Notas iniciais
-A estória se passa atualmente
-Não me influenciei por nenhuma estória já escrita, esta apenas veio na minha mente

Um menino magro, cabelos loiros, olhos azuis, pele clara e de altura mediana para sua idade. Estava sentado na sua cama, fazendo lição de casa, quando Ester, a coordenadora do internato, meio carrancuda, grita.

-Brandon, seu professor de natação tá na linha!

-Já estou indo!

Levanta e sai correndo, deixando sua cama toda amarrotada. Mesmo sabendo que se Ester ver isso ele fica uma semana de castigo, mesmo assim, estava intrigado com o fato do professor estar ligando para ele justamente num dia que não tem aula. Com isso, formula outra hipótese que mais parece real: ele vai desmarcar a aula de amanha.

-Alo? -Diz sem entusiasmo.

-Brandon, amanha não poderei te dar aula... –Sabia, pensou Brandon. -... mas caso você queira, hoje estou livre.

Esse fato realmente intrigou Brandon, mas mesmo achando estranha essa atitude do professor ele responde apressadamente.

-Com certeza! Que horas?

Só de imaginar que ele poderia nadar, Brandon se sentia nas nuvens. Nadar era o seu esporte favorito.

-Agora, claro, se não tiver problema para você.

-Ok. Já estou indo.

Ele coloca o telefone no gancho e explica para a coordenadora o que estava acontecendo, se esforçando o máximo para não rir. Geralmente, as pessoas andam tão ocupadas que deixam de ligar para as coisas sentimentais. Ela me viu quase pulando de felicidade e fez aquela cara de indiferença, como sempre. Isso irritava Brandon, porque ele considerava todos ali do orfanato sua família e ele achava que uma família devia ser mais unida, presente. Não precisou de resposta verbal, ele sabia que havia sido autorizado a ir.

Volta correndo para o quarto para fazer a mala com o material da natação. Ele deixou seu livro de português aberto, junto com seu caderno e o estojo na cama, sem se importar muito. Estava tão animado, que preferiu deixar a cama desarrumada, apesar de ele ser bem metódico e saiu correndo pelo corredor em busca da porta que dava para rua.

-Brandon, tome cuidado!

Isadora, como sempre preocupada demais, levantou da sua escrivaninha que na recepção, perto da entrada para o orfanato.

Às vezes Brandon se contradizia demais, pois ele queria afeto, amor e carinho, mas não permitia muito contato. Ficava se castigando, por saber que a única pessoa que o tratava dessa forma ele desprezava. Será que amor demais é ruim, ou será que a falta dele é pior?

Em êxtase para chegar logo, ele começa a correr, mas depois que reflete que ao correr ele não precisaria fazer o aquecimento obrigatório. Ele odiava o aquecimento, mas depois do que tinha acontecido quando ele começou a nadar, mudou seu pensamento.

Era uma tarde fria de junho e tinha prometido ai professor que já tinha feito o aquecimento, mas estava quase obvio que era mentira. Começou a nadar, mas depois de 15 minutos começou a sentir câimbra. Era a pior dor que ele já tivera na vida, parecia que o musculo dele ia se espatifar em mil pedaços.

Quando chega à piscina pública, que é onde recebe as aulas de um professor voluntario, percebe que não tem mais nenhum outro aluno.

-Olá, Brandon, como está? –Aparecendo de repente ao seu lado.

-Estou bem, mas cadê o pessoal? –Preocupado por um momento, olhou de novo, mas não encontrou ninguém. Mesmo assim, com tudo o que a mídia falava, sobre pedofilia, o deixou inquietante, mas sabia que o treinador era gente boa.

-Eles já estão vindo, é que dei a notícia muito abruptamente. Vá se trocar e vamos começar o treino. –Ele falou com muito entusiasmo, deixando Brandon mais preocupado, mas na hora ele lembrou dele estar comentando com outro aluno, semana retrasada sobre que ele teria que viajar para a Bahia a negócios. Então era isso, ele ia viajar e queria compensar o fato de que não haveria mais ter aulas com ele. Muito triste, mas motivado pelo fato de provavelmente ser a ultima aula fez o que ele mandou.

Mais tarde, pula na piscina e nada com os colegas que apareceram um pouco depois. Como não conhece ninguém a ponto de chamar de amigo, prefere nadar sozinho. Um habito que ele achava estranho mas mesmo assim fazia, era fazer uma terapia com ele mesmo enquanto estava nadando. Isso fazia bem pra ele, era como se ele resolvesse ou ao menos tentasse resolver os problemas da sua vida.

Consequentemente, a primeira coisa que vem em sua mente é a história que Ester lhe contou como foi parar no orfanato.

No dia dezessete de novembro de mil novecentos e noventa e cinco, ele foi deixado na porta do orfanato, perto do centro de São Paulo. Um homem estava passando e ouviu meu choro, comovido, mas com medo de que os policiais achassem que era ele quem tinha abandonado o bebe, ligou para a policia com pretexto de ter havido um roubo. Em dez minutos a policia chegou e não demorou muito para eles ouvirem o choro. O mais estranho era que foi deixado apenas uma carta. Essa parte sempre tortura Brandon, porque se os pais deles não o quisessem, não teriam deixado a carta, como não deixaram mais nada. Mas ao mesmo tempo ele reflete, pois na carta escrito apenas: “O nome dele é Brandon Flinch e nasceu no dia dezessete deste mesmo mês e ano ”.

Obviamente ele guarda essa carta na sua mala e leva ela aonde vai. É uma forma de tentar chegar perto dos pais e uma forma de consolar o seu sonho, que é ver eles de novo. E, com isso vive sendo atormentado com o pensamento do motivo que foi abandonado. Isso era um buraco enorme no seu coração, parecendo uma ferida que não se fecha e isso o motiva a se tornar uma boa pessoa, para que no futuro os pais percebam o que perderam.

Terminando o treino dele, vai ao vestiário e encontra uma carta, dentro do armário e encima da sua mochila. Primeiramente, ele achou que tinham mexido na sua bolsa e achado a carta, mas depois percebe que o envelope é um pouco maior.

Com curiosidade ele pega a carta, relativamente curta e começa a ler:

“Não retorne ao orfanato! Você esta correndo muito perigo. Pegue o dinheiro no fundo do envelope, junto com a passagem de avião e as identidades falsas. Use o dinheiro para pagar um taxi que te leve até o aeroporto de Congonhas e o resto você já deve deduzir. Tente não chamar atenção.

Ass: Y.P.”

Ele para e pensa, “faço o que essa carta diz ou vou ao orfanato?”.