Armas da vida
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Levanto da cama como se não tivesse doente. Depois de um tempo consigo ficar em pé sem que acordasse Brian. Subo até minha cama e lá está o mapa, a catana e o colar. Pego todos e vou no guarda-roupa. Coloco a catana de baixo de varias roupas que estão espalhadas pelo chão (o guarda-roupa era só uma porta de madeira, dentro tinha o um metro e meio por um metro e meio. Tinha dois metros de altura e era todo de cimento com um gancho na parede que estava preso na minha mochila.) guardo o mapa no bolso secreto. Coloco o colar e volto para o quarto. Fecho a porta do armário e Brian está se levantando. Ele sorri ao me ver de pé e diz:
– Nossa, você se curou bem rápido. São 06h05min P.M. Tome um banho e vamos jantar e treinar.
Concordei com a cabeça e fui no banheiro. Entrei no chuveiro e sai do banheiro enrolada em uma toalha. Fui no armário e peguei a primeira roupa que vi. Notei que Brian olhava para mim. Ignorei e fui até o banheiro e troquei de roupa. Quando saí Brian estava sem camisa amarrando o sapato. Respirei fundo e comentei tentando retirar aquele clima pesado:
– Não aprende mesmo né?
Ele riu e disse mexendo nos cabelos:
– Vai que você nota o que está perdendo.
Eu ri, mas queria dar um soco em seu rosto. Decidi que teria que rir para não representar o que sentia. O que eu queria era não conviver com humanos, ficar deitada na cama sem ver o rosto de ninguém por horas. Ele se levantou sem blusa e passou a mão pelos meus cabelos e disse:
– Por que não nota que eu te amo?
– Por que eu não sei o que é amor...
Me virei de costas e sai do quarto. Ele me seguiu e fomos para a sala de treinamento. Liam me olhou com um olhar malicioso, parece que ele não conseguiu entender que eu não quero absolutamente nada com ele. Brian então me disse:
– Tem que provar para Trevor que merece viver. Você precisa convencer os servos dele. Você precisa chegar no topo...
– E ser igual Anastasia? – eu o interrompi.
– Não igual. Eu não consigo lhe levar ao topo sozinho. Você precisar chegar no Trevor, e Liam é o primeiro degrau para você chegar lá.
Olho para Brian e digo suspirando:
– Tenho outra opção?
Ele passa a mão pelos cabelos e diz:
– Sim, me escolher. Posso lhe levar ao topo com ajuda de uns amigos, mas precisarei de uns favores seu.
Respiro fundo e digo olhando em seus olhos:
– Como minhas opções são praticamente inexistentes, aceito.
Ele sorri e diz:
– Primeiro: precisa causar ciúmes em Liam, o que não é nada difícil, pois qualquer coisa que você faz que não é com ele lhe causa ciúmes.
– Você quer um beijo a qualquer custo, não é?
Ele ri e concorda com a cabeça. Me aproximo dele, coloco as mãos em seus ombros e o beijo. Ele apoia as mãos na minha cintura e me puxa para perto dele. Ouço o barulho de metal caindo no chão e passos. Largo Brian e o olho e digo:
– Conseguimos.
Ele ri e vamos até uma das prateleiras e pegamos uns bastões de madeira. Brian diz:
– Nem sempre temos em mão uma arma, então Anastasia, temos que aprender a utilizar os matérias mais simples que a natureza pode nos oferecer.
Ele tenta acertar minha cabeça com o bastão de madeira, mas me abaixo. Bato em sua perna esquerda e ele ri e diz:
– Aprende rápido. Vamos animar isso.
Ele liga o som e começamos. Ele acerta meu braço esquerdo e eu dou um passo para trás. Corri e sua direção e usei a vara para me arremessar para uma distancia (como no salto com vara) e bato com a vara em suas costas. Quando ele se vira a ponto a vara para seu rosto. Ele larga a vara no chão e levanta os braços. Largo a vara e começo a rir. Ele comenta:
– Seus atos estão ótimos, não consigo prever o que fará, mas ainda tem que aprender a bater com força.
– Não pretendo lhe machucar hoje Brian, então não baterei com força em você.
Ele riu e disse:
– Você não me machucaria meu bem.
Não iria me irritar, eu tinha muito trabalho para fazer. Ele então disse:
– Vamos dar umas voltas correndo na sala, seria bom mantemos um ritmo.
Concordei e começamos a correr. Tentava manter sua velocidade, mas ele era rápido e mantinha um ritmo, em quanto eu era mais devagar e durava mais. Depois de algumas voltas ele disse:
– Eu cansei, pode continuar sem mim, daqui a pouco te acompanho novamente.
Assenti com a cabeça e continuei. Fiquei pensando em quanto corria o que deveria fazer para convencer Trevor. Estava sem ideias e correr estava me acalmando. Brian então voltou a correr ao meu lado e disse:
– Nosso plano está dando certo, só precisamos que “eles” lhe notem, de uma maneira boa e positiva.
– Sim, mas como faremos isso?
Ele sorriu maliciosamente e disse:
– Essa é a melhor parte. Acho que está bom de exercícios por hoje, vamos para o dormitório conversar sobre essas ideias.
Assenti com a cabeça e paramos de correr. Ele me guiou até o refeitório aonde pegamos algumas coisas para comer. Quando chegamos no dormitório Charles estava olhando para o colchão de Tyler no chão e disse:
– Que bagunça é essa?
Eu ri e Brian disse me abraçando:
– Minha namorada precisava de companhia.
– Dá próxima arrumem a bagunça, não quero ver vocês dois pelados.
Eu ri mais e disse tirando o braço de Brian da minha cintura.
– Não se preocupe, isso não ocorrerá.
Brian me olhou com um olhar malicioso e disse me puxando para perto de seu corpo:
– Tem certeza?
Virei meu rosto quando ele tentou me beijar e disse:
– Tenho.
Ele apoiou a mão em meu rosto e o virou. Ele olhou em meus olhos e me beijou. Seu beijo era delicado e me fazia esquecer que tinha raiva dele. Coloquei minhas mãos em suas costas e o beijei. Ele então disse olhando para meus olhos:
– Temos que arrumar este quarto.
– Agora?
Ele riu e me beijou e logo depois disse acariciando minha cintura:
– Sim, depois continuamos isso.
Ele me soltou e colocou o colchão de Tyler no lugar e pegou algumas coisas e jogou no lixeiro. Colocou minha coberta na cama, olhou para Charles e disse:
– Melhor agora?
Ele riu e disse:
– Muito. Se não se importam eu vou me divertir com umas garotas. — ele olhou com um olhar malicioso para Brian e continuou- Você entende Brian.
Ele piscou para Brian e saiu. Eu fiquei rindo e me sentei na cama de Brian, encostada na cabeceira. Ele então se sentou no meu lado e me beijou. Eu disse:
– Seria bom se pegássemos leve com esse namoro.
Ele riu e disse:
– Sim, pois Trevor pode ficar com inveja.
Ele colocou as mãos nas minhas costas e me beijou. Então começou a colocar a mão por dentro da minha blusa pelas costas. Eu virei meu rosto e disse rindo:
– Nada de se empolgar.
Ele me olhou com uma cara engraçada e disse:
– Eu só quero me divertir.
– E eu quero tomar banho.
– Faz isso depois.
Eu ri e ele me beijou. Eu o empurrei, o fazendo deitar na cama. O beijei e disse:
– É sério, eu preciso de um banho.
Ele me beijou e disse:
– Para de cortar o clima romântico que eu faço.
Comecei a rir e disse:
– Nunca.
O beijei e sai da cama. Ele ficou me olhando pegar umas roupas no armário. Ele então comentou:
– Por que você não se troca na minha frente?
– Por que eu tenho vergonha que me vejam sem roupa.
Ele riu e disse:
– Não se preocupe, não farei nenhum comentário.
Coloquei o rosto para fora do guarda-roupa e disse:
– Claro, e meu cabelo é azul e eu me chamo Carmen.
Ele riu e eu fui para o banheiro. Tomei um banho gelado, molhando bem o couro cabeludo. Sai do banho enrolada na toalha. Sequei-me e fiquei me observando sem roupa. Eu mudei muito e nem tinha notado. Coloquei um short jeans e uma regata, por que amava dormir assim. Penteei o cabelo e o prendi em um coque alto. O colar que o anjo caído me deu chamava atenção pelo seu brilho. Sai do banheiro e Brian disse deitado:
– Vem aqui se deitar do meu lado.
Eu ri e disse:
– Vou dormir.
Ele olhou para mim e disse:
– Que colar é esse?
Olhei para o colar e disse rindo:
– Encontrei lá na casa da Lucy.
– Deite aqui do meu lado para eu ver.
Eu ri e fui lá. Deitei-me de lado, e ele fez o mesmo. Ele pegou o colar com as mãos e disse:
– Essa aliança é muito bonita, nunca vi uma igual a essa.
Concordei com a cabeça. Ele então olhou para meus lábios e disse:
– Não sei como eu dividi quarto com você e não lhe beijei antes. Seu lábios rosa parecem que imploram para eu beija-los.
– Mas você nã...
Não consegui terminar a frase e ele me beijou. Passou as mãos nas minhas costas me puxando para bem perto dele. Eu me deixei ser levada pelo momento, mas um pensamento veio na minha mente, que com certeza não era meu:
“Lucy, lembre-se que seu coração é meu, sua mãe o entregou para mim. Não se iluda com este rapaz, se não vai acabar tendo problemas. Quando for 02h04min A.M use o mapa e a catana para poder sair daí. Se não se lembra, amanhã já é sábado, e não posso deixar Trevor colocar as mãos sobre você.”
Me afastei de Brian. Ele disse:
– O que foi Anastasia?
– Eu estou cansada...
– Nós passamos a manhã e a tarde dormindo. Fiz algo de errado?
O beijei e disse:
– Não, mas eu ainda estou cansada.
Ele me olhou e disse acariciando minhas costas:
– Durma aqui comigo.
Um sentimento bom dominou meu coração e disse:
– Está bem, mas acho que não vai caber nós dois aqui.
Ele me beijou e disse olhando no fundo dos meus olhos:
– Cabe sim, não se preocupe.
Me levantei e peguei meu travesseiro e meu cobertor. Me deitei do lado dele. Ele se encostou-se na parede e disse:
– Venha para perto de mim, não quero que caia da cama.
Me virei para ele e fiquei praticamente grudada nele. Ele colocou a mão no meu quadril e a outra colocou por baixo da minha cintura. Encostei minha cabeça na sua e fechei os olhos. Ele me beijou e disse:
– Durma depois.
– Mas estou cansada...
– Por favor.
Abri os olhos. Amava olhar para aqueles olhos verdes brilhantes, eles me davam esperança. Ele me beijou delicadamente e passou a mão pela as minhas costas. Aquilo me acalmava. Coloquei minhas mãos em suas costas e o acariciei. Ele parou de me beijar e disse:
– Eu te amo demais.
Uma lágrima escorreu dos meus olhos. Ele me beijou e disse:
– Não chore meu amor.
– Eu não quero lhe perder.
Ele me deu um beijo na testa e disse:
– Então vamos fugir, para longe daqui. Nunca saberão aonde estamos.
Eu ri e disse:
– Trevor nos seguiria.
– Não ligo, desde que esteja do seu lado.
– Mas você me abandonou...
Ele olhou nos meus olhos. Vi que ele tinha um olhar triste. Ficamos um bom tempo em silencio até que ele disse:
– Eu estava com raiva do que você disse, mas não ocorrerá novamente.
Um sentimento amargo dominou meu coração e eu falei sem nem pensar duas vezes:
– Vou subir para a minha cama e dormir.
Me levantei da cama. Não senti nada e nem vi se ele me impediu, só conseguia me ver subindo na minha cama. Deitei a cabeça no travesseiro, coloquei a coberta por cima do meu corpo e dormi.
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