Armas da vida

11 Capítulo 11


Tive que fingir que estava dormindo. Levantei-me e Carol e Julie me olharam. Eu estava bem disposta ao contrario delas. Então Julie disse:

– Lucy eu sonhei com você. Você espancava o Brian. E chegou um monte de gente e te tirou de lá.

– Que estranho eu tive um sonho parecido. Mas eu e o Jack, nós... – Ela parou e viu que estava falando com a gente e completou- nos abraçando.

Eu ri e a Julie olhou para ela com o rosto malicioso. Elas tiveram que trocar a roupa, mas o Brian me deixou com a roupa que estava. Carol perguntou:

– Lucy por que você está de roupa?

– Porque eu não queria ficar pelada.

– Não, por que você não esta de pijama?

– Eu estava muito cansada e fui dormir com roupa que estava mesmo.

Carol não discordou e fomos comer. Eu estava com muita fome. Não tinha comido mais do que meu café da manhã. O estranho é que nenhum deles estava com fome. Eu peguei um pouco de tudo que tinha e comecei a comer, como se nunca tivesse visto comida. Jin comentou rindo:

– Lucy que fome é essa?

– A minha! – Disse com a boca cheia.

– Nossa Lucy, estas lutas estão lhe ajudando em alguma coisa.

Ignorei o comentário dele e continuei a comer. Depois que acabamos fomos para o treinamento. Cada um tinha um lugar para ir menos eu. Eu sempre ficava perdida. Brian se aproximou de mim e disse:

– Hoje está mais disposta.

– Tive uma boa noite de sono.

Ele me olhou por um pequeno tempo e disse sorrindo:

– Lucy já que- ele olhou em volta e falou baixo o suficiente para somente eu ouvir- você rasgou o saco de pancadas- Ele riu e voltou a falar alto- faremos algo diferente. Quero que escolha algo para fazer.

– O que você acha que eu sou melhor.

– Pelo o que eu vi hoje de manhã, você é boa em carregar peso por um longo percurso. Farei com você o mesmo treinamento que algumas pessoas que passaram por aqui tiveram.

Ele andou em direção a um armário e pegou uma grande sacola, estilo de saco de pancadas e disse apontando o jeito que pegava a coisa:

– Este é um boneco de treinamento, vai segurar ele desse jeito. — ele então demonstrou como e continuou- Vou leva-lo até o fim da sala e você terá que correr da porta até o fim da sala e trazer o boneco até a porta do jeito que estou carregando. Será fácil, se você conseguir.

Ele foi então até o outro lado da sala e encostou o boneco na parede. Ele então foi em minha direção e começamos a andar em direção a porta. Quando chegamos lá ele sorriu para mim. Ele olhou no relógio e levantou o braço, quando deu um tempo ele abaixou e corri em direção ao boneco. Brian então gritou:

– Não desviem da Lucy.

Tive que fazer um grande caminho. Sempre tinha pessoas que estavam no caminho. Quando cheguei tive que pegar o boneco. Ele era bem pesado, muito mais que o Jin. Respirei fundo e pensei: Se o Brian consegue eu consigo. Com muito esforço coloquei o boneco nos meus ombros e comecei a andar em direção a porta. Brian então correu e ficou do meu lado gritando:

– Por que está fazendo isso?

– Por que eu quero! – Estava ofegante, tentando correr, mas as pessoas não abriam caminho. Ele falou com raiva:

– Lucy você pode largar esse boneco e ir fazer outra coisa, para que insistir nisso?

– Eu acredito Brian, diferente de você, que consigo carregar este boneco até a porta, se você não acredita saia daqui.

Mas ele fez o contrario e parou bem na minha frente. Eu estava bem perto da porta. Ele então disse:

– Se quer chegar à porta terá que passar por mim.

Virei-me e apoiei o boneco em uma das maquinas de exercício. Virei-me e ele já estava em cima de mim. O segurei pelos braços. Por ser perseguida ontem o dia todo aprendi umas técnicas. Usei seu peso para derruba-lo, mas ele estava lutando como lutava comigo antes de vir para cá: para ganhar, não importava como. Lembrei-me de telo chutado inúmeras vezes em um só local, e foi lá que o chutei, mas ele só tropeçou. Eu tive que larga-lo para poder chuta-lo e ele ganhou uma vantagem. Ele me deu uma rasteira, mas segurou minha mão, mas depois que notou o que fez a largou rapidamente. Eu cai de costas, mas quando ele se aproximou o chutei com força conseguindo o empurrar para longe. Levantei-me o mais rápido que consegui e corri em sua direção e o soquei e o empurrei para longe de mim, mas quando me virei e tentei correr para pegar o boneco ele me empurrou e me derrubou no chão. Ajoelhou-se por cima de mim e olhou no fundo dos meus olhos e começou a me socar no rosto. Eu gritei:

– Brian pare!

Já que ele não parou rapidamente segurei o seu pescoço e o apertei até que ele começou a se engasgar e parar de me socar. Ele caiu para o lado e segurei seus braços e olhei em seus olhos e disse:

– Brian você está louco?

Meu sangue pingava em seu rosto. Fiquei ali até que ele respondeu:

– Lucy seu rosto esta sangrando! Por que está me segurando?

– Olhe para as suas mãos.

Quando ele as olhou e viu que estavam totalmente ensanguentadas, eu o larguei e ele disse:

– Desculpe Lucy. Faça assim vá para o seu dormitório e lave seu rosto no banheiro. Chame alguma amiga sua para te ajudar.

Eu concordei. Decidi chamar a Julie, pois ela era mais animada, e a Carol estava ocupada com o namorado. Cheguei do lado da Julie e disse com a mão no rosto para tentar fazer parar de sangrar:

– Julie vai comigo no banheiro do dormitório para limpar meu rosto?

Ela se virou para mim e disse com a voz bem calma:

– Claro.

Nós fomos em direção ao quarto. Julie estava do meu lado direito segurando meu braço para eu não cair. Ao chegamos no banheiro ela trancou a porta e me ajudou a lavar o rosto. Ela pegou papeis e cobriu o meu rosto para parar de sangrar e disse:

– Lucy faremos assim: eu vou voltar para o treino e pedir para a Susie alguns curativos para seu rosto e antes de entrar aqui eu pego outra blusa para você. Já volto.

Ela saiu calmamente. Quando ela saiu eu tranquei a porta e tirei os papeis do meu rosto. Ele estava cheio de hematomas e cortes. Minha boca estava inchada e meu olho esquerdo estava roxo. Molhei minha mão com a água da pia. Ela estava bem gelada e passei no meu rosto. Minha blusa que antes era azul, estava quase toda molhada e escura. Decidi tirar ela logo para não ficar me achando pior do que estava. Demorei um tempo para conseguir tira-la. Alguns cortes voltaram a sangrar, mas eu passei água neles. Meu rosto estava muito machucado. Ele estava ou de três jeitos: cortado, roxo ou vermelho. Julie chegou em pouco tempo. Ela bateu a porta e disse que era ela. Abri a porta e ela entrou. Trazia consigo uma caixa e uma blusa. Ela então disse:

– Lucy isso vai doer um pouco, mas tenho certeza que você aguenta. É uma garota forte, aguentará isso.

Não conseguia falar por causa do inchaço da minha boca. Simplesmente fiz que sim com a cabeça. Ela passou um remédio no meu rosto e colocou alguns curativos nele. Passou um remédio que ardia no meu olho para tentar tirar o hematoma roxo, e teve que passar algo nos meus lábios para eles pararem de sangrar. Depois ela amarrou meu cabelo em um rabo-de-cavalo e fez uma trança. Ela me ajudou a colocar a blusa preta, com as costuras em branco. Ela me olhou e disse:

– Você não esta muito linda, mas acho que vai te ajudar. Os seus olhos estão estranhos, acho que tem algo neles...

Eu fiz sinal de tempo com as mãos e saímos do banheiro e escrevi em um papel: “Não conte a ninguém, mas eu uso lentes para esconder a cor dos meus olhos”. Ela então disse:

– Seu segredo está salvo comigo!

Ela pegou meu braço e me levou em direção à sala em que treinamos. Era 11h27min A.M. Julie foi direto ao seu treinamento e Jin veio correndo em minha direção e disse:

– Lucy, por favor, pare de lutar! Não posso te ver se machucando e não poder fazer nada.

Fiz que não com a cabeça e apontei para a pista de corrida e ele me olhou triste e concordou com a cabeça e foi para lá. Fui me dirigir à arquibancada, mas Brian me viu e foi andando em minha direção. Aumentei minha velocidade, não suportaria ver o rosto dele. Mas ele andou do meu lado e disse:

– Posso falar com você em outro lugar?

Parei e olhei para o chão. Fiz que não com a cabeça, mas ele disse:

– Lucy, preciso falar com você. Quero te esclarecer algumas coisas.

Olhei para ele. Não conseguia o ver direito por causa das lentes e por que um olho estava inchado, mas fiz que sim. Ele pegou na minha mão e gritou:

– Susie vou pegar um gelo para ela- Ele apontou para mim. Ela deu de ombros e ele saiu comigo.

Ele fez um caminho que me parecia familiar. Ele largou minha mão e entrou em uma sala. Fiquei parada na porta e ele voltou depois de um tempo com um saco de gelo. Ele me entregou e pegou na minha mão e continuamos andando. Ele então fez uma curva que conhecia e entrou na primeira sala a direita. Ele trancou a porta e me guiou no escuro até uma porta que abriu e acendeu a luz. Era um banheiro. Ele então disse:

– Lucy pode sentar nessa cadeira.

Na cadeira tinha alguns papeis que pareciam importantes. Os tirei e o entreguei. Ele saiu. Direcionei-me a um espelho e tirei todos os curativos do meu rosto. Conseguia falar. Ele voltou depois de um tempo com uma caixa e uma blusa dele. Ele então disse fechando a porta:

– Lucy eu vou te ajudar a tirar essa blusa e colocar uma minha, para não molhar a sua blusa.

– Eu não vou tirar a blusa com você me olhando.

– Lucy eu sou seu irmão!

– Nem que você fosse meu pai eu faria isso.

– Para de frescura, se não vai ter que sair com a minha blusa. E você usa sutiã, não vou ver nada de mais.

Então estiquei meus braços e ele delicadamente tirou minha blusa. Não gostava do jeito que ele me olhava. Ele me ajudou a colocar a blusa dele. Ele então colocou a mão dele delicadamente no meu rosto e disse com a voz triste:

– Desculpe Lucy. Quando eu luto penso que foi alguém que fez algo ruim para você.

– Eu?

– Sim, Lucy eu sempre tentei te protege, sempre tentei fazer isso. A coisa mais difícil que eu tive que fazer foi ter que fingir morrer e ter que vir para cá. Você ficou pouco tempo sem mim, mas eu tive que fazer.

– Você ficou três dias longe de mim.

– Aposto que você fez muitas coisas idiotas quando estava fora...

Eu soltei uma risada e ele disse:

– Eu queria que você lavasse o rosto.

Fiz que sim com a cabeça. Levantei-me e me direcionei para a pia. Toda vez que jogava água no meu rosto ardia muito. Segurei-me para não gritar de dor. Sequei meu rosto com uma toalha. Decidi tirar minhas lentes. Quando as tirei minha visão estava melhor. Olhei-me no espelho e o que eu vi não poderia ser eu. Era só: uma garota com o cabelo ruivo em uma trança, com o olho esquerdo roxo e inchado, com o rosto cheio de cortes, com a boca inchada e que a coisa, mas bela do rosto eram seus olhos. A cor deles eram vermelhos, como alguns cortes perto de seus olhos. Virei-me e andei em direção à cadeira. Brian disse:

– Não me lembrava da cor dos seus olhos. Faz tanto tempo que você não tira essas lentes.

– Mas ainda não posso deixar verem.

– Eu sei.

Ele abriu a caixa e tirou algumas coisas de dentro. Ele colocou alguns remédios que fizeram os cortes pararem de doer. Depois disse:

– Esse olho roxo vai demorar para sair.

Ele passou outro remédio no meu olho. Depois me deu o gelo e disse:

– Passe na sua boca para ela parar de inchar.

Concordei com a cabeça. A blusa do Brian estava toda molhada e suja de remédios. Ele disse:

– Posso arranjar outras lentes para você. Vou ali atrás delas está bem?

Fiz que sim com a cabeça. Ele saiu e fechou a porta do banheiro atrás dele. Eu me levantei e me olhei no espelho. Estava parecendo mais humana, mas não estava bonita: os cortes estavam cicatrizando e não sangravam, mas ainda não estava bom, meu olho estava desinchando e menos roxo, meu rosto não estava mais com hematomas vermelhos. Tirei o gelo da minha boca. Ela estava não muito boa, mas estava melhor do que depois do acidente. Eu não estava me sentindo bem. Sentei-me, mas minha cabeça estava doendo muito. Ela não tinha ficado doendo, mas agora estava péssima, só me irritando, nada de mais. Eu fechei os olhos e imaginei que estava em casa, meu irmão era o mesmo e minha família não poderia sofrer mais. Queria que tudo só passasse de um sonho, mas quando abrisse os olhos veria que não. Queria morrer e me juntar aos meus pais, mas isso seria pouco possível. Tinha que ficar pelo meu irmão, mas não queria. Tudo me fazia querer chorar e morrer. Não existia Lucy. Eu não era mais a garota delicada que ignorava qualquer ofensa, que ficava com minha mãe ajudando a arrumar a casa. Agora só existe uma garota que não reconheço. Queria poder a descrever, mas ela nunca iria deixar. Abri meus olhos e me levantei e andei em direção ao espelho sobre a pia. Eu toquei no espelho com minha mão e vi que aquilo era real. Tentei sorrir, mas a imagem não refletia isso. Brian bateu na porta e a abriu. Ele então viu que eu estava em pé e disse:

– Trouxe as lentes.

Eu tentei sorri e as peguei e as coloquei nos olhos. Eu olhei e comecei a chorar. Ele se aproximou de mim e me abraçou. Eu então desabei, minhas pernas amoleceram e o agarrei com os braços, ele então disse:

– Lucy o que foi?

– Tudo, eu não sou mais a Lucy, sou a pior pessoa do mundo. – Estava quase que acabada.

Eu enrosquei as pernas em sua cintura e ele agarrou minhas costas. Minha cabeça estava em seu ombro. Ele disse:

– Não você não é a pior pessoa do mundo.

– Sou sim, nunca consigo fazer nada que me sinta feliz de fazer.

– Você só não sabe que fez isso ainda, mas você estar aqui agora é uma coisa simples, mas eu me sinto feliz demais de ter você aqui comigo.

As lágrimas começaram a fluir, mas era de emoção. Nunca soube que alguém ficaria feliz de estar comigo. Eu falei:

– Você está mentindo?

– Eu nunca mentiria para você.

Aquilo me deixou feliz. Tirei meu rosto do seu ombro e olhei para ele. Eu o reconheci. Era meu irmão novamente. Eu então disse:

– Eu te amo Brian, você é o melhor irmão que eu poderia ter.

Coloquei minha cabeça em seu ombro novamente e tirei as pernas da cintura dele e coloquei no chão e tirei as mãos do seu pescoço e beijei sua bochecha. Ele sorriu e disse:

– Vou lhe levar de volta para a sala de treinamento. Hoje você vai ficar no banco ok?

– Ok!

Ele pegou na minha mão e me guiou pelo corredor. Quando chegamos lá ele sorriu para mim e largou minha mão e entrou na sala. Eu entrei depois e fui em direção à arquibancada. Jin me viu e veio correndo em minha direção e disse:

– Lucy como você está?

– Um pouco melhor.

Eu continuei andando para a arquibancada e ele disse com um olhar confiável:

– Fiquei preocupado quando você caiu, mas não podia ir te ajudar.

– Por quê?

– Não temos permissão de ajudar no treino, temos que deixar a pessoa cair e aprender a levantar. O Brian disse isso no primeiro dia que esteve aqui. Você não se lembra?

– Eu não tinha prestado muita atenção no que foi dito no primeiro dia...

Cheguei na arquibancada e sentei no 2° degrau e disso:

– Você tem que ir treinar. Eu vou ficar aqui.

Ele concordou e saiu para o seu treinamento. A Susie me viu sentada ali e começou a vir na minha direção. Lembro-me de tela socado, mas não foi por querer foi mais pela emoção do momento. Ela chegou na minha frente, eu me levantei e ela disse:

– Sua idiota, me socou ontem e agora vai pagar!

– Eu não te soquei ontem.

– Não finja que não sabe, eu sei que “eles” tem pena de você!

– Do que você esta falando?

– CALA A BOCA SUA...

– Se acalme. – Decidi falar calma para tentar acalma-la. Andei devagar para o lado- Do que adianta ficar brava? Vamos fazer o seguinte: se eu te soquei ontem ou não, eu não me lembro disso, vai que foi um sonho.

Ela então tentou me socar, mas me abaixei. Não iria bater nela, ela só estava irritada. Ela tentou me chutar, mas eu fui para o lado. Ela então disse:

– Fica parada! Não sei como o Brian te suporta você é só uma menininha feia e idiota, tenho certeza que Anastasia o faria mais feliz que você.

Eu me aborreci e soquei o rosto dela, chutei seu estomago e antes que ela conseguisse ter equilíbrio dei uma rasteira nela. Ela caiu e eu disse:

– Não deveria ter feito isso. Se vai ficar com raiva vai perder seu tempo atoa e se tentar se vingar por algo que não aconteceu vai tentar algo impossível.

Eu me virei e sai de lá. Não poderia ficar parada. Fui em direção ao Jack. Já estava na hora do almoço. Ele estava levantando alguns pesos. Cheguei do seu lado e disse:

– Oi, vai almoçar agora?

Ele se virou e disse com um rosto que aparentava duvida:

– Quem é você?

– Lucy.

– Nossa o que ouve com você? Está péssima. – Seu rosto estava bem surpreso. Ele largou os pesos e olhou para meu rosto tentando não expressar nervosismo.

– Não é a primeira vez que ouso isso. Me machuquei na luta.

– Se machucou não, foi espancada.

– Vai almoçar ou não?

– A Carol me chamou para almoçarmos juntos.

– Jack, você gosta dela né?

– De quem?

– Da Carol, pode me falar, não conto para ninguém.

Ele olhou para os lados e me disse rápido e baixo:

– Eu gosto dela, mas ela não pode saber.

Eu me virei e gritei:

– Carol! O Jack que te contar uma coisa!

– Lucy!?

– Fale o que sente por ela logo antes que ela arranje outro.

Quando a Carol chegou eu me distanciei. Jin ficou do meu lado e disse:

– Eles vão se beijar?

– Com certeza.

– Quer ver isso e depois almoçar?

– Claro.

Jack beijou a Carol. O Jin falou:

– Que nojo!

Jack o olhou com a mão na cintura da Carol e disse:

– Faz melhor!

Jin se virou para mim e antes que eu pudesse falar para não me beijar ele estava vindo. Virei meu rosto no último instantes e ele beijou minha bochecha. Jack começou a rir e Jin disse:

– Que gosto ruim!

– Meu remédio é “anti-beijo”.

Jack riu e saiu com a Carol. Olhei para o Jin e disse:

– E alias, não se beija assim.

Fiquei na ponta dos pés e beijei a boca dele. Me virei para ir embora, mas ele segurou minha mão e disse:

– Lucy eu gosto de você.

Ele me puxou para perto. Me virei e ele me beijou. Eu disse rindo:

– E eu quero amar meu almoço. Daqui a pouco eu posso te amar mais.

Ele riu e fomos almoçar. Julie almoçou com a gente. Ela estava muito feliz. Ela disse que um garoto bonito assobiou para ela no corredor. Não sei por que eu acho que esse garoto deve ser o Kyle. Depois do almoço Brian chegou do meu lado e disse:

– Você vai para a barra.

Nós fomos até duas barras de metal presas a uma estrutura de madeira. Ele apoiou as mãos nela e puxou seu corpo para cima, e depois o abaixou e largou a barra. Ele me olhou e disse:

– Sua vez. Quero ver você caindo pessoalmente, não gosto que as pessoas me contem, sempre falta algum detalhe...

Ele estava estranho, mas mesmo assim fui fazer o que ele disse. Apoiei minhas mãos e pensei: “Eu sou forte que nem o Brian”. Respirei fundo e puxei meu corpo para cima. Meus braços ardiam de dor e queriam se soltar daquela barra, mas mesmo assim continuaram lá. Consegui chegar ao topo e me abaixei devagar. Brian disse com o rosto serio:

– Ótimo, faça mais 19.

Olhei para ele. Ele se virou e saiu andando para fora de lá com as mãos fechadas como se ele fosse socar alguém. Eu corri atrás dele e quando ele atravessou a porta agarrei eu braço. Eu disse:

– Brian o que ouve?

Ele pegou na minha mão e disse:

– Ainda está com dor? Venha vamos pegar gelo.

Ele entrou em uma sala que tinha pegou gelo mais cedo e disse:

– Venha.

Eu o segui e fomos ao mesmo quarto que fui hoje de manhã. Ele me guiou até o banheiro e disse:

– Você beijou aquele cara!

– Qual o problema Brian?

– Qual o problema? Você não pode ficar fazendo isso.

– Brian ele é um cara legal.

– Lucy você não deve sair por aí beijando pessoas. Por favor não namore com ele.

– Brian qual é o seu problema? Ele é muito legal. E só foi um beijo.

– Lucy você vai me prometer que não vai beijar ninguém na boca mais.

Ele trancou a porta e ficou na frente dela. Eu disse:

– Já que estamos nessa circunstarias eu aceito. Mas então eu não posso beijar ninguém?

– Sim.

Eu o olhei. Eu não amava o Jin. Eu não amava ninguém que eu possa querer beijar. Eu falei:

– Brian eu não amo o Jin. Não se preocupe. Mas me responda: o Kyle gosta de mim?

– Lucy você é linda. Todos que te vem se apaixonam.

Ele me olhou com um olhar perdido. Eu então eu disse:

– Prometo que só vou beijar uma pessoa.

– Quem? – Ele me olhava como se tivesse com raiva e ao mesmo tempo curioso.

– Não pode saber. Não ainda.

Ele riu e se virou. Ele abriu a porta e se virou para mim. Ele estendeu a mão. A agarrei e saímos de lá. Ele disse me entregando o gelo:

– Não pense que vai se safar da barra. Falta 19 vezes.

– Sério? E se eu te pedir, por favor?

– Vai para 24.

– Brian!

– Continua 19.

Eu ri. Quando chegamos à sala, larguei sua mão e andei em direção à barra. Coloquei na minha mente que só sairia dali até conseguir fazer aquelas 19 barras. Consegui fazer 17. Não tinha mais forças para me levantar. Com muito esforço cheguei nos 18. Não tinha largado a barra em nenhum momento e não largaria ela agora. Se minha mãe pedisse para fazer aquilo eu faria. Porque não pelo Brian? Respirei fundo e comecei a me erguer. Sentia meus músculos tensos. Não iria conseguir. De repente sinto algo segurar minha cintura e me erguer. Olhei para trás e vi o Jin. Comecei a rir e ele disse:

– Você não acha que isso é preciso?

– Sim. Você está ficando forte, mas não o suficiente para se erguer na barra.

Fiquei envergonhada. Ele me colocou no chão. Sorri e lhe disse:

– Jin eu gosto de você, mas eu não acho que devemos ter algo agora. Eu acho que ainda sou muito jovem.

Ele estava sorrindo e ficou sério. Eu dei um beijo em sua bochecha e decidi ir atrás do Brian. Ao chegar do seu lado disse:

– Falei com ele. Já fiz as barras.

– Muito bem. Quero que faça 15 flexões.

Olhei para seu rosto. Ele estava sério. Mesmo assim fui fazer o que mandou. Ajoelhei-me, apoiei as mãos no chão e estiquei as pernas. Respirei fundo. Comecei a fazê-las. Decidi que não iria fazer 15. Iria fazer até onde conseguisse. 20, 23, 27, 32. Quando cheguei a fazer 35 flexões e cansei. Virei-me de costas e olhei deita no chão para o teto. Eu queria que o Brian agisse como meu irmão, mesmo ele não sendo mais meu irmão. Não sabia por que, mas eu sentia algo estranho por ele. Eu queria que tudo que eu sentisse pudesse ser falado e que as pessoas aceitassem sem preconceito. Mas esse não era o meu caso e com certeza nunca seria. Brian colocou os pés do lado da minha cabeça e me olhou nos olhos. Eu sei que foi minha imaginação, mas eu achei que ele tinha sorrido. Ele então falou:

– Você não acha que passou de 15?

– Sim eu queria ver até onde aguentava.

Eu me sentei e apoiando com a mão no chão me levantei. Ele disse:

– Porque você acha que pode simplesmente me desobedecer?

– Eu não te desobedeci...

– Como? Eu mandei você fazer 15 flexões e você fez mais. Você fez quantas?

– 35. – Ele me assustava quando ficava sério. Ainda persistia em minha mente uma ideia de que ele agiria normal comigo, mas ele não agia mesmo que quisesse.

– Eu por acaso mandei você fazer 35?

– Brian eu só queria ver se eu aguentava.

– É mais se você se machucar, mais do que já se machucou a culpa será minha!

– Você que me machucou! Qual é o seu problema?

– Você é o meu problema. Já que você quer tanto ver até aonde aguenta você vai dar 35 voltas correndo aqui.

– Eu não consigo dar 35 voltas correndo. Brian você não deve estar bem.

Eu me virei para ir embora e ele agarrou meu pulso e disse:

– Se você tiver indo fazer o exercício que mandei eu largo seu braço, mas se não for...

Ele não deveria estar bem. Não sabia o que fazer, se eu fosse fazer o exercício e não conseguisse ele ficaria bravo e se eu me negasse a fazer ele poderia ficar muito mais bravo. Estava usando a técnica de achar que eu sou quem fez algo de ruim para mim. Eu disse calmamente:

– Brian é impossível eu dar 35 voltas! Eu não consigo dar mais de quinze voltas correndo.

Ele falou com raiva me puxando com força pelo braço:

– Já que você não consegue correr sozinha eu lhe ajudo!

Ele começou a correr me puxando. Eu tropecei nos meus pés, e ele começou a me arrastar. Tinha que para-lo. Tentei soltar meu braço, mas ele não o largava. Eu então gritei:

– Brian qual é o seu problema? Para! Está me machucando.

Ele não me ouviu. Teria que passar para a violência. Agarrei a primeira coisa que vi. Ele parou bruscamente. Eu estava agarrando uma maquina de levantar peso. Ele parou, mas não largou meu braço. Ele então me puxou com muita força para largar a maquina. Eu gritei de dor. Meus dedos queriam larga-la, mas eu não deixei. Ele então me puxou com tanta força que meus dedos escaparam e eu cai com força no chão. Ele voltou a correr me puxando. Eu teria que fazer ele me largar. Eu tentei me levantar, mas não conseguia. Teria que ser rápida. Agarrei-me novamente na primeira coisa que vi. Quando ele parou bruscamente a larguei e cai em cima dele. Ele ainda segurava meu braço. Soquei seu rosto. Ele segurou meu braço livre. Não tinha nem como me defender nem como ataca-lo. Ele me empurrou para o lado e passou por cima de mim e largou um dos meus braços e falou friamente:

– Você não terminou suas 35 voltas.

Aproveitei a chance e disse:

– Brian olhe nos meus olhos.

Ele não me olhou e disse:

– Você não terminou as voltas. Teremos que voltar a correr.

Aquilo era tudo que eu não queria. Chutei sua perna e tentei tira-lo de cima de mim. Ele não se moveu. Tive que apelar:

– Brian, você não vai conseguir atingir seu objetivo assim! – Não poderia falar que ele não me protegeria, pois tinham pessoas naquela sala. Tinha que tira-lo de cima de mim e correr para a porta. Falei o mais baixo possível, tentando parecer calma:

– Brian sou eu, sua irmã.

Seu rosto continuava igual. Tive que usar a única arma que tinha: lutar. Ele começou a se levantar e me puxando. Eu teria que ser rápida. Virei de costas e cotovelei seu estomago. Ele somente perdeu o equilíbrio. Tentei o cotovelar, mas ele apertou meu braço com força. Tive que ter autocontrole para não gritar de dor. Virei-me e vi o seu rosto. Meu braço e o dele estavam enrolados. Não sabia o que poderia fazer para ele me largar. Tinha duas opções: 1° tentar morder o rosto dele, mas eu não queria deixar meu rosto exposto, que já estava todo machucado ou 2° era dar um choque de realidade, como quando o enforquei para ele parar de me socar. Não conseguiria dar um choque de realidade com as mãos presas. Decidi que o morderia. Eu não sabia se ele revidaria. Eu rapidamente mordi o seu nariz. O segurei com força e puxei. Senti o gosto de sangue na minha boca. Cuspi algo mole que estava na minha boca: um pedaço do nariz do Brian. Mesmo com o nariz sangrando não me largou. Ele então gritou com raiva:

– Não acredito que fez isso! – Não sabia o que fazer. Falei o chutando.

– Brian me larga, sou sua amiga, não inimiga.

Ele me largou e colocou as mãos dele no rosto e viu que estava sangrando. Comecei a andar para trás olhando para ele. Não teria coragem de me virar e não saber o que ele faria. Mesmo sabendo que não deveria me virei e comecei a correr em direção à porta. Então algo me empurrou e cai no chão. Mas por sorte no último segundo consegui apoiar minhas mãos no chão. Ele agarrou o meu cabelo pela trança e começou a correr voltando para a pista de corrida. Aquilo doía demais. Eu gritei desesperada:

– Brian você quer me matar?

Eu teria que pensar rápido. Tinha que usar a segunda opção. Teria que dar um choque de realidade nele. Com muita dificuldade agarrei a perna dele e puxei para trás. Ele perdeu o equilíbrio e puxei meu cabelo da mão dele. Consegui soltar e o chutei entre o joelho. Ele caiu de joelhos e pulei nas suas costas. A técnica que eu usei no Kyle não funcionaria nele. Tentei enforca-lo, mas ele começou a pegar nos meus braços e me puxar para frente dele. Ele conseguiu me tirar das costas dele. Acabei caindo de costas no chão. Ele se virou e agarrou minhas pernas. Ele me puxou por elas e colocou em cima da cabeça dele. Fique vendo seu joelho. Ele levantou a perna. Sabia o que ele iria fazer. Protegi o rosto com as mãos e ele chutou meu rosto. Meu rosto voltou a sangrar. Eu agarrei seu pé na segunda vez que tentou chutar. Ele perdeu o equilíbrio e caiu para trás. Levantei-me o mais rápido que consegui e corri em direção à porta. Quando toquei na porta ele agarrou a minha cintura e me levantou. Ele se virou comigo e começou a me levar de volta à pista de corrida. Eu me desesperei e gritei:

– Brian não quero lutar! Largue-me!

– Mas eu não terminei de lhe ajudar a dar as voltas. — sua voz estava normal e não no tom ameaçador que ele antes falava.

Ele me jogou no chão com força. Eu cai de lado e ele chutou meu rosto. Depois chutou meu estomago. Eu agarrei o pé dele quando tentou chutar novamente o meu rosto e o torci. Ele caiu de no chão para tentar tirar minhas mãos do pé dele. Passei para cima dele e soquei o rosto dele. Mas ele agarrou os meus pulsos. Eu então vi a chance de dar um choque de realidade. Eu poderia beija-lo, mas eu não conseguia. Eu demorei demais pensando. Ele então começou a me bater com as minhas mãos. Tentei para-lo, mas não funcionou. Ele me derrubou de lado e se levantou segurando meus pulsos e me levantou a força. Eu então vi que meu braço direito estava fora do lugar. Ele deveria ter feito isso quando me arrastou. Não tinha ideias a não ser sair daquela sala e ir para o corredor, teria chance de alguém me ver e me ajudar. Eu disse desesperada:

– Brian eu corro sozinha!

– Não vai conseguir. Você mesma disse.

– Eu lhe prometo que consigo.

Ele me olhou e me puxou me colocando de pé. Ele então disse com um olhar aniquilador:

– Comece.

Eu comecei a correr, mas estava completamente dolorida e acabava mancando. Tinha que passar pela porta e correr para fora da sala, mas ele me seguia andando. Teria que ser rápida e me segurar em qualquer coisa do lado de fora para conseguir sair sem que me puxem para dentro. Quando estava perto da porta corri de lado para fora empurrando a porta. Quando sai gritei:

– Socorro! Isso não é um treinamento!

Brian pulou em cima de mim me derrubando no chão. Ele agarrou meu cabelo e bateu minha cabeça contra o chão. Ele começou a tentar me levantar mais me largou bruscamente. Eu então ouvi ele gritar mas não conseguia abrir meus olhos. Senti alguém me pegar no colo e correndo comigo. Não sei por que achava que era o Brian.

Notas finais
demorou, um dos piores capítulos de se editar, mas saiu