As Coisas Como São
10 ♪ Lutar Pelo o Que é Meu
Notas iniciais
"A vida me ensinou a lutar pelo o que é meu"...
—-ღ--
"A gente passa a entender melhor a vida
Quando encontra o verdadeiro amor"...
— Aqui, vocês podem ver que a soma dos catetos elevados ao quadrado, somados ao quadrado da hipotenusa, podem... — O professor Laxus tagarelava sem parar em mais uma aula de matemática.
Revirei os olhos e bati a cabeça na mesa, entediado. Eu não aguentava mais essas aulas. Estava prestes a desistir e fugir daquele lugar quando senti uma leve cutucada nas minhas costas.
— Natsu, trate de levantar essa cabeça. Sabe que o professor Laxus adora pegar no seu pé, se ele te ver assim... — Uma voz repreensiva, porém calma, soou nos meus ouvidos.
Para o meu desespero, não consegui deixar de sorrir discretamente. Ergui-me e virei para trás, encontrando o lindo e preocupado rosto de Lucy Heartfilia, minha amiga.
— Ele não está prestando atenção em nós, só naqueles números horríveis. — Lucy sorriu derrotada, balançando a cabeça.
— Você não tem jeito, moço... — Ela sussurrou.
— Esse sou eu, moça, você sabe. — Brinquei piscando um olho e ela riu de leve. Nisso, virei rapidamente para frente, tentando esconder que eu havia corado. Só um pouco.
Eu sabia o que estava acontecendo comigo, mas isso eu não podia permitir...
Então, olhei para o quadro cheio de contas e assisti ao resto da explicação.
—--x---
A aula havia terminado e, junto dos meus amigos, saí da escola para a tão esperada reunião que fazíamos todas as quintas-feiras na casa da Erza.
Eu estava caminhando ao lado de Lucy, conversando com ela.
— Você vai na Erza, dessa vez? — Perguntei em meio ao nosso papo, que estava descontraído, mas passou a ficar tenso graças a minha pergunta.
— Eu queria... — Ela respondeu, sorrindo tristemente. — Mas eu tenho q...
— Lucy! — Uma voz muito odiada por mim, chamou pela minha amiga.
Era um cara de cabelos ruivos e usava óculos. E tinha um rosto que eu iria gostar muito de quebrar a porradas.
Loke, o namorado idiota de Lucy.
— Tenho que ir Natsu, até depois. — Disse a loirinha, apertando minha mão e foi em direção ao imbecil.
Olhei para aquela cena horrível dele a beijando, segurando sua cintura, e o pior de tudo: aquela droga de sorriso falso estampado no rosto de Lucy.
Suspirei alto ao ver os dois se distanciando. De repente, senti uma mão apertando meu ombro de maneira consoladora. Era Erza.
— Eu odeio aquele cara com todas as minhas forças. — Confessei, fechando os olhos tentando me acalmar.
— Eu sei... Todos nós o detestamos. — Ela concordou e eu a olhei, sorrindo cansado e Erza retribuiu o gesto.
Depois disso, demos meia-volta e fomos ao encontro de nossos outros amigos, que também não se encontravam com expressões amistosas.
— Ela ainda insiste nisso? — Gajeel perguntou, um tanto irritado.
— Sabe que a situação dela é um pouco complicada, amor... — Levy disse, segurando sua mão.
— Foi mal Natsu, a gente adora a Lucy, ela é nossa amiga. Mas não acha que está na hora de desistir? — Gray perguntou, encarando-me sério.
— Vocês viram a cara dela? É mais do que óbvio o quanto ela não quer estar com ele! — Falei, inconformado com a situação.
— Nós sabemos Natsu. Mas no momento, não podemos fazer nada. — Jellal disse de maneira cansada. — Conhece os pais de Lucy.
— Eu sei... — Falei, no fim, derrotado. — Bom, vamos logo com isso.
Eu estava irritado com tudo aquilo, e sabia que meus amigos não tinham culpa alguma. Mas eu não conseguia deixar de me importar...
Não conseguia deixar de pensar o quão errado meu mundo parecia sem a presença de Lucy.
"Cada escolha, uma renúncia, isso é a vida
Estou lutando pra me recompor"...
—--x---
Horas depois, eu já havia voltado da casa de Erza. Meus pais estavam trabalhando ainda, o que significava que eu estava sozinho. O que era bom, na verdade, precisava de um tempo comigo mesmo.
Eu tinha acabado de tomar um banho e me encontrava atirado na cama, olhando para o nada. Porém, com a mente cheia de pensamentos.
O que ela estaria fazendo agora? E com aquele imbecil... Eu ficava tão preocupado, por que isso tinha que estar acontecendo...?
Em meio a tantos questionamentos, levantei da cama e fui até a minha sacada, sentir um pouco o ar da noite, para ver se eu acalmava um pouco os nervos. Fechei os olhos e respirei fundo.
Mas quando voltei a abri-los, vi que um carro se aproximava e estacionava em frente à casa ao lado. Dele, saíram duas pessoas. Lucy e Loke.
Minha atenção foi diretamente para eles. Observei os dois indo até a porta da casa de Lucy. Loke segurava sua cintura e aproximou-se para dar-lhe um beijo, porém, ela virou o rosto e o babaca beijou sua bochecha. Nisso, Lucy entrou rapidamente, batendo a porta na cara de Loke. Logo depois, ele voltou para o carro, e foi embora.
Olhei para aquela cena com um misto de emoções. Raiva, ciúmes e talvez um pouco de felicidade pela reação de Lucy, mas não sabia bem o que pensar.
Do lado da minha casa, em outra sacada, um luz acendeu-se de repente. A porta de vidro estava coberta com uma cortina. Aquele cômodo era o quarto de Lucy.
Esperei por alguns minutos, parado no mesmo lugar, porque eu sabia o que viria a seguir.
— Você sempre está aí, não é mesmo? — A voz de Lucy surgiu, e eu a olhei saindo do quarto, enquanto se escorava na sacada dela.
— Como eu disse, você me conhece. — Comentei, sorrindo de canto ao vê-la.
Lucy ainda vestia o uniforme da escola. Seus longos cabelos loiros balançavam com o vento e seus olhos estavam fixos em mim, mas sua mente parecia divagar para bem longe.
— E você me conhece melhor do que ninguém... — Ela disse suspirando e baixando o olhar.
— Ei, o que foi? — Perguntei, um tanto frustrado.
— Ahn... Acho que você já deve saber. — Ela soprou, voltando a me encarar. Eu podia imaginar.
— O que aconteceu dessa vez? — Apertei as bordas da minha sacada com força.
— ... Eu odeio ele, Natsu... Está para nascer um ser mais detestável. Mas eu não sei o que fazer... Meus pais adoram aquele babaca, apenas por sua "influente família", e acham Loke um excelente pretendente. Mas ele não é. — Disse Lucy, a voz começando a embargar. Eu queria tanto abraçá-la naquele instante.
— Algo me diz que não foi apenas isso. Quer me contar mais alguma coisa? — Perguntei e para o meu desespero, o som de Lucy chorando invadiu nossa conversa.
— E-Ele... Disse que iremos nos casar... Que já havia falado com meus pais e com os dele... Loke nem ao menos falou comigo antes! Eu não quero Natsu... Não posso acabar assim... — E caiu em prantos.
Eu deixei de escutar qualquer coisa depois da palavra "casar". Tudo ao meu redor parou de fazer sentido. Aquilo não poderia estar acontecendo... Por quê?
De todas as mulheres existentes no mundo... Por que aquele idiota teve que aparecer no caminho da garota que eu amo...?
— Natsu? — Chamou Lucy e despertei dos meus questionamentos.
— O-Oi... Estou aqui, Luce. Não se preocupe, eu estarei ao seu lado, certo? — Falei firme, olhando-a seriamente. Eu daria um jeito de impedir aquele enorme erro.
— Eu sei... Obrigada Natsu, você é a pessoa mais importante para mim... — Disse Lucy, agora mais calma, sorrindo para mim.
— Você também, Luce. É... Muito importante para mim... — Falei baixo, mas ela me ouviu.
Depois de alguns segundos em silêncio, Lucy voltou a falar, a voz triste e cansada.
— Sabe, o que mais acaba comigo... É o fato de não poder estar com quem eu realmente amo. — E encarou-me com aqueles lindos olhos castanhos, brilhantes graças ao choro.
Por algum motivo, senti-me corar com aquela confissão. E por um curto momento, minhas esperanças aumentaram um pouco.
Seria possível...?
— Bom, acho melhor eu ir dormir, amanhã temos aula. Faça o mesmo, moço. Conheço o senhor suficientemente para saber que passa as noites em claro. — Disse Lucy rindo de leve e eu ri também.
"Muitas delas pensando em você", respondi mentalmente.
— Tudo bem. — Suspirei. — Boa noite então, Luce. Durma bem, ok? Até amanhã...
— Tenha bons sonhos, Natsu, até amanhã. — E sorriu para mim. Deu meia volta e foi para o quarto.
Fiquei na sacada por alguns minutos depois que ela se fora. Bati a cabeça nas barras de madeira, com um turbilhão de pensamentos me invadindo...
Eu não sei como eu faria para acabar com aquele casamento, mas iria me virar.
Porque eu faria de tudo para voltar a ver o sorriso sincero e feliz de Luce.
"De qualquer jeito
Seu sorriso vai ser meu raio de Sol"...
—--x---
Na manhã seguinte, o clima estava nublado e ameaçava chover. E eu, andava até a escola praticamente me arrastando.
É, eu havia passado mais um noite em claro. Mas Lucy não precisava saber disso, ela me mataria.
— Não sabia que o apocalipse zumbi havia começado... — Gray debochou assim que cheguei perto dos meus amigos. Estávamos no pátio da escola, esperando o início das aulas.
— Cala a boca... — Murmurei, sentando em um banco, fechando os olhos.
— Aconteceu alguma coisa? — Erza perguntou sentando-me ao meu lado.
A olhei de canto, cogitando se eu iria ou não contar para eles a merda em que Lucy se encontrava. Mas algo me dizia que ela não queria que todos soubessem. Talvez por vergonha, raiva ou medo. Eu não sabia, mas queria que ela contasse, se quisesse.
— Nada. Tive insônia, só isso. — E forcei um sorriso para fingir que estava tudo bem, quando na verdade estava bem longe disso.
Afinal, como você ficaria se a garota dos seus sonhos estivesse noiva de outro cara?
Aposto que da mesma maneira que estou agora.
Meus amigos olharam para mim como se não acreditassem nas minhas palavras, e eu não os culpo. Mas não falaria nada sobre Lucy e puxei outro assunto para distraí-los e para me distrair também. Funcionou por um tempo.
Minutos mais tarde, quando estava prestes a começar as aulas, Levy olhou para os lados e perguntou:
— Cadê a Lu?
Logo que ela disse isso, ouvimos gritos enfurecidos de alguém. Levantei do banco procurando de onde vinha o som e outros fizeram o mesmo.
Caminhamos mais para entrada da escola, e eu vi uma cena que me deixou além da raiva.
Loke segurava o pulso de Lucy com firmeza e cuspia palavras terríveis para ela.
A minha Luce...
— O que aquele cara pensa que está fazendo?! — Murmurei, reprimindo a raiva. Andei apressado para perto deles.
— Você não vai voltar a andar com eles, está me ouvindo?! Você é minha noiva e a partir de hoje, ficará apenas ao meu lado. Entendeu?! — Gritava Loke e eu fechei as mãos em punho, controlando-me para não socar aquele imbecil.
— Você não manda em mim, Loke. Pode ter conseguido o que queria, mas eu jamais me casaria com alguém como você! — A loira gritou de volta e o que veio a seguir, espantou a todos que assistiam à aquilo.
Loke ergueu o braço, pronto para realizar um ato horrível.
Não me segurei. Corri na direção dos dois e parei em frente a Lucy, levando o forte tapa no lugar dela.
— O que...? — Disse o troglodita.
Ouvi Lucy gritar atrás de mim.
— Natsu!
Ainda com o rosto virado, passei a mão pela bochecha machucada e lentamente encarei Loke.
— Você ousou levantar a mão para Lucy... Para uma mulher... O quão desprezível você pode ser? — Cuspi as palavras, enquanto senti a loira agarrar minha camiseta e começar a chorar.
Loke estava um tanto estático, mas não deixava de ter aquela cara de esnobe imbecil.
— O assunto é entre eu e ela, rosinha. Não se meta nisso. — Ele tentou se aproximar, mas não pensei duas vezes em empurrá-lo para longe.
— Eu vou te dar só um aviso, Loke. Se chegar perto de Lucy novamente, eu vou fazer muito mais do que isso...
— Isso o q... — Não deixei ele completar. Soquei com todas as minhas forças a cara daquele filho da puta, fazendo ele ir ao chão.
As pessoas ao redor, soltaram exclamações nervosas e surpresas. Algumas garotas se agacharam perto de Loke para ajudá-lo, mas o fracote desmaiou.
— Lucy... — Sussurrei, ignorando tudo aquilo, e fiquei de frente para ela. Sua cabeça estava abaixada, seus cabelos cobriam-lhe a face. — Ei... — Tentei erguer seu rosto, mas ela impediu.
— Não, Natsu... Eu não consigo te encarar... Não desse jeito... — Ela controlava o choro e eu suspirei, sorrindo de canto.
— Vem, vamos embora. — Eu disse e a puxei delicadamente pela mão. Antes de sairmos da escola, olhei para os nossos amigos que nos encaravam preocupados.
Eu apenas assenti, afirmando que estava tudo bem e levei Lucy para fora dali.
—--x---
Podia-se ouvir algumas trovoadas ao longe. O céu estava passando do pálido para o escuro e o cheiro da chuva eminente já se fazia presente.
Mas apesar de tudo isso, minha atenção estava totalmente voltada para a garota loira que eu carregava pela mão. Lucy não erguera o rosto em momento algum, o que começava a me preocupar.
Quando percebi que já estávamos longe da escola, de casa e de todos, achei que já era hora de termos uma conversa.
E Céus, como eu estava nervoso com isso...
Parei em uma espécie de praça que havia por ali. Escolhi um banco e nós nos sentamos, tudo mecanicamente.
— Lucy? — A chamei, mas ela não me respondeu. — Por favor, eu detesto vê-la dessa forma... Vamos, olhe para mim... — Praticamente implorei por aquilo. Estava me deixando além da agonia não enxergar seu rosto.
Para o meu alívio, Lucy começou a erguer-se. Seus olhos estavam vermelhos, na face corada e inchada ainda escorriam algumas lágrimas.
Sorri de maneira triste e sequei as gotas com calma.
— Não chore...
— Não dá, Natsu... Meu Deus, eu mal consigo te encarar... Isso... — Ela passou a delicada e gélida mão pela minha bochecha machucada. — É tudo culpa minha...
— Para com isso, sua boba... Eu me intrometi porque quis e se quer saber, faria tudo novamente. Eu jamais poderia ficar assistindo você sendo machucada e humilhada daquela forma. Entendeu? — Peguei suas mãos e as segurei junto de mim. — Então, não haja como se fosse sua culpa.
Querendo ou não admitir, Loke tinha a mão pesada e o lado esquerdo do meu rosto doía demais. Só de imaginar que Lucy poderia ter recebido isso...
— Me desculpe, Natsu... Não sabe como me dói vê-lo assim...
— Ah, Luce, fala sério! É preciso mais que um tapinha desses para me derrubar! — Respondi, fazendo um pose de brincadeira, para ver se eu arrancava algum sorriso dela. E para minha alegria, deu certo.
— Eu sei o quanto você é forte, Natsu, mas eu não posso deixar de me preocupar. — Ela disse, olhando-me de forma atenta, o que deixou-me um tanto quanto ansioso. Ainda mais pela proximidade em que nos encontrávamos.
Não desviei o olhar em nenhum segundo. Se eu fosse falar para ela qualquer coisa, teria de ser naquele instante.
— Luce... Você não pretende voltar para aquele babaca, não é? — Perguntei seriamente.
Lucy repousou as mãos no colo, suspirando cansada.
— Natsu, você sabe que por mim não teria nem começado essa palhaçada. Meus pais me impuseram a isso, e como "boa filha", tive que ceder. — Ela disse, olhando para a rua.
— Isso não responde minha pergunta... — Insisti.
— É óbvio que não vou voltar. Olha com quem eu iria me casar! Meus pais vão ter que entender, por bem ou por mal. Está na hora de lutar pela minha felicidade, lutar pelo o que é meu. — E dirigiu seu olhar determinado para mim.
"O melhor presente, Deus me deu
A vida me ensinou a lutar pelo o que é meu"...
Eu estava orgulhoso dela. A vida inteira Lucy atendeu aos caprichos de seus pais. Abaixava a cabeça e acatava a qualquer ordem. Mas agora, ela iria lutar, e eu ficaria ao lado dela. Porque minha felicidade estava em ver a garota que eu amava feliz.
— Bom, e por onde quer começar? — Perguntei desafiador.
— Eu não faço a menor ideia. — Ela disse e nós rimos. — Quem sabe começar a procurar caras que realmente valham a pena.
Aquilo me deixou apreensivo.
— Oh, é mesmo. Ontem você me disse algo parecido com isso. "Ficar com a pessoa que realmente ama", talvez agora você possa fazer isso. — Falei, escondendo minha tristeza.
Porque por mais que aquilo doesse, eu só queria ver ela bem.
— A-Ah, e-eu disse, né... — Ela gaguejou e desviou o olhar. Eu ainda segurava suas mãos, por isso pude senti-las tremer.
— Disse. Quem é o felizardo? — Tentei brincar, mas Lucy não riu. Continuava tremendo sem parar.
Ela murmurava coisas desconexas e olhava-me de canto, para logo depois olhar para baixo.
— Você sabe quem é ele, Natsu... — Ela finalmente disse e fiquei confuso. Quem poderia ser?
— Eu sei?
Lucy nada disse. Apenas levantou a cabeça lentamente e fitou meus olhos com uma determinação incrível.
E senhoras e senhores, eu estava no chão. Um trovão retumbou perto de nós. Meu coração também. Estaria meu maior sonho de realizando naquele momento?
— Lu...? — Comecei a falar, mas então, aconteceu o inesperado.
Eu não enxergava mais nitidamente os olhos brilhantes de Lucy, nem suas bochechas rosadas. Minha visão estava embaçada. Meu olhar, arregalado.
E meus lábios juntos dos de Lucy.
"Então, deixa eu te beijar
Até você sentir vontade de tirar a roupa
Deixa acompanhar esse instinto de aventura
De menina solta"...
Foi tudo tão rápido, que mal pude raciocinar direito. Quando finalmente pensei em agir, ela se afastou.
Seu rosto estava tomado pela surpresa e acredito que o meu também. Lucy levou as mãos até a boca, constrangida.
— Meu Deus... Me desculpe! Desculpe, desculpe, desculpe... — Ela repetia sem parar, mas eu estava tão estático que mal conseguia raciocinar o que acontecia.
— Hã...? — Murmurei de maneira imbecil.
— Eu não deveria ter feito isso, me desculpe! — Uma gota gélida pingou no meu nariz e logo depois, outras começaram a cair gradativamente.
E eu, alheio a tudo aquilo, só conseguia olhar bobamente para Lucy e os seus lábios.
— C-Começou a chover, temos que ir Natsu, depressa! — Ela disse, sorrindo sem graça e levantou-se do banco. Indo embora para longe de mim.
Aquela cena de Lucy afastando-se de mim fez com que eu despertasse do meu torpor inicial e pisquei os olhos freneticamente.
Levantei do meu lugar as pressas, não querendo que ela me deixasse. Não dessa vez.
— Lucy! — Gritei seu nome, mas chuva havia aumentado e minha voz era apenas um sussurro.
Praguejei e corri atrás dela o mais rápido que podia. Quando finalmente a alcancei, segurei seu braço delicadamente e a coloquei de frente para mim.
— Lucy, por favor não vá! — Falei desesperado, vendo sua face encharcada pela chuva, os cabelos ainda mais lisos e brilhantes e a respiração entrecortada...
— Natsu, não complique as coisas... Eu vou entender se quiser se afastar de mim, mas por favor... — Ela dizia rapidamente e eu não conseguia compreender o porquê daquilo.
— Luce... — Falei calmo, aproximando nossos rostos, vendo-a ficar alarmada, mas sem desviar-se. — Estou pedindo... Fique comigo...
— O que...? — Ela sussurrou, os olhos um tanto marejados, a boca entreaberta.
Não deixei que ela terminasse. No instante seguinte, reuni toda a coragem que me restava e a tomei em outro beijo.
"Deixa a minha estrela orbitar e brilhar
No céu da sua boca
Deixa eu te mostrar que a vida pode ser melhor
Mesmo sendo tão louca"...
A chuva caia ao nosso redor sem cessar. Suas mãos foram parar no meu pescoço, abraçando-me com carinho. Deslizei meus braços ao redor de sua cintura e a puxei para mais perto de mim. Sua boca era tão macia quanto eu imaginei que fosse, nos encontrávamos em perfeita sincronia. Tanto tempo esperando por aquilo e finalmente, eu tinha Lucy comigo... Parecia um sonho bobo, eu, a beijando fervorosamente, não querendo que acabasse tão cedo...
Porém, o ar se fez necessário e fui obrigado a parar aquele momento tão incrível.
— Natsu... — Lucy disse, a voz ofegante, os lábios vermelhos, a face corada... Maravilhosamente linda...
— Luce, eu preciso que me escute, por favor... — Pedi, respirando com dificuldade. Eu tinha os olhos atentos de Lucy sobre mim. Engoli em seco e falei o que estava prendendo durante muito tempo:
— Eu te amo... Por Deus, como eu te amo. Aguentei todo esse tempo vendo sua infelicidade, sem poder fazer nada, sem tê-la junto a mim. Tudo o que eu mais queria era ver você sorrir de novo. Não sabe o quanto doía vê-la junto daquele idiota e ter que ficar quieto. Mas eu lhe peço Lucy, fique comigo, deixe-me lutar pelo o que é meu também... Ver você contente, é o que me faz bem...
Os olhos de Lucy começaram a transbordar em lágrimas e um belo e grande sorriso verdadeiro estampou sua face.
"De qualquer jeito
Seu sorriso vai ser meu raio de Sol"...
Ela então, abraçou-me enquanto ria e não pude deixar de sorrir. Aquele momento estava sendo um dos melhores da minha vida.
— Eu também te amo Natsu... Não sabe quanto tempo esperei para poder lhe dizer isso... Eu quero ficar ao seu lado, mais do que tudo... — Lucy dizia com alegria na voz, e senti meus olhos marejarem e soltei um sorriso trêmulo.
Enxuguei as lágrimas antes que elas caíssem. A afastei um pouco para que pudesse ver seu rosto e o acariciei, limpando suas lágrimas também.
— Não precisa mais chorar, Luce... Eu vou fazer de tudo para manter um sorriso no seu rosto.
— Só de ter você comigo, já está funcionando. — Lucy disse fechando os olhos e colocando a mão sobre a minha.
Suspirei extasiado e juntei nossos lábios mais um vez, em um demorado selinho.
Naquela hora, a chuva aos poucos foi parando de cair. Olhamos ao nosso redor e vimos as poças d'água sendo iluminadas por uma tímida luz do Sol que tentava transpassar as nuvens escuras.
— Uma luz no meio da escuridão... Sempre vai existir. — Ela sussurrou e sorriu para mim.
— Com certeza. — Ergui minha mão para ela. — Venha, vamos para casa. Esse é só o começo da batalha. — Pisquei para Lucy e minha loirinha riu.
— Juntos, então. — Disse ela pegando na minha mão e começamos a voltar para casa.
"Vai ser um excelente começo"... Pensei, enquanto finalmente via o sorriso verdadeiro de Lucy.
"O melhor presente, Deus me deu
A vida me ensinou a lutar pelo o que é meu"...
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