Arret - A Ordem dos Templários

3 Capitulo II - O Labirinto do Desespero


Capítulo II
“O Labirinto do Desespero”

No labirinto, o time três corria sem planejamentos, ao fim de cada corredor escolhiam um lado e seguiam.

— Temos que achar o pergaminho primeiro e depois nos concentrarmos em achar a saída — Diz Irelia.
— E se nós encontrarmos um pergaminho de número errado? Como iremos achar o outro? — Pergunta Iris ofegante.
— Acredito que esta seja a intenção do Sr. Hindra. Times encontrando pergaminhos aleatórios e se cruzando em um labirinto fechado. O que acha que aconteceria? — Alissa responde sarcasticamente.
— Por isso derrotarei todos que cruzarem nosso caminho. Treinei por muito tempo esperando este dia meninas, não se preocupem, não perderemos! — Responde Bartolomeu com uma cara estranha de quem sonhava acordado.

O labirinto era simples, um longo corredor empoeirado, cercado por paredes enormes de tijolos amarelos e com diversas entradas e saídas nas laterais. A cada passo, uma nuvem de poeira era deixada para trás, limitando a visão dos candidatos. Depois de correrem por muito tempo sem resultado algum, Iris toma a frente de todos sugerindo algo.

— Tenho a impressão de que estamos perdidos. Vou fazer marcas por onde passarmos, só assim saberemos se estamos andando em círculos. — Ela marca a parede com uma pedra.
Eles param de correr e tentam seguir o caminho com mais atenção. Ao final de cada longo corredor, optavam para qual lado seguiriam, até se depararem com a marcação que Iris avia feito minutos atrás.

— Eu sabia! Estamos andando em círculos. — Aponta Iris.
— Não faz sentido, estamos fazendo marcas no início e no fim de cada corredor. O início deste deveria estar riscado. — Indaga Alissa. — Precisamos mudar de tática. Me de a pedra.

Com a Pedra pontiaguda em punhos, Alissa estica seu braço esquerdo, riscando a parede interruptamente, deixando um risco longo e fundo que marcava todo o corredor.
A cada curva a parede continuava sendo riscada sem remover a pedra. E ainda assim, alguns minutos depois, eles encontram o mesmo risco ao lado direito da parede.

— Impossível. Não fizemos curvas para a direita e Alissa não parou de riscar a parede nem um minuto. — Exclama Lucian.
— Mesmo andando em círculos os traços se encontrariam. É impossível estar riscada do lado oposto. — Irelia concorda.
— Fiquem aqui! Vou voltar até o início do traço e grito para avisar. — Bartolomeu dispara até o local.
— Pela lógica ele deverá aparecer ali! — Iris aponta o traço.
— Eu cheguei! — A voz e Bartolomeu é ouvida muito distante, cheia de ecos em seus intervalos.

Ao perceberem que o risco do lado direito da parede não era o que Alissa iniciou tempos atrás, o time corre tentando encontrar Bartolomeu novamente. Quando chegam ao início do traço, ele não estava lá.

— Bartolomeu! — Grita Lucian chamando-o.
— Cadê vocês? — A voz era ouvida no fim do corredor. Assustados, todos correm em direção ao som para encontrá-lo rapidamente, mas Lucian toma a frente de todos, vira-se para o time e abre os braços impedindo a passagem.

— Está louco Lucian! Temos que encontrá-lo. Bartolomeu está em risco. — Briga Iris, irritada com a atitude.
— Escutem estes barulhos... — Diz Lucian encostado em uma parede. Enquanto Irelia o fitava com os olhos.
Eles escutam um barulho estranho, como se as paredes estivessem sendo arrastadas. Quando olham ao fim do corredor, notam que o caminho está um pouco mudado e que existe um espaço vago entre os traços que Alissa riscou.
Todos se olham sem entender o que aconteceu, de repente, uma parede se desloca na frente deles fechando o caminho. Assustados eles voltam pelo mesmo caminho.

— Eu disse que tinha alguma coisa errada. O labirinto muda! — Diz Lucian impressionado.
— Isso só piora a situação! — Reclama Iris.
— Esperem, vamos pensar um pouco! — Responde Alissa tentando manter a calma. — Isto é muito estranho. Deve haver algum padrão ou alguma pista de como estas paredes se mexem. Vamos parar de correr, meu coração esta quase saindo pela boca. — Ela pede, enquanto procurava algo nas paredes.

Todos param de correr, havia muito sentido no que Alissa disse, e caso encontrassem outro time naquele estado, todos estariam sem fôlego para uma eventual batalha. Eles procuram por fissuras na parede, ou alguma pista de onde ela poderia se mover.

— Vamos nos afastar para cobrirmos uma área maior. — Sugere Irelia, e eles se afastam, ficam com uma área de mais ou menos dois metros para cada um.
— Procurem um bloco mais elevado, algum pedaço de cor diferente, ou solto, coisas desse tipo. — Acrescenta Iris.

Percebendo que o grupo não chegava até ele, Bartolomeu fica desesperado e pede ajuda, até que uma parede se desloca á frente dele, deixando-o trancado em um cômodo fechado.

— SOCORRO, VOCÊS AINDA PODEM ME OUVIR?! — Grita Bartolomeu totalmente em pânico.
— Sim Bart. Eu estou te ouvindo! — Respondeu Iris do outro lado da parede.
— Estou em um lugar fechado! Uma parede se ergueu na minha frente! Estou sem ar, me ajudem! — Gritava Bartolomeu.
— Ele pode estar em perigo. — Diz Irelia preocupada.
— Não, ele só é claustrofóbico. — Zomba Lucian, sem desespero ou medo algum, segurando o riso.
— O que você fez pra conseguir levantar a parede? — Alissa se deixa levar e acaba escapando um leve riso.
— Não fiz nada, só comecei a procurar rápido por alguma pista, porque eu quero acabar este teste logo. E eu não sei qual é a graça! — Reclama Bartolomeu indignado.
— Desculpa... Mas seu grito foi muito... — Iris cai na gargalhada sem terminar a frase. Lucian, Alissa e Irelia também riem, o susto que Bartolomeu levou foi exagerado e engraçado. Ele escuta o riso de todos do outro lado da parede e fica bravo, senta no chão e decide não ajudar mais.
— Não procurarei mais nada! Vocês ficam rindo do meu desespero e eu aqui tentando sair dessa parede.
— Não é isso – Responde Iris rindo ainda mais.
— Está bem “Senhor Claustrofóbico”, vamos dar um jeito nisso, mas não sabemos como. — Responde Lucian zombando um pouco, mas tentando ajudar.
— Agora é serio. Vamos pensar. — Irelia para de rir.

Todos se sentam no chão, para descansar os pulmões e pensar em como a parede poderia ter se movido. Até que Lucian escuta novamente o barulho das paredes e quando todos iam se levantar... — Calma, continuem sentados. — Ele pede.
A parede que separava Bartolomeu abaixa, juntando ele ao grupo novamente e um corredor começa a se formar na frente deles, mostrando uma área aberta ao fim.

— Vamos rápido, acho que é a saída! — Grita Lucian.

Eles se levantam e começam a correr em direção ao fim do corredor e o labirinto muda novamente, fechando a passagem que acabava de se formar.

— Droga! Não entendi nada. Como vamos achar a saída se ela fica mudando de lugar. — Critica Lucian.
— Espera aí Lucian. Fiquem todos parados e calmos, acho que já entendi. — Pediu Alissa.
— Entendeu o que? — Pergunta Bartolomeu.
— Acho que ela tem razão. — Iris concorda com Alissa. Todos ficam parados e o mesmo corredor se forma novamente, mostrando a clareira ao fundo.
— Você tem toda razão Alissa, agora eu também entendi. Se nós corrermos o corredor se fecha. Temos que estar calmos, assim o próprio labirinto nos mostra o caminho. — Explica Irelia.
— Exatamente, por isso se chama Labirinto do Desespero. Aqueles que ficarem com medo, angústia ou outros sentimentos ligados ao desespero aqui dentro, jamais conseguem encontrar a saída. — Iris explicando como o labirinto funciona.
— Ouviu isso Bart? Você ia morrer. — Diz Lucian com um sorriso de orelha á orelha.
— Para de ser idiota! Eu só fiquei preocupado com vocês. — Responde Bartolomeu envergonhado e um pouco bravo e o labirinto reage novamente, ameaçando a mudar o caminho.
— Vocês dois, parem! O labirinto reage á emoções. — Alissa chama a atenção deles.
— Desculpa. — Responde Lucian sorrindo.
— Esse Lucian! — Bartolomeu acha graça, mas não ri.
— E se este for o fim do labirinto? Iremos chegar lá sem um pergaminho? — Pergunta Irelia.
— Se isso acontecer, voltaremos até acha-lo. Pelo menos já sabemos como sair depois. — Iris responde.
— É isso mesmo. Vamos lá pessoal. — Encoraja Alissa.

Eles avançam até a clareira no final do corredor. Desta vez, paredes gigantes são formadas nos cantos, no entanto, o céu estava á vista e o chão empoeirado dava lugar á um gramado verde que se estendia por uma vasta área. O corredor que vieram se fecha, e reparando mais no local formado pelo labirinto, eles encontram candidatos desmaiados, jogados um em cima do outro enquanto um time observava tudo. O líder deles tinha dois pergaminhos em mãos.
Era um grupo de cinco homens, dois magros e de cabelos longos, com um olhar fundo e uma olheira enorme. Outro era um negro muito alto, quase da mesma altura que o Paladino Hindra, porém magro. O quarto deles tinha cabelos castanhos e de boa aparência, e o que segurava os pergaminhos era de estatura baixa, do tamanho de Lucian, porém, com dentes pontiagudos e com trajes estranhos. Todos aparentavam ser mais velhos que o time de Alissa.

— Olha só... Finalmente mais alguém descobriu o segredo do labirinto. — Disse o mais alto, com um sorriso sarcástico.
— Eu sou Cariôn, estes são os gêmeos Garth e Gremm, e o grandão aqui é Jíon. Somos todos do vilarejo de Undra. O outro carinha aqui não importa, ele é só pra completar o time. — Diz o homem de dentes pontiagudos.
— O que querem aqui? — Pergunta um dos gêmeos.
— O mesmo que qualquer um de vocês. Pegar o pergaminho e ir até o fim deste labirinto. — Diz Lucian, com a guarda alta, preparado para algum ataque.
— Sem chance... Qual o número do time de vocês? — Pergunta Cariôn.
— Time número três. — Responde Alissa muito tensa.
— Que pena, nos só temos o pergaminho de número sete e o pergaminho de número cinco, que é o nosso.
— Droga! Então sem problemas, seguiremos o caminho até encontrarmos o nosso. — Interrompe Irelia.
— Acha que é fácil assim coisinha linda? Você decide que vai seguir e tudo bem? Olha só para aquela parede. — Cariôn aponta á uma das paredes. Na parede existia uma espécie de encaixe, do tamanho exato de um pergaminho.
— Para sair daqui é necessário ter pelo menos um pergaminho, e nós possuímos dois. Mas nós podemos negociá-lo. — Cariôn diz isto mordendo os lábios e olhando para Iris.
— A loirinha é nossa Cariôn. Você pode dividir as outras duas. — Diz um dos gêmeos, acenando para o restante de seu time, insinuando algo.

Cariôn se aproxima de Iris, pega em seu cabelo e cheira.

— Tire sua mão podre de mim. — Iris o empurra e acerta um tapa em seu rosto. Todos ficam em posição de batalha imediatamente se encarando. Qualquer movimento brusco e uma batalha começará. Cariôn ri do tapa que levou, acaricia o próprio rosto e avança em direção a Iris esticando sua mão.
Neste momento Bartolomeu pega a mão de Cariôn e torce para trás fazendo ele retorcer todo o corpo com a dor.

— Se você por a mão nela de novo... EU VOU ARRANCAR SUA CABEÇA! — Grita Bartolomeu jogando Cariôn para trás. Os gêmeos avançam para cima de Bartolomeu. Lucian ataca um deles com um soco no rosto. E Irelia toma a frente de Iris e Alissa.
— Esperem meninas, não era para chegar neste ponto.

Bartolomeu esquiva facilmente do chute do segundo gêmeo, segurando ele pelo rosto e jogando sua cabeça contra o chão. O Gêmeo desmaia na hora e é jogado novamente em direção ao seu time. Depois de arremessá-lo, Bartolomeu olha para as meninas e diz:

— Irelia, Iris e Alissa, me desculpem, eu coloquei a gente nisso e eu vou tirar. Vencerei esta luta e voltaremos a procurar nosso pergaminho. Eu garanto que iremos passar neste teste de qualquer maneira.

Enquanto isso Lucian e o gêmeo Garth, continuam lutando. O gêmeo é muito veloz, acerta vários socos, porém, ele não é forte e Lucian defende sem reagir aos impactos.

— Vocês querem se tornar Templários com essa atitude? Querendo se aproveitar de garotas? Acham que tem honra o suficiente para lutar em nome de Deus? — Diz Lucian nervoso enquanto é atacado por Garth.
Garth não responde e acerta outro soco em Lucian que cai desta vez. Ele se levanta e quando Garth tenta outro soco ele desvia, mas é acertado na barriga com um chute em seguida.
Bartolomeu fica em posição de batalha, estica a mão aos outros três que estão em sua frente e movimentando os dedos como se estivesse os chamando para a briga diz:

— Vamos lá vocês três, acabaremos logo com isso. Vocês nem merecem se tornar Templários. Homens sem honra!
— Honra? — Cariôn ri. — Eu só quero aprender as habilidades de batalha dos templários, não me importo com seu Deus ou com o que vocês consideram “Honra”. Nós de Undra já temos nosso próprio Deus, nossas próprias crenças, obedecemos a um Deus VIVO e não a esta ilusão que vocês criaram. Agora vamos acabar com ele Jíon! — Diz Cariôn avançando contra Bartolomeu.
— Vou te esmagar moleque! — Grita Jíon.

Os dois partem para cima de Bartolomeu com uma metralhadora de golpes, mas Bartolomeu é ágil e esquiva de todos, até que Jíon o segura pelo braço direito e Cariôn com seus dentes pontiagudos morde o ombro do outro lado.
Bartolomeu consegue se soltar e mesmo com a mordida, acerta um chute em Cariôn, logo em seguida é socado por Jíon e arremessado para trás com a força do impacto.

— BARTOLOMEU! — Grita Iris assustada com o sangue que vê saindo dos braços dele.
— Chega! Eu vou ajudar! — Alissa da um passo á frente indo em direção á batalha.
Alissa e Iris atacam o grande Jíon. Apesar de toda força que tinha, o ataque o pega de surpresa e o derruba no chão.
Bartolomeu se levanta, coloca a mão em cima da mordida e olha para a palma de sua mão ensanguentada. Fechando os punhos, ele vira-se para Cariôn com um sorriso no rosto. — Agora o bicho vai pegar. — Ele diz avançando para luta.
Ele corre em direção a Cariôn jogando-o para trás, depois o acerta novamente com um soco no estômago. O impacto foi tão forte, que Cariôn cai de joelhos e começa a ter enjoos, quase vomitando.
Bartolomeu levanta seus punhos acima da cabeça, entrelaça os dedos de suas mãos e acerta Cariôn na cabeça.
Com o impacto, ele bate no chão e desmaia. Ao virar para trás, Bartolomeu vê que Iris e Alissa Estavam vencendo a luta contra Jíon. Elas o derrubaram e imobilizaram no chão, mas ele se levanta jogando Iris para trás e avançava muito rápido na direção de Bartolomeu para atacá-lo, então ele esquiva para o lado e o segura pelo pescoço.

— Jamais serão templários! — Bartolomeu diz isso apertando ainda mais o pescoço.
— So... Cor... Ro... — Diz Jíon de joelhos quase sem fôlego, esticando a mão ao quarto membro de sua equipe.

Alissa acerta um chute tão forte na cabeça de Jíon, que o faz cair desmaiado no chão. Iris se levanta e prepara a guarda para lutar com o próximo membro da equipe.
— Você vai ser o próximo? — Pergunta Bartolomeu muito irritado.
— Não... Eu já não concordava com as atitudes deles desde o começo. — Diz o quarto membro jogando os dois pergaminhos deixados por Cariôn.
— Conseguimos. — Bartolomeu pega os pergaminhos, e sorrindo, agradece as meninas que o ajudaram. Era assustador, mas seu semblante mudou inacreditavelmente e Bartolomeu voltou a ter aquela cara de garoto bobo outra vez.

Enquanto isso Lucian continuava sendo socado por Garth. Ao olhar para o lado e ver que Bartolomeu tinha pegado os pergaminhos, Lucian vira-se para o gêmeo e defende o soco, agarrando-o pela mão, esmagando os dedos.

— Chega de brincadeira, meu amigo já pegou os pergaminhos. — Diz Lucian com um sorriso sínico.
— Desgraçado, você conseguia desviar desde o começo! — Grita Garth espantado.
Lucian lança Garth com muita força contra a parede e segue em direção ao seu time. — Como faremos agora? Nenhum pergaminho é o nosso. — Diz Lucian batendo as mãos para limpá-las.

Irelia observava tudo boquiaberta, aqueles quatro lutavam muito bem. As aparências tranquilas e calmas escondiam dias de treinamento e uma determinação absurda para serem aprovados nos testes.
O time três se reúne novamente, eles pegam os pergaminhos e avançam até o muro que continha o encaixe, quando escutam o membro do outro time chamá-los.

— Boa sorte á vocês! Espero que sejam aprovados, precisamos de pessoas assim para defender o nome dos Templários. — Diz o rapaz.
— É uma pena você ter ficado em um time destes, parece ser um cara legal. — Diz Alissa para o rapaz.
— Este muro não é o fim. Ainda há outra clareira por trás dele, mas aqueles idiotas queriam ficar para tomarem mais pergaminhos. — Explica o rapaz.
— Por isso aqueles candidatos estão desmaiados. — Bartolomeu aponta aos rapazes jogados na entrada.
— Devemos ajudá-los. — Diz Alissa.
— Não. Vocês venceram a luta, devem ficar com os dois pergaminhos. Eu acredito que mesmo depois de acordarem, eles não conseguirão seguir no teste. Ficarei aqui para ajudar todos. Por favor, sigam o teste. — Pede o Rapaz novamente.
— Ele tem razão Alissa. Se o outro time perdeu a luta, não podemos ajudá-los. — Explica Lucian.
— Obrigado por tudo. — Bartolomeu agradece.

As garotas também se despedem do rapaz com um pouco de dó, afinal ele seria eliminado por culpa de um time podre e não poderia fazer nada para mudar isso.
O time para em frente á parede com os pergaminhos em mãos e encaixam um deles no espaço que existia. A parede solta o pergaminho novamente e se divide, mostrando mais um corredor á frente. Eles seguem, desta vez, muito mais confiantes e com dois pergaminhos em mãos.
Chegam a mais uma área parecida com a anterior, uma espécie de arena, cercada por quatro paredes enormes, porém, desta vez eles já sabem o que deve ser feito. Ir até a parede que contém os espaços. No entanto, a parede continha dois encaixes e uma escrita dizendo “FINIS” acima deles.

— FINIS? O que significa? — Pergunta Bartolomeu.
— Final, término... Em latim. Parece que chegamos á última parede. — Responde Irelia.
— Então não podemos encaixar os pergaminhos. Se for realmente o fim, sairemos do labirinto sem o pergaminho de número três? — Questiona Alissa.
— Mas agora não podemos voltar. A parede se fechou. — Explica Iris.
— Verdade. Ficamos travados na arena. — Diz Lucian sentando no chão.

Neste momento Bartolomeu cai de joelhos e se levanta um pouco trêmulo. Lucian rapidamente o apoia nos ombros ajudando-o a ficar em pé.

— Bartolomeu, o que foi? — Pergunta Iris assustada.
— Eu não sei, estou com muita tontura. — Responde.
— Ele perdeu sangue naquela luta, precisamos descansar. — Dizia Iris preocupada. Ela rasga a manga de sua roupa e pede um pouco de água para Alissa. Rapidamente começa a limpar o ferimento causado pela mordida de Cariôn e amarra a manga retirada de sua roupa para estancar o sangramento.
Uma parede se abre ao lado esquerdo formando novamente um corredor e um time sai de lá em direção á eles.
A arena novamente tinha dois times frente á frente e Bartolomeu ardia em febre. Não poderia lutar desta vez. Alissa toma a frente do grupo e levanta sua guarda, ao seu lado Iris faz o mesmo, enquanto Irelia assume os cuidados de Bartolomeu.

— Lucian, ajude a Irelia a cuidar do Bartolomeu, desta vez eu é que vou defender o time. — Diz Alissa.
— Nós defenderemos... Não posso ficar olhando enquanto todos lutam por mim. — Iris assume a frente junto de Alissa.
— Isso facilita as coisas. — Responde uma mulher, membro do time adversário. Era uma mulher alta e musculosa com o rosto muito parecido com o de um homem.
— Ross, vamos negociar primeiro. — Retruca um garoto do time adversário.
— Acha que não estrago estas suas caras bonitinhas de garotinhas mimadas. — Ross insiste em provocá-las.
— Vamos ver se você consegue. — Iris caminha em direção a Ross com o olhar fixo em seus olhos.
— Rafael? — Todos escutam a voz de Bartolomeu.
— Bartolomeu? — Responde o garoto que falou com Ross.
— Verdade, conversávamos ontem no alojamento. — Concorda Lucian mais aliviado.
— Então vocês ficaram no mesmo time. Eu já imaginava. — Rafael ignorando a discussão que acontecia.

Os dois garotos se cumprimentam amistosamente e o restante dos dois grupos fica sem entender o que acontecia.

— Gente, esse aqui é o Lucian que eu comentei. O garoto do orfanato. Olha só Lucian, o outro Rafael é do meu time também, ficamos muito amigos. A grandona aqui é a Ross, e os outros dois são Alec e a Marisa. — Diz Rafael apresentando Lucian ao seu time.
— Ainda bem que reconheceu ele Bart! Esta que está ajudando o Bart é a Irelia, a loirinha é a Iris e esta é nossa líder Alissa. — Diz Lucian apresentando Rafael ao seu time também.

Bartolomeu ri um pouco e cumprimenta Rafael. Os dois times baixam a guarda, mas Ross continua provocando Iris.

— Teve sorte garotinha, se eu fosse a líder aqui, você estaria acabada.
— O teste é longo, nos encontraremos novamente. — Iris retruca.
— Bom, os meninos se conhecem, poderíamos evitar uma batalha aqui não é. — Indaga Irelia.
— Ah sim, por falar nisso. Rafael vocês conseguiram algum pergaminho? — Pergunta Lucian.
— Sim, mas não vai nos ajudar em nada, demoramos muito para descobrir o segredo do labirinto e acabamos encontrando um pergaminho de número errado. E porque o Bartolomeu está assim? — Pergunta Rafael.
— Por causa da luta anterior. — Retruca Lucian.
— Luta? Vocês tiveram que lutar para chegar aqui? — Pergunta Rafael.
— Sim. Vocês não? — Responde Alissa participando da conversa.
— Não. Estávamos correndo e achamos o pergaminho no chão, continuamos correndo até descobrir sem querer que o segredo era não correr e saímos aqui.
— Entendi, então não existe padrão. — Diz Iris.
— Que mal eu lhe pergunte, qual o pergaminho de vocês? — Pergunta Irelia.
— Precisamos do pergaminho número cinco, mas achamos o de número três. — Rafael.
— O de numero três é o nosso. Você está com ele aí?! — Diz Lucian animado.
— Sim, mais aí eu te entrego e fico no prejuízo? Até parece Lucian. — Rafael esnoba.
— Temos o de numero cinco com a gente, poderíamos trocar, assim cada um terá o pergaminho correto.

Os times trocam seus pergaminhos, Rafael consegue o pergaminho número cinco e Alissa possui os de número três e número sete. Os dez candidatos vão em direção ao encaixe do muro, porém, outra discussão começa porque somente o time de Alissa tem dois pergaminhos. E caso passem pelo muro o time cinco ficaria para trás.

— Nós já lutamos por isso, não foi fácil para conseguir o segundo pergaminho olhem só o estado do Bartolomeu. — Diz Iris irritada.
— Então é muito fácil, defendam ele se puder. — Ross estala os dedos.
— Eu tenho uma ideia. — Diz Irelia entrando na frente das duas.
— A parede tem dois espaços, podemos cada um colocar seu pergaminho ali e todos seguimos pelo corredor que formar. — Explica.
— E se for proibido? Seremos todos reprovados. — Questiona Rafael.
— O Senhor Hindra disse que a regra era chegar ao final antes do por do sol, não acho que seja proibido. Ele mesmo disse que não tinha nenhuma outra regra. — Retruca Lucian.

Depois de Lucian falar isso sobre o por do sol, todos olharam para o céu imediatamente. O sol já havia perdido todo seu calor, estava abaixando, mais alguns minutos e não conseguiriam terminar o teste antes do prazo.

— Olhem só para o sol. — Diz Irelia desesperada.
— Certo. Faremos isso. — Concorda Rafael.

Os lideres Rafael e Alissa ficam de frente ao paredão, encaixam seus pergaminhos e o muro começa a se dividir. Desta vez não foi formado nenhum corredor, nem a parede desceu. Os blocos foram tomando forma de uma porta muito grande até que param de se mover.
Os dois empurram a porta e veem Hindra do outro lado, em uma área gramada sentado em um banco com as carroças que os trouxeram até ali, todas posicionadas atrás dele.

— Muito bem, mais times que recorreram á diplomacia. Dirijam-se ás suas carroças, o primeiro teste acabou para vocês. Meus Parabéns! — Diz o Paladino batendo palmas.
— Leve estes até a sede da Ordem novamente. — O Paladino avisa o ao carroceiro.

Todos entram em suas carroças aliviados, ouvir aquelas palavras era ótimo, haviam mais testes, mas o primeiro já estava completo. Alguns dos candidatos ajoelham e caem no choro, outros se abraçam, mas todos comemoram muito. O primeiro passo em direção á Ordem dos Templários foi dado.
As carroças seguem á sede da Ordem. Chegando lá o jantar estava servido aos candidatos e durante o jantar o Hindra entra no refeitório dizendo:

— Chegamos ao final do primeiro teste. Três times não conseguiram terminar a prova. Isso mostra que vocês são muito diplomáticos e estrategistas. A maioria, quando cruzou com um time adversário preferiu negociar os pergaminhos e terminarem o teste juntos do que tomar o pergaminho deles. Amanha vocês serão acompanhados por outro avaliador, então, eu vim me despedir de vocês. Mais uma vez Parabéns.

Os candidatos aplaudem a fala do Paladino em forma de gratidão e depois de jantarem seguem aos seus alojamentos. Bartolomeu deita-se na cama e desmaia de sono. Lucian fica olhando as estrelas, ainda mais animado. Irelia, Iris e Alissa sentam-se e começam a conversar no alojamento feminino.

— Vocês me impressionaram naquela luta. Não imaginei que estavam naquele nível. — Diz Irelia.
— Eu sabia que uma luta poderia acontecer, mas não queria que fosse daquele jeito. — Responde Alissa.
— Fizemos o que devia ser feito Alissa. Será impossível chegar ao fim do teste sem lutar. — Iris consola a amiga.
— E porque você sempre evita lutar Irelia?
— Fiquei com medo e travei. — Responde Irelia magoada.
— Sabe o que é estranho para mim? Tive a sensação de ter vivido aquilo antes... — Explica Alissa.
— Que momento para ter um dejá-vu. — Zomba Irelia. As garotas continuam conversando, enquanto no outro quarto os garotos zombavam.

— Eu tomei um susto quando a grandona foi pra cima da Iris. “Eu vou Acabar com você mimadinha” — Diz Rafael imitando exageradamente os gestos de Ross e rindo.
— Amanha será melhor. Boa sorte á todos. — Lucian ria.
— Eu jamais imaginei que seria este tipo de teste. Estratégia... Mas também avaliava a Diplomacia.
— Vocês deveriam deixar de pensar que são amigos. Nem todos os testes nos darão a oportunidade de conversar. Quando uma luta for inevitável... — Dizia um dos candidatos.
— Quando a luta for inevitável, lutarei. — Interrompe Lucian rispidamente com um ar ofensivo.
— Sim... E será um prazer eliminar o Ladrão!
— Ou derrotado por ele! — Lucian se levanta encarado-o.
— Chega de discussões. Guardem toda essa energia para os testes amanha pessoal. — Rafael acalma os dois.

Lucian não admitia ser provocado pelos nobres que faziam o teste, mas sua luta para mostrar que ele e Bartolomeu tinham chances iguais aos nobres, estava apenas começando.