As Chamas Negras Da Luz
8 O lugar onde o caos impera
Draco acorda com um raio de sol em seu rosto, levantou-se e saiu pela abertura na parede, parou e olhou para o sol, ele estava diferente, assim como o céu e as nuvens, estavam com sua coloração com um tom avermelhada e um clima obscuro, apesar de dia, ainda era bem escuro como se ainda fosse noite. Mesmo com o sol já surgindo parecia que ainda estava frio, diferente do Jardim, lhe passava uma impressão de medo e desespero. De vez em quando era possível escutar gritos ao fundo, como se alguém estivesse em perigo ou morrendo, casas caindo e explodindo em diversos lugares, era o caos dominando, tudo queimava, em chamas que pareciam que nunca iam cessar.
Draco passou um tempo lá fora e entrou, olhou envolta e percebeu a ausência da Tanya, de repente alguém salta para dentro do quarto e cai próximo à fogueira, se levanta e olha para Draco, era a Tanya com algo em sua mão, parecia uma bolsa de coro bem destruída, estava cheia de maçãs, mas eram diferente, maiores, com um vermelho mais vivo, parecia livre de impureza, que de certa forma parecia dar vontade de comer mesmo sem fome. Tanya entregou a bolsa a Draco e sentou próximo à fogueira encostada na parede e ficou olhando as brasas, ele olhou a bolsa e foi se sentar do outro lado da fogueira, olhou pra ela e falou:
– Obrigado – sorriu e continuou – Estava com fome.
– Ah... isso. Foi nada. – Falou sorrindo e desviando o olhar para baixo, ao mesmo tempo em que encolhia as pernas e as envolvia com seus braços.
– Por que me salvou?
– Não sei dizer – Falou olhando para ele e em seguida para as nuvens através do buraco no teto e continuou – Podia ter te deixado morrer... É o que normalmente faço, afinal não é da minha conta, mas sei lá, quando te vi, pensei que... – olhou para ele e logo parecia ficar vermelha, e falou – Não... Quero dizer... Eh... Bem... Não sei... Eh...
– Calma se não quiser não precisa falar – Respondeu Draco sorrindo, ao perceber o estado desajeitado em que Tanya estava.
– Tá bom... – Abaixou a cabeça e suspirou tentando se controlar, olhou para ele novamente e continuou – Eh... Desculpa, sou esquisita – Sorriu – Só sei que te vi e te achei diferente de certa forma, então... fiz o que fiz.
– Hum. De qualquer forma, obrigado – sorriu para ela.
– P-Por que esse sorriso? – Falou olhando para o lado como se tentasse se esconder – Eu sou uma demônio você nem deveria se simpatizar comigo.
– Assim como eu, você também tem sentimentos, é por isso. Não serei rude com alguém só por causa de suas origens.
– Você realmente é esquisito – sorriu – primeiro ser consciente que simpatiza com um demônio.
– É tão difícil de acreditar nisso.
– É sim... é estranho.
– O quê?
– Em anos nunca havia falado com alguém, ou sentido isso... então isso que vocês devem chamar de “alegria” ou “felicidade”.
– Você nunca havia sorrido antes? — falou com um ar de surpresa.
– Não, afinal quem sorriria por viver no Tártaro, por ser um demônio. No final a maioria é consumida pelos seus sofrimentos pouco a pouco, até você deixar de ser quem você é, e virar aquelas coisas. Minha mãe morreu logo após de me ter, e meu pai se levou por isso, e saiu matando um após o outro, e simplesmente o mataram. Desde então vivo só... – fizeram silêncio, sem saberem o que falar, ela olhou para ele e falou – Tá, chega de falar sobre mim, e como foi sua vida?
– Bem, sou diferente como você disse. Conhece um Demônio chamado Darius?
– Sim, ele foi um dos mais poderosos demônios, acho que era líder de um esquadrão de extermínio de elite. Disseram que o mataram por ter se revoltado.
– Sim isso é verdade... Ele era meu pai.
– Então você também é um demônio?
– Não totalmente, porque minha mãe era uma serafim.
– Nossa você realmente é diferente – sorriu – Mas tá bom, vamos embora, estamos demorando muito. O caminho é longo preferia ir logo.
– Tá bom.
– Mas gostaria de falar que lá fora você tem que ter muito cuidado, sua vida está sempre em risco, nunca se sabe quando vai aparecer uma criatura e te dividir em dois pra usar como petisco pro jantar. Por isso fique perto de mim, irei te proteger.
– Não precisa se preocupar comigo, sei me virar.
– Quero ver se você realmente diz a verdade.
Se levantaram, Tanya jogou terra na fogueira foi até a abertura na parede olhou e não avistou ninguém próximo, então fez sinal para Draco segui-la. Andavam pelas ruas desertas e destruídas, de vez em quando tendo que escalar escombros de prédios caídos, parecia ser normal ver cadáveres pendurados pelo pescoço com cordas em diversos postes, assim como pelo chão e todo canto. Em um momento Tanya percebeu algo e fez sinal, e de imediato ambos entraram em uma pequena casa e observaram cuidadosamente pela janela sem ninguém perceber, um demônio correndo atrás de um menor, até que um o atinge com uma pedra grande que o faz tombar, ele se aproxima e esmaga o crânio dele com um único punho, em seguida abre a barriga da vítima e começa sua refeição. Então Tanya fala:
– É desagradável, mas no Tártaro, você pode ser duas coisas: ou você é forte, ou você é comida. Vamos ter mais cuidado para não se tornar comida que nem aquele coitado. Vamos, temos que nos apressar.
Saíram pelos fundo, cuidadosamente até chegar na outra rua onde andaram até sair da cidade. Andaram pelas ruas destruídas cercadas por onde era o bosque, que agora estava todo queimado, só havia cinzas e areia.
Passaram a tarde caminhando pelas ruas desertas até avistarem um rio bem largo e era possível ver uma ilha com uma construção e um muro gigantesco cercando sua volta, chegaram à margem discretamente e se esconderam atrás de uma grande pedra, Tanya olhou e falou para Draco:
– Aqui é uma das prisões que te falei, não lhe garanto, mas acho que se a trouxeram para cá provavelmente ela está por aqui. Ainda quer tentar?
– Afinal não vim de tão longe pra bancar o turista no Tártaro, e ficar só olhando a paisagem e depois voltar.
– Então como faremos? Afinal é uma prisão não deve estar desprotegida.
– Vamos ao anoitecer para não chamar a atenção e tentar passar pelos guardas sem sermos vistos... mas a questão é como chegaremos lá na outra margem?
– Você sabe voar né?
– Sim, mas acho que não conseguirei voar por muito tempo, muito menos levar muito peso.
– Eu me viro, vamos esperar aqui então.
Se sentaram, mas Tanya sempre se mantinha alerta, olhando envolta em busca de qualquer provável ameaça. Com o anoitecer era quase impossível ver algo a uma distância moderada, era mais escuro que o normal, só viam a ilha acesa por algumas tochas. Então Tanya fez sinal para se prepararem, Draco estava quase pronto para liberar seu poder, mas observou Tanya que abria suas asas, eram grandes, mas suas penas eram totalmente negras e muito belas, e junto com a beleza de Tanya deixaram Draco sem reação, Tanya ao perceber que ele a olhava parecia ter ficado constrangida, e falou:
– Draco, por favor, apresse-se.
– Tá bom.
Logo em seguida Draco libera seu poder e faz aparecer sua armadura e asas, e seu olhos novamente tomando a cor acinzentada. Tanya se sentia inquieta ao ver aqueles olhos, mas ignorou isso e fez sinal para eles voarem. Após um tempo de voo razoável, Draco pousa na praia da ilha exausto, não conseguia voar por muito tempo. Eles descansaram ali por um tempo e em seguida foram a um trecho do grande muro, que de perto era possível ver melhor, parecia feito apenas com pedras, uma sobre as outras, de certa forma um trabalho bruto sem acabamento. Nesta região do muro as pedras estavam de forma ideal para escalar, Tanya logo se pôs a escalar e em seguida Draco subiu, por sorte não havia nem um guarda naquela parte, foram andando e Tanya disse sussurrando:
– Melhor nos separarmos, assim cobrimos uma área maior e somos mais difíceis de sermos descobertos quando sozinhos.
– Ok.
– Draco, Tenha cuidado.
– Eu terei.
Assim se separaram, Draco agora andava olhando de cela em cela daquela construção que parecia ter cerca de seis andares, Draco já havia visto quase tudo, então voltou ao primeiro andar para ver se encontrava Tanya, mas achou uma passagem para subterrânea. Era bem escuro e úmido, tinha cheiro de carne crua, o chão ensanguentado, havia diversas salas, cada uma com uma cadeira cheia de amarras e mesas cheia de equipamentos, ao que parece ferramentas de tortura. Draco escutou o que parecia com uma tentativa de gritar de uma mulher, que provavelmente estava com uma mordaça em sua boca. Draco saiu correndo em direção ao som, temendo que fosse Anna sendo torturada ou que tivesse descoberto Tanya, havia se esquecido completamente que tinha de evitar de ser descoberto. Os gritos cessam e Draco logo aperta o passo, e ao virar um corredor se esbarra em um demônio muito parecido com o que quase o devorou na noite anterior. Sem deixar tempo para reagir, ele atinge pela direita o Draco com o seu martelo e o faz voar até atingir a parede, e cai no chão sem folego devido ao impacto, o demônio se aproxima e gira sua arma para poder atingir ele com a lâmina, ergue a lâmina, e a cena se repete, uma lâmina aparece, uma lâmina saindo do peito do demônio, então ele cai, e foi possível ver Tanya, que logo diz:
– Próxima vez te ensino o significado de discrição.
– Desculpa, escutei gritos achei que era você.
– De qualquer forma já me deve duas... Também escutei os gritos e encontrei sua origem, era uma mulher, estava morta... – Draco demonstrava uma expressão de preocupação, estava inquieto — mas por sorte era uma demônio, e nós procuramos um anjo.
– Tanya, você ainda vai me matar um dia se continuar com esses suspenses – Falou sorrindo, e fazendo com que ela também sorrisse.
– Tá bom, vamos ao que impor. Achei um cara, o interroguei, ele disse que ela estava aqui, mas tentou fugir, o que custou seis de seus demônios para capturá-la novamente, e viram que não iam conseguir manter preso um arcanjo de elite então a mandaram para outra prisão.
– E onde fica?
– A mandaram para uma prisão de nível S, onde eles mandam a elite e o pessoal mais difícil de manter preso, vai ser difícil, ainda topa?
– Como você disse, vai ser muito difícil... mas não é impossível.
– Você desiste nunca.
– Se eu sempre desistisse nunca teria a conhecido, acho que tive muita sorte.
– Eh... –Tanya estava sem saber o que falar, desviava seu olhar para diversos lugares, estava envergonhada após ter escutado as palavras de Draco, então falou – Tá vamos logo...
De repente o prédio começou a tremer e pedaços do teto caíram, correram para fora e se depararam com uma criatura, cinquenta vezes maior que Draco, possuía longas asas, se assemelhava bastante com dragões das histórias medievais. Logo a criatura levantou a pata e ia esmagar o Draco, mas Tanya voou rápido e o levou, mas quando a pata dele bateu, o edifício caiu, atingindo um pedaço dos escombros na Tanya a deixando inconsciente, ele se vira a abraçando de forma que quando caíram, ela caiu em cima dele sem se machucar muito, a criatura parecia pronta para os matar, quando um som de um instrumento bem alto tocou, parecia um shofar, mas de certa forma o som parecia oprimir qualquer ser vivo, o monstro olhou para o céu berrou e afundou no rio. Ele se arrastou junto com Tanya até uma rocha, se encostou lá e apoiou Tanya em seu ombro, a olhou e viu sua perna direita muito ferida, provavelmente o osso de sua perna direita havia quebrado, e provavelmente não ia conseguir andar amanhã. Já Draco apesar de ter caído na areia da praia, estava muito machucado e rasgado e a ponta do que parecia ser uma lança havia entrado pela parte inferior de suas costas e saiu pelo abdômen, parecia não ter atingindo nem um ponto vital, mas não conseguia se mexer direito, ele só pensava que era fraco, e precisava de alguma forma ficar forte, caso contrário, ele não iria consegui proteger Tanya, ou resgatar Anna, ou até deixar Rebeca segura. Ele carregava esse peso em sua consciência, pegou o que parecia um pedaço de bandeira que estava ali próximo colocou sobre Tanya. Olhou a lança a segurou e em seguida olhou para o céu, fechou os olhos e arrancou a lança jorrando sangue, e pressionou o ferimento como se estivesse tentando estancar o sangramento, olhou Tanya ao mesmo tempo que a envolvia com o seu outro braço, e em seguida seus ferimentos e sussurrou o que parecia ser um pedido de desculpas, voltou a olhar o rosto dela ate que ficasse inconsciente.
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