As Brasileiras

17 A Revoltada De Santa Rosa


Notas iniciais
Capítulo que trata da rebeldia de uma adolescente.
Brasil... Sul... Rio Grande do Sul... Santa Rosa. Essa cidade já tem um nome abençoado por Deus e é bonita por natureza, aliás, uma bela natureza... Prova disso é a Represa de Água Santa, que se bobear, faz milagres através do encantamento dos olhos... Santa Rosa tem uma área de 489, 805 Km² e uma população que anda em torno dos 70.000 habitantes... E entre esse habitantes, já viveu uma famosa apresentadora que nasceu lá: Xuxa Meneghel, a rainha dos baixinhos... Alías, alguns desses baixinhos crescem e ficam rebeldes, como a nossa heroína de hoje,

A Revoltada De Santa Rosa

(aparece uma rua pacata, com árvores plantadas na calçada, senhoras sentadas nas sacadas das casas)
(ao fundo, uma garota anda mexendo em seu celular)
Essa é Juliana... Uma jovem metida a adulta e que acha Santa Rosa uma cidade pacata sem nenhum movimento...
(ela passa por uma árvore onde um homem está escondido)
...Doce ilusão...
(o homem sai de trás da árvore, pega o celular dela e sai correndo)
Juliana: O que? PEGA LADRÃO!
(ela olha para os lados e ninguém faz nada)
Juliana: Preguiçosos...
(ela sai correndo atrás do ladrão)
E infelizmente para a doce ilusão do ladrão, de frágil Juliana só tinha a imagem de Branca de Neve, mas tinha velocidade de Mulher Maravilha e força de Superman...
(ela rapidamente quase alcança o ladrão)
Ladrão: Meu, que isso?
(Juliana dá um pulo e empurra o ladrão, que cai no chão)
(o celular desliza pelo asfalto. O ladrão levanta e sai correndo, sem o celular)
Juliana: Ahá!
(ela o pega)
Juliana: Hey, tú acha que vai sair fora assim? Tú não vai escapar não...
(Juliana pega seu salto de 20 centímetros e o lança contra o ladrão)
Além da mira de Robin Hood...
(o salto acerta a cabeça do ladrão, que cai no chão...)
Ladrão: Ai...
(Juliana aparece)
Juliana: Eu disse que tú não ia escapar...
Tempo depois, na casa de Juliana, a mãe dela recebe a bomba...
(o telefone na parede toca)
Heloísa: Alô? Sim, minha filha... O QUE? DELEGACIA?
(a cena corta para uma delegacia. Várias cadeiras com estofados azuis, várias pessoas prontas para fazerem algumas denúncias e numa sala com o delegado: Juliana e o ladrão)
(Heloísa chega e entra na sala)
Heloísa: Ô minha filha... Tú está bem?
Juliana: Tô mãe...
(Heloísa a abraça e depois levanta irritada)
Heloísa: É bom, porque vai ficar péssima! Onde já se viu ficar arrumando confusão no meio da rua?
(o ladrão começa a dar risadinhas)
Heloísa: ...Ainda mais com vagabundos que nem esse aí!
(o ladrão para de rir e a encara)
Heloísa: O que foi? Nunca viu uma pessoa na vida?
(o ladrão abaixa a cabeça)
Juliana: Mãe, me escuta... Ele tava tentando me roubar! Tentando não, ele roubou meu celular!
Heloísa: Também...
(Heloísa pega o celular da mesa do delegado)
Heloísa: Anda mostrando esse celularzão para os outros na rua... Só falta esfregar na cara... Olha isso aqui, parece uma escola de samba!
Juliana: É uma capinha para proteger!
Heloísa: Não me interessa! Vamos... Podemos ir delegado?
Delegado: Claro, só preciso saber quantos anos ela tem...
Juliana: 19...
Heloísa(encarando a filha): 17 anos, 3 meses e 5 dias... Vamos!
(a mãe sai nevosa)
(a cena corta para a casa de Juliana. A sala está bagunçada. Seu irmão mais velho, Rafael, de 19 anos, está espriguiçado no sofá. Seu irmão mais novo Higor, 4 anos, está brincando com carrinhos no chão)
(Juliana entra e bate a porta. Ela joga a mochila numa poltrona e se joga em outra)
(Heloísa entra logo atrás)
Heloísa: Tú pisou na grama... Amassou tudo, já te falei para ter cuidado com as vegetações...
Juliana: Ai que ótimo! Por quê t[u não deixa a grama crescer, formar uma floresta, daí monta o exército da salvação!
Heloísa:Ah, o exército que iria deixar tú na delegacia se não fosse por mim!
Juliana: Bah! Eu não acredito que tú me fez pagar mico numa delegacia!
Heloísa: Primeiro que não era nem para tú estar numa delegacia...
Juliana: Ah claro... Roubam meu celular e tú quer que eu fique parada... Depois ficaria reclamando que teria que comprar outro...
Heloísa: Eu não ia comprar porcaria nenhuma!
Juliana(ela levanta e encara a mãe): Bahi mãe! Você não me entende!
(ela sai batendo o pé)
(Heloísa bebe um pouco de água para se acalmar. Rafael se levanta e vai para o quarto atrás da irmã. Higor se levanta com um brinquedo de encaixes e olha para mãe...)
Higor: Mãe...
Heloísa: O que foi?
Higor(levantando o brinquedo): Tú acha que isso parece um dinossauro?
(aparece Juliana deitada de bruços na cama)
(Rafael entra, senta-se no canto da cama e coloca a mão em suas costas)
Rafael: Mana...
Juliana: O que tú quer Rafael?
Rafael: Conversar...
Juliana: Não quero conversar...
Rafael: O que tú quer?
(ela se levanta, com o cabelo no rosto)
Juliana: Fugir...
(Rafael se levanta)
Rafael: Como é que é?
Juliana: Pelo que eu sei você pode ser burro, mas não é surdo!
Amor de irmão é uma coisa linda...
Rafael: Você não pode fazer isso!
Juliana: Quer apostar?
Rafael: Para onde tú vai?
Juliana: Dou um jeito de ir até a capital e sigo com um avião... Ou vou pela BR-116 de carona num caminhão!
Rafael: Atá... Tú não dura um dia...
Nunca desafie uma mulher... Principalmente quando ela tá irritada...
(Juliana levanta, pega uma mochila em cima do guarda-roupa e começa a encher de roupa)
Rafael: Ju...
Juliana(se vira e aponta o dedo para ele): Se tú abrir o bico eu posso até ficar... Mas tú vai... E não é para fora de casa... É para o além...
(Juliana tenta fazer uma cara assustadora e volta para arrumar seu equipamento de fuga)
Rafael: Se eu fosse tú eu pensava melhor nisso... A mamãe... O papai... O Higor...
Juliana: Mas tú não é eu... E além do mais... Essa casa vai ficar melhor sem mim...
Rafael: Não diga isso...
Juliana: Digo sim! Com todas as letras! Quer que eu repita?
O pai de Juliana diriga caminhões de entrega e vivia viajando, passava em casa no máximo três vezes por mês...
Rafael: E a festa à fantasia da sua amiga Bia?
Juliana: Eu arranjo um jeito...
(Rafael não diz nada, só a olha com uma cara triste)
Juliana: Não fica assim... Eu te ligo...
(ela o abraça)
Rafael: Quando tú vai ir?
Juliana: Amanhã... Quando a mamãe estiver trabalhando...
(Rafael só abaixa a cabeça)
(a câmera mostra a cara de Juliana, preocupada)
(o despertador toca e Juliana já está sentada na cama e arrumada com seu uniforme, para fingir que iria para o colégio)
(ela verifica se tudo está na mochila para a fuga)
(Juliana respira fundo, coloca a mochila nas costas e sai)
Juliana: Tô indo para o colégio... Beijo...
Heloísa: Nananina não! Pode sentar aí tomar seu café da manhã!
Juliana: Bah mãe... Não tô com fome não... Tô meio enjoada...
Heloísa: Não quero saber... Tú trate de sentar nessa cadeira e comer pelo menos um pãozinho...
(Juliana se senta e começa a tomar um suco de laranja)
Heloísa: Eu queria fazer um bolo só que esqueci a receita... Acho que anotei no seu caderno de português...
(a mãe pega a mochila de Juliana e quando está prestes a abrir Juliana cospe o suco e agarra a mochila)
Juliana: O caderno de português não tá aqui... Não tem aula disso hoje... Tá lá no quarto, deixa que eu pego para ti...
(Juliana agarra a mochila e voa para o quarto)
(a mãe está comendo um pão com margarina quando Juliana volta do quarto com o caderno)
Juliana: Aqui mãe...
Heloísa: Deixa eu ver...
(Heloísa levanta, abre o caderno e acha a receita, ela coloca o caderno no sofá e começa a ler)
Heloísa: Duas xícaras de farinha... Oito colheres de azeite... Bah, será que anotei isso certo?
(Juliana corre para a cozinha e começa a encher a mochila: bolacha, pão, suco...)
Heloísa(se virando para a filha na cozinha): Filha, você acha que isso tá certo?
Juliana(andando nervosa e fechando a mochila): Não sei mãe... Não sei fazer bolo... Vou indo tá, se não me atraso...
Heloísa: Ah, tú vai me abandonar?
Juliana: O que é isso mãe! Bah, nunca vou fazer isso...
Heloísa: Estava brincando... Cuidado para não te assaltarem! Esse celular custou caro quando você fez 15 anos...
(Juliana respira fundo e se vira)
Amor de mãe às vezes é muito irônico e provocativo...
O que faz os hormônios de Juliana crescerem, explodirem e a fazerem virar mais fera, e dar um chute mais raivoso que Anderson Silva em campeonato final...
Juliana: Ah, nos quinze anos em que tú não quis me dar uma festa?
Heloísa: Para tua vigésima quinta informação, não tínhamos condição de fazer a mega festa que tú queria! E quando quisermos fazer uma semana depois da data, você só faltou executar o mundo!
Ela quis executar o mundo e mais meio de outro...
Juliana: 15 anos só se faz UMA vez na vida! E os da MINHA VIDA passaram em BRANCO!
Heloísa: Então porque tú não aproveita tua idade mental e a deixa bem colorida com lápis de cor?!
(Juliana ruge de raiva e sai, batendo a porta)
Heloísa(gritando): Isso, destrói tudo!
(na rua, Juliana sai brava e encontra com o irmão)
Rafael: Tú vai mesmo fazer isso?
Juliana: Estou fazendo!
(Rafael abraça a irmã)
Rafael: Você vai fazer muita falta... Espero que se arrependa e volte logo...
Juliana: Não tem volta...
(ela larga do irmão e sai pela rua, emocionada)

*** (Juliana aparece num ponto de ônibus, nervosa)
(um ônibus para. Ela nem olha o destino e embarca pelas portas de saída e se senta no primeiro banco que vê, sem fazer os outros perceberem)
Juliana acabou esquecendo a única coisa que faz uma pessoa viver nesse mundo: dinheiro.
E ainda por cima entrou no ônibus mais sútil que elefante com saia colorida dançando frevo!
Cobrador: Hey garota! Você não pagou!
Juliana(levanta invocada): Como assim não paguei? Paguei sim!
(ela dá um tapa no banco)
Cobrador: Claro que não! O Dirceu, para esse ônibus!
(o motorista dá uma freiada. Juliana cai para frente e bate a cabeça num dos bancos)
(ela levanta invocada)
Juliana: TÚ ESTÁ VENDO O QUE TÚ FEZ? EU BATI MINHA CABEÇA, VAI TER QUE PAGAR INDENIZAÇÃO!
Cobrador: Que indenização o que?! Cai fora daqui!
(os passageiros começaram a falar, o cobrador a gritar, o motorista a cochilar e Juliana queria explodir aquele ônibus)
Juliana: TODO MUNDO CALA A BOCA!
(fica um silêncio no ônibus)
Juliana: Me dá 50 reais ou eu dou parte na delegacia...
(o cobrador revira os olhos)
Cobrador: Se eu te der o dinheiro, tú sai?
Juliana: Aham...
(o cobrador tira do caixa uma nota de 50 e dá para Juliana)
Juliana(com raiva): Obrigada...
(ela desce do ônibus, que recomeça a andar e para num ponto próximo)
(Juliana olha para trás, olha para o ônibus, olha para o dinheiro e corre para o ponto)
(ela entra no ônibus -pela porta certa- )
Cobrador: O que foi agora?
Juliana: Tem troco para 50?
(o homem troca o dinheiro)
Juliana: Toma aqui ó... Dois e cinquenta para me levar até o próximo ponto...
Cobrador: O que? Mas não é...
Juliana: Já tô passando!
(ela passa a catraca e senta num banco)
(a cena muda, agora está de noite e Juliana anda sozinha pelas estradas)
(ela está esfregando os braços tentando se esquentar)
(um caminhão passa por ela e faz um vento que balança seu cabelo. O caminhão passa tão rápido que quase a leva junto)
Juliana: Devia ter trazido a barraca que ganhei aos cinco anos...
(ela pega o celular e liga para o irmão)
Rafael: Alô? Ju?
Juliana: Oi Rafa!
Rafael: Ju, onde tú está?
Juliana: Não sei, numa estrada...
Rafael: A mãe tá igual uma louca! Ela montou uma expedição para te procurar em Santa Rosa inteira!
Juliana: Segura as pontas aí... E não abre o bico!
Rafael: Ainda acho que deveria volta...
Juliana(com a voz trêmula, querendo chorar): Agora tenho que ir... Um abraço...
(ela desliga)
Vendo que a coisa estava mais feia que cara de judeu quando ia se “concentrar” com Hitler, Juliana resolveu apelar para o truque das pernas de Sheron Stone...
(Juliana vê que um carro vem vindo, levanta a calça e mostra as pernas. O carro passa e uma mulher joga uma latinha de refrigerante nela)
Juliana: Mas o que é isso?
(Juliana joga a latinha de volta contra o carro, que quebra o vidro de trás e acerta a cabeça de alguém, que dá um grito. Juliana volta a andar)
(ela vê um caminhão vindo e levanta a perna de novo. O caminhão vai parando. Ela abre a porta e vê o motorista, um homem gordo e suado usando um chapéu, calças jeans e camisa xadrez)
Juliana: Eu preciso de uma carona...
Kléber: Claro, entra aí! Sou o Kléber...
(Juliana entra e joga a mochila no chão)
Juliana: Que bom Kléber... Dá para ir logo, tô morrendo de frio...
(Kléber fica apenas olhando-a)
Juliana: O que foi, perdeu as chaves?
(Kléber se aproxima dela com seu bafo de cachaça)
Kléber: É que tú terá que fazer um certo pagamento...
(ele coloca a mão na coxa da jovem, que a tira rapidamente)
Juliana: Mas o que é isso?
Kléber: Vai tirando tudo que eu tô entrando!
(Juliana começa a dar tapas no homem)
Juliana: Safado! Sem vergonha! Como tem coragem de abusar de jovens!
(ela sai irritada e bate a porta do caminhão. Ela se afasta, cruza os braços e fica empurrada vendo o povo passar)
Ah não, Juliana não ia pagar o frete com uma fritada...
Juliana: Droga!..
Juliana caminha de volta ao caminhão pesadamente, já que viu que Kléber não havia começado a andar, devia estar se divertindo sozinho...
(ela abre a porta do caminhão e Kléber abre um sorriso)
Kléber: Mudou de ideia?!
Juliana(estapeando o homem): Que mudar de ideia o que! Esqueci minha mochila...
(ela pega a mochila, que estava enroscada numa peruca loira e sai)
Ah, uma mulher pode ficar sem cabeça, mas não fica sem a bolsa... Nesse caso, a mochila...
(nesse exato momento, seu telefone toca, era seu irmão)
Juliana: Alô, Rafa?
Rafael(com voz desesperada): Oi Ju, que bom que atendeu...
Juliana: O que foi? Tú está nervoso, o que aconteceu?
Rafael: Papai sofreu um acidente, está em coma num hospital...
Juliana: Como é que é?
Rafael: Você precisa vim correndo para cá!
Juliana: Vou dar um jeito...
(Rafael desliga)
Juliana: Papai...
(ela deixa o celular cair no chão)
(Juliana se abaixa para pegar o aparelho e vê a peruca)
Juliana: O que é isso?
(ela vê que era de Kléber e se levanta para devolver, mas vê que o caminhão já partiu)
Juliana(olhando para a peruca): Que maravilha!
(Juliana passa a noite caminhando até chegar num hotel de estrada)
Juliana: Finalmente!
(ela vai andar quando vê grudado na parede uma foto sua e escrito PROCURA-SE, ESTA GAROTA ESTÁ DESAPARECIDA)
Juliana: Hã, eles me chamaram de garota e não prometeram recompensa... Tenho muito valor para eles... Assim ninguém vai me achar...
(ela olha para trás e vê uma viatura policial)
Juliana: Droga!
(ela pega a peruca da mochila e “arruma” na cabeça)
(o policial chega perto dela)
Policial: Olá moça...
Juliana(tentando disfarçar o sotaque): Bom dia seu policial...
Policial: Você viu aquela garota?
Juliana(tentando disfarçar o sotaque): Garota? Ah, aquilo é uma jovem... E não vi não...
Policial: E tú, não é daqui é?
Juliana(tentando disfarçar o sotaque): Não...
Policial: Daonde tú é?
Juliana(tentando disfarçar o sotaque): É...
(ela vê uma loja de bichos de pelúcia)
Juliana(tentando disfarçar o sotaque): ...Campo dos... Coelhos!
Policial: Hum... Boa tarde...
(o policial sai e Juliana suspira aliviada)
(Juliana olha para os lados e começa a andar)
Ela queria ir para casa, mas não numa viatura policial...

*** (aparece uma garçonete levando pratos e outras coisas e a câmera vai andando pela lanchonete)
Muitas pessoa se perguntam como é que o hipopótamo é tão gordo comendo só vegetação...
Outras se perguntam como Juliana é tão magra comendo só gordura...
(a câmera mostra Juliana sentada numa mesa da lanchonete comendo um X-Burger e ainda por cima tirando o alface e tomate)
(ela olha o celular, e com a boca cheia, o pega, para ligar para Rafael e ver como estão as coisas)
(por sua mão estar gordurosa, o celular escorrega)
(ela resmunga algo de boca cheia e abaixa para pegá-lo, quando uma mão pega o celular e lhe dá)
(é um rapaz, devia ter 19 anos. Loiro, bronzeado, parecia um surfista de Floripa)
Juliana ficou tão encantada com o surfistinha de Floripa que esqueceu de pequenos detalhes, como este:
(Juliana abre a boca para dizer “Obrigada” e cospe pedaços de hambúrguer e pão no rapaz)
(ela coloca as duas mãos na boca e engole a comida)
Juliana: Desculpa!
(ela limpa o rapaz)
Cauã: Tudo bem...
(Juliana estava encantada)
Juliana: Obrigada pelo celular... Vou indo... Obrigada de novo...
(ela pega a mochila e sai atrapalhada)
(lá fora, ela tentava ligar para o irmão)
Juliana: Alô Rafael? Tá me ouvindo?
Rafael: Mais ou menos, a ligação está ruim! Aonde tú está?
Juliana: Eu não sei... Não tem placas...
Juliana era péssima em geografia, o GPS de seu celular era mais falso que promessa de político e mesmo com placas nem saberia onde estaria...
Naquele momento mesmo ela poderia estar fora de Santa Rosa...
Juliana: E como tá o papai Rafa?
(silêncio)
Juliana: Rafa? Rafael...? Droga, caiu!
(ela desliga o celular com raiva)
Cauã: Precisa de ajuda?
Juliana: Ah oi... Preciso sim... Mas acho que tú não pode me ajudar...
Cauã: Eu posso tentar...
(aparece Cauã dirigindo seu carro e Juliana no banco do passageiro, falando sem parar)
Bendita hora em que Cauã deixou Juliana abrir a boca...
Cauã: Peraí peraí! Você fugiu de casa por quê mesmo?
Juliana: Discussões sem limite com minha mãe...
Cauã: E por quê quer voltar?
Juliana: Meu pai sofreu um acidente...
Cauã: Ah tá...
Juliana: Não se preocupa não, ele vai ficar bem...
Cauã: Tú não está voltando só por causa de seu pai não é?
Juliana: Claro que é!
Cauã: Nananina não... Tú está com saudade... De seus irmãos... Da sua mãe, mesmo com brigas...
Juliana olhou Cauã como se ele fosse o pastor de igreja no momento de louvor.
Ele a conhecia tanto em tanto pouco tempo...
Havia juntado o útil ao agradável...
Cauã: Já estamos chegando?
Juliana(suspirando): O que?
(ela volta do mundo da lua)
Juliana: O que? Ah sim... Claro...
(eles passam por um salão de festa)
Juliana: Ah, aqui terá uma festa daqui a dois dias... Se quiser vir...
(ela abre um sorriso)
(Cauã devolve com outro sorriso)
Cauã: O hospital!
(ele para o carro)
Cauã: Pronto, entregue...
(Juliana pega uma caneta e começa a escrever na mão de Cauã seu número)
Juliana: Aqui... Meu telefone...
Juliana paquerava até se fosse num velório...
E ali também, mesmo na situação de vida ou morte -literalmente.
Juliana: E obrigada...
(ela pega a mochila, sai do carro, vira para trás, pisca para Cauã, ele sorri)
(Juliana entra no hospital correndo)
(ela encontra o irmão na recepção)
Juliana: Rafa! Rafa!
Rafael: Juliana! Que bom que tú apareceu!
Juliana: E o papai? Como ele tá?
Rafael: O papai tá bem... Mas você não vai ficar quando a dona Heloísa te ver...
Tem aquela história que não pode falar nome do monstro que ele aparece...
Bem, isso aconteceu com Heloísa...
Heloísa: Onde é que tú estava menina!
(Heloísa estende os braços e abraça a filha)
Juliana: Mãe...?
Ela não acreditava que estava recebendo carinho da mãe que tanto criticou...
Heloísa: Eu estava tão preocupada com esse seu sumiço! Rafael me explicou tudo...
(ela olha para Rafael e depois olha para Juliana)
Juliana: Explicou?
Heloísa: É... Que tú precisava de um tempo e que eu precisava enxergar que tú não é mais uma garotinha...
(ela abraça a filha novamente)
(Juliana olha para Rafael, que dá uma piscadinha, sorri e sai do local)
Juliana: Vamos ver o papai?
Heloísa: Claro! Vai sair daqui amanhã!
(as duas vão para o quarto em que o pai de Juliana estava descançando. As duas de mãos dadas)
(a cena vai sumindo até uma festa)
(está tocando uma música eletrônica)
(Juliana aparece, vestida de mulher invisível)
(ela pega um copo de bebida e quando se vira, encontra com Cauã, vestido de Sr. Fantástico)
(Juliana começa a rir)
Juliana: Tú veio...
Cauã: Claro... Tentei te ligar mas tú não atendia...
Juliana: Meu celular estragou de tanto cair...
(Cauã mostra um presente)
Juliana: A Bia tá para lá...
Cauã: É para ti...
Juliana: O que?
Cauã: É um novo celular... Teu irmão me contou que o outro estragou...
Juliana: Você conhece meu irmão?
Cauã: Somos amigos de colégio...
(eles começam a rir)
(a música eletrônica troca por uma música lenta)
Cauã: Quer dançar?
Juliana: Só com uma condição...
Cauã: Qual?
Juliana: Só se for contigo...
(ele sorri e os dois começam a dançar juntinhos)
Juliana: A propósito, a gente tá combinando...
(ele sorri, ela também. Os rostos se aproximam e eles se beijam)
Pois é... Ninguém entende a cabeça de uma mulher ou de um adolescente... Imagine quando os dois se misturam e vira uma adolescente. Mas para isso, só tem um jeito de dominar a fera denominada uma mulher, ou uma adolescente ou qualquer pessoa desse planeta! E essa coisa é o amor, que foi o que trouxe Juliana de volta... O amor juvenil, o amor familiar... Ah, o amor...

Notas finais
Na próxima quinta:
Você vai conhecer Letícia. Ela é uma mulher de muitas qualidades, entre elas é que ela é divertida, bem humorada e acima de tudo linda. Só tem um defeito: é fascinada pelo dinheiro. Aliás, dinheiro ganho de seu namorado rico que está no exterior. E desse dinheiro, não sai um centavo para outra pessoa que precise... Só que ela vai ter que lutar pelo seu dinheiro quando seu namorado se envolve numa confusão com a polícia e o dinheiro tem tudo haver com isso... Esse é o desafio para "A Avarenta De Diamantina".