As Chamas Negras Da Luz

7 Brincando em poças de sangue


Pouco tempo antes dos primeiros raios de sol, Draco se disperta, para ele foi uma noite inquieta, dispertou por diversas vezes de pesadelos, temendo sua falha. Ele se levantou, foi ao banheiro, lavou o rosto e apoiou as mãos na pia e olhou nos olhos de seu reflexo num espelho pregado na parede que estava acima da pia, e ali ficou por meia hora, pensando em seus pesadelos, em “e se eu falhar”, “e se ela morrer”, “e se eu não chegar a tempo”, refletiu sobre o “e se...” que sempre fez de sua vida um inferno, se secou e foi se arrumar. Minutos mais tarde, Draco já estava arrumado e foi para fora da construção, logo avistou Marcus conversando com um anjo e se aproximou deles, e o anjo estava falando para Marcus quando Draco chegou:

– Isso é tudo senhor?

– Sim, pode ir.

– Sim senhor – Falou se virando e indo embora.

– Draco, bom dia – Marcus falou ao perceber que Draco estava próximo.

– Bom dia.

– Este anjo de agora pouco me trazia notícias.

– Sobre o quê?

– Era sobre um grupo que mandei para o mundo dos humanos investigar se achavam um rastro pra você saber mais ou menos por onde começar, me informaram que não acharam muita coisa de relevante, mas que iriam continuar procurando rastros.

– Então quando parto?

– Agora, você deve se encontrar com o grupo, consegui todas as informações que puder com eles e ir. Todo tempo é precioso então se apresse, nunca se sabe o que aqueles seres podem fazer.

– Então estou indo.

– Irei te acompanhar até o portão entre os mundos.

Draco e Marcus foram andando até o portão por onde ele e Anna haviam entrado anteriormente, se despidiram e atravessou o portal. Draco foi informado que iria indentificar o grupo de seis anjos por estarem indentificados por panos brancos amarrados em seus braços direitos, e deveriam estar nas proximidades de uma praça onde ela foi vista pela última vez. Quando se aproximava, avistou diversas pessoas correndo na direção oposta, gritavam e berravam, e em suas faces era clara a expressão de horror e medo. Draco após ver essa situação se apressou, a praça parecia tomada por uma névoa muito densa, e sentiu seus pés molhados e estranhou por não ter chovido, se agachou para ver melhor o chão e percebeu que não era água e sim sangue, repentinamente ele se joga pro lado por causa de um caminhão que quase o atropelava e foi parar dentro de uma casa, ele estava rápido o suficiente para dissipar a névoa, então, ele olhou envolta e viu um braço que foi arrancado, nele estava amarrado um pano manchado de vermelho pelo sangue, mas dava pra ver em algumas partes secas que era branco. O chão da praça estava todo vermelho e com pedaço dos anjos e de pessoas por todos os cantos, então ele viu uma criatura do tamanho de uma criança, com forma humanoide, possuía uma calda, dois chifres e a pele era diferente, se assemelhava a de um jacaré, mas era negra. Então ele se aproxima e vê a estranha criatura com um cadáver de anjo aos pés com a barriga aberta, então ela se vira e foi possivel ver aquela cena aterrorizante, era possível vê-la mastigando com sua boca cheia de sangue, e em suas mão um braço e o intestino da vítima, Draco não sabia o que fazer diante de tal criatura aterrorizante, então ela se levanta e dá alguns passos em direção ao Draco, para inclinar seu corpo para frente e tentar o cheirar, então soou um bizarro grito, e misteriosamente diversas de outras criaturas iguais saem dos restos da névoa que sobrava, então Draco rapidamente disperta seu poder, fazendo aparecer sua armadura, e seus olhos novamente ficando cinzas, então empunha sua espada e começa a ferir e mutilar as criaturas que pulavam em cima dele, mas como Marcus falou: pareciam irracionais. Pulavam em cima dele como se não se importassem se fosse sair vivos ou não, como se quisessem só um pedaço dele, sem se importar com sua vida, mesmo com Draco decepando seus braços, eles corriam para cima, mesmo sem as pernas eles se arrastavam, até que a vida deixasse o corpo. Após um tempo Draco já estava chegando em seu limite, as criaturas não paravam de ir em direção a ele, da névoa inexplicavelmente surgiam mais e mais, então ele decide voar, mas ao tentar voar uma criatura agarra suas asas, em seguida outras pularam até envolver Draco e o derrubarem, então uma criatura muito grande, com chifres e uma armadura, com diversas aberturas como se tivessem sido aberta por lâminas, que protegia seu tórax, seguido de um aterrorizante som da lâmina de uma gigantesca arma que arrastava no chão, era uma espécie de machado do tamanho de uma pessoa, e atrás um martelo cheio de espetos, e foi caminhando em direção a Draco quando uma outra criatura passa pela frente do gigante, ele pisa e chuta e pisa na cabeça espalhando pedaços pelo chão, naquele instante Draco só queria se soltar das criaturas. Então o gigante rugiu e todas as criaturas correram pra névoa, Draco se levantou ergueu sua espada em direção ao gigante que com um esforço levantou a gigantesca lâmina e a jogou sobre Draco, junto a força do monstro mais o peso do gigante martelo afundou no concreto, fazendo um buraco de cerca de um metro de profundidade, apavorado ficou quase paralisado diante da violência brutal temendo ser atingido pela lâmina, golpe após golpe, Draco só rolava pelo chão tentando desviar dos golpes, até que desviou do golpe, mas o machado atingiu uma estátua que caiu sobre o Draco o deixando inconsciente.

Mas tardiamente ele acorda amarrado, estava frio e vazio, era muito escuro, era noite, uma fogueira iluminava, estava em um quarto destruído sem parte do teto e parte da parede, era possível ver a região de fora, aparentemente localizada numa elevação, pois dava para ver a cidade. Por um instante Draco ficou aterrorizado, a cidade parecia em ruínas totalmente destruída, ele olhou paro o céu e nem mais as estrela ou a lua ousavam aparecer. Outras criaturas reapareceram e foram até Draco na tentativa de arrancar um pedaço, mas o gigante retornou e agarrou uma pela perna e a usou para bater nas outras criaturas que logo fugiram, ele pegou a criatura pela cabeça e apertou até que estourou e o sangue se espalhou pelo quarto, então arrastou um caldeirão cheio de um líquido avermelhado, talvez sangue, e colocou sobre a fogueira, e foi em um baú pegar algumas coisas, retirou pedaços de carne e outras coisas. Começou a cortar e jogava dentro do caldeirão, de vez em quando desviava sua visão para Draco, que sempre aparentava um pouco de medo e terror, via o gigante pegar alguns demônios que ousavam se aproximar, os agarrando e comendo-os vivos.

Quando Draco já via sem esperanças, observa a criatura ser partida ao meio por um único golpe, ele se espanta, mas de imediato tenta ver quem ou o que fez isso. Quando viu não sabia o que dizer, era incrivelmente bela, uma mulher estava ali, saindo das sombras em direção a Draco, provavelmente mesma idade que ele, usava uma bota de cano longo e uma armadura, mas diferente dos anjos, sua armadura era negra e suas ombreiras pareciam mais dois cranios sem mandíbula. Ela se aproxima e mostra uma espada negra, mas diferente das comuns parecia feita para dilacerar, pois suas lâminas não eram lisas, era como uma serra, a ergueu, e cortou as cordas do Draco o soltando. Então ele a olha e fala:

– Obrigado... Mas quem é você?

– Ah, eu... bem, eu... sou a... pode me chamar deTanya – Parecia tentar se esconder, olhando para baixo e juntando as mão.

– Sou Draco, Obrigado. Agora vou ter que ir em busca de alguém.

– Não vá – Falou por impulso, mas assim que percebeu disse — Quero dizer... não... não é seguro, estamos no Tártaro.

– Isso explica tudo destruído. E o que você faz aqui?

– É.. bem eu... sou uma demônio, vivo aqui... e... você não parece daqui... me perdoe... se for um incômodo, mas... você também é um demônio?

– É complicado de explicar, diria em parte, sou demônio.

– Hum... bem... nunca te vi... por aqui... por isso perguntei... é... o que você tá atrás?

– Uma companheira que foi sequestrada, disseram que foram um grupo de demônios, aí vim procurá-la.

– É... não é seguro... ir lá fora.

– Eu sei, mas preciso ir.

– Então... ao menos... posso te... acompanhar? Me sentiria bem... melhor.

– Pode, ia me perder por aqui. Sabe por onde podemos começar?

– Bem... acho que...melhor começar pela prisão, mas... tem muitos demônios por aquela parte.

– Eu dou meu jeito para me esconder, ficar muito longe?

– Sim... um pouco, fica fora da cidade.

– Acha que chegaremos quando se sairmos amanhã ao amanhecer.

– Diria... acho que, ao entardecer... se, tudo ocorrer bem.

– É, então vamos descansar aqui.

– Aqui.. c-com você... é...

– Não precisa dormir perto de mim se não quiser, eu durmo lá fora, durma aqui próximo à fogueira onde é mais quente.

– Não... eu não me importo... acho até que... seria mais seguro.

Então Draco se deitou ao chão próximo à fogueira, Tanya sem saber o que fazer sentou ali próximo olhou para ele e falou:

– É... Você é diferente.

– Como assim?

– É... não sei dizer, mas... é... é um diferente bom.

– hum, boa noite.

– Boa noite.

Então Draco olha para o buraco no teto e fica olhando o vazio e negro céu até adormecer. Tanya sentada no chão encolheu suas pernas e as envolveu com seus braços, ficou olhando Draco, e imaginando como ele parecia que ia ser de alguma forma importante para ela, apesar de parecer fraco para o que ele iria enfrentar no caminho do dia seguinte, ela o olhou até adormecer.