As Cartas De Y.P.
2 Capítulo 2
Como ele é uma pessoa que não confia nos outros, especialmente quando mandam fazer uma coisa através de uma carta, então decide ir ao orfanato.
Depois de tomar banho e se trocar, volta tranquilo pelas ruas que tinha passado mais cedo com muita pressa. Ele ia caminhando de uma forma calma, pois achava que estava tudo bem e que a carta era uma brincadeira de mau gosto. Mas antes de chegar no começo da rua do orfanato ele vê uma fumaça escura subindo ao céu. Com isso decide correr, mesmo sabendo que algo poderia acontecer, ele estava preocupado com todos os outros que viviam lá. Para ele todos que moravam ali faziam parte de sua família, apesar dele notar que nem todos gostavam dele. Com isso se sentia na obrigação de protegê-los. Tinha tantas lembranças, ruins e boas que levava consigo no coração. Só de pensar que algo poderia ter acontecido a eles deixava Brandon enjoado e bravo. Ele tinha um lema “não mecha com as pessoas que amo, pois você pode sair ferido”.
Quanto ele está há um metro de distancia do orfanato, que está completamente destruído, como se uma bomba tivesse estourado, ele vê um homem de terno preto conversando no celular. Nesse exato momento, ele percebe que o homem estava olhando para ele com cara de bravo, como se seu objetivo não tivesse sido alcançado. Com isso, Brandon reflete que o alvo do homem, ele, não foi destruído. Desse modo, com agilidade ele coloca a mão dentro do terno e pega a arma e começa a atirar.
Brandon agindo muito instintivamente, se joga atrás de um veículo e espera que a munição acabe, para que quando o homem fosse trocar ele tivesse tempo para fugir. Desse jeito, ele age. Começa a correr como se estivesse achado dinheiro na rua e ao mesmo tempo começa a fazer uma coisa que não estava acostumado fazer: rezar. Nunca gostou muito de ir à igreja, mas parecia que sua essência pedia e aclamava que ele pedisse proteção para um ser superior. Desse modo, começou a fazer três coisas ao mesmo tempo: correr, desviar e rezar.
Até que, por sorte, ele dá de cara com um taxi estacionado na rua e entra com tudo nele.
-Senhor, p-p-preciso que me leve p-p-para o aeroporto de C-C-Congonhas- disse rápido e arfando, limpando sua testa com as costas da mão que também estava ensopada de suor.
-Mas parece que o cliente está escondendo alguma coisa. – Fecha o jornal e olha com ar de desconfiança para Brandon.
Ele começa a pensar que tudo está perdido e que vai morrer, quando ouve os tiros e nesse exato momento o taxista acelera com toda a força. E fala:
-Garoto, preciso saber o que está ocorrendo, se não, não posso seguir o trajeto. –diz, fazendo cara de triste, mas não se arrependendo, pois a sua vida poderia estar em jogo.
Nessa hora, lembra-se do dinheiro no envelope e lhe entrega duzentos reais, imaginando que cubra a viajem e as perguntas dele. Quando o motorista vê o dinheiro, não reclama mais. Também, pede-lhe para que não faça perguntas. Era uma forma que Brandon arranjou para poder refletir tudo que tinha lhe acontecido até agora. Ele primeiro notou que o taxista estava dirigindo até que rápido, mas não ligou muito.
Ele encostou a cabeça no banco e sentiu a maciez do couro, nunca tinha andado em um carro tão luxuoso quanto aquele. Sempre andava numa van do orfanato que tinha o banco rasgado e cheiro de criança suada. Aquilo era totalmente novo, diferente e legal para Brandon. Nesse momento ele pensou que na verdade não estava nada legal para ele.
Então, pega a carta e rele, deixando ainda mais curioso. Mesmo assim, considera-se satisfeito, pois para acreditar no que a pessoa na carta estava dizendo era preciso ver. E o que viu, acabou deixando-o muito triste e desanimado. Só de pensar, se eles sofreram e como eles...
De uma forma abrupta, o taxista o interrompe, mas ao mesmo tempo pedindo muitas desculpas.
-Senhor, sei que disse para não incomodá-lo, mas uma pessoa passou poucos segundos antes de você entrar e pediu para lhe entregar isso. –Mostra um envelope, um pouco amassado.
-Ok! Me de ele aqui! E mais uma coisa, a pessoa que te entregou era homem ou mulher e como era?- Ele começa a perguntar com muito interesse, pois ele necessitava saber, odiava mistério e era exatamente o que estava ocorrendo. Um mistério que brinca tanto com sua vida quanto com as das pessoas que viviam e trabalhavam naquele orfanato.
-Não consegui ver seu rosto, estava encapuzado e a sua voz era de um tom meio roco, não posso defini-la exatamente. Até achei que fosse me roubar! –O taxista falava com tanta precisão e chegava a assustar Brandon.
“Que saco!” Pensa Brandon, achando que acabaria com o mistério desse escritor de cartas. Mesmo assim, tem que lhe dar um crédito, pois se ele tivesse feito o que a carta dizia, não teria quase morrido. Mas mesmo assim, para e pensa que ele nunca teria feito, por mais racional que parecesse, pois ele era teimoso.
Com muito medo e um pouco de desconfiança, consegue arranjar forças, não física mas sim mental, para abrir a carta.
“Você foi muito descuidado! Tinha planejado tudo certo, para eles pensarem que você morreu e consegue estragar! Parabéns! Não volte, de jeito nenhum, a cometer falhas e desrespeitar minhas ordens, pois isso pode custar a sua vida! Tenha cuidado no aeroporto, pois o homem que você viu anteriormente pode estar lá. Leve com você o dinheiro e os documentos, quando chegar no seu destino, receberá mais ordens/conselhos.
Ass: Y.P.”
Ficando muito chocado com a bronca que recebeu de um desconhecido, não nota que o taxi acabou de chegar no aeroporto e é necessário que o taxista o avise. Então, meio desastradamente, sai do taxi e faz o que o autor misterioso da carta mandou. Para que não ocorra nada errado dessa vez. Ele conseguiu a confiança e o respeito de Brandon, apesar de ele nem o conhecer.
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