Arret - A Ordem dos Templários

4 Capitulo III - Combate


"Combate"

Pela manhã, todos os candidatos estavam no pátio aguardando ordens para o novo teste. O Senhor Arthur Salazar, vice-presidente da Ordem dos Templários aparece e começa falar com todos.

— Todos vocês agrupem-se em minha frente. — Ele grita com uma voz firme.

Arthur Salazar era um homem branco de cabelos castanhos penteados para trás. Parecia arrogante e tinha uma postura firme, sempre parecia ver tudo o que acontecia a sua volta. Sua armadura era linda, prateada com detalhes verdes que combinavam muito com um pingente que ele carregava pendurado no pescoço.
Os candidatos agrupam-se em torno dele e admirados com a presença do vice-presidente, aguardam as instruções.

— No teste passado, nós avaliamos algumas coisas que desejávamos saber sobre vocês. Como reagem a determinadas situações, quem consegue liderar melhor, inteligência... Enfim, já temos uma boa noção de quem são. Agora designamos alguns de nossos capitães para avaliarem vocês individualmente e para ensinar um pouco sobre a Ordem. Encontrem-se com a Capitã Gina na sala de reuniões. Ela os ensinará algumas coisas. — Diz Arthur com uma curiosa mania de acariciar o pingente. Ele vira as costas e retira-se, sem mais explicações.
Os candidatos vão para a sala de reuniões. Chegando lá encontram a Capitã Gina na ponta de uma mesa grande, semelhante á uma mesa de banquetes. Retangular, com uma cadeira em cada ponta e nove nas laterais. Rústica, porém bonita. Os candidatos se acomodam nas laterais, alguns ficam em pé e deixam as cadeiras das pontas da mesa vazias. A Capitã fica em uma delas e Bartolomeu senta-se na outra.
Os outros candidatos começam a olhar pra ele e rir, até que ele se irrita e levanta.

— O que foi? O que fiz? — Ficando em pé ao lado de Iris.
— Pra quem ainda não conhece, este é Bartolomeu Prattes... Vocês se acostumarão. — Diz Gina rindo e estendendo a mão em direção á ele. Todos começam a rir e ela inicia as explicações:

— Muito bom dia á todos vocês, eu já conheço alguns aqui, mas pra quem não me conheceu no primeiro teste... Eu sou Gina Laaz, uma das Capitãs da divisão dois. Sirvo na divisão á comando da senhora Shizuru Aiko e é sobre isso que falaremos.
— Falaremos sobre a divisão dois? — Pergunta Bartolomeu.
— Não... Falaremos sobre as divisões, patentes, hierarquia, história da ordem e outras coisas que precisam saber.
— Já estamos em outro teste? — Pergunta Iris.
— Explicarei isso também.
— Que tipo de teste será? — Pergunta outro candidato.
— Faremos assim... Eu explicarei, e conforme dúvidas surgirem vocês perguntam.
— Combinado... Certo... Feito. — Respondem os candidatos desordenadamente.
— O teste aplicado em vocês até aqui, serviu para avaliar a habilidade que vocês já possuíam. Daqui em diante é como se fosse uma segunda fase, onde avaliaremos o potencial de cada um de vocês. — Explica Gina gesticulando muito.
— Sim... — Todos respondem.
— Alguém sabe como surgiu a Ordem dos Templários? — Gina pergunta novamente.
— É uma organização que protege os necessitados e luta sempre em nome de Deus. — Responde Ananda.
— Sim, mas para saber sobre a “Ordem” temos que ir um pouco mais a fundo, falando também sobre a cidade. Gladium é fruto de uma das primeiras civilizações que apareceram depois da Guerra Celestial, no meio dela existe um monumento em homenagem á Espada Flamejante, que foi a espada usada por Arcanjo Miguel na batalha para aprisionar Lúcifer. Vários sacerdotes se uniam em torno desta espada para orar á Deus. Entre eles estava Izel Vancart... — Gina segue uma longa explicação sobre a história da Ordem dos Templários.

Enquanto explicava aos possíveis novos templários a história da ordem, ao lado de fora da sala, Arthur Salazar conversava com seu filho Alexander.

— Gina está os ensinando? — Pergunta Arthur.
— Sim senhor. Acha mesmo necessário que saibam tanto sobre a ordem, mesmo sem passarem em todos os testes? — Indaga Alexander, não concordando.
— A ordem dos templários está muito além de poucas explicações Alexander. Eles devem saber ao menos onde estão chegando. Se quiserem desistir ainda podem.
— Mas isso vai apenas encorajá-los. Temos inclusive, aqueles dois garotos problemáticos da cidade ali dentro. Se souberem demais, poderão retornar tentando nos roubar depois.
— Você é um capitão da Ordem Templária, caso tentem fazer isso... Você sabe o que fazer. — Arthur toca o ombro de seu filho e se retira.

E dentro da sala, Gina continuava com as explicações.

— Agora sobre os templários... Não somos um exército que usa somente espadas grandes e um escudo. Isto é um mito criado, devido aos primeiros templários usarem estas armas. Hoje nós evoluímos alguns conceitos. Templários usam todo o tipo de armamento: arcos, espadas, lanças, maças. O que sua criatividade permitir, mas a única coisa que sempre, sempre usamos, é o escudo. Sabem por quê?
— Um soldado que não pode defender a si mesmo, não pode lutar em nome de Deus. — Responde Alissa.
— Exatamente Alissa, como eu esperava de você.
— Meu pai sempre me fez decorar isso. — Alissa responde desanimada.
— Passando nos testes vocês já serão considerados templários, mas precisam saber que nem todo templário é igual e que eles não se diferem apenas entre Templários e Paladinos. Temos uma hierarquia a respeitar aqui dentro da Ordem.

Gina era uma capitã simpática e atenciosa. Tinha cabelos pretos, até a altura dos ombros e gesticulava muito ao falar. Ela explicava aos candidatos a hierarquia que deveria ser seguida por todos dentro do Forte dos Templários. Que seguia:
Primeiro... Os recém formados são Soldados. Fazem todo tipo de serviço que o forte necessitar, desde partes administrativas até a de limpeza ou mesmo de batalha. Isso não significa que eles são obrigados a fazerem, tudo é uma questão perguntada ao soldado se ele aceita ou não o tipo de serviço, e só depois disso é determinada sua função e escolha de divisão.
Segundo... Depois de ser um bom soldado ele se torna um Tenente, passam a ter funções especificas e lideram missões com pequenos grupos de soldados.
Terceiro... Caso continue se destacando ele passa a ser um Capitão. Comandando pelotões inteiros, os capitães possuem apenas funções diretas, trabalhando apenas em missões com maiores riscos.
Quarto... Capitães em casos muito específicos, podem se tornar Subcomandantes, sendo o segundo no comando da divisão. Subcomandantes já fazem parte do conselho da ordem e até mesmo respondem pela divisão na ausência do General.
Quinto e último... General. Um General é quem comanda a divisão. São responsáveis apenas por missões de alto risco e existe um quesito obrigatório para eles. Ser um Paladino.

— Isto é o máximo em que se pode chegar fazendo parte da ordem. — Gina termina sua explicação.
— Mas e quanto ao presidente da Ordem? — Pergunta Bartolomeu.
— O Presidente é eleito em uma votação feita por todos os generais da ordem. Não se trata de patente neste caso. Apenas da decisão por maioria dos outros generais. Após isso, outra votação é feita para eleger o vice-presidente. — Explica Gina.
— Alguém tem outra dúvida? — Pergunta novamente.
— Não. — Respondem os candidatos.
— Bom, então as minhas explicações se encerram por aqui. Caso apareçam outras dúvidas podem me procurar pelo forte e perguntar. Agora vocês seguirão em direção ao pátio e procurem pelo capitão Aldrey, que os levará á próxima aula.

O grupo segue até o pátio e nota que o capitão já estava presente. Eles o seguem para a segunda metade do forte. Era ainda maior, possuía muitas salas e vários espaços grandes com o nome de cada divisão escrito no chão, como se fosse um local para treinamento. Após se organizarem o capitão vira para eles dizendo:

— Após conversarem com a capitã Gina e não terem mais duvida sobre nada que diz respeito á Ordem dos Templários. Vocês aguardarão e serão chamados por nome. Após isso, aquele que foi chamado irá até a sala á frente. Estarei lá para ajudá-los a escolher uma arma descente. Depois, peguem um escudo e dirijam-se até aqui novamente. Outro capitão os chamará e passará o restante das instruções.

Todos aguardam conforme combinado, até que dois templários chegam ao local em que estão. E ficam olhando para eles, conversando aos murmúrios.

— Bom dia á todos. Eu sou Niara Essien, uma das instrutoras do segundo teste. E este é o capitão Alexander Salazar. — A capitã Niara se apresenta.

A capitã Niara aponta na direção de um templário de cabelos pretos longos, amarrados como rabo de cavalo e raspado nas laterais, tinha uma barba rala, alto e com olhos azuis escuros. Era um rapaz bonito, no entanto olhava para os candidatos com desdém. Era notável que ele não queria estar ali.
Na parte feminina muitas candidatas estavam se derretendo com sua beleza e na parte masculina alguns garotos o olhavam com admiração, outros evitavam olhá-lo, mas um, mantinha um olhar peculiar para o capitão... Lucian.
Era aquele templário que entrou o quarto na noite anterior, era ele quem havia destratado Lucian daquela maneira e o pior... Alexander Salazar, ele é o garoto prodígio, ele é irmão de Alissa.
Alexander não responde e continua conversando com Niara. As vozes eram baixas, não era possível ouvir o que falavam e nem mesmo imaginar o assunto. Então capitão Aldrey grita de dentro da sala:

— Alissa Salazar!

Conforme instruído, Alissa segue até a sala e depois de alguns minutos ela sai com uma espada curta na sua mão direita e um escudo grande de aço na sua mão esquerda. E o próximo chamado é ouvido:

— Killian Midou!

Killian sai da sala usando uma espada grande e o escudo. Iris foi chamada, e saiu da sala com os mesmos equipamentos de Alissa e também trazia um arco em suas costas. Bartolomeu saiu da sala usando uma lança longa e um escudo. E assim seguiu-se a ordem até que restou o ultimo candidato a ser chamado.

— Lucian! — Chamou o capitão de dentro da sala.

Entrando na sala ele se depara com o capitão atrás de uma mesa, com uma cadeira á sua frente. Ele estava com uma folha em mãos fazendo algumas anotações. — Sente-se. Antes de escolher suas armas vamos bater um papo. — Pede Aldrey.
Lucian senta-se na cadeira um pouco apreensivo e repara que seu nome estava escrito na folha seguido de anotações.
— Ainda não fomos devidamente apresentados. Sou o capitão Aldrey Briggs sirvo a quarta divisão á comando do Sr. Hindra Sabath. — Ele estica sua mão.
— Sou Lucian, mais um dos candidatos do teste deste ano. — Lucian aperta a mão esticada do capitão.

Aldrey era pardo, tinha cabelos pretos encaracolados e falava muito bem, trazendo certo conforto aos candidatos.

— Ouvi falarem de você Lucian. Seguindo as anotações que fizeram, vejo que você tem bastante potencial. Lutou na prova do labirinto e venceu com facilidade. Meus parabéns!
— Sim, com a ajuda dos outros consegui chegar até aqui. — Responde Lucian.
— Bom... Aqui fica a minha sala de trabalho. Cuido desta parte dos armamentos e a distribuição. Alguma duvida?
— Não, nenhuma. — Diz Lucian.
— Muito bem. Existe algum armamento que você já possui habilidade Lucian?
— Sempre treinei com espadas e escudos de madeira, nunca usei nenhum armamento de verdade.
— Posso sugerir uma espada leve então? — Aldrey aponta para uma no armazém.

Lucian pega a espada e então o capitão Aldrey pede para que ele o ataque. Lucian mesmo sem entender ataca o capitão que esquiva facilmente. Então ele pede que Lucian o ataque melhor, como atacaria um verdadeiro inimigo. Por várias tentativas, Lucian falha. Então o capitão diz:

— Tente novamente com esta outra espada. — Entregando para Lucian uma espada com o dobro do peso e tamanho.
— Tem certeza capitão? – Pergunta Lucian.
— Vamos lá... Imagine que sou seu inimigo. Ataque mais uma vez.

Lucian ataca e o Capitão Aldrey esquiva por pouco. Percebendo a dificuldade do capitão, Lucian aumenta a velocidade e o ataca novamente. Desta vez Aldrey não esquiva. Ele segura a lâmina com a sua mão direita, travando-a e derrubando Lucian no chão.

— Muito bem Lucian. Gostou da espada?
— Sim! Como sabia que seria melhor eu usar esta espada? — Pergunta Lucian curioso.
— Seus ataques são firmes. Você precisava de uma arma que respondesse a isto. Espadas leves são para ataques rápidos, ataques que mudam facilmente de direção. Os seus não, assim como seu amigo Bartolomeu. Vocês são decididos e habilidosos, precisam de um ataque forte e preciso. Espadas e lanças longas são ótimas para isso. Mas não significa que você não possa trocar de arma. Você quer outra? — Pergunta o capitão.
— Eu concordo com tudo que disse. — Lucian animado.
— Agora pegue um escudo e siga até o pátio novamente.

Lucian se espanta. O capitão conhecia o tipo de arma ideal para cada candidato, apenas lutando com a pessoa por alguns minutos, e além de tudo, defender um golpe daquele somente com as mãos nuas. Era impossível, aquilo era uma força além dos limites humanos.

— Obrigado capitão Aldrey. Mas como se defendeu assim? — Pergunta Lucian.
— Isso se chama Aura. Avance nos testes e com certeza saberá usá-la também. — Finaliza o capitão indo junto com Lucian até a saída da sala.

Chegando ao pátio, Lucian se junta com os outros candidatos e o Capitão Alexander começa algumas explicações.

— No teste do labirinto, alguns de vocês entraram em batalha pelos pergaminhos, porém, no fim do teste viram que não era necessário. Mas na vida não é assim que as coisas são. Algumas vezes terão que lutar, mesmo que não queiram. E para nós templários isso é ainda mais frequente. É impossível defender esta cidade ou defender o nome de Deus, sem lutar.
Por isso o capitão Aldrey lhes deu uma breve noção de armamentos. E vocês deverão usá-los nos próximos testes. — Alexander explica.
— O segundo teste começará agora e será da seguinte forma... Dividiremos vocês em três grupos. Um com cada Capitão. O objetivo de vocês será vencer este capitão em batalha. — Niara continua a explicação sorrindo.
— Nós sabemos que isso seria impossível em situações normais, então seremos supervisionados pelo Senhor Hindra Sabath, General da divisão quatro. — Aldrey aponta para Hindra, que acompanhava tudo discretamente.

Hindra caminha até os candidatos e diz:

— Os três capitães estão proibidos de usarem aura e terão limitadores de movimento e força em seus braços, pernas e tronco. A missão de vocês é de derrubá-los, desarma-los ou caso consigam, rendê-los. Todos terão dez minutos para isso. O teste parece difícil, mas se não conseguirem nem isto, não me convencerão que tem boa habilidade em batalha.

Os candidatos são divididos em três grupos. Alguns deles estavam juntos de Alexander. Outros treinavam junto com a capitã Niara e o restante com Aldrey.

— Capitão Aldrey! O Lucian fará parte do nosso grupo. — Dizia Alexander, retirando Lucian do grupo de Aldrey.
— Ele ficou no meu time durante a separação. — Respondeu Aldrey.
— Tenho ordens superiores... Mande o Lucian para cá. — Alexander retruca rispidamente.

Ouvindo isto, Lucian caminha em direção ao grupo de Alexander.

— Lucian... Este é o grupo de treinamento um e eu serei o seu avaliador daqui por diante. — Diz Alexander sério.
— Sim senhor. — Ele responde e se junta ao grupo.

Alexander pede para que todos fiquem nos cantos do campo de treino. O campo era uma área quadrada, com chão de areia e marcações de linhas em seus cantos, como se fosse uma pequena arena. O capitão se dirige ao meio dela e começa as explicações:

— Com o auxílio do capitão Aldrey vocês escolheram armas que possuem facilidade para lutar. Agora, tudo que devem fazer, é mostrar que realmente tem habilidade em combate para continuar o caminho que desejam para a Ordem dos Templários. Devem me atacar com tudo que sabem, imaginando que sou um verdadeiro inimigo e eu avaliarei suas habilidades de combate.

Todos se levantam e preparam armas e escudos. Olhares fixos e atentos cercam cada um dos três capitães avaliadores. Então no grupo três, a Capitã Niara Essien chama seu primeiro candidato ao meio da arena.
Niara era uma mulher negra, com cabelo encaracolado e olhos castanhos, era bonita e tinha um olhar profundo.

— Bartolomeu Prattes. — Chama Niara.
— Ananda Stalts. — Chama Aldrey, no segundo grupo.
— Alissa Salazar. — O primeiro grupo.

Os três se dirigem ao centro dos campos de treino e as batalhas são iniciadas. Bartolomeu consegue lutar com a capitã em um bom nível. Sua habilidade com aquela lança não era muita, mas era notável que seu alcance e força aumentaram. Porém, Lucian estava um pouco longe e não conseguia observar a luta em detalhes. O mesmo se repetiu com Ananda que enfrentava o capitão Aldrey.
Em sua frente Lucian podia ver a batalha dos irmãos Salazar, a família tradicional na ordem dos templários. Ele nunca tinha reparado no jeito que Alissa lutava. Ela tinha golpes difíceis de acompanhar. Um estilo de batalha veloz, mudando de direção frequentemente. Lucian já havia lutado contra um estilo parecido quando enfrentou Garth no labirinto, porém, Alissa tinha golpes precisos. Era visível que Alexander não estava defendendo com facilidade.
Depois de alguns minutos de luta, Alexander não consegue rebater o golpe de Alissa, que aponta a espada ao seu pescoço, sem dar chance do capitão se mover. A luta é pausada e Alexander pede para ela aguardar ao lado.

— Não esperamos nada incrível de vocês no uso dos armamentos. Apenas que nos deem um pouco de trabalho. — Diz Alexander apontando para o segundo candidato e sinalizando com a cabeça para o centro da pequena arena.
Os outros grupos também iniciam a segunda rodada de batalhas e o teste avança. Depois de várias pequenas batalhas, somente dois candidatos restam na avaliação. O time dois já havia acabado, afinal, possuíam menos membros.

— Iris Greene. — Chama a capitã Niara no time três.
— Lucian. — Chama Alexander no time um.

Lucian se prepara para lutar com tudo que tem, para provar para todos que será o melhor candidato. Ele se dirige ao centro da pequena arena. Empunha sua espada longa na mão direita e o escudo de aço na esquerda. Alexander se prepara e então sinaliza o início da avaliação.
Lucian ataca Alexander, que esquiva facilmente para o lado e com o próprio escudo rebate Lucian, que é lançado para trás. Lucian se desequilibra, arrastando os pés no chão devido ao impacto, mas se recompõe.

“Não posso atacá-lo assim. Ele é forte e tem muita experiência em combate.” — Lucian pensa sozinho.

Lucian avança novamente, mas desta vez, ataca o escudo de Alexander. Apenas para mostrar que possui grande força. Alexander defende e quando sente o impacto da espada, Lucian chuta o escudo causando ainda mais impulso. A guarda do capitão se abre e Lucian ataca.
Alexander desvia, apenas dando um passo para trás e Lucian desequilibrado, cai em cima do próprio escudo.

— Bom ataque, mas é completamente desajeitado com um escudo. — Diz Alexander esperando Lucian se levantar.
— Nunca usei um escudo antes senhor! — Se explica.
— Se sonha em ser um templário... Aprenda. Um escudo também pode ser usado para atacar, assim como a espada para defender. Tudo em um campo de batalha pode te favorecer, é uma questão de imaginação. — Responde Alexander.
— Sim... Obrigado pela lição. — Responde Lucian encarando fixamente o capitão.

A batalha continua. Por mais que Lucian tentasse atacar, o escudo pesava em seus braços, atrapalhava a visão e não o deixava se mover com velocidade. Alexander se defendia, derrubando Lucian no chão por varias vezes.
No time três, Iris consegue derrubar a capitã Niara e é aprovada. Alexander avisa Lucian sobre o tempo, apressando-o.
Os outros times se juntam em volta da arena numero um, aguardando o resultado da avaliação de Lucian. Mas Alexander continuava com a luta, humilhando o garoto.

— Vamos Lucian! Levante-se e mostre á todos como não usar um escudo. — Alexander provocava.

Lucian fica irritado e ataca sem pensar. Alexander, usando a espada, direciona o ataque de Lucian para cima. Percebendo a guarda aberta, Lucian coloca seu escudo á frente do corpo, mas ele é chutado por Alexander, abrindo a guarda novamente. Alexander acerta Lucian com seu escudo. Um golpe forte e direto. Lucian é jogado alguns metros atrás e cai de cara no chão derrubando escudo para um lado e espada para o outro. Com o rosto ainda no chão ele tosse, numa tentativa desesperada de recuperar o fôlego.
Foi um golpe forte. Lucian nunca havia enfrentado alguém com tamanha força e habilidade. Alexander consegue ver o menor dos espaços, onde seu ataque pode ser efetivo. Por mais que Lucian tentasse, era difícil adaptar-se á aquela velocidade e experiência. Alexander defendia-se de maneira perfeita. Não havia como atingi-lo.

“Não consigo fazer nada. Esse escudo está me atrapalhando, mas sinto que mesmo sem ele, mesmo com anos de treinamento, eu ainda não estaria ao nível deste cara.” — Pensava Lucian caído ao chão, retomando o fôlego.

Alexander caminha devagar até Lucian. Abaixa-se perto dele e diz em voz baixa para que os outros não ouçam:

— Vê agora porque não pode ser um templário? Nenhum dos outros candidatos foi derrubado e humilhado desta maneira! Se você quiser, tem todo o direito de se levantar e dizer em voz alta para todos que desiste. — Alexander se levanta e agora, em voz alta diz: — Vamos Lucian! Todos os outros times vieram ver o fim da nossa batalha! Você só tem dois minutos!

Lucian recupera o fôlego. Tapeia o chão, fecha suas mãos e empunha sua espada novamente, sem pegar o escudo. Levanta devagar, e olhando para Alexander, ele puxa todo ar necessário para encher seus pulmões e grita:

— EU NÃO VOU DESISTIR!

Ele avança em direção ao capitão, mas quando se aproxima a ponto de desferir um ataque, ele esquiva para a esquerda com uma grande velocidade. Alexander havia colocado o escudo na frente e não imaginava que o golpe mudaria de direção. Lucian desfere um golpe de espada, porém, novamente Alexander usa a espada para desviar o ataque de Lucian. Os dois ficam com os braços levantados e as espadas direcionadas aos céus, e numa fração de segundos, como se o tempo houvesse parado naquele momento, Lucian com a sua mão esquerda, joga areia nos olhos de Alexander. Areia que ele pegou quando estava caído e tapeou o chão para se levantar.

— Tudo que está ao redor pode ser usado... É uma questão de imaginação. — Diz Lucian com um sorriso sarcástico.

Alexander em resposta automática abaixa o rosto fechando os olhos. Lucian o acerta com um chute no peito, que o impulsiona para trás, fazendo o capitão cair de costas na arena.
Todos os candidatos começam a trocar olhares, alguns soltam leves risos e Bartolomeu comemora muito com palmas e gritos, mas de repente, Alexander se levanta.
Um sentimento de medo toma conta do local. Era uma sensação tão forte que Lucian cai de joelhos frente a seu inimigo. Os ventos, sem motivo aparente param de circular e o coração de Lucian começava a ser esmagado por uma força inexplicável. Alexander com os olhos brancos, sem íris ou pupila, levanta sua espada com o olhar fixo para Lucian.

— Chega Capitão! O garoto está aprovado! — O General Hindra aparece na frente de Alexander segurando sua mão.
— Eu sei... Só queria mostrar para todos, que a diferença entre nossas forças, é de séculos. Mesmo que por um golpe de sorte ele tenha conseguido me derrubar. — Alexander debocha, dá ás costas, e sai da arena deixando o time abandonado. O Capitão Aldrey e a capitã Niara tomam a frente e explicam.

— Por hoje é só. Alguns foram avaliados em combate com muito êxito! Os reprovados, por favor, sigam-me. Os outros ficam com a capitã Niara e meus parabéns. — Finaliza Aldrey.
— Ainda restam muitos... Esta é a turma que chegou a esta fase com mais candidatos. No entanto, o próximo teste será mais difícil, e no estado em que estão... — Hindra balança a cabeça negativamente. — Jamais serão aprovados! Vocês deverão descansar e se alimentar adequadamente. Após isso, receberão novas instruções. — Hindra dá o aval final.

Os candidatos comemoram. Alguns não conseguem se controlar, tamanha a emoção. Os amigos Bartolomeu, Alissa, Iris e Irelia começam a conversar. Por mais difícil que tenha sido, mais um dia de testes chega ao seu fim.
Lucian caminha á frente, um pouco apreensivo e abatido.

— Calma Lucian, você foi aprovado! Animação agora! — Diz Bartolomeu eufórico.
— Só estou um pouco cansado. Apanhei mais que vocês. — Lucian sorri, escondendo suas verdadeiras emoções.

Lucian continua o caminho, mas seu pensamento estava longe. Ele não conseguia entender porque sentiu tanto medo.

“Porque eu achei que ia morrer? Porque meu coração ficou daquele jeito? Eu senti alguém apertá-lo com muita força... E o pior... Alexander tinha asas? Não consigo entender o que era aquilo...” — Lucian pensava enquanto caminhava á frente de seus amigos.