Notas iniciais
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– Eu sou Beta Fisk. — a voz do suposto líder reverberou pela sala. Alice ficou parada, encarando-o. — Parabéns por nos encontrar. Isso significa que tem coragem e, com isso, você passou no primeiro teste. 99% daqueles que nos procuram desistem quando chegam na escada. — três batidas na porta o interromperam. Novamente, todos esperaram quietos pela voz de quem estava atrás da porta.

– Oi! — a voz era extremamente irritante. — Tem alguém aí? Meu nome é Stephanie Colbie, filha do Senador Colbie. Estou procurando um tal de Beta Fisk. — Beta respirou fundo e, em seguida, bufou todo o ar absorvido. Com apenas um gesto, Beta mandou que o Casal Bizarro — era como Alice chamava a mulher do chiclete e o homem com o cabelo de gel — abrisse a porta. Os óculos escuros da garota atrás da porta seguravam o cabelo castanho comprido. Os lábios carnudos estavam pintados de rosa shock para combinar com o vestido-decote colado em seu corpo. O sapato de salto parecia ser de grife e a bolsa trazia os C's cruzados da "Coco and Channel". Sem pedir licença, ela entrou e se sentou, soltando a bolsa em cima da mesa.

– Leonard. Elimona. Deixem-nos a sós, por favor.

Com esse pedido do líder, o Casal Bizarro deixou o recinto. Beta pegou um papel e uma caneta e tudo o que se ouvia era o barulho da caneta escrevendo no papel. Alice também tomou um lugar à mesa. Sorriu para Stephanie, numa débil tentativa de fazer amizade, mas a menina nem viu. Ela estava mais interessada nas unhas rosas dela. "Antipática".

– Bom, espero que não chegue mais ninguém. Espero não, não vai mesmo chegar mais ninguém. Então, vou começar. — o jovem respirou fundo — Sejam bem-vindas ao Clube de Mistérios. Meu nome é Beta Fisk e estudo astronomia nesta faculdade há dois anos. Digam o nome de vocês e a qual curso pertencem.

– Stephanie Colbie. Sou do curso de Engenharia Nuclear. — os dois encararam-na. — Sei o que estão pensando. Eu passei pelo meu esforço. Meu pai queria que eu fizesse Direito. Mas eu odeio Direito.

– Interessante, senhorita. — Beta encarou Alice. — E você, senhorita?

– Meu nome é Alice Carter. Entrei esse ano no curso de Nanotecnologia.

– Fascinante! — ele ajeitou os papéis com um brilho nos olhos. — Bom, eu preciso fazer algumas perguntas. Vocês se importam? — as duas balançaram a cabeça negativamente. — Vamos a primeira pergunta. Qual a comida preferida de vocês?

– Ratatouille. — respondeu Stephanie na lata. E ouvia-se apenas o barulho da caneta no papel de novo. Até Beta encarar Alice outra vez.

– Torta de frango. De preferência, a da minha avó. — barulho de caneta no papel.

– Onde gostariam de morar?

– Milão. — Stephanie na lata de novo. Se fosse uma prova em um reality show ela seria a mais rápida. Entretanto, não a mais inteligente.

– Kyoto. — respondeu Alice.

Barulho de caneta.

– Agora, a última pergunta. — Beta fez uma pausa dramática, levantando o indicador direito — O que vocês acham mais fascinante no Universo?

Stephanie arregalou os olhos. Nunca havia parado para pensar no Universo. Mas sempre achou o sol algo fascinante. E essa seria a sua resposta.

– O sol. Porque ele é grande e majestoso, além de a humanidade precisar dele para não morrer congelada. — pela primeira vez, a menina soltou um sorriso leve que valorizou as linhas do rosto dela.

– Gostei dessa definição. E você? — Beta apontou a caneta para Alice.

– Nebulosas. Todas elas são como um quadro de arte para mim. Vejo-as como um enigma para desvendar. Elas me trazem uma angústia e um sentimento de que não estamos sozinhos no Universo.

Alice levantou os olhos para observar as expressões que causara. Stephanie exibia a típica expressão de estranheza. Já Beta, o qual Alice imaginou que estaria a encarando com um sorriso sarcástico, estava a lhe encarar com a rara expressão de fascínio e devoção.

– Isso foi...profundo e maravilhoso ao mesmo tempo. — então desviou o olhar — Vocês estão dispensadas. Mas, estejam prontas e no jardim em frente ao prédio de astronomia às 19:00.

– Combinado. — Stephanie levantou e saiu de nariz empinado. Dava-se para ouvir o barulho de seu salto batendo na escada ao longe. Alice se levantou e ficou parada diante de Beta.

– O quê iremos fazer hoje? — indagou após alguns segundos. O sorriso do garoto era inocente.

– Vamos observar as estrela cadentes. — ele se levantou. — Eu adorei a sua descrição sobre as nebulosas. Eu também as acho fascinantes. Mas nunca havia pensado do seu jeito. Eu poderia conversar um pouco mais sobre isso contigo?

Alice sorriu.

– Claro! Por que não?

Beta ofereceu gentilmente o braço a Alice. Hesitante, ela aceitou o convite. Agora, perto dele, a menina percebeu que Beta possuía dois brincos na orelha direita.

– Primeiro, eu preciso passar no dormitório para deixar essas folhas lá. — ele balançou o bolo de papel. — Depois, vamos à um restaurante que eu gosto muito e recomendo. Estou morto de fome. E lá nós conversamos sobre as nebulosas. Que tal?

– Ótima ideia. Estou morta de fome também, apesar de ter tomado um café-com-leite descafeinado.

Beta soltou uma risada abafada que fez Alice corar. O peito dele tremeu contra o seu braço de maneira suave e agradável. Beta levou a mão aos cabelos azuis e os penteou para trás com os dedos. Alice se hipnotizou com aquele movimento e teve de se esforçar para não demonstrar. Beta a conduziu pelos corredores da faculdade, pelo gramado e pelo dormitório. Subindo a escada de madeira, os dois evitavam fazer barulho. Chegando no sexto andar, Beta se direcionou para este corredor. Alice também estava naquele andar, naquele mesmo corredor. Ela sabia que os dormitórios eram mistos. Porém, os quartos eram normais, ou seja, mulher com mulher e homem com homem. Beta revirou o bolso da calça jeans procurando a chave. Quando a achou, estendeu a chave. O número 632 estava gravado no chaveiro. "Mas isso é impossível!", pensou Alice. "Só se tivessem confundido..."

– Eu vou até o meu quarto e já volto. Quando precisar de mim, eu estou no 632, no final do corredor. — ele apontou. Alice, então, caiu na risada. Beta não estava entendendo nada. E nem devia. A garota começou a rir do nada. Devia achar ela louca. — Alice, do que está rindo?

– Beta, confundiram você com uma menina. — Alice limpou uma lágrima do olho.

– Todo ano fazem isso... Peraí, como tu sabe? — ele semicerrou os olhos. Alice pegou a sua chave do quarto e mostrou ao colega o número 632. Beta arregalou os olhos e começou a rir junto. Estavam no mesmo quarto por um erro da direção. Beta pegou as mãos de Alice e, entre risos, osculhou-as. Encarando-a por detrás das mãos finas, Beta sorria tirando o fôlego da tímida criança perante si. — Belo acaso, não?

Notas finais
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