Armas da vida

28 Capítulo 28


Acordo com o sol nascendo. Olho no relógio. 05h26min A.M. Me levanto e me olho no espelho da penteadeira. Meus cabelos estavam bagunçados, estava com um par de olheiras em baixo dos olhos, e tinha um pequeno corte em baixo dos meus lábios. Penteei o cabelo e o prendi e um coque alto. Peguei uma toalha que tinha no armário e mais umas coisas e fui até o banheiro. Liguei o chuveiro e entrei de baixo dele. A água fria me acordava rapidamente. Lavei meus cabelos e logo sai do banho. Me enxuguei com a toalha e me troquei rapidamente. Usei algumas coisas que tinha em cima da pia do banheiro (desodorante, creme para cabelo...) e prendi o cabelo com a toalha, no topo da minha cabeça. Sai do banheiro e subi as escadas e fui até o quarto dos meus pais. Me sentei na cadeira em frente a penteadeira. Soltei meu cabelo e o penteei. Ele estava bem arrumado para uma manhã de sábado. Voltei ao banheiro e estendi a toalha e depois fui para a cozinha. Fazia quase um mês que eu estive fora, e só tinha umas coisas na geladeira. Tinha: Um pacote de arroz, um pacote de farinha, um pacote de açúcar, um pote com sal, três ovos, uns quatro pedaços de frango congelado, óleo de fritura e um pouco de bacon. Coloquei tudo em cima da mesa. Decidi que iria cozinhar tudo e ver no que dava. Sempre fui péssima cozinhando (como minha mãe) e só umas receitas davam certo, e essa era uma das raras receitas que davam certo. Comecei a fritar tudo e no final deu uma mistura saborosa. Aproveitei e fui no fundo da casa. Eu plantava umas hortaliças lá. Peguei algumas coisas e voltei para a cozinha. No final deu uma panela media cheia de almoço. Subi as escadas e bati na parede. Sem resposta. Decidi chamar ele:

– Alex sou eu, pode abrir a porta?

– Não, você nunca mais deverá entrar aqui.

Eu sabia que ele estava falando besteiras. Respirei fundo e disse:

– Eu fiz almoço, vai não me deixar entrar?

Ele ficou em silencio por alguns minutos e disse:

– Você é perigosa de mais para ficar aqui.

– Aqui é a minha casa Alex. Por favor me deixe entrar. Eu não tenho mais para aonde ir, estou sendo perseguida por tantas pessoas diferentes e aqui é o meu único abrigo. Hoje não seremos mais invadidos.

Desci as escadas e fui até uma pequena cabana no fundo da casa. Lá tinha materiais de construção. Levei tudo para a sala. Subi com o sofá algumas mobílias para o primeiro andar e coloquei no quarto do Brian. Desci as escadas e comecei meu trabalho. Coloquei madeiras em todas as janelas, as cobrindo completamente. Cobri a porta da entrada. Coloquei uma mesinha pequena na frente da porta da cozinha, encostada na porta com um vaso equilibrado na ponta oposta, caso alguém tentasse entrar o vaso se quebraria. Depois de ter feito tudo isso era 10h47min A.M. Subi as escadas e comecei a trabalhar com as janelas lá de cima. Cobri todas as janelas, alguns buracos do chão e parede. Depois fui para o lado de fora. Peguei uma escada e fui para o telhado. Consertei todos os problemas de infiltração que eu tinha sofrido por anos. Depois de tudo voltei para casa e armei meu pequeno sistema de segurança da cozinha. Subi as escadas e disse:

– Alex preciso conversar com você.

A parede se abriu e eu entrei. Ele estava sentado na cama de costas para mim. Eu disse:

– Alex, você é um rapaz legal, mas acho que seria melhor você morar em outro lugar, por que terei muitas encrencas morando aqui sozinha, e você é praticamente um peso morto.

Ele ficou imóvel, sem reação. Depois de alguns minutos de silencio eu disse:

– Alex se vire para mim.

Ele se virou e olhou para o meu rosto e depois voltou a ficar de costas. Eu era bem calma, mas passei a manhã toda fazendo trabalhos pesados sozinha, e não ia ser tão paciente. Respirei fundo e disse:

– Alex eu estou fazendo todo o trabalho para está casa ficar segura, sozinha. Você pelo menos poderia ter me ajudado ou simplesmente se importado.

– Fique quieta por favor.

– Como é?

Ele se virou e disse:

– Não vou falar com uma garota impura.

Respiro fundo e digo:

– Saia imediatamente daqui.

Ele me olha com uma expressão de quem não entendeu. Eu repito de um jeito simples:

– Saia da minha casa agora, se não vou te tirar daqui a força.

– Você não conseguiria ter força para me tirar daqui, e nem a coragem para isso.

Aquilo me parecia um desafio. Ando até a direção dele e puxo seus ombros para trás. Ele cai de costas na cama. Agarro suas pernas e puxo com força, mas ele está segurando firme na cama. Aperto uma de suas costelas com uma mão e com a outra o puxo. Ele solta uma mão da cama e o puxo com força. Ele cai no chão e começo a puxa-lo para o térreo. Foi um pouco complicado para descer a escada, mas com um pouco de força consegui tirar ele de lá. Chego na sala e seguro seus braços e o levanto. Ele me empurra (sem me fazer sair do lugar) e diz:

– Você é como eles! Quer que eu morra!

– Não, eu só quero que você me ajude a te ajudar. Eu não posso ficar carregando um peso morto. Eu consegui fazer essa casa ficar mais segura, em quanto você se lamentava pela perda da sua irmã e da sua esposa. Você tem que superar e mudar. Ela disse que você e Trevor estavam seguindo pelo caminho mais fácil, um caminho que acabou fazendo elas se matarem e até agora nenhum de vocês saiu dele. Eu vou te fazer uma proposta: começa a me ajudar agora e te deixo ficar aqui ou não me ajuda e vai embora agora.

Ele ficou em silencio por alguns poucos segundos e disse:

– Vou arrumar minhas coisas.

– E eu vou junto, para você não se trancar lá.

Subimos as escadas e vamos até o quarto escondido. Ele arruma rapidamente algumas coisas que coloca em uma caixa. Ele desce as escadas e vai até a cozinha. Tiro o vazo de lá e abro a porta. Ele fala:

– Trevor me levava para festas, eu ia por que achava que era correto. Minha irmã não suportava ver isso, já a irmã de Trevor gostava. Ela era igual ele. Minha irmã a matou e depois se suicidou. Quando vi aquela cena não sou mais o mesmo. Me afastei de Trevor. Deveria fazer o mesmo.

Ele saiu pela porta e já a fecho, tranco e preparo a armadilha. Vou até o armário e pego um prato e uma colher. Coloco um pouco do meu almoço no prato e como sem pensar muito. Quando termino lavo o prato e coloco a panela na geladeira. Olho no relógio: 12h07min. Tenho quase que quatro horas para me preparar para o pior. Subo as escadas e aprendo a abrir e fechar a parede (é uma alavanca que tem dentro do armário) e descubro que tem como eu abrir por fora (uma alavanca escondida no lado da escada). Coloco alguns objetos que são importantes de eu ter na mão, e umas recordações. Decido tomar outro banho. Pego uma regata branca e umas coisas e vou até o banheiro. Tranco a porta e vou direto ao chuveiro. Depois de um tempo saio quase que pronta de lá. Ainda eram 02h09min P.M então decido testar o meu sistema. Vou até a cozinha e observo se o vazo continua no mesmo lugar. Pego uma tesoura e um fio de náilon que tem no armário. Vou até as escadas e arrumo uma maneira de amarrar o fio lá. Vou até o quarto dos meus pais e prendo uns pedaços do fio pelo quarto, que faria alguém cair. Eu me deito um pouco na cama dos meus pais. Estava cansada de tudo aquilo. Não tinha nenhuma luz acesa, então a casa estava completamente escura. Me levantei e fui até a cozinha. Abri a porta e depois só a tranquei. Eram já 03h35min P.M, e aproveitei para dar uma volta. Eu tinha encontrado uma antiga tiara que minha mãe tinha comprado para mim, que tinha umas mechas loiras, bem compridas. Coloquei a tiara, e tentei disfarçar os cabelos. Fui até a antiga escola, e me sentei em um banco que ficava na frente da escola. Tinham vários jovens conversando e se divertindo. Comecei a observar que a maioria daqueles jovens eram loiros, e agiam de uma forma estranha. Olhei em volta, só tinha eu e aqueles jovens. Voltei a me concentrar neles. Todos sorriam sem saber do triste destino que teriam que tomar. Olho no relógio: 03h48min P.M. Estava na hora de eu atravessar a cidade atrás do meu novo destino e talvez um antigo. Chego lá às 03h53min P.M e presto atenção no prédio. Era um prédio branco e de vários andares bem simples. Bati na porta com força e ouvi:

– Quem é?

Tinha um olho magico e dava para notar que a pessoa estava olhando por ele. Disse em um tom de voz baixo:

– Lucy.

– Nome completo.

Odiava meu nome completo, mas não iria me irritar com aquilo:

– Lucy Prier.

O rapaz ficou em silencio por alguns minutos. Consegui ouvir uma movimentação que aumentava cada vez mais. Então a porta se abriu e Trevor estava lá, sorrindo. Ele disse:

– Lucy Prier é uma honra ter a vossa presença em minha humilde residência.

– Para mim não tem tanta honra...

– Por favor, entre.

– Não, podemos conversar aqui fora?

Ele riu e olhou para mim com um rosto familiar e disse:

– Não confia em mim?

– Ainda não conheço você para poder confiar.

Ele sorriu de uma forma diferente. Não entendo, mas já vi esse sorriso antes. Ele disse:

– Então não me deixa com outra opção a não ser ficar do lado de fora com você.

Ele saiu sozinho. A porta foi fechada e ele me acompanhou até um banco branco. Nós sentamos e ele disse:

– Sabe, deve ter notado que Alex é mais besta do que imaginava. Ele segue a categoria da linhagem dele.

Ele sorriu e eu disse:

– Eu não sigo nenhuma linhagem.

– Sim, a maioria das garotas da linhagem ruiva acabam caindo e armadilhas simples e você não. Muitas das garotas da minha linhagem foram totalmente estupidas e caíram nas armadilhas do mundo. Você é uma mistura das linhagens então tem o atributo de todas as linhagens.

Eu era mesmo uma grande mistura. Estava virada para ele e disse:

– Sabe, eu sei que não deve estar esperando essa pergunta, mas como começou essas linhagens?

– Nós viemos a terra para poder tornar ela mais habitável. Nós trabalhamos em duplas, mas não deu tão certo como o esperado. Então estamos a milênios esperando a garota que quebraria os problemas e tornaria este planeta ridículo habitável.

– Acho que encontraram a garota errada.

– Não, você não tem medo de demonstrar os sentimentos e sabe fazer o que nós há anos não aprendemos a fazer. Amar.

– Sim, mas não devo ser a garota certa.

– Nenhuma garota nunca conseguiu destruir algum garoto da minha linhagem. Você é uma garota única que nunca será substituída, mesmo muitos querendo. Se você se aliar a mim não deixarei ninguém te perseguir...

Eu o interrompi:

– Mas você me perseguirá, você que fez eles me perseguirem. Não, eu não vou aceitar essa sua proposta.

Ele ainda sorria. Ele passou a mão pelo meu cabelo e tirou a tiara e disse:

– Vou lhe dar um tempo. Hoje antes das nove, passarei lá para conversarmos...

– Não, minha resposta é essa. Você é um ótimo rapaz, mas não vou simplesmente me juntar a ninguém.

Me levanto e ele segura minha mão. Meus cabelos caíram sobre e o ombro e ele se levanta e diz:

– Sabe tome cuidado com sua escolha.

Ele passa as mãos nos meus cabelos e respira fundo. Ele beijou minha bochecha e saiu. Eu saio de lá imediatamente e me dirijo a minha casa. No caminho encontro Brian. Eu pego a mochila e digo:

– Brian é melhor não nos encontrarmos novamente. Eu pretendo fazer algo idiota e não quero te meter no meio dessa encrenca.

Ele sorri e diz:

– Eu já estava nessa encrenca desde que te conheci e não vou sair dela.

Eu ri e disse:

– Não Brian, você não vai se meter mais ainda nisso. O que eu mais quero é que você viva, que você possa ter uma vida com uma mulher e filhos e não que seja preso a mim.

– Mas a única pessoa que eu quero ter filhos e chamar de esposa é você.

Eu corei. Segurei as lágrimas e menti:

– Brian, eu não quero poder te chamar de meu.

Abaixe a cabeça e sai correndo de lá. Não me importava o que eu ouvia. Não enxergava nada, pois não parava de chorar. Abri a porta e entrei. Tranquei a porta e me sentei com as costas apoiadas na porta. Coloquei a cabeça entre os joelhos e chorei.