Notas iniciais
A semana de provas finalmente terminou! E apesar dela ter durado mais do que o previsto, acho que fui bem nas provas e não fiquei de recuperação em nada (isso é bom pacas). Então agora é só curtir as férias WEEEEEEEEEEEEEEE o/

O que era para ser um amigável jantar entre “amigos” se tornou gradativamente uma confusão.

Feliciano chorava agarrado ao braço da camisa de Ludwig, e este por sua vez permanecia sem reação tentando entender o acontecido, Roderich observava a cena com um olhar penalizado e o coração carregado de culpa, seus lábios se crisparam e ficaram praticamente impersistireis, por baixo na mesa o austríaco passou levemente a mão pelo joelho de Gilbert e o encarou com os olhos languidos, este deu um profundo suspiro.

–Feliciano, por favor, pare de chorar... – O alemão se levantou e levemente, entregou para o italiano um guardanapo para que pudesse enxugar as lágrimas, depois voltou a se sentar.

– Ludwig, existe uma coisa que eu preciso lhe contar...

Gilbert encarava os olhos azuis do irmão com firmeza, firmeza essa que dificilmente era encontrada no vermelho de seus orbes, por isso Ludwig ficou instantaneamente ereto e concentrado.

–Diga.

Gilbert respirou fundo e apertou a mão de Roderich que agora se encontrava no braço da cadeira.

– Ludwig, lembra-se de quando você estava no hospital? Naquela época eu lhe disse que você havia caido do telhado e batido a cabeça – Ludwig assentiu sem tirar os olhos do irmão, Gilbert continuou — E que era por isso que você não se lembrava de nada. Eu lhe dizia que nós e o vovô sempre moramos juntos... — Gilbert apertou ainda mais a mão de Roderich – então, é tudo mentira...

Ludwig permaneceu sério enquanto encarava o irmão fixamente, parecia uma estátua colorida bem na mesa de jantar, o único indicio de que Ludwig ainda permanecia vivo era sua respiração um pouco mais acelerada e profunda.

Gilbert por sua vez percebendo que o irmão não esboçara nenhuma reação resolveu continuar.

– A verdade Ludwig, é que até aquele momento nós nunca havíamos pisado na casa do vovô. Antes disso morávamos em um orfanato na Áustria chamado “Orfanato Eldstein”, o pai do Roderich é o diretor.

Roderich assentiu silenciosamente enquanto prestava atenção na conversa dos irmãos.

– Você esteve lá dos três aos dez anos... Foi onde conheceu Feliciano...

Feliciano agora bem mais calmo acenou positiva e freneticamente com a cabeça, ele ainda secava um vestígio de lágrima no canto dos olhos quando Ludwig o encarou. Por um momento, Feliciano se perguntou se Ludwig ainda estava presente na sala de jantar, ou se aquele era apenas o seu corpo... O olhar do alemão parecia desfocado e distante, era como se estivesse viajando para outra dimensão.

–Sim! Ve~~ — Disse Feliciano levantando um pouco a voz – Nos conhecemos no clube de teatro, fazíamos uma peça sobre cavalaria... Você era o cavaleiro e eu era...

–Por que? – Interrompeu Ludwig, se virando para o irmão, Feliciano se calou no mesmo instante, a voz do alemão tremia. – Porque nunca me disse nada??? Eu sempre vivi nessa mentira! Por quanto tempo você planejava esconder de mim? Por mais 10 ou 20 anos?!? POR QUÊ?

Ludwig deu um tapa na mesa que fez todos os pratos tremerem, depois com um impulso ele se levantou da cadeira e começou a andar em círculos pela sala, ao mesmo tempo Ludwig bagunçava os cabelos milimetricamente arrumados e bufava ruidosamente, sua face estava tão vermelha podia ser comparada á uma pimenta.

–Gilbert... Você sempre foi a pessoa em quem eu mais confiei... A pessoa que eu mais amei... E agora eu descubro que você sempre mentiu pra mim, por que Gilbert, por quê?

Ludwig sentia uma vontade muito grande chorar, mas não queria que as lágrimas caíssem, não queria se mostrar fraco... Precisava se manter forte mesmo naquela situação... Gilbert por sua vez também havia se levantado.

–Eu só fiz isso para te proteger Ludwig! Nós fomos para naquele orfanato porque nossos pais foram assassinados! E você assistiu a tudo... Latrocínio... Nós eramos muito jovens, e depois do acidente você se fechou, nem ao menos conversava comigo... – Gilbert estava visivelmente nervoso, mas tentava a todo custo manter o tom de voz calmo apesar de assim como Ludwig estar prestes a chorar, mas nesses momentos ele precisava ser forte.

– Depois da amnésia você se tornou mais alegre, verdadeiramente vivo! Porque assim como as suas memórias,esqueceu-se do acidente... Esqueceu-se do trauma e do choque. Eu não queria que você voltasse ao que era...

–Mas era a minha escolha! – Ludwig respondeu ainda com um pouco mais alto — Eu devo decidir se quero me lembrar ou não! São minhas memórias! E eu quero elas de volta, sejam qual forem...

–Ludwig...

–Como... – Interrompeu o loiro –Como eu perdi a memória?

Gilbert respirou fundo e engoliu seco

– Acidente de carro. Naquela noite você estava a caminho da casa do vovô, chovia muito... O carro derrapou na pista de bateu em outro.

O olhar de Ludwig se levantou repentinamente, havia um brilho diferente naquele azul.

–Então o sonho que eu tive... era na verdade uma lembrança?

–Sim... Um fragmento.

Gilbert respirou fundo mais uma vez e mexeu nervosamente nos cabelos.

–Quando você perdeu a memória, achamos melhor afasta-lo de tudo...

–O médico – Interveio Roderich, atraíndo a atenção de todos na sala. Mas quando o austríaco se viu sendo o centro das atenções enrubesceu um pouco e perdeu momentaneamente o fio da meada — ... Ah... O médico disse que devíamos deixa-lo se lembrar de tudo normalmente, caso forçassemos, ou lhe dissessemos tudo de uma vez...

–As lembranças podiam voltar embaralhadas, ou você poderia ter alucinações... No pior dos casos... – Gilbert completou – Naquele dia o médico disse que talvez, por ser uma experiencia traumática, o seu cérebro achasse mais saudável esquece-la..

Roderich se levantou e posicionando ao lado da cadeira de Feliciano, passou a mão carinhosamente pelo ombro deste.

–Me desculpe, eu não podia lhe contar nada.

Feliciano olhou para Roderich, para Gilbert e então para Ludwig, dos seus olhos escorreu uma lágrima solitária que foi prontamente seca pelo guardanapo.

Ludwig massageou as têmporas e olhou fixamente para o irmão.

–Eu... eu preciso dar uma volta...

Sem dizer mais nenhuma palavra Ludwig pegou a chave na mesinha perto da porta e saiu. Nenhum dos outros três tentou impedi-lo.

XXX

Mesmo o calor italiano de 32°g não pôde amenizar o frio que se instalou na sala com a saída de Ludwig.

Feliciano se sentia extremamente desconfortável,pois alem de não pertencer a aquela familia e não morar naquela casa, o italiano se sentia moralmente culpado pelo acontecido.

“Foi tudo culpa minha, eu devia ter ficado de boca fechada”

Convencido de que não havia mais nada a fazer ali, e sem coragem de olhar na cara de Roderich e Gilbert, o italiano levantou-se de seu lugar, fez uma pequena vênia murmurando um “descupe-me” e saiu também.

XXX

“Ah, mas que coisa...”

Feliciano pensava enquanto caminhava pelas ruas. Seus passos eram mansos e leves, mas seu coração estava extremamente pesado.

“Acho que não devia ter vindo... Não queria tê-lo deixado mal...”

Mesmo que a culpa não lhe pertencesse, o italiano ainda sentia que deveria ter recusado o jantar e permanecido em casa.

“Ludwig está sofrendo, e a culpa é minha. Eu não devia ter sido tão egoísta”

Uma parte dentro do italiano ficava feliz em finalmente, depois de todos esses anos, saber o eu havia acontecido no orfanato. Saber que Ludwig não o esquecera... não de propósito pelo menos.

Feliciano se distraiu enquanto caminhava, e sem perceber acabou indo parar em frente ao café central. As luzes tão características e acolhedoras estavam apagadas e as portas por onde o italiano passava todas as manhãs estavam fechadas, isso era normal visto que já passava das 10 da noite e dificilmente o café abria em período noturno.

Mas por algum motivo essa cena fez Feliciano ficar mais triste, lhe dava uma sensação de abandono, de esquecimento...

Com um longo suspiro Feliciano decidiu que era hora de ir para casa, estava cansado e aquela noite lhe pareceu muito mais longa do que ele esperava, então deu meia volta e começou a subir a rua novamente.

No meio do caminho, depois de cruzar com alguns gatos perdidos e paralelepípedos meio soltos, o italiano reparou em um pequeno beco apertado no meio de duas casas... Fora por aquele beco que Ludwig o conduzira na primeira vez que saíram juntos...

Era arriscado andar sozinho por pelos mal iluminados tarde da noite, mas alguma coisa o atraía para lá, uma força invisível que mandava em sua cabeça... Depois de uma pequena luta com seu cérebro, e prevendo arrependimentos futuros, Feliciano mudou sua rota e entrou no beco.

O italiano andava devagar e com receio, por vezes pensou em ouvir sua razão, dar meia volta e ir embora, mas a força o impedia de faze-lo, por algum motivo precisava continuar. Seus ouvidos estavam aguçados á qualquer barulho ou ruído, seus olhos aos poucos se acostumaram a semi-escuridão, e com o avançar da caminhada o italiano começou a distinguir uma luz no final.

“Finalmente”

Avançando mais alguns passos, Feliciano finalmente chegou á pracinha onde jantara com Ludwig á algum tempo atrás. Não havia uma única alma no local, e pelo céu estar escuro, a paisagem veneziana cheia de luzes ficava cada vez mais bonita...

Feliciano se aproximou da grade na beirada e ficou admirando a paisagem, a vontade de chegar em casa se esvaíra, pois nada o relaxava mais do que contemplara sua adorada cidade, Veneza.

A cidade que o recebera de braços abertos.

O italiano estava imerso em pensamentos, vagando por suas lembranças de criança e adolescência, intercalando suas memórias entre Orfanato Eldstein e Veneza, assim o homem nem ouviu o barulho de passos que se aproximavam...

Quando enfim percebeu que não estava só, já era tarde demais. Uma figura alta surgiu as suas costas e instintivamente Feliciano se virou para gritar e é claro, correr. Mas antes que pudesse fazer qualquer uma dessas coisas, o estranho agarrou o braço do italiano e com a voz um pouco assutada disse:

–Feliciano, o que está fazendo aqui?

–Ludwig??? – Feliciano respirou fundo e relaxou o corpo – Não sabe o susto que me deu... Como sabia que eu estava aqui?

– Eu ia perguntar justamente isso, eu estava aqui primeiro daí vi você chegando...

–Oh, eu não notei.

Ludwig sotou o braço do italiano depois do susto inicial e se apoiou na mureta para observar a cidade, Feliciano percebeu que o alemão ficou pensativo e achou melhor não interferir, assim só se colocou do lado do outro e ficaram ambos observando a cidade por um tempo.

Ludwig quebrou o silencio

–Sabe... eu...

– Sim?

–Ah... É tudo muito confuso pra mim, sabe? Até ontem eu tinha certeza de tudo... E agora... – Ludwig coçou nervosamente a cabeça bagunçando ainda mais os cabelos.

–Pelo que eu entendi — Começou Feliciano com cuidado — Eles só queriam te proteger...

–Sim, eu sei... mas mesmo assim... Eles deveriam ter me dito!

O silencio voltou a reinar no ambiente, pois o italiano não sabia o que fazer, não queria se aproximar repentinamente de Ludwig, pois como ele não se lembrava de nada do que passaram juntos, a proximidade excessiva poderia assustar o alemão.

Assim Feliciano simplesmente permaneceu ao lado do outro calado, ficaram assim for um longo tempo até Ludwig lhe dirigir a palavra.

–Feliciano, eu... Queria pedir desculpas, pelo jantar... Pelo passado...Não era para ser assim...

–Não... Eu entendo... – Feliciano colocou sua mão no braço do alemão e fez um leve carinho – Eu só queria que você se lembrasse... de tudo... do que passamos juntos, dos nossos momentos...

O loiro encarou Feliciano por um tempo, sua expressão era séria mas seu rosto parecia levemente corado, delicadamente ele afastou o braço da mão de Feliciano.

–Deve haver algum jeito...

–Eu podia... te mostrar... Podíamos reviver algumas coisas... Talvez suas memórias voltem com mais facilidade assim.

–Você faria? – Ludwig parecia surpreso

–Sim! Nós somos amigos, sempre fomos! Seria um grande prazer!

Ludwig sorriu discretamente e encarou Feliciano carinhosamente, este desviou os olhos para um ponto aleatório por dois ou três segundos, em seguida molhou os lábios e voltou a falar.

– No orfanato nós faziamos parte do grupo de teatro, e depois da nossa primeira apresentação você me deu um presente.

–Qual?

–Esse...

Feliciano se equilibrou na ponta dos pés e passou sorrateiramente os braços pelo pescoço de Ludwig, então seus lábios se encontraram...

Notas finais
Eu estava checando meu word hoje e percebi que com esse capitulo a história já tem 100 páginas! É inacreditável que eu tenha escrito tanto... Obrigado por todo o estímulo que vocês tem me dado por todo esse tempo! Amo todos vocês