As Brasileiras

16 A Luxuosa Do Rio De Janeiro


Notas iniciais
História de uma grã-fina que quer salvar a empresa de seu pai da falência.
Brasil... Sudeste... Rio De Janeiro... Capital: Rio de Janeiro. Rio de Janeiro é a segunda maior metrópole do Brasil e é conhecida mundialmente por ser a “Cidade Maravilhosa” com a garota de Ipanema a caminho do mar... Essa cidade tem uma área de 1.182,296 Km² e e quase 7 milhões de habitantes! A cidade ainda é ligada com Niterói por uma ponte e não pode ser esquecido as maravilhas de lá como o Pão De Açúcar, o Morro Da Urca, o Cristo Redentor que sempre está de braços abertos para acolher os turistas que vem todos os anos... E também as maravilhosas praias de Copacabana -a princesinha do mar- , Barra da Tijuca e Ipanema... Rio De Janeiro também é festa, carnaval, fantasias, e é entre Copacabana e Ipanema que mora a nossa heroína de hoje,

A Luxuosa Do Rio De Janeiro

Quem diria, Rio De Janeiro, um belo lugar e com tanto lugar na Barra da Tijuca, Lapa, Grajaú, e uma bomba resolve cair em Ipanema, com a pior pessoa possível para isso...

(aparece um clube e uma grande piscina. Uma mulher sai dela e começa a andar, a câmera vai seguindo-a, até parar em outra mulher, deitada na espriguiçadeira...)

(ela está de biquíni preto, óculos escuros e mexendo num Ipad, vendo um site de uma loja de roupas...)

(ela passa por vários vestidos de diferentes cores e tamanhos, um prateado, um salmão, vermelho, roxo, rosa...)

Cris: Tenho que me lembrar de comprar esses vestidos... Vão ficar MA-RA-VI-LHO-SOS em mim...

(ela aumenta para ver os preços...)

Cris: Ah, estão baratinhos, 50.000 reais cada...

(ela continua a mexer no site)

Cris é uma mulher grã-fina e como podem ver, um tanto quanto humilde...

(uma garçom chega com uma bebida, um suco de laranja... Ela pega toma um pouco e coloca numa pequena mesinha que está ao seu lado...)

Mas, apesar de grã-fina, Cris tinha o ponto fraco de toda a mulher: a fofoca...

(ela entra num site de fofocas do Rio de Janeiro chamado: FOFOCARIOCA)

Cris: Ah... Eduarda é clicada por paparazzis nua em um hotel da Zona Norte... Ahhh... Liliane é clicada dormindo em uma rua da Lapa... Samanta é flagrada num motel com amante que era amigo do marido de seu ex-marido! Ai não acredito! Bem feito, descuidadas.......Ah se fosse comigo... Nunca uma bomba caíria na minha vida...

(aparece um balãozinho dizendo que uma nova notícia foi postada e que ela deve atualizar...)

Cris: Oba! Novas fofocas...

(ela atualiza a página e um quadradinho verde está no topo, bem chamativo...)

Cris(lendo): Empresa do pai de patricinha está à beira do abismo... Ai não acredito... Vou ter que ler mais...

(ela clica para ler a “notícia” inteira...)

Cris: Quero saber quem é... Vou zuar tanto...

(ela vê o texto escrito...)

Cris: Nova fofoca no mundo da alta sociedade acaba de ser lançada: Edemar Torres, pai de Cristiane Torres, mas conhecida como Cris...

(ela vê que está falando dela, fica desesperada e começa a ler, confusa)

Cris(lendo): ...Está com a empresa a beira da falência! A empresa não consegue produzir seus negócios e pelo visto, logo a família Torres estará na sarjeta!

(ela se levanta e se senta)

Cris(com a mão na cabeça, desesperada): Isso não pode estar acontecendo...

(o garçom pega e leva o copo com o suco)

Garçom: Deseja mais alguma coisa senhora?

Cris: Desejo, desejo sim... Que o mundo exploda! Ou melhor, que aquela revista de fofoca exploda!

(o garçom sai, assustado)

Cris: Eu vou mergulhar... Para me acalmar...

(ela vai em direção da piscina, dá meia volta pega sua bolsa, seu Ipad e vai embora, furiosa)

Cris: Mergulhar é o escambal! Eu aposto que isso é o maior caô... Vou fazer umas comprinhas para me acalmar...

(aparece um provador de uma loja fechado por uma cortina vermelha de cetim)

(a cortina se abre e de lá sai Cris com um vestido vermelho, meio armado em baixo e com diamantes vermelhos brilhantes no busto)

Cris(olhando no espelho): Você acha que ficou bom?

Vendedora: Tudo fica bom na senhora, dona Cris...

Cris: Não sei... É para festa de sexta-feira à noite...

Vendedora: Estou sabendo... Ela será divina...

Cris: E por isso mesmo eu tenho que ir divinamente também... Um importante negociador estará lá...

Vendedora: Compreendo...

Cris: Me traz os outros...

(aparece Cris com diferentes modelos de vestidos... Um cinza na medida da coxa...)

Cris: Muito curto...

(um roxo no joelho)

Cris: Muito debutante...

(um branco com um cinto prateado)

Cris: Muito chamativo...

(um social preto)

Cris: Depressivo...

(a vendedora chega com um azul marinho, meio roxo. Quando Cris o vê, fica maravilhada. Ele é comprido, leve, meio solto no busto mais é abertado por uma faixa)

Cris: Esse é lindo... Muito luxo... Feito para mim... Vou levar...

Vendedora: É 85 mil reais...

Cris: Eu sei...

Vendedora: A senhora tem esse dinheiro todo?

Cris: Tenho... Pode arrumar para mim aí que semana que vem meu motorista trará o dinheiro...

(a vendedora sai com o vestido e Cris faz uma cara furiosa)

(aparece um grande prédio cinza com belas janelas retângulares...)

(logo aparece um homem já de idade, com fios de cabelo grisalhos, vestido socialmente. Ele é Edemar, pai de Cris, e está entrando na sua sala...)

(ao vê-lo, sua secretária se levanta correndo, aparentemente nervosa)

Betânia(secretária): Bom dia doutor Edemar... Sua filha está aí...

(ele para)

Edemar: A Cris?

Betânia: Você tem outra? Digo... É ela sim senhor...

Edemar: Está bem...

Quase que ele disse para ela evacuar uma área de um raio de 100 metros, pois sabia que quando Cris o visitava no escritória, coisa boa não há...

(ele entra na sala. Uma grande mesa está no centro e na ponta, uma cadeira estofada com couro virada para a janela)

(quando ele fecha as portas, a cadeira se vira, com Cris sentada nela. Agora ela está com uma saia preta e blusa branca...)

Edemar: Filha...

(ela se levanta furiosa, caminha até o lado dele e bate com força na mesa com sua bolsinha rosa choque neon)

Cris: Posso saber que história é essa que a empresa do doutor Edemar está na FALÊNCIA?!

(Edemar começa a andar até a sua cadeira)

Edemar: Eu ia te contar...

Cris: Quando?! Quando a gente estivesse morando de baixo da ponte invadindo o bondinho do Pão de Açúcar para roubar comida?

(ele se senta na cadeira e se vira para ela)

Edemar: Mesmo que eu te contasse... Não teria como você ajudar... Falta pouco para falirmos... Nem o salário para a Betânia estou conseguindo pagar direito... A prestação do rádio que ela comprou em 45 vezes sem juros no cartão está atrasada, tadinha...

Cris: “Tadinha”? E eu? Não pensou na tadinha da sua filha? Eu acabei de comprar um vestido de 85 mil reais...

Nesse momento, quase que Edemar bateu as botas... Ou melhor, os chilenos, pois estava pobre demais para botas...

(ele se levanta)

Edemar: 85 MIL REAIS?! Não teremos todo esse dinheiro!

Cris: E falando em dinheiro... Como foi que isso aqui faliu?

Edemar: Bem... Tuas roupas caras de grifes... Viagens para Paris... Colares de pedras preciosas...

Cris: Tá, já entendi... Mas você é... Era rico... Como chegamos a esse ponto?

Edemar: Poizé... Só nos salvaríamos se fecharmos um novo negócio aí... Só que para isso precisaríamos de 800 mil reais...

(Cris se senta na cadeira)

Cris: Mas se estamos falindo, não teremos esse dinheiro...

Edemar: Exato...

(ela se levanta, confiante)

Cris: Mas eu vou conseguir!

Edemar: O que? Mas como?

Cris: Você vai ver... Eu vou conseguir...

(ela sai rebolando da sala)

Ela ainda pensou em dizer “Só não sei como”, mas queria sair por cima, sendo que estava mais baixa do que submarino afundando...

(aparece Lívia andando no calçadão de Ipanema, com camiseta vermelha, calças e com um chapéu. Ela está acompanhada da amiga Suzana)

Suzana: Mas como assim amiga? Que loucura...

Cris: Foi o que eu pensei... Na verdade eu nunca pensei que meu pai iria falir...

Suzana: E agora? Olha, se precisar de dinheiro, pode contar comigo... Peço uns 5 mil para o meu pai...

Cris: Bom se fosse só 5 mil... É 800 mil reais que meu pai precisa...

Suzana: Aí complicou...

Cris: O pior é que ele tá desistindo... E quem vai ter que salvar essa empresa sou eu!

Suzana: Mas e a Talita?

Cris: A Talita nem liga para nada... Deve estar dormindo a essa hora...

Talita era a madrasta de Cris que tinha idade para ser sua irmã e que Cris a transformou na Madrasta Má da Patricinha De Ipanema... Ou seja, ela, a Madrasta Má era Talita e a Patricinha De Ipanema era ela...

Cris: Vou ter que bolar O Plano...

Suzana: Talvez se a gente fizer uma vaquinha com o povo lá, a gente consegue...

Cris: É! Vou ligar para a Mercedes, para a Marta e para a Alessandra...

Suzana: Pode contar comigo... Depois você liga me avisando quando vai ser...

Cris(sorrindo): É, pode ser...

Suzana: É... Droga! Tô atrasada, tenho que ir, beijo... Se precisar de ajuda, pode contar comigo...

(Suzana sai correndo, apressada)

Cris: Beijo...

(Cris dá um sorriso e continua andando)

Cris estava feliz porque estava com a esperança de conseguir aquela bolada toda com o EPA : Esquadrão das Peruas Anônimas.

*** (Cris está no celular, falando com alguém. Ela usa uma saia branca, uma camiseta preta e um casaco branco, com pedras amarelas nas mangas)

Cris estava ligando para seus contatos quase que acobrar para reunir as peruas...

Cris: ...Está bem Mercedes... Às quatro horas, aqui em casa? Tá, obrigada... Tchau...

(ela desliga, dá uma gargalhando pulando e balançando os braços)

Cris: Eu consegui! Aha-uhu! Vou ligar para Suzana avisando...

(ela pega o celular, digita o número de Suzana e liga)

Cris: Alô? Suzana? Nem vou te contar o babado amiga, acabei de fechar com Marta, Alessandra e Mercedes aqui em casa às quatro...

Suzana: Ai que bom amiga! Vou aí então...

Cris: Pode vir que eu vou salvar a empresa do meu pai!

(ela se joga no sofá e dá uma risada gloriosa)

Cris: Tá amiga... Beijo...

(ela desliga)

Cris: Suelen? Suelen!!! Vem cá...

(a empregada aparece)

Suelen: Me chamou?

Cris: Sim, chamei... Quero que dê uma geral nessa casa, visitas importantes virão aqui hoje! Vou dar uma saidinha... Volto umas três horas...

Bruno(irmão de Cris): Mas e eu?

Cris: Bruno, você tava aqui?

Bruno: Sim, aconteceu alguma coisa?

Cris: O que? Ahn, nada... Eu vou sair, por quê não vai passear com alguém hein?!

Bruno: Ah, pode deixar que vou sim...

(Cris sai, com seu irmão atrás... A câmera mostra a porta branca e os dois conversando)

Bruno(sua voz vai ecoando cada vez mais): Estreou aquele filme novo de heróis e eu...

Cris: Ah, tô sabendo... O protagonista morre no final...

Bruno: Cris! Não era para contar...

(mostra-se o prédio cinza novamente, a empresa do pai de Cris)

(Cris sai do elevador, arrumando uma mecha de cabelo solta em seu rosto)

Tomás(com um sorriso malicioso): Olá Cris... Veio ver seu pai?

Cris(com outro sorriso malicioso): Bom... Na verdade vim ver outro interesses... Vamos até a sala do meu pai?

Tomás: Mas ele não está...

(ela se vira para ele)

Cris: Eu sei...

(os dois entram. Tomás fecha com cuidado a porta. Cris dá a volta a grande mesa e Tomás a segue...)

Cris: Você fica tão bonitinho com essa gravata e todo social...

Tomás: E você de qualquer jeito...

(Cris tira a gravata do rapaz e começa a desapotoar sua camisa. Ela o joga na mesa e cai em cima dele, os dois começam a se beijar...)

Tomás: Não é perigoso aqui?

Cris: Escondido e proibido é bom...

(ela já estava sem o casaco e ele com apenas um botão segurando a camisa)

(a porta se abre. Os dois se escondem debaixo da mesa)

Tomás(cochichando): Eu falei que era perigoso!

Cris(cochichando): Relaxa, é só a faxineira vendo se tem alguém... Ela já foi, levanta!

(os dois se levantam e Cris bate a cabeça na mesa)

Cris: Ai!

Tomás: Meu Deus! Levanta...

(Tomás ajuda ela a se levantar e então começa a abotoar sua camisa)

Tomás: Depois nos vemos... Tchau.

(ele lhe dá um beijinho)

Cris(esfregando a mão na cabeça): O que? Agora que eu queria relaxar...

Tomás: Eu sei que essa empresa tá falindo... Logo vai estar todo mundo desempregado... Ainda bem que o meu já tá seguro...

(ele sai dando-lhe uma piscadinha safada, Cris faz uma cara confusa)

(aparece a casa de Cris, maravilhosa, branca com janelas simétricas e uma piscina)

(mostra-se então cinco mulheres sentadas no sofá: Mercedes, Marta, Alessandra, Suzana e Cris)

Mercedes: Então, o que quer minha querida Cris?

Cris: Ah querida Mercedes... Eu sei que você é uma mulher muito ocupada... Eu queria discutir sobre a festa de sexta-feira...

Marta: Ah sim... Comprei um vestido verde lindo...

(elas tomam um gole de café)

Alessandra: E eu um prateado... Vou arrasar...

Mercedes: E você Cris?

Cris: Era sobre isso que eu queria falar... Não sei se souberam, mas meu pai está precisando de uma grana para a empresa...

Mercedes: Eu não soube...

Alessandra: Nem eu...

Marta: Eu li na revista de fofoca...

(todo mundo olha com uma cara estranha para ela. Marta quase engasga com o café)

Marta: O que foi gente?

(Mercedes solta um sorriso forçado e olha para Cris)

Mercedes: Claro que a gente ajudará... De quanto você precisa? 20 mil de cada tá bom?

Cris: Bem.... Meu pai precisa de 800 mil reais...

Alessandra: 800 MIL REAIS? Mas isso é muito dinheiro...

Cris: Eu sei... Mas eu preciso desse dinheiro... Eu, meu pai...

Mercedes: Nós compreendemos...

Alessandra: ...e infelizmente não poderemos ajudar...

Suzana: Mas vocês não tem outros contatos?

(Mercedes e Alessandra se olham)

Alessandra: Não...

Mercedes: Bom, vamos indo...

(elas se levantam, Cris também)

Cris: Nada disso, senta!

(elas se sentam)

Cris: Eu vi a olhadinha de vocês... O que vocês sabem?

Alessandra: Nada...

Cris: Fala!

(Marta começa a dar risada)

Cris: O que foi Marta?

Marta: Elas estão falando de mim... Eu tenho um contato...

(Cris olha para Suzana e sorri)

(aparece as cinco num grande carro, uma combi, com motorista)

Alessandra: Não acredito que você foi falar do Wesley do morro da Mangueira...

Marta(rindo): Ué, era meu contato!

Cris: Não acredito que você tinha um rolo com um traficante antes de se casar com Paulinho...

Mercedes: E eu não acredito que você vai levar a gente...

Cris: Ou vocês vinham ou ninguém saía daquela casa!

Suzana: Toca essa combi aê pô!

(Bruno aparece do lado de fora)

Bruno: Peraí, vocês vão ir para o morro da Mangueira?

Suzana: Vamos...

Cris: Suzana! Não Bruno, não vamos...

Bruno(abrindo a porta): Vou junto!

Cris(bloqueando a porta): Não, não tem espaço...

(ela e Suzana se esticam para ocupar o lugar vago)

Bruno: Tem sim, na real, eu vi aí...

Cris: Bruno, você não vai com a gente!

(a cena corta para Cris, Suzana e Bruno no meio, sentado entre as duas)

(a combi começa a cruzar o Rio De Janeiro)

(elas passam pelo Arco Da Lapa)

Alessandra: Olha, você podia fazer dança em cima do Arco...

Suzana: Fica quieta Alessandra!

(Cris olha o Arco da Lapa, fecha os olhos e começa a imaginar ela dançando. Com um shortinho curto, blusa preta cheia de brilho, como uma dançarina de pole dance, rebolando em cima do arco...)

(luzes a iluminam, ela se pendura, pula, desce até o chão. Vários homens gritavam seu nome, assobiavam...)

(ela acorda do sonho com a fala da Suzana)

Suzana: Ia demorar muito para conseguir 800 mil reais...

(a combi para na frente do morro da Mangueira)

Alessandra: Arg... É aqui...

Marta: É lá no alto...

Cris: Nós vamos ter que subir toda essa escadaria?!

Alessandra: Você quer esse 800 mil reais ou não?

(Cris faz um careta e abre a porta da combi. As outras descem e começam a subir o morro)

E lá foi Bruno e o Esquadrão das Peruas com medo de quebrar o salto ou a unha do dedo mindinho subindo a escadaria...

(Bruno subia animado e as mulheres subiam desviando de cada pessoa que passava)

Bruno: Que maneiro! Papai nunca deixou a gente vir por aqui...

Cris(desviando de um homem e fazendo uma cara estranha): Estou vendo o porquê...

(Bruno vai animado na frente)

(Cris o puxa para perto dela)

Cris: Não descola de mim!

(Marta andava feliz como se estivesse em casa. Ela tinha um cachecol de plumas azuis, uma blusa prateada e uma calça de couro, junto com um salto enorme, que fazia barulho pelas escadarias do morro)

Cris: Já estamos chegando?

Marta: Que nada, é lá no topo!

Cris: Ai minha nossa...

(ela levanta o pé e arruma seu salto)

(Suzana seguia Cris, Mercedes tampava o rosto com seu casaco de pele de lobo albino como se fosse pegar uma doença, Alessandra andava com cuidado para não rolar escadaria abaixo e Marta subia feliz da vida)

(alguns homens, ao vê-las, fazem caretas e então corre até eles)

Homem 1: O que as madames estão fazendo aqui?

Bruno: Ih... Sujou...

(Bruno escapa das mãos de Cris e sai correndo, escadaria abaixo)

Homem 2: Não vão responder não?

Suzana: A gente é...

Marta(animada): Tá procurando o Wesley! UHUUUUU!

(Cris, Suzana, Mercedes e Alessandra viram o tronco e a olham espantadas...)

Cris: Alguém deu êxtase para ela?

Homem 1: Escuta aqui... Na real, quem quer falar com o Wesley?!

Cris: É... Eu sou a...

Marta: Fala que a Marta quer falar com ele!

(os homens se olham)

Homem 2: Marta? Você é a Marta?

Marta: Eu mesma!

Homem 1: Nos acompanhem...

(os homens começam a subir o morro e as peruas atrás deles)

(eles chegam num barracão. Um dos homens abre a “porta” feita de destroços de madeira)

(Cris e as outras entram. Na parede, iluminado por um pouco de luz de uma pequena janela, estava um homem sentado numa cadeira. Ao seu lado, dois homens com camisas penduradas no pescoço e armas na mão)

Wesley: Marta...

Marta: Oi Wesley...

Wesley: O que vocês querem?

Cris: É que eu tô precisando de dinheiro e... E...

Wesley: Eu não sou banco para pedir empréstimo para patricinha!

Cris: Eu sei que você tem milhões como traficante e muitos outros milhões que tirou ao hackear bancos!

Wesley: O Que?! Marta... Você contou a elas?

Marta: Você fala dormindo...

(Wesley se levanta)

Cris então encarou a fera com o olhar de cachorro que caiu do caminhão de mudança...

Wesley: Vou ter que fazer uma coisa que não queria fazer...

(as peruas se olham)

A cobra vai fumar...

*** (Wesley caminha até elas, com um tom sombrio. Olha para a cara de todas, uma a uma. Mercedes estava apavorada, Marta segurava o riso incontrolável, Alessandra tremia, Suzana divulgava algo no twitter e Cris não piscava)

Wesley: Me sigam...

Cris: Aonde você vai nos levar?

Wesley: Xiu! Apenas venham...

(Wesley as conduz por um caminho: ele tira um lençol de uma passagem e segue reto. Logo sobe os degraus de uma escada de cimento em direção à laje. As peruas o seguem, junto com os homens armados...)

(eles chegam na laje)

Foi aí que Cris ficou mais calma do que nunca...

(Cris se ajoelha, fecha os olhos e fecha as mãos como se estivesse orando)

Cris: POR FAVOR NÃO EM MATE! EU SÓ QUERIA O DINHEIRO PARA PAGAR O VESTIDO DA FESTA SUPER IMPORTANTE! EU TE IMPLORO, NÃO ME MATE!

Wesley: Hey, levanta daí... Vai sujar sua calça de grife...

(Cris abre um dos olhos e percebe que toca um pagode de fundo)

Primeiramente Cris achou estranho um pagode como trilha sonora para sua morte... Mas percebeu que não era bem isso...

(ela se levanta, envergonhada)

(na laje, rolava a maior festa. Mulatas dançavam com homens tocando pagode, fumaça de uma churraqueira saía para todos os lados... Homens preparavam vários pedaços de carnes, linguiças e outras comidas)

Ah... Nada melhor do que uma churrascarada na laje para levar uma perua à beira de um infarte cardíaco...

Wesley: AÊ PESSOAL! CONVIDADAS NOBRES HOJE! Por favor madames, sentem-se...

Mercedes: Claro... Por quê não?!

Geralmente esse “por quê não?!” de uma mulher quer dizer “sim”, mas naquele momento queria dizer: “socorro, alguém me tira daqui!”...

(Cris e as outras se sentam numa mesa, junto com Wesley. Um homem coloca um pedaço de carne no prato de Mercedes, que faz um cara de nojo)

Wesley: Então dona Cris... Como podemos negociar aquilo? Quanto você quer mesmo? 1 milhão?

Suzana: Na verdade é...

Cris(dando uma cotovelada em Suzana): É isso mesmo que eu quero! Digo... Quero, preciso...

Wesley: Claro... Pouquinho para mim... Só me dar o número da sua conta que eu coloco rapidinho...

Cris ficou com uma pontinha de inveja de saber que um traficante cara de pau era mais rico que ela...

Wesley: Pensando bem devo isso ao seu pai...

(Cris faz uma cara estranha enquanto Wesley pega um como de cerveja e bebe um gole)

Alessandra: Tem champagne?

(aparece a combi em que elas vieram e a porta se abrindo. Então aparece as peruas correndo em sua direção. Cris estava nervosa e feliz. Suzana mexia no celular)

Suzana(lendo o que escrevia): Saí do morro... Viva... #UmMilagre

(Marta continuava rindo de rever seu passado, Mercedes quase caía do salto e Alessandra descia desesperada, soltando perfume nela mesma)

Alessandra: Tenho que me desintoxicar... Tem álcool em gel aí?

Suzana: Entra logo Alessandra!

(Suzana a empurra)

(as peruas voltam para a Zona Sul...)

(aparece Cris chegando em casa, morta de cansaço e se jogando no sofá branco de sua casa)

Cris: Ai, tô morta!

(a empregada aparece)

Suelen: Com licença senhora... Chegou um pacote para a senhora...

Cris: Um pacote?

Suelen: É... Deixei ele em cima da sua cama...

Cris: Tá, vou lá ver... Obrigada...

(Cris, com dificuldade, chega ao quarto, onde um embrulho vermelho a esperava)

Cris: Ai, não acredito... Não acredito, não acredito, não acredito! AHHHHHHH!

(e ela solta um grito de alegria)

(ela se joga na cama, desembrulha frenéticamente o papel e tira uma caixa marrom. Abre a caixa e de lá tira um pedaço de pano azul... Um pedaço de pano não, um vestido... Seu vestido)

(ela se levanta e em frente ao grande espelho, coloca o vestido na sua frente)

Cris: Vou arrasar!

(a câmera dá um zoom rapidamente no vestido, que se contorce e vira um luz azul, criada por uma máquina de uma festa)

(a câmera vai se afastando até mostrar várias pessoas andando por um grande salão: a grande festa da sexta-feira)

(e ao centro, tirando fotos com paparazzis, estava Cris... Simplesmente deslumbrante)

(os paparazzis vão tirar fotos de outra perua e Cris pega seu celular. Ela tenta ligar para Tomás)

Cris: Droga, ele não atende!

(seu pai chega perto dela)

Edemar: O que foi princesa?

Cris: O Tomás não atende...

Edemar: É... Viu a Talita? Ela tava aqui e sumiu...

Cris: Vou ver lá fora...

(Cris sai e num corredor vê uma moça correndo com um vestido vermelho)

Cris: Talita?

(ela segue a pessoa sorrateiramente)

(e numa parede encostados, estava Talita se agarrando com um homem)

Cris: Tomás?!

(os dois se viram. Tomás está com o rosto todo sujo de batom...)

Tomás: Cris... Eu...

E rolou toda aquela história de “não é o que você está pensando”...

Cris: Cala a boca... Talita? Você... Ele... Papai...

(ela vê que no chão tem uma mala cheia de dinheiro)

Cris: Hey... Esse é o dinheiro da empresa! Vocês dois...

Talita: Own benzinho... Você acha mesmo que eu ia casar com um velho caquético feito seu pai sem segundas intenções?

Ela tinha segundas, terceiras e quartas intenções!

Cris: Velho caquético é o senhor seu pai!

Tomás: Ah Cris... Sem caô vai...

Cris: Cala sua boca...

(Cris corre e empurra Talita, que quebra o salto e cai no chão)

Talita: Ai!

(Cris volta para a festa)

Edemar: E aí? Achou?

Cris: É melhor não a vermos mais... Ah papai... Eu consegui os 800 mil reais... Só queria saber o que você tem haver com o Wesley?

Edemar: Ah filhinha... O Wesley... Tava precisando de dinheiro para começar num ramo e eu ajudei...

Cris: O quê?! Você ajudou a começar a carreira de um traficante?

Edemar: É... Eu...

(ele engasga... Algo incomodava Cris e não era nada relacionado àquela festa)

Edemar: Hey, você viu o Bruno?

Cris: Bruno?

(ela se lembra do morro)

Cris: Ih!

(ela sai correndo da festa)

(aparece o morro da Mangueira e Bruno sentado num banco, com uma garota)

Bruno: Esse dois dias que passei aqui foram os melhores da minha vida...

Marjorie: Own...

(eles vão se beijar, quando Marjorie diz:)

Marjorie: Hey, aquela não é sua irmã?

Bruno: Minha irmã? A...

(Bruno se vira)

Bruno: ...Cris?!

(Cris está com o mesmo vestido da festa, só que mais curto, na altura da coxa)

Wesley: Eaê Cris! Chega mais!

(Cris chega onde várias pessoas estão dançando um ritmo bem agitado)

Bruno: O que aconteceu?

Cris: Sei lá... A festa estava muito chata... Vou dançar um pouco, depois voltamos para casa...

(ela dá uma piscadinha para o irmão, que volta com Marjorie. Cris sai correndo com Wesley e começa a dançar com um grupo de mulheres)

Cris: Vamso agitar isso aqui!

(Cris dança muito animada)

E Cris conseguiu se dar ao luxo de ir ao Morro Da Mangueira para uma balada noturna conseguindo as coisas que mais queria: a empresa do pai salva, o vestido luxuoso e se soltar e ser feliz pelo menos numa noite, querendo ser realizada com vários tipos de luxos, nessa e em mais mil e uma noites...

Notas finais
Na Próxima Quinta:
Nunca acredite que um adolescente será calmo... Ainda mais se a adolescente em questão foi Juliana, uma gaúcha com sangue quente. Juliana, como todo adolescente, tem várias questões na cabeça e acaba por confrontar e brigar com a mãe várias vezes ao dia. Então ela toma um medida drástica para a situação: fugir de casa. Só que ela vai conhecer os perigos da rua e as diferenças de ir na esquina da de ir solta pelas estradas. Essa é
"A Revoltada De Santa Rosa"!!!