Notas iniciais
Um pouco atrasado mais veio, aeee o/ Como estão todos? Bem? Espero que sim... :3 Eu nunca sei o que colocar nesse espaço, então na maior parte do tempo eu apenas encho linguiça, como estou fazendo agora. :v

Naquela noite, talvez para compensar o calor, talvez por puro capricho dos céus, choveu pesado na cidade de Veneza.

O canal antes tão calmo agora transbordava água, e as ruas se tornaram verdadeiras lagoas pavimentadas. Os Venezianos já haviam se habituado às chuvas fortes que caiam com mais frequência do que o imaginado, e mesmo correndo o risco de voltar para a casa completamente ensopados, ainda sim saíam e tentavam passar os dias normalmente.

Mas no caso dos turistas, muitos se irritavam com as chuvas, e com as calças e pernas frequentemente molhadas... Mas por outro lado, nesses dias os barqueiros podiam navegar por toda Veneza, e era muito mais cômodo abandonar as gôndolas apenas quando se chega na porta de casa.

Todas as casas em Veneza tinham o pé direito alto, ou uma pequena escada que antecedia a porta de entrada, para evitar que a água invadisse as residências em dias como esse. Portanto os ambientes fechados permaneciam sempre quentes e aconchegantes.

Muitos estabelecimentos comerciais, para atrair clientes, ascendiam lareiras para que as pessoas pudessem aquecer seus pés e secar seus sapatos, não eram raros os casos de restaurantes que ofereciam toalhas quentes para seus clientes secarem as canelas.

Mesmo em épocas de enchente, Veneza não parava.

Mas é como de costume sempre tem alguém para reclamar, e esse alguém era Roderich Eldstein.

O austríaco por ter enjoo de barco, não via vantagem alguma de andar de gôndola para cima e para baixo, na verdade, se não fosse por Gilbert e Ludwig ele nunca teria vindo para a cidade... Não lhe parecia justo, Veneza era uma cidade tão bonita, mas ao mesmo tempo, porque tanta água?!

Ludwig também não gostava da enchente, pois o escritório pequeno parecia cada vez menor e mais abafado, isso sem falar no cheiro de mofo. E por causa da água, ele não sentia coragem de sair, pois não queria correr o risco de molhar o notebook e perder todo o seu trabalho.

Já fazia uma semana que ele não via Feliciano, e nesse meio tempo uma saudade cada vez maior se apoderava dele. O alemão queria muito vê-lo, mas não achava justo, pois tinha certeza de que assim que se encontrassem, o italiano perguntaria sobre o estado de suas memórias... E Ludwig não queria decepciona-lo.

Todos os dias desde que começara a enchente, Roderich não podendo sair de casa lhe contava pequenas histórias sobre o cotidiano no orfanato. Naquela época Roderich e Ludwig se viam poucas vezes, por tanto era praticamente impossível contar algo diretamente relacionado com o passado do alemão. Mas mesmo esse pequeno esforço já dava algum resultado, Ludwig tinha durante seus sonhos pequenos fleches de memória, mas ainda sim, nada relacionado a Feliciano ou ao passado dos dois.

E então, durante a noite de sexta feira, Ludwig teve um pesadelo.

XXX

Era um dia ensolarado na Áustria e as crianças do orfanato Eldstein se preparavam para “A Semana Cultural”, evento anual onde as crianças apresentavam diversos números artísticos.

O mais aguardado era o teatro, conduzido com maestria pela Srt. Poncot, uma dama alta de cabelos loiros e esvoaçantes, que encantava a todos pela sua beleza e por sua simpatia. A peça se resumia em uma história de amor entre cavaleiro da época do Sacro Império Romano Germânico e uma princesa de um reino vizinho.

Ludwig estava realmente nervoso com aquela apresentação, pois por pedido do diretor ele teria de fazer o papel do cavaleiro, sem dúvida o mais importante da peça e essa era a ultima coisa que ele pensava em ser. A princesa era uma garota do dormitório vizinho ao dele, se chamava Adell e quase todos no orfanato gostavam dela.

O alemão por outro lado, não gostava nem desgostava, permanecia neutro, pois há dias sentia seu coração bater mais forte toda vez que via Feliciano. O italiano por falta de atores do sexo feminino acabou ficando no papel de camponesa, a melhor amiga da princesa, e na opinião secreta de Ludwig, o vestido verde de seu figurino lhe caia muito bem.

Neste momento Ludwig havia acabado de entrar no camarim, e encontrara Feliciano ainda fechando o vestido, ou melhor, tentando, pois não conseguia fechar os botões das costas.

–Ah Ludwig, Ludwig! Me ajude! – Disse Feliciano indicando os botões faltantes

Ludwig respirou fundo e com muita calma abotoou-os respirando controladamente.

–Oh obrigado Ludwig! – Feliciano o abraçou e sorriu, o alemão ainda um tanto bobo e vermelho foi até seu figurino e começou a vesti-lo enquanto Feliciano saia do camarim.

Enquanto se vestia Ludwig não parava de pensar que dali a dois dias iria embora do orfanato e lhe cortava o coração partir sem avisar, mas iria doer ainda mais avisar o italiano de sua partida, o alemão simplesmente não conseguiria vê-lo chorar.

A peça foi um sucesso, todo o orfanato estava a platéia, até mesmo o diretor Eldstein e o agente Jonhson com a família (que vieram graças ao convite insistente de Gilbert). Ao fim todos aplaudiram a peça e em especial a performasse de Ludwig que segundo Gilbert “era a coisa mais incrível que ele já havia visto”

Nos bastidores após a peça, todos se abraçavam e comemoravam, até mesmo Ludwig estava empolgado e deixou ser abraçado por outros atores, mas nenhum dos abraços foi tão aconchegante quanto o de Feliciano que o abraçara e o sacudira freneticamente.

–Você foi muito bem Lud! Nem parecia você naquele palco!

O pequeno alemão ainda um tanto animado pela festa e pelo clima de comemoração se soltou dos braços de Feliciano e olhou nos olhos deste

“É agora ou nunca”

–Feli... será que você poderia... me encontrar no jardim em dez minutos?

Feliciano em principio não entendeu o pedido, mas concordou devido a seriedade do outro, e assim que o italiano balançou a cabeça positivamente, Ludwig saiu correndo ainda com o figurino.

Dados os dez minutos Feliciano saiu para o jardim e encontrou Ludwig de costas em um canteiro de margaridas. Os passos do italiano eram silenciosos, mas quando entrou no meio do jardim, o ruido das folhas estralando abaixo dos seus pês o denunciaram e Ludwig virou-se para o italiano com um buquet de margaridas.

Feliciano percebeu que o outro estava bastante vermelho e olhava constantemente para pontos aleatórios para evitar contato visual. O italiano aceitou as flores e ficou olhando para Ludwig ainda um tanto confuso.

–Ludwig, o que você...

–E-ee-eu...

–... Lud?

O alemão respirou fundo e encarou Feliciano com convicção

–F-faz dias que eu... sinto... – Suspiro – O meu coração... ele... bate mais forte quando você está perto... e... tem um negócio estranho no meu estômago toda vez que... você me abraça... O qu-que eu quero dizer... é... Eu gosto muito de você.

Feliciano continuou parado segurando o buquet sem dizer uma palavra, sua boca caíra e suas pernas tremiam, pois o italiano se sentia do mesmo jeito que o outro.

Percebendo o silêncio de Feliciano Ludwig se aproximou devagar e aos poucos, e com uma boa dose de nervosismo, o alemão beijou levemente Feliciano.

Quando se separaram, Feliciano estava corado. Era a primeira vez que Ludwig o via assim, então olhou nos olhos do outro e disse com firmeza.

–Prometa... Prometa que não vai me esquecer.

Feliciano retribuiu o olhar olhando bem fundo dentro daqueles orbes azuis

–Eu prometo. Eu nunca vou te esquecer.

E então tudo girou, Ludwig viu um carro, viu tiros, sangue, viu o orfanato Eldstein, um Gilbert muito jovem sentado ao seu lado em um banco de carro, viu o diretor, viu Feliciano, Roderich, Gilbert e mais uma porção de rostos que por algum motivo lhe eram conhecidos, e então viu um carro colidir com o seu, viu uma pista molhada, uma noite chuvosa, um hospital, um doutor...

E em sua mente tudo se encaixou

XXX

Ludwig acordou suado e agitado na cama

“Ai meu Deus, eu me lembro!”

O relógio na mesa de cabeceira marcava cinco da manhã, e pela janela era possível perceber que ainda estava escuro e chovia. Ludwig não podia se levantar, não podia correr meia cidade até a casa de Feliciano, não podia abraça-lo e beija-lo, mas dentro de seu coração ele sentia uma força sobre humana, um coisa quente que ele sabia que se não se levantasse naquele momento, o consumiria por completo.

Sem pensar muito, Ludwig que no momento vestia uma bermuda fina e regata, correu até o armário e puxou a primeira calça que encontrou, a colocando imediatamente e em seguida o tenis. Logo em seguida puxou um casaco, que apesar de não estar frio só serviria para protege-lo da chuva, e mesmo sabendo que não adiantava muito, resolveu levar um guarda-chuva e saiu para a rua.

XXX

Gilbert acordou com o barulho da tranca da porta sendo virada, e viu seu irmão no meio da penumbra, vestido improvisadamente para encarar a madrugada e o mal tempo.

O albino deu uma olhada de esguelha para o relógio. Cinco e quinze...

Alguma coisa acontecera de muito importante para ele sair assim... Muito importante...

Mas quando estava prestes a se levantar e ir atrás do irmão, Roderich inconsciente em seu sono passou um dos braços pelos ombros do outro os aproximando...

Bom, isso podia ser deixado para o dia seguinte...

XXX

Ludwig apesar se movia com dificuldade pelas ruas, a água da enchente lhe batia na metade da batata da perna... Mas mesmo com as calças semi encharcadas o alemão seguia sua meta.

“Eu preciso ver Feliciano”

O guarda chuva lhe era completamente inútil visto que por causa do vento a chuva mudava de direção a todo momento, e de uma forma ou de outra sempre encontrava um jeito de molha-lo.

Com o passar do tempo, Ludwig começou a perceber que o volume d’agua aumentava novamente, agora ela lhe batia nos joelhos, e a locomoção era ainda mais difícil. O alemão bem sabia, ele tinha que encontrar a casa de Feliciano antes que a água lhe atingisse as coxas, caso contrário seus esforços seriam perdidos...

Por sorte ou não depois de mais alguns minutos de caminhada/natação Ludwig conseguiu localizar a pequena casa dos Vargas, mas não tinha a mínima noção de como fazer para entrar, talvez devesse bater palmas? Não, com o barulho da chuva elas seriam completamente abafadas. Ou talvez pudesse gritar? Mas não.. acordaria a vizinhança inteira antes de acordar o italiano, Ludwig bem o sabia, Feliciano não dormia, hibernava.

Então o loiro percebeu um pequeno detalhe, ao encostar no portão o alemão percebeu que ele se abrira, ou seja, que ele havia sido deixado destrancado de propósito...

“Quanto descuido!”

Ludwig empurrou o portão e o abriu o suficiente para que ele pudesse entrar, mas só quando se virou para fecha-lo percebeu que a corrente que o segurava, por estar demasiado velha e enferrujada se rompera...

“Bom, então não é culpa dele no fim...”

O alemão continuou sua caminhada e subiu pela escada lateral da casa, por ser mais próxima e deixar suas pernas fora d’agua. Assim que chegou no topo, bateu na porta.

XXX

Feliciano dormia tranquilamente em seu quarto mesmo com aquela chuva terrível.

Mesmo com o calor, o italiano se enrolara nos cobertores e entre sua respiração pausada, se mais alguém entrasse no quarto, poderia ouvir sutis “Vee~~”, ressoando como pequenos roncos.

Porém naquela madrugada Feliciano fora acordado com batidas fortes na porta de fora de seu quarto, justo na porta da escadaria. Enquanto ainda permanecia semi-sonolento, o italiano pensou que fosse seu irmão chegando mais cedo de Roma, que por causa da chuva devia ter vindo mais cedo na tentativa vã de evita-la.

Por isso Feliciano tratou logo de encontrar algum short para tampar sua nudez e abriu a porta ainda coçando os olhos

–Fratello, ainda são... – Seus olhos se arregalaram de surpresa ao perceber que quem estava na porta não era sue irmão mas sim Ludwig, completamente ensopado, um o cenho franzido, o lábio crispado e completamente vermelho.

–Eu me lembrei... – Disse Ludwig entre baforadas para tentar puxar mais ar para seus pulmões – De tudo! Eu me lembrei...

Feliciano não se importava se Ludwig parecia uma assombração, não se importava se ele estava molhado, sujo e ofegante... Se o vento da chuva lá fora esfriava a casa, se o volume das águas subia cada vez mais, o italiano apenas se jogou nos braços de Ludwig e o beijou com todas as suas forças.

Notas finais
Os reviews logo serão respondidos, kisses ;>