Armas da vida
36 Capítulo 36
Inferno. Abri os olhos e estava em um lugar com as paredes pretas. Apareceu um garoto com cabelos pretos, pele branca como a neve, com as bochechas rosadas. Ele então disse:
– Lucy, estava a sua espera. Faz tempo que não nos vemos.
Olho para trás. Só tem nós dois naquela sala. Então digo:
– Tem certeza que sou eu? Não me lembro de você.
– Não, mas sua mãe sim. Sente-se temos muito o que conversar.
Apareceu do nada duas cadeiras e uma mesa com dois copos de água. Eu me sentei e ele também. Notei que ele está usando um terno. Ele então disse:
– Sabe Lucy, é impossível as duas “espécies” que eu criei se misturarem. Foi bem fácil no inicio explicar isso para eles, mas com o tempo eles queriam se misturar e tive que tomar medidas drásticas. Se eles tentassem misturar as “espécies” o futuro ser perfeito morreria antes de nascer. Sua mãe me procurou quando tinha só algumas semanas de gravides. Ela tinha sonhado com você morrendo antes de nascer e então descobriu que estava gravida. Ela me procurou para ajuda-la. Fizemos um acordo. Deixaria você viver e lhe abençoaria, mas você seria minha. Como uma filha, ou algo mais...
– Deixa eu ver se eu entendi. Minha mãe vendeu minha alma para você?
– Se preferir chamar assim, sim.
Dei um gole de água e perguntei:
– Posso saber seu nome?
– Tenho vários nomes.
– Eu também. Use seu nome mais comum.
Ele deu um gole de água e disse:
– Anjo caído.
– Lúcifer?
– Não, essa baboseira de me confundir com Lúcifer é cansativo. Sou um anjo expulso do paraíso e do inferno, e já que não tinha o que fazer e onde ir, montei este estabelecimento. Trabalho com almas que não são aceitas nem no inferno e nem no céu, e como nenhum outro anjo teve ou terá o mesmo destino que eu, eu fico aqui trabalhando sozinho.
– Resumindo: você é uma pessoa que vive no meio termo?
– Exatamente. Normalmente não trabalho comprando almas e você é a primeira e última. Mas vamos nos concentrar no assunto. Você corre perigo e sabe disso.
– Como posso fazer Trevor se redimir com a minha linhagem? Se eu desaparecer ele me persegue.
– É, se você vier até aqui ele virá. Não posso fazer ele aceitar sua linhagem, mas tenho uma ótima ideia.
Ele me entregou minha catana e um mapa e disse:
– Siga as instruções a risca que estão escritas aí e com certeza nos reencontraremos.
– Mas meu corpo está fraco.
– Já resolvi esse problema. Sim, estava quase esquecendo.
Ele me entrega um anel prateado em um colar e diz:
– Sua mãe não me prometeu sua alma e sim seu coração e seu amor.
Ele beija meus lábios e eu acordo.
Fale com o autor