Armas da vida
27 Capítulo 27
Dei um grito. Alex estava na minha frente. Me sentei e disse:
– Eles estão vindo aqui.
Ele respirou fundo e disse:
– Mande seu amigo embora. Você não pode voltar para lá. Vai ficar aqui. Lá eles vão lhe usar para experimentos malignos.
– Falarei com Brian. Ele pode trazer minha mochila amanhã.
– Seja rápida.
Ele abriu a parede e eu sai. Desci as escadas rápida e disse:
– Brian, não posso voltar com você.
Ele se levantou do sofá e disse:
– Por quê?
– Não posso. Alex precisa de mim. E você tem que ir agora.
Ele concordou. Levei ele até a cozinha e abri a porta. Ele passou e me puxou para perto e me beijou. Eu disse:
– Amanhã te espero aqui. Traga minha mochila.
Ele me deu outro beijo e disse:
– Está bem.
Ele saiu e tranquei a porta. Subi as escadas e chamei Alex. Ele abriu a parede e entrei. Ele disse:
– Quando eles chegarem se prepare para o pior.
– Eles já o encontraram?
– Não, mas estão quase lá. Você terá que ficar imóvel e em silencio.
Ouvimos a porta da cozinha ser aberta. Ele fechou a parede. Ele entrou no armário e eu me sentei encostando as costas na parede. Me concentrei. Cai de lado.
Eu vi Trevor e mais alguns garotos na sala. Trevor falou baixo:
– Ela e mais alguém esteve aqui.
– Poderia ser o Brian. Ele passou por nós.
– E Felipe nos falou que eles andavam meio juntos, e que estavam namorando. Liam também falou que eles se beijaram no baile.
– Quietos. Eu sinto que não temos só o Alex hoje aqui. Tem um aroma feminino no ar.
Minha pupilas voltam ao normal. Continuei deitada. Eu sabia que ele estava fazendo isso para me provocar. Não era tão fácil me irritar. Me concentrei e voltei para lá. Trevor e os dois garotos que estavam conversando subiram para o quarto dos meus pais. Outros dois foram no quarto do Brian e o resto ficou lá em baixo. Trevor foi direto na parede que dava no meu quarto. Ele bateu algumas vezes. Ele falou:
– Interessante, está madeira não parece ser como as outras. Me dá o martelo por favor.
Um dos garotos entregou um martelo para ele. Abri os olhos. Tinha que chamar a atenção deles. Me lembro de uma madeira ser solta no piso. Engatinhei até ela e a soltei. Não conseguiria passar por ela. Puxei com força e soltei mais uma madeira do piso. O barulho foi alto. Todos ficaram em silencio. Aquela abertura dava direto no banheiro. Desci por ela e abri a porta do banheiro. Estava na sala. Dois garotos se aproximaram de mim e disseram:
– O que uma ruiva está fazendo aqui?!
– Isso.
Dei um soco no rosto dele e chutei seu amigo no estomago. O garoto que eu soquei veio na minha direção. Pulei em sua cintura, enfiei meus dedos nos seus olhos e soquei seu rosto. Abri ponte e o joguei no chão. Me levantei e chutei a cabeça do outro garoto que estava se levantando. Ele caiu no chão inconsciente. Tirei as lentes dos meus olhos e segui até a escada. Trevor estava no topo da escada. Soltei meu cabelo e disse:
– Então era você na minha visão? Não esperava um rapaz tão bonito.
Ele sorriu e disse:
– Pelo que eu vi seu talento de força é ótimo. A maioria das garotas que são como nós não são tão fortes, e nem tão inteligentes...
Ele começou a descer a escada. Peguei a arma e apontei para ele. Ele parou e disse:
– Não teria coragem de atirar.
Apertei o gatilho. Bateu na madeira, perto de um dos rapazes. Engatilhei a arma e disse:
– O próximo será em você.
– Sabe, não pretendo causar confusão...
O interrompi:
– Jura? E aqueles dois gênios ali? – Apontei para os dois rapazes inconscientes no chão sem tirar os olhos de Trevor.
– Eles não sabiam de quem se tratava. Por favor me deixe conversar com você.
Respirei fundo. Disse:
– Tem um sofá ali.
Me direcionei ao sofá, sem tirar o olhos dele. Coloquei a arma na cintura e me sentei na ponta de um sofá verde de três lugares. Ele se sentou em uma poltrona verde na minha frente. Os dois rapazes foram ver como estavam os outros dois garotos. Ele respirou fundo e disse:
– Pelo que notei conheceu o Alex. Tenho certeza que ele falou mal de mim e de Cristine.
– Ele não teve tempo. Não entendo por que ele te odeia. Você aparenta ser um bom garoto, corrompido pela humanidade.
– Por que você não me limpa?
Olhei para ele. Ele não iria me convencer tão fácil. Me endireitei no sofá e disse:
– Sabe, tem coisas que estão tão sujas que não conseguimos mais limpar. Mas acho que ainda tem solução.
Ele se levantou e puxou a poltrona para mais perto de mim. Se sentou e disse:
– Não consigo apreciar sua beleza de tão longe.
– Acho que consegue, só não tenta.
Ele riu e disse sem tirar os olhos de mim:
– Conheci a primeira garota de sua linhagem. Era muito bonita, mas não mais que você.
– Se concentre, não quero saber sobre isso e você tem noção.
– Bem, você não tem o tempo de todo o mundo, como eu. Eu posso lhe ajudar se você me ajudar.
– Eu vi o que fez com a garota.
Ele suspirou e disse fazendo pouco caso:
– Me desculpe por aquilo, não estava com muita paciência. Era uma garota tola...
– Todos são tolos.
– Era como uma prostituta. Me lembro da Anastasia. Era como ela. Ainda bem que Kyle seguiu minhas instruções e a matou.
– Pelo que consigo ver seu poder é grande.
– Sem querer me gabar, mais sim. Tenho poder em pessoas importantes. Juntos poderemos ter poder sobre o mundo.
– Me desculpe, mas não quero me juntar a ninguém. Só quero que tudo volte à normalidade que nunca teve.
Ele sorriu e disse em quanto olhava para meus olhos:
– Entendo agora por que sua mãe a escondeu do mundo.
– Eu não entendo por que a sua não fez o mesmo com você. Eu entendo, você perdeu Cristine e a irmã de Alex, só me explica por que está perseguindo Alex e o resto da linhagem dele.
– Ele foi o culpado. Ele disse que eu e ele deveríamos viver uma vida, como todo humano. Ele me levou em bares, e lugares com garotas fáceis. Eu não queria aquilo...
– Você deveria ter recusado.
– Eu sei, mas não tinha notado... Quando voltamos para casa encontramos elas, mortas no chão da cozinha. Elas enfiaram uma faca no coração.
Ele ficou em silencio. Eu falei o primeiro pensamento que estava na minha cabeça:
– Ainda me pergunto como posso viver no mundo e não ser do mundo...
– É essa questão que temos que chegar. Você foi à única que conseguiu sobreviver sendo dessas duas linhagens.
– Como assim?
– A maioria morria ainda sendo formadas. Ou morriam assim que nasciam. Eu e sua mãe tinham uma autoridade grande. Ela era forte e eu também. Quando você nasceu, sua mãe fugiu das minhas mãos, pintou os cabelos e foi fugindo de cidade em cidade até chegar aqui. Casou com um rapaz da mesma linhagem que ela. Todos viemos para está cidade. Colocamos outros humanos aqui e demos autoridade para eles. Mas sempre o mantivemos com uma liberdade falsa. Eles estão sobre o nosso poder. Já deve ter notado muitas mulheres e rapazes lá, observando tudo e todos. Quando alguém age de uma forma suspeita eliminamos rapidamente. Você era especial. Tem sorte de não ter sido eliminada.
– Sorte? Acho que teria sido melhor para mim...
Ele riu e passou a mão nos cabelos. Não eram compridos, mas eram bem arrumados. Era liso e chamativo. Ele disse:
– Por sorte só foi encontrada duas vezes na floresta. E quase nada que fez chamou atenção de forma negativa. Mas quando começou a lutar, meus amigos me informaram sobre você. Eu sabia que a filha de Katherine "e" Jason estava viva, em algum lugar daqui. Eu ainda tinha minhas duvidas, mas depois do que você fez, e pelos seus olhos, agora sei que você existe. E eu sei que nunca amei ninguém na vida, mas duvido muito agora que te vi.
– Me desculpe por ser estraga prazeres, mas não posso amar mais ninguém. Já tenho um rapaz para amar.
– Não quero ser incomodo, mas posso saber quem é?
– Sabe, acho que não posso lhe falar agora.
– Não gosto de forçar as pessoas em nada.
Me concentro. Pupilas dilatam e caio para o lado esquerdo. Vejo que eles estão descendo rápido da escada (os dois garotos que estavam no quarto do Brian) e que os rapazes que se machucaram estavam sentados na cozinha. Trevor estava se levantando. Minhas pupilas voltam ao normal e agarro a perna de Trevor, levanto e digo:
– Espere aí, nossa conversa não acabou.
– Acho que sim. Rapazes já encontramos o que precisávamos. Me solte Lucy, não quero te machucar.
O largo e me sento. Um garoto coloca a mão no meu ombro. Me levanto e digo:
– Não posso ir com vocês. Não gosto de estragar os planos de ninguém. Eu tenho um compromisso importante agora.
Trevor riu e disse:
– Não posso deixar você aqui. Você será minha segunda esposa, e não vou lhe perder.
– Não vou sair daqui. Não pretendo causar muita confusão. Podemos nos ver amanhã. Me diga um lugar e horário.
Ele se aproxima de mim. O garoto larga meu ombro. Ele fica com o rosto próximo do meu, mas com uma distancia. Ele respira fundo e diz:
– Seu olhar não parece de uma mentirosa. Do outro lado da cidade, casa de numero 555. 03h00min P.M. Chegue nesse horário e poderemos conversar melhor.
Ele e os amigos dele começam a sair e eu digo:
– Acho interessante, conhece o meu número da sorte. Que tal 03h55min?
Ele ri e se vira. Olhou para mim e disse:
– Vou lhe fazer esse favor e aceitar. Não se atrase.
Sorri. Eles saem pela porta. Me direciono ao banheiro. O furo dava direto no meio do banheiro, perto da pia. Vou até a sala e levo uma cadeira até perto do buraco. Subo na cadeira e me ergo. Entro na sala e digo:
– Sou eu Alex, não se preocupe. Conversei com eles. Amanhã irei na casa numero 555 as 03h55min P.M.
Alex sai de dentro do armário e se senta na cama. Coloco as madeiras no lugar e ele diz:
– Eu não iria lá se fosse você.
Me levanto e me direciono até a cama. Me sento em uma ponta oposta a dele e digo:
– Às vezes temos que correr riscos para podermos acertar na vida.
– Eles são nossos inimigos!
– Correção, são seus inimigos. Não tenho nada haver nessa encrenca. Se você os odeia não posso fazer nada. Eu sou um ser neutro nessa história.
– Eles estão fazendo você. Tem que me ouvir e se manter longe deles. O que houve com seus olhos?
Quando me falaram que eles não eram inteligentes, não estavam brincando mesmo. Ele tinha que ser o primeiro, para ser tão estupido. Eu disse:
– Eu sou uma mistura das duas linhagens. Lembra?
– Ah, sim... São quase 09h00min P.M. Melhor irmos dormir...
– Está bem, eu durmo no quarto dos meus pais...
– Não! Melhor você dormir aqui.
– Não se preocupe, sei cuidar de mim mesma.
Ele ficou sério. Abriu a parede e eu sai. Ele disse antes de fechar a parede:
– Preste atenção e cuidado.
– Não se preocupe.
Fui em direção ao quarto dos meus pais. Fechei a porta e tranquei. Acendi a luz. Não tinha nada de diferente. Paredes brancas (eles tinham pintado a madeira), um armário igual ao outro, uma cama de casal de madeira, uma penteadeira com uma escova de madeira. Fui até o armário e abri. Peguei uma blusa e uma jeans (tinha mania de guardar umas roupas minhas lá, para Brian não mexer). Me sentei em uma cadeira na frente da penteadeira. Escovei o cabelo. Sorri. Coloquei a escova em cima da penteadeira e apaguei a luz. Me deitei na cama. Logo cai no sono.
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