Arisu

1 Capitulo 1: Decepções


Arisu terminou de passar a vassoura na sala, e pôs-se a colocar as carteiras no lugar novamente. Já estava tarde; ele havia demorado em fazer a limpeza da sala porque o outro garoto que devia ajudá-lo tinha inventado uma desculpa qualquer para fugir do trabalho. Não que isso fosse novidade.

Ele suspirou enquanto arrastava uma mesa para o lugar. Não era lá a pessoa mais popular da escola. Só falavam com ele quando havia algum beneficio.

Arisu era um estudante do primeiro colegial, estatura média, cabelos castanhos um pouco compridos, e olhos da mesma cor. Um garoto como qualquer outro.

Porém, como sua entrada na puberdade estava tardia, ainda tinha alguns traços delicados, um tanto femininos. O rosto era pequeno e redondo, os globos oculares grandes e expressivos. Não tinha uma estrutura muito forte, apesar de também não ser muito magro, mas por causa dessas características, somando ao cabelo, as pessoas constantemente o confundiam com uma garota.

Logo no primeiro dia de aula o professor achou que ele era uma menina usando o uniforme masculino, e então começaram as gozações. Seu nome não ajudava. Arisu é nome de garota, merda! Pensava ele com raiva pelos seus pais o terem batizado assim.

E ainda tinha seu Hobby. Ele adorava jardinagem, e logo que entrou na escola se inscreveu para o clube. Isso deu ainda mais motivos para piadinhas de mau gosto. Os garotos sempre o humilhavam, as meninas ficavam dando risadinhas aos cantos. E quando ele tinha trabalhos em grupo, acabava ficando com toda a carga sobre suas costas.

Ele terminou de arrumar a última mesa no lugar, exausto, quando ouviu a porta da sala se abrir. Ia virar-se para ver quem era, mas ouviu algo que o fez congelar onde estava.

― Oi gracinha ― Disse uma voz definitivamente masculina ― O que está fazendo tão tarde na escola?

Ele conseguiu se virar e viu-se diante de um aluno do terceiro ano. Alto e forte, cabelo loiro cintilante mais ou menos do tamanho do dele, olhos cinzentos espertos. Apesar do comprimento dos fios, passava um ar de masculinidade muito grande.

O garoto entrou sorrindo na sala, e colocou o braço atravessado nos ombros de Arisu.

― Quer que eu te leve para casa? ― Perguntou num tom encantador.

Arisu corou, e tentou se desvencilhar do outro em vão, considerando a diferença de força entre eles.

― Me larga! Eu sou homem!

― Homem?

O garoto do terceiro não soltou seu ombro, mas aproximou o rosto para observá-lo melhor.

― Pensando bem, não é uma garota mesmo... Até está usando um uniforme masculino... Mas não percebi por causa do cabelo... ― Ele resmungava para si mesmo.

― Se entendeu me solta!

― Por quê?

― Eu sou homem, merda!

― Eu não ligo.

Arisu congelou, e ficou encarando ele pasmo.

― V-você é... Gay? ― Perguntou com os olhos esbugalhados.

― Sou Bissexual, ta?

Ele começou a se debater e gritar mais ainda.

― Me larga! ― falou assustado.

― Calma... Agora que sei que você é um menino, me interessei mais ainda. ― Falou num tom brincalhão.

― Seu...!

Muito mais forte que Arisu, o menino o puxou para junto do corpo e silenciou o insulto com um beijo nos lábios.

Arisu sentiu o coração disparar, e tirando forças não se sabe de onde, empurrou o outro para trás, conseguindo se afastar um pouco. Seu rosto estava completamente vermelho e ele, totalmente transtornado.

Sem dizer mais uma palavra pegou sua mochila e disparou da sala, deixando o mais velho para trás, rindo da reação do novato.

...

Arisu não conseguiu dormir naquela noite. Estava apavorado e furioso. Como podia ter seu primeiro beijo roubado por um homem?! Sentia um misto de constrangimento e humilhação.

Passaram-se algumas semanas desde o acontecido. Ele vira novamente o menino, que descobriu que se chamava Haruka, mas o mais velho não mais se aproximara. Isso deixou Arisu ainda mais furioso, acreditando que Haruka estava apenas brincando com ele.

Para esquecer-se de tudo isso decidiu se declarar para a garota que ele gostava.

Havia gostado da menina desde o primeiro dia de aula. Não era a mais bonita da classe, mas era delicada e estudiosa. Tinha uma estatura um pouco mais baixa que a dele, e não parecia ser uma menina muito concorrida.

Deixou um bilhete na mesa dela dizendo para os dois de encontrarem depois da aula.

Ele correu para o lugar, e ficou esperando agitado enquanto a menina não aparecia. Então ela veio, o bilhete na mão, parecendo constrangida.

― Arisu-kun, foi você que deixou isso...? ― Perguntou ela um pouco baixo.

― Sim...

Ele respirou fundo, sentindo as mãos tremerem, e tomou coragem de dizer o que sentia. Um instante depois de arrependeu amargamente disso.

O rosto da menina se contorceu em uma expressão que podia ser piedade ou dó, ele não saberia dizer. Só sentia seus ouvidos zumbirem.

― Ahn... Arisu-kun, você é um cara muito legal, mas... ― Ela tentou escolher as palavras com cuidado, o que não funcionou muito bem ― Você parece um pouco com uma menina... Eu prefiro caras mais altos, sabe...?

Reinou um silêncio pesado entre eles.

― Bom... Então eu já vou indo... ― Disse ela, virando-se devagar, e depois correndo para a saída da escola.

...

Arisu ficou ainda alguns minutos parado no mesmo lugar, o coração descompassado, sentindo vontade de sumir daquele mundo.

Depois, com os olhos lacrimejando, correu para a horta do clube de jardinagem, que ficava no pequeno bosque da escola, cercado de árvores altas.

A horta era pequena, cheia de plantas verdinhas e bem cuidadas, pois todos do grupo eram muito caprichosos. Ele se sentou no banco de madeira, parecido com aquele de parques, que ficava do lado dos pés de hortelã.

Colocou a mão no rosto, não conseguindo mais conter as lágrimas. Por que tudo tinha que dar errado? Nem percebeu quando alguém se aproximou por trás.

― Parece que você acabou de levar um belo fora. – Falou uma voz grave.

Ele ergueu os olhos, e viu Haruka parado atrás dele com aquele mesmo sorriso brincalhão nos lábios.

― Vá embora... ― Disse ele desviando o olhar.

― Vai ficar chorando só por causa daquela menina fútil?

― Você não entende! ― Arisu explodiu ― É bonito, alto e másculo! Qualquer garota pagaria pra sair com você!

Ele afundou mais ainda o rosto molhado nas mãos e desejou que o outro fosse embora. Não conseguia mais aguentar aquilo.

Mas o mais velho não se foi.

Arisu percebeu o outro se sentando ao lado dele. Foi xingá-lo, mas parou ao sentir braços fortes o envolverem e puxaram para um corpo quente.

― Quer que eu te console? ― Haruka falou com a voz aveludada.

O mais novo ergueu os olhos para ver o rosto de Haruka. O sorriso brincalhão havia desaparecido, e uma expressão serena se espalhava por sua face. Ele ergueu uma das mãos e pegou uma gota salgada que descia pelo rosto de Arisu, em seguida levou-a a seus lábios, lambendo devagar.

Com a outra mão, afagou o cabelo do menino, depois puxou devagar o queixo dele para perto de si. Arisu sentiu um formigamento nas mãos, e um zumbido forte nos ouvidos. Seu rosto ferveu, a cabeça ficou pesada, os olhos turvos. Tremia um pouco.

Haruka chegou mais perto, puxando o corpo do outro em direção a ele. O ritmo dos batimentos de Arisu acelerou, disparando desconpassado. Mas, dessa vez, ele não conseguiu reunir forças para afastar o outro.

Seus lábios se tocaram, devagar, como se Haruka tomasse todo o cuidado para não ferir o mais novo. Arisu, sentindo uma descarga de adrenalina, não resistiu. Não tinha vontade de tal ato. Estava tão confortável...

Deixou os braços afundarem no mais velho. Este, não sentindo resistência, puxou-o dessa vez com mais força, pressionando os lábios macios com fervor. Forçou Arisu a abrir sua boca, e então o beijou com paixão. O jovem só se deixava conduzir pelos movimentos do outro.

Não conseguia pensar em mais nada. Antes, estava triste, perdido, desamparado. Mas agora... Só havia um branco em sua mente. Não queria pensar em mais nada... Só queria esquecer o que havia acontecido... Arisu apertou ainda mais os braços no companheiro, procurando conforto.

Notas finais
Deixem reviews para essa autora carente Dependendo dos comentarios positivos, escreverei mais fics!!!