As Cinco Essências
1 Prólogo
Primeiramente, acho importante lhe avisar que isto não é um diário, pois os fatos aqui escritos ocorreram faz anos. Talvez seja possível classifica-lo como relatos. Relatos de um povo que hoje não existe mais, de uma terra que agora é chamada de deserto, e principalmente, um relato de como fiz parte de tudo isso.
As vezes chego a pensar que fui apenas um coadjuvante em tudo, embora falar com os deuses possa ter influenciado alguns acontecimentos. Muitos dizem que as coisas já estavam programadas, simplesmente esperando o tempo certo para acontecer. Mas eu não acredito em destino, é algo muito simplório imaginar que tudo está predestinado, independentemente das escolhas que serão feitas. Todavia, não pude evitar a discórdia que estava para acontecer.
Breves contatos com divindades me mostraram o futuro e o passado, as guerras, e os males dos homens ̶ a cobiça, a irá, a traição ̶ coisas que eu não pude evitar. Se o destino existe ou não, eu não posso afirmar. Mas sei que, se ele existir, certamente não está sob o controle de ninguém, nem mesmo os deuses podem alterá-lo.
Não tenho ideias de como começar esta narrativa sobre a minha história, talvez pelo princípio de todas as coisas seja uma boa ideia. Ou talvez não.... Mas é dessa forma que eu começarei:
“O Caos reinou no início das eras, ninguém sabe como ele surgiu, simplesmente existia, sem forma alguma, apenas sua essência. Em sua ira implacável, criou todas as estrelas, e com uma delas ele se casou. Onídrian, a estrela mais brilhante em um vasto universo chamou a atenção do seu criador, e lhe deu cinco filhos, os dragões celestiais.
Redniel, foi o primeiro dos cinco. Seu corpo feito de estrelas vermelhas como o sangue, e os seus olhos de uma escuridão herdada do pai. A envergadura de suas assas podiam englobar uma grande parte do universo. Resistente, sobrevoava o universo várias vezes antes de se cansar. Possuía ̶ assim como todos os seus irmãos ̶ o poder de transmutação, portanto poderia se transformar em qualquer tipo de ser, ou objeto.
Nillac, conhecido como dragão ancião. Criado com as estrelas verdes do céu, seus olhos amarelos, mais brilhantes que o ouro, exalavam sua sabedoria. Calado, não usava palavras para se expressar, pois segundo ele, elas degeneravam a alma e sua sabedoria, a não ser que fossem usadas para a criação.
Zusgal, o ardiloso, forjado com as partes negras do universo. Espalhava a escuridão por onde passava. Indetectável, sempre presente em todos os conflitos, usava suas artimanhas para enganar outros. Desde jovem, costumava destruir as estrelas para perturbar seu pai.
Nakmasul, o sereno, o imperturbável na tormenta, faz o necessário para alcançar seus objetivos. Um rio sempre flui através da correnteza, por vezes aumentando sua velocidade, entretanto sempre chega ao mesmo destino. Nakmasuk é o fator que altera o fluxo desse rio, portanto o alterador dos destinos.
Rae’dah, o último dos cinco a nascer. Indomável, irrefreável como a ventania, aquele que representa o espirito livre, aventureiro. Mais branco que a neve, mais veloz que qualquer vento, percorria o universo em questão de minutos.
Milênios passaram até que o Caos notou a força que seus filhos tinham, e uma possibilidade de estarem conspirando para retirar o seu domínio do universo. A fúria do senhor do universo foi tanta, que aprisionou Onídrian, apagando todo o seu brilho e de todas as estrelas do seu vasto reinado.
Os dragões celestiais, viram todo o brilho do universo se apagar, e logo seriam ‘apagados’ também, pois eles mesmos eram formados de estrelas. Uniram-se, e atacaram seu Pai. Usaram tudo o que tinham para pôr fim nele, entretanto, destruir o Caos seria como destruir o próprio universo. Então, através de magia antiga, conseguiram trancafiar o Caos em sua própria destruição, para sofrer ao longo dos milénios.
O uso de tal magia, drenou quase todas as forças dos cinco. Em um último suspiro, libertaram as estrelas, devolvendo a luz ao universo. Sabendo que somente eles tinham o poder de gerar a vida, e que as estrelas eram incapazes disso, criaram um mundo. Um astro seco, e lhe deram a vida, perfeito como qualquer outra estrela, ou como atrevo-me a dizer: muito melhor que elas.
Geraram coisas para habita-lo. Redniel foi o responsável pelos lugares de difíceis habitações, áreas vulcânicas e glaciais, os seus animais são os mais resistentes da terra. Nillac, criou toda a bela vegetação da terra: florestas, mangues, rios, lagos. Tudo o que era necessário para uma vida calma e cheia de harmonia com o ser. Zusgal gerou todos os desertos, solos arenosos, seres com capacidades de se sobressair, camuflar e andar em grupo ̶ mas não como uma alcateia e sim por uma necessidade, traindo os outros quando seus interesses divergirem. Assim como Zusgal, seus seres são traiçoeiros.
Nakmasul, transformou em água onde só havia terra. É o dono dos grandes oceanos e dos seres que ali habitam, desde o mais simples até os monstros marítimos. Também é o responsável por gerar todas as tempestades aquáticas, mudando o destino daqueles que ali vivem. Rae’dah, deu liberdade em forma de assas as suas criações, independentes e ágeis assim como quem as gerou. Não criou habitats, pois seus seres poderiam escolher o lugar para viver, e seriam aceitos em todos.
Logo após terem terminado sua criação, dissiparam suas essências sobre a mesma. Em um turbilhão de poder e choque entre as essências dos dragões, um novo ser surgiu, um que era capaz de habitar todos os lugares, de suportar todos os tipos restrições. Nós, os seres humanos. E, de alguma forma, alguns de nós herdamos alguns dos grandes dons.
Entretanto, o poder do Caos assolou facilmente esta nova criatura. Conectando pelas essências dracônicas nela existente. O Caos semeou a discórdia nos homens, e eles, retiraram toda a perfeição que aquele mundo mostrava.”
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