Armas da vida

21 Capítulo 21


Fui acordada pela Julie. Ela estava com o rosto coberto de lágrimas. Rapidamente me levantei assustada e disse:

– O que aconteceu?

– A Carol... – Ela voltou a chorar.

Fiquei totalmente preocupada com ela. Então disse:

– O que aconteceu com ela?

– Ela estava muito triste pelo o que o Jack fez com ela, e tinha que ser expulsa ou morrer. Ela não iria conseguir fazer isso sozinha, ela não tinha coragem. – Julie voltou a chorar. Já tinha notado que ela não iria me contar toda a história. Me levantei da cama sem me importar com a roupa que estava e andei até onde o Tyler trabalha. Bati na porta de onde ele trabalha. Ele abriu a porta com cara de sono. Ele me deu licença e entrei lá. Me sentei na maca e disse:

– Por que a Carol tentou machucar o Felipe?

– Tome isto.

Ele me entregou o meu remédio. Tomei e ele disse:

– Ela queria se matar, e tentando “matar” o Felipe poderia voltar para casa, mas ela estava completamente errada, “eles” a fuzilaram. Antes que me pergunte eles irão pegar uma arma – Ele andou até uma mesa e mexeu em algumas coisas e tirou uma arma e disse- calma, não tem balas. Eles vão atirar nela e depois é só mudarem o corpo dela e vão achar que ela se matou. Tome – Ele me entregou a arma. Ela é pequena o suficiente para caber no bolso da meu short- Lucy você tem que tomar cuidado, “eles” estão achando você perigosa, e se acharem que você é uma ameaça aos planos dele vão fazer o que fizeram com a Carol em você. Você fica bonita com a minha blusa.

Ele se aproximou de mim e me pegou nas minhas mãos. A arma estava no meu bolso. Ele começou a andar devagar pela sala. Ele disse:

– Brian me contou que não sabe dançar. – Soltei uma risada e ele continuou- então vou lhe ensinar. Coloque a mão no meu ombro. – Ele pegou na minha mão e apoiou no seu ombro- e eu vou colocar minha mão na sua cintura- ele fez o que disse.

Não fiquei nervosa. Ele andava dois passos para um lado, e dois passos para outro. Ficamos assim por um tempo. Ele me deu umas voltas no ar, perdi o equilíbrio, mas ele não me deixou cair. Me sentia segura com ele, e não queria sair de lá. Ele parou e eu sorri. Ele ainda segurava minha cintura e minha mão. Ele disse:

– Lucy, eu sei que ainda não está entendendo muito sobre o que está ocorrendo mais saiba que pode confiar em mim e no Brian.

Assenti com a cabeça. Sentia falta de algo na minha vida e aquela pequena dança me fez me sentir completa. Ele disse já soltando a mão da minha cintura, mas ainda segurando minha mão:

– Você deve ir comer seu café da manhã. Lucy evite falar com qualquer pessoa e não se sente com ninguém. Viu?

– Claro, não terei problemas com isso.

– Cadê sua bengala?

– No quarto.

– Você não deveria estar a usando?

– Deveria?

– Sim Lucy, deveria.

Eu e Tyler rimos. Ele me acompanhou até a porta e eu fui embora. Encontrei Brian no corredor. Ele sorriu automaticamente para mim e continuou o caminho dele. Eu não entendo o comportamento dele, do nada ele é feliz, ama todos e de repente ele se irrita e quer matar a todos. Ao chegar no refeitório entro na fila da comida. Jin fica do meu lado na fila, e como Tyler disse não falo nada com ele. Fiz meu prato (e para falar a verdade nem consigo me lembrar do que tinha, mesmo que eu quisesse) e me sentei em uma mesa longe da porta (uma mania que acabei adquirindo de Brian). Jin não sentou comigo, mas sim em um grupo de homens. Eu comi meu café da manhã sem me importar muito com o que fosse e fui embora para a sala de treinamento. Os treinamentos eram leves para todos menos para mim. Kyle correu comigo algumas voltas em volta da sala e depois me “ajudou” a levantar uns pesos, mesmo não precisando. Depois ele me fez ficar alongando por um grande período de tempo, e eu não conseguia entender o motivo. Não fizemos nada de especial. Kyle alongou minhas pernas, mas não voltei a correr. Ele me fez voltar a levantar alguns pesos. Depois de ficarmos muito tempo levantando peso, voltei a correr. Quando terminei de correr Kyle disse:

– Lucy se quiser parar por sentir dor é só me avisar.

– Não sinto dor Kyle, pelo menos não senti até agora- eu disse ofegante.

Kyle olhou para mim sem conseguir entender muita coisa. Eu sou diferente e no mundo que eu vivo ser diferente é ruim. Quando era mais jovem sempre sonhava que ser diferente era bom, e meus pais sempre diziam isso. Queria muito poder voltar a abraçar minha mãe, sorrir com ela, ouvir meu irmão contar sobre o trabalho dele e ver o olhar estranho do meu irmão para mim. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Limpei a lágrima e fingi que nada tinha ocorrido. Kyle estava um pouco distraído e eu me sentei um pouco para descansar. Não sei por que comecei a olhar as garotas fazerem aqueles saltos ridículos, e veio uma enorme vontade de participar daquilo. Fui até o dormitório e peguei duas coisas que estavam na minha mochila: um rádio e um CD. Fui até lá e falei a Susie:

– Susie, posso fazer uma pequena participação?

– Não.

Kyle e Brian foram até a Susie e falaram alguma coisa para ela que a fez ficar assustada e ela então gritou:

– Lucy você pode participar da aula.

Fui até elas. Julie ficou do meu lado e me perguntou baixinho enquanto Susie falava:

– O que você vai fazer?

– Surpresa.

– Lucy, faça o que pretende e rápido. Ainda tenho aula para dar.

Levantei-me e fui até uma parte que tinha um tatame no chão(onde eu normalmente treinava com Brian, e ainda tinha umas partes com manchas de sangue, que deveria me fazer ter medo de lutar, mas somente me inspirava a querer lutar mais). Coloquei o rádio no chão (o rádio era movido à pilha) longe de mim com um CD do “Slash” (foi muito difícil conseguir aquele CD, por que na época já era proibido à comercialização de produtos, mas o CD já estava em venda lá, e a policia não fez nada contra) do álbum “Apocalyptic Love” a música “Anastasia”. Depois que meu irmão foi embora para os testes eu fiquei um tempo treinando, mas não tinha com quem lutar, então aperfeiçoei minhas técnicas com música. Eu ia até a floresta, em uma parte aberta e treinava com está música. Eu nunca mostrei todos meus talentos, mas naquela música eu mostrava todos os meus talentos e também minha elasticidade (que era bem grande, por que treinei desde pequena). Começou a música e comecei descendo ponte, depois fazia uma estrelinha para trás, saltava no ar em uma cambalhota e caia em uma escala frontal, fazia uma cambalhota para trás, me levantava, dava um soco e um chute, andava para trás e ficava em posição de ataque até o começo do solo inicial. Quando começava o solo, fazia três estrelinhas para frente direto, abria escala frontal e socava baixo, me levantava rápido, fazia uma estrelinha para o lado, e fazia uma estrelinha sem usar as mãos e em quanto a fazia a estrelinha dava dois socos no ar. Sorria e andava para frente de uma forma sedutora. Quando chegava na frente, descia até o chão de uma forma sedutora e fazia uma cambalhota para trás e ia para o fundo da sala. E quando começava a cantar eu usava uma técnica que meu irmão me cobrava sempre “sua maior arma é a sedução, é uma garota bonita, qualquer garoto endoidará vendo você agindo de forma atraente e não vão poder contra você” está parte da minha vida não dá para ser escrita, só estando lá para ver. A música tinha no total 06min07seg de duração, mas eu sei que todos pararam durante este tempo. Quando a música acabou, todos me olhavam, perplexos pelo que fiz. Kyle gaguejou:

– Está na hora do almoço.

Não iriamos precisar voltar para lá, só voltaríamos ao centro de treinamento físico mais tarde, na hora do baile. Ao sair de lá peguei meu som e o CD e fui direto para o quarto. Os garotos faziam comentários entre si quando eu passava, na verdade, não só os garotos, como as garotas também. Guardei o som e o CD na mochila e fui almoçar. Almocei quase nada, não sentia fome. Fui ao dormitório. Não tinha quase ninguém lá, então fui ao banheiro e tomei um banho rápido. Lavei meus cabelos, que estavam compridos, com a cor vermelho fogo e tão finos como um fio de seda, mas eram bem cheio. Não o prendi e sim deixe ele solto. Coloquei a blusa do Tyler (eu tinha gostado dela mesmo não tendo estampa, mas o cheiro dela era maravilhosa) e uma calça Jens. Faltava muito tempo para o baile então voltei ao dormitório. Fui na minha mochila e mexi um pouco nela, até encontrar um caderno antigo e uma caneta. Fui até minha cama e sentei nela. Na capa do caderno dizia: “diga tudo o que não pode dizer mesmo sendo errado, mesmo sendo certo”. Meus pais viviam dizendo isso. Quase todas as páginas estavam preenchidas com minha vida. Aquele caderno era antigo, mas nunca tinha gostado de ficar parada, então mal escrevia nele. Comecei:

“Sei que faz tempo que não escrevia mais em você, e não existem desculpas para tal ato. Sei que tem algo errado aqui, acho que deve ser a comida. Brian, Kyle, Tyler, Felipe, Liam, Charles, Neo são legais comigo. Não gosto muito desta compaixão das pessoas. Queria que essas pessoas fossem sinceras comigo, sinto que tem algo que eles querem de mim. Não posso tentar dizer o que é, pois gastarias páginas com coisas sem base. Aqui estou eu sentindo algo especial por rapazes, acho que seria amor. Esses sentimentos sempre me atrapalham quando pretendo sair deste lugar o mais cedo possível. Ainda não gosto daqui, e sinto que estou no lugar errado, na hora errada e no momento errado. Mamãe dizia que eu era importante no agora, espero que ela esteja certa, porque ainda não achei minha importância no mundo. Papai dizia que o mundo parece ser sociável, mas é bárbaro. Ficava com medo do que aconteceria comigo no mundo, mas hoje sei que eu vou cuidar para o meu mundo ser o melhor possível trabalhando no meu amanhã. Eu irei fazer o mundo melhor, ou pior, só sei que farei com que este teatro pare de funcionar. Cullen já tenho que ir, é obrigado por me dar confiança e por me fazer saber que eu posso confiar em você. Sim eu não ia esquecer-se de falar sobre meus olhos e meu cabelo. Meu cabelo está na altura da minha cintura e vermelho e cheio, mas ainda tenho a mania de minha mãe de sempre mantê-lo preso. Ainda não tenho coragem de pintar o cabelo como meus pais faziam, mas ainda escondo meus olhos. Cullen derramei uma lágrima ao lembrar das coisas que passei. Sinto falta de você do meu lado, ainda creio que voltará a ficar comigo como nos velhos tempos . Quase ia esquecer, hoje foi a ‘última’ aula, então fiz o que eu treinei por anos. Enfrentei meus medos e ‘dancei’ na frente de todos. Necessito ir, ocorrerá um baile.”

Fechei o caderno e levei ele até a minha mochila. Olhei as horas: 03h37min P.M. Decidi que iria visitar Tyler. Coloquei uma bota bonita que eu tinha feito com minha mãe (a bota tinha detalhes em azul e dourado e era feita de couro) e fui ver Tyler. Ele estava na porta do hospital conversando com uma garota loira. Ela não se importou comigo e continuou a falar com Tyler. Me sentei e esperei eles terminarem de conversar. Ao terminarem ela se foi sem olhar para trás. Ela pisava pesado, parecia que estava com raiva. Tyler me abraçou e me levou para sua sala. Ele disse:

– Suas pernas já estão ótimas.

– Eu notei! Tyler eu ainda tenho que melhorar na dança, poderia me ajudar?

Vi um grande sorriso se formar nos lábios dele. Ele segurou minha mão direita e sua mão esquerda ele posicionou na minha cintura. Eu segurei sua mão e posicionei minha mão em seu ombro. Ele contava até quatro em um volume que eu poderia ouvir. Ele parou e foi até sua mesa e ligou um pequeno rádio em um volume bem baixo e ficamos dançando por um curto período de tempo, e ele disse:

– Eu tinha umas irmãs mais novas, e acabava fazendo muitas tranças nos cabelos delas, quer que eu faça no seu?

Fiz que sim com a cabeça. Tyler passava seus dedos levemente pelo meu cabelo. Ele fez uma linda trança que pegava meus cabelos e juntava em pequenas mechas. Ele me mostrou e o abracei e ele me disse:

– Vá onde você estava comendo normalmente pois tem uma pessoa querendo falar com você, vá antes de ir ao baile. Pode ir com a roupa do baile mesmo.

Assenti com a cabeça e fui de volta ao dormitório. Todos me olhavam com olhares de inveja, ciúme. Não me importei. Quando voltei ao dormitório tinha muitas garotas se trocando, estressadas. Quando viram meu cabelo notei que ficavam a notar cada detalhe como se pudessem destruir ele a qualquer minuto. Me vesti sem me importar que estavam me olhando. O vestido continuava caindo bem em mim. Peguei o batom e fui até o refeitório e todos os olhares se voltavam para mim. Odiava ser notada. Sorri e fui na direção da mesa que sempre sentei. Charles entrou e se sentou na minha frente. Ele segurou minhas mãos e senti uma picada. Ele disse:

– Calma, isso é nada de mais, só um pequena dose para te acalmar- Ele apontou para a porta em que Tyler e Brian entravam.

– Oi minha linda- Brian se sentou do meu lado direito e Tyler do meu lado esquerdo. – Guarda um segredo?

Agarrei as mãos de Brian e disse:

– O que você bebeu Brian?

– O seu amor e muita vodca.

Tyler segurou meus braços em quanto Brian agarrava minhas pernas. Chutei Brian que caiu para trás.