhas mãos em seus ombros. — Tem conserto, não se preocupe.
– Então, deixe-me fazer isso! — Ela disse erguendo a cabeça com um brilho esperançoso no olhar, o que fez-me rir.
– O que?
– Vou consertá-lo, minha casa é duas ruas daqui, por favor... — Ela disse e eu suspirei ainda sorrindo. Como negar?
– Está bem, eu agradeço muito... Hã...
– Lucy. — Disse estendendo a mão e eu a peguei, sentindo sua pele macia e fria.
– Natsu. — Respondi e logo estávamos caminhando em direção a sua casa.
"Então me encontra
Ou deixa eu te encontrar".
–----x-----
A casa de Lucy era demasiadamente confortável. Bonita, simples e prática. Por todos os lados haviam flores e porta-retratos.
Eu estava sentado em uma das poltronas da sala, perto da lareira, onde o fogo crepitava quase silenciosamente.
Lucy estava na cozinha preparando chocolate quente. Eu não queria abusar de sua gentileza, mas ela insistira.
– Voltei! — A voz doce de Lucy surgiu e eu a olhei. Trazia duas xícaras em suas mãos e entregou uma para mim.
– Obrigado. — Falei e soprei de leve a bebida quente. Tomei um gole e meu interior aqueceu-se, estava maravilhoso.
– Não tem de que. — Disse sorrindo e sorveu seu chocolate quente também. Largou-o em um pequeno criado mudo e abriu uma gaveta que ali tinha, retirando de lá uma agulha e linha na cor branca.
Sentou-se em outra poltrona e pegou meu cachecol, colocando-o em seu colo e começou a colocar a linha na agulha.
Pensei em permanecer quieto, mas eu queria conversar com ela, ouvir mais sua voz.
– Então... Por que está fazendo isso? — Perguntei um tanto curioso.
– Isso o que? — Devolveu a pergunta sem olhar-me, costurando o cachecol.
– Ajudar-me tanto, preocupar-se assim. Nem me conhece...
Isso a fez ficar pensativa por alguns segundos. Por um momento parou o que estava fazendo e olhou-me, sorrindo serena.
– Ninguém subiria em uma árvore para pegar um simples cachecol. Ele deve ter um grande valor para você. — Explicou e voltou ao trabalho. A encarei, surpreso.
– Sim... — Sorri nostálgico. — Meu pai o deu para mim, é uma das poucas lembranças dele que eu possuo. Ele faleceu faz um tempo.
– Oh, Natsu... Eu sinto muito. — Lucy disse com pesar e encarou-me novamente. — Sei bem como se sente, deve ser por isso que senti necessidade em lhe ajudar.
– Como assim? — Perguntei interessado.
Lucy largou novamente o cachecol em seu colo, e levou a mão direita até o pescoço, puxando de dentro da roupa, um colar que continha um pingente em forma de chave.
– Minha mãe antes de falecer deu-me este colar, disse que enquanto eu o usasse iria sentir ela junto a mim. — Disse com os olhos marejados mas nenhuma lágrima chegou a cair.
– Eu... Sinto a mesma coisa com meu pai, em relação ao cachecol. — Indiquei o objeto com a cabeça. — Pode ser apenas uma "coisa", mas é como se um pedacinho de quem eles foram ficasse conosco.
– Exatamente... — Falou em tom baixo, reconhecendo. Ela esticou a linha que estava usando para costurar e a "cortou" com os dentes. Fez um pequeno nó, e ergueu o cachecol para mim. — Pronto, novinho em folha!
– Eu nem sei o que dizer Luce... — Falei maravilhado pelas suas atitudes tão significativas. — Como posso retribuir o favor?
– Não fiz nada de mais, foi um prazer ajudá-lo. — Ela disse gentil.
Eu a agradeci novamente e coloquei o cachecol em torno do pescoço, e fechei os olhos, sentindo-me mais leve.
Olhei para a garota loira que bebericava seu chocolate quente e apertei as mãos apreensivo. Eu não queria ir embora ainda, queria conhecê-la melhor, saber dos seus gostos e costumes, o que fazia quando não estava escalando árvores em busca de cachecóis perdidos.
– Você sempre morou por aqui? — Falei por fim, iniciando um novo diálogo. Vi Lucy encarando-me curiosa, fiquei com medo de que ela achasse-me atrevido.
Mas ela apenas sorriu de canto e respondeu-me:
– Sim, eu adoro esta cidade. Depois que Layla partiu meu pai mudou-se para o interior e meu irmão foi estudar fora do país. E eu fiquei por aqui, fiz faculdade de Jornalismo, trabalho no jornal local. E você?
Comemorei por dentro ao ver que ela prosseguiu com a conversa.
– Mudei-me dois anos depois que Igneel veio a falecer. Minha mãe ficou na nossa cidade-natal. Eu já era formado em Arquitetura e trabalho para uma empresa daqui.
– Hum, interessante! — Falou animada e ajeitou-se na poltrona. — Eu estava pensando em reformar minha casa, tens alguma sugestão?
Sorri abertamente para Lucy. Eu adorava conversar sobre reformas e afins e ver que ela pedira minha opinião mesmo tendo conhecido-me agora, deixava-me feliz.
– Bem... Eu começaria pela cozinha...
E ficamos conversando assim, sobre tudo. Por horas.
–----x-----
Já era muito tarde da noite quando fui embora da casa de Lucy. Ela disse que não havia problemas se eu quisesse passar a noite ali, pois ela tinha um quarto hóspedes para acomodar-me, mas eu não quis dar-lhe mais trabalho.
Agradeci sua enorme gentileza e rumei até minha casa, que não ficava longe dali.
Assim que cheguei ao meu destino, fui direto tomar um banho quente. A água quase escaldante avermelhava minha pele, mas eu não me importei. Meus pensamentos se voltavam para apenas uma pessoa.
Lucy. Aquele belo ser de olhos penetrantes e gentileza sem fim. Sua voz passava-me calma e sua presença era mais que agradável. Eu quis adiar o máximo possível minha saída, porque eu não queria deixá-la.
Nenhuma mulher antes havia feito isso comigo. O coração acelerado, o sorriso que brotava naturalmente e a vontade de permanecer sempre por perto.
Sorri para o nada e encerrei meu banho. Depois que coloquei uma roupa para dormir, deitei em minha cama, mas não adormeci. Em vez disso, resolvi ligar para Gray.
– Alô...– Uma voz mais que sonolenta falou do outro lado.
– Gray, aconteceu uma coisa. — Ao contrário dele, eu estava bem desperto.
– O que houve?– Ele disse com a voz um pouco apreensiva.
Sorri bobamente ao lembrar do sorriso que tanto me encantara naquela noite e fechei os olhos, confessando:
– Eu acho... Que estou apaixonado.
–----x-----
– Ok, você saiu da confeitaria, seu cachecol acabou ficando preso em uma árvore, uma mulher desconhecida o pegou para você e o amor surgiu? É isso? — Gray falou tentando colocar os pensamentos em ordem.
Nós estávamos tomando nosso café da manhã, para irmos então trabalhar.
– Isso é tão fofo! — Juvia, namorada dele, exclamou colocando a mão no rosto.
– Bom, mais ou menos. O cachecol acabou rasgando, ela culpou-se por isso e ofereceu para consertá-lo. Eu disse que não precisava, mas ela insistiu então acabei cedendo. Para minha sorte. — Falei rindo.
– Ela é tão incrível assim? — Gray tornou a perguntar e novamente o sorriso brotou naturalmente.
– Lucy é maravilhosa. Gentil, divertida e qualquer conversa flui naturalmente na sua presença. E ela é tão bonita... O olhos expressivos, o cabelo longo e cheiroso...
– Ih, já era. Natsu está amando! — Juvia comemorou e nós rimos.
– Isso é surreal. Eu a conheci ontem! Como posso estar sentindo essas coisas?
– Nosso coração é imprevisível caro amigo. Quando menos se espera, você já foi fisgado . — A azulada disse, olhando discretamente para Gray.
– Quero encontrá-la novamente. E acho que sei o que eu farei... Depois do trabalho vou até a casa dela! — Falei sentindo-me um tanto nervoso.
– O que pretende fazer? — Gray perguntou.
– Há uma coisa que ela gosta muito... — Falei lembrando da nossa conversa na noite passada, e sorri internamente.
É, eu já estava ansioso para reencontrá-la.
–----x-----
Para ajudar meus nervos que já encontravam acima do normal, o dia parecia se arrastar. Os ponteiros do relógio davam a impressão de terem congelado junto com o clima.
E tudo o que eu queria, era que meu expediente acabasse para que eu pudesse ir até a casa de Lucy.
Ainda precisava passar em um lugar antes de ir para lá. A floricultura.
Ontem eu havia descoberto a paixão que Lucy nutria pelas flores e por isso enchia a casa com elas, já que não possuía um jardim muito extenso.
Eu pretendia comprar um buquê, ir até a casa dela e se a coragem ainda permanecesse comigo, a convidaria para sair.
– Natsu. — Ouvi a voz de Gray me chamar, tirando-me dos meus devaneios.
– Oi, fala. — Respondi piscando os olhos.
– Nossa, essa mulher pegou você de jeito mesmo. — Ele disse rindo e eu apenas revirei os olhos.
Mas não neguei.
– Fala logo o que você quer...
– Calma esquentado, só queria dizer que já é hora de irmos. — Ele finalmente disse e pulei de alegria internamente.
– Ah, ótimo! — Exclamei pegando minhas coisas e saindo apressado de lá.
– Hey, onde você vai? — Gritou Gray.
– Preciso ir a um lugar, depois nos falamos. — Falei sobre o ombro e segui meu caminho para fora da empresa.
De acordo com Juvia, havia uma floricultura próximo a confeitaria que frequentávamos.
Não demorou para que eu chegasse ao meu objetivo. Logo procurei por ajuda e uma moça veio me atender. Expliquei toda a história para ela.
– Bom, nesse caso, leve um vasinho de Gloxínias, elas significam amor à primeira vista.– A atendente disse e eu sorri.
– Eu vou levar, obrigado.
"Eu não conheço todas as flores
Mas vou mandar todas que eu puder
Vivemos tempos de loucos amores
Só é feliz quem sabe o que quer"
–----x-----
O frio estava me matando.
Havia muita neve acumulada nas ruas e flocos molhados caiam no meu nariz vez ou outra. Eu só queria chegar na casa de Lucy logo...
Como se os Céus tivessem ouvido as minhas preces, mal notei quando finalmente me vi parado em frente a casa da loirinha.
Parei. Respirei fundo. Respirei mais uma vez e toquei a campainha.
Ela não aparecera de imediato. Esperei mais alguns segundos antes de tocar a campainha novamente, com meu coração na mão.
Eu estava quase desistindo quando ouvi um "click" esperançoso e a face receosa de Lucy colocou-se para fora da porta.
– Oi Lucy... — Falei meio hesitante e vi seu olhar recair sobre o meu.
– Ah, oi Natsu! — Ela disse animada e abrindo um sorriso.
Ah, e que sorriso bonito...
– Desculpe por aparecer sem avisar mas...
– Não, sem problemas! Vamos, entre, por favor! — Lucy disse gentil e entrou novamente em sua casa, eu a segui.
– Cheguei em má hora? — Perguntei para puxar assunto e vi ela caminhando para cozinha.
– Na verdade chegou na hora certa. Estou assando alguns biscoitos. — Lucy disse enquanto retirava uma fôrma que continha os ditos cujos.
– Que cheiro bom... — Confessei sentindo o aroma que agora tomava o ambiente.
– Espero que o gosto também esteja bom. — Lucy riu e eu a acompanhei.
Quando ela virou-se para começar a colocar os biscoitos em uma vasilha, olhei para o vaso de flores que ainda estava nas minhas mãos. Respirei fundo e toquei o ombro de Lucy.
– Hey... — Falei, engolindo em seco. Lucy olhou-me curiosa.
– O que foi? — Ela perguntou e eu apenas lhe mostrei as Gloxínias.
Na mesma hora, seu rosto ganhou um lindo tom avermelhado e encarou-me surpresa e um tanto envergonhada.
– Natsu... — Lucy sussurrou e pegou as flores, com o olhar brilhante. — Você sabe o que elas significam?
Sorri, sentindo-me corar e concordei, passando a mão no cabelo.
– Bom, eu sou péssimo com palavras, então pensei em demonstrar minhas intenções de outra forma. — Falei apressadamente, o que a fez rir. — O que quero dizer é... Gostaria de sair comigo?
Nos encaramos por longos segundos, sem desviar os olhares. Lucy então aproximou seu rosto do meu, e deixou um singelo selinho na minha bochecha.
– Eu adoraria. — Confessou, sorrindo envergonhada, escondendo uma parte do rosto em meio as flores.
Não pude deixar de soltar o ar, aliviado. Sorria como um bobo, as coisas estavam dando certo.
Depois disso, ficamos o resto da tarde toda conversando e nos deliciando com os biscoitos de Lucy.
Nunca antes eu havia ficado tão empenhado em conquistar uma mulher. Mas Lucy era diferente. Era alguém que eu queria ao meu lado.
E eu estava mais do que feliz por tê-la conhecido. E mais feliz ainda, por ela ter me encontrado.
"Me encontra
Ou deixa eu te encontrar"
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