Argonautas I

36 Kayolanne II


Quando conheci o William, eu estava bem encrencada. Tinha ido comprar uns doces, quando uns garotos começaram a me perturbar, fingi não ligar e fui embora, só que eu não iria deixar barato, então, preparei uma pegadinha para eles, o que os deixou muito irritados, por que quem iria gostar de estar parecendo uma galinha gigante e de ter sua foto postada na internet? Ninguém; ai eles vieram atrás de mim e a primeira coisa que fiz foi sair correndo.

Foi quando William apareceu e deu um jeito neles, já tínhamos nos visto na escola, só que eu não falava com ele até então; depois disso, viramos muito amigos, até fomos expulsos da escola na segunda série por causa de um incidente com uma bandeja, fomos parar em um internato.

Eu e William passamos por muitas confusões juntos até tomarmos juízo, grandes amigos são assim mesmo.

Mas infelizmente ele faleceu, foi morto por um monstro enquanto fugíamos, e no seu lugar surgiu uma coruja cinzenta na qual dei o nome de Will em sua homenagem; vim descobrir que William era Will alguns dias depois de ter chegado ao Acampamento.

Quíron me contou que os sátiros tinham essa habilidade, ele também me disse que por termos uma ligação muito grande ele se transformou em uma coruja, meu animal favorito, para continuar me protegendo.

Mesmo Will sendo uma coruja agora, continuávamos muito amigos, era como se ele fosse o meu espírito animal; meu guia quando necessário, me dando força quando preciso e me protegendo desde que voltei do mundo inferior; o que sempre foi um pretexto para Quíron não me deixar sair das dependências do acampamento, pois, eu estava sob vigilância total, só para ter certeza de que eu não sofri algum dano por causa da passagem do estado óbito para o estado vida.

Esperei CINCO ANOS para receber minha primeira missão.

Era algo simples, só que já era um progresso. Era uma simples missão de reconhecimento. Concluímos a nossa missão bem rapidamente, só que no caminho de volta caímos em uma armadilha; quando me dei conta do que estava acontecendo, eu e meus amigos já estávamos cercados por nossos piores temores: aranhas.

Elas estavam por todos os lados, nos cercaram, eu estava começando a entrar em pânico, quando avistei Will empoleirado em uma árvore me observando, quando um flashback me ocorreu.

“Eu estava de volta á aula de laboratório da quinta série, William era meu parceiro como sempre, e hoje era dia de analisar espécies. Os animais eram divididos por sorteio, eu e a minha sorte conseguimos uma proeza muito interessante, ficamos com a aranha.

Minha vontade era sair correndo dali o mais rápido o possível e me esconder no meu quarto, num lugar aonde elas não me achassem nunca. Só que elas sempre achavam. Aranhas me causam arrepio desde criança e William sabia disto, mesmo assim não me deixou partir, segurando com tanta força o meu braço que ele ficou vermelho, foi quando ele disse: — Por que você está tentando fugir da aula? Você não parece estar muito bem. — ele disse.

– E não estou mesmo – falei. — Sabes muito bem como me sinto em relação a aranhas; o quanto elas me fazem mal; o quanto elas me causam arrepios. Sabes tão bem quanto eu, e ainda queres que eu fique aqui?

– Sei que elas lhe fazem mal, só que você não pode desistir e fugir assim. – disse William.

– Por que não? Isso para mim faz sentido, ficar aqui seria uma grande tortura. – falei

Ele demorou um pouco para formular uma resposta que me convence-se já que eu estava decidida a sair dali, então falou:

– Porque é isso que elas querem; sempre querem o seu medo. Você tem de mostrar quem é que manda.

– E o que isso tem haver com o meu problema com aranhas?- eu perguntei.

– Tem a ver que você não pode deixar o seu oponente saber de sua fraqueza, pois assim ele pode usá-la contra você. Você sempre deve estar no comando da situação. E nesse caso, a aranha é o inimigo e você não pode se mostrar fraca diante da batalha. – ele respondeu.

Lembro-me de ter ficado em choque com o que ele disse e sai correndo pro meu dormitório para me esconder; desde aquele dia o que ele disse se tornou o meu legado de vida. Eu nunca deveria ser fraca. E desta vez, o inimigo não ia me ganhar, eu ia deixar.

– Eu não tenho medo de vocês. – falei o mais alto que pude. Quando me dei conta, já estava atirando em todas as aranhas que via pela frente. Meus amigos seguiram o meu exemplo, e lutaram contra seus próprios medos, até que o que havia restado delas era apenas pó.

Senti-me muito bem quando cheguei ao acampamento e contei o que aconteceu em nossa missão, meus irmãos não acreditavam que eu tinha enfrentado um dos nossos maiores temores deste jeito. Depois que a sessão de perguntas terminou, fui dar uma volta pela beira do lago de canoagem, acompanhada pelo meu fiel amigo Will.

Ficamos um tempo passeando pela margem do lado, quando Will começou a voar para mais longe do que já tinha ido.

– Ei, Will! Aonde você esta indo?- gritei

Só que ele continuou se afastando. Quíron me ouviu gritar e veio ver o que estava acontecendo. Quando ele chegou perto apontei para a minha coruja que estava indo para mais longe do que o normal, então falou:

– Não se preocupe criança, ele ficará bem. Seu trabalho por aqui já acabou; por enquanto. – me disse.

– Como assim? Que trabalho era esse que ele tinha que cumprir? – perguntei mesmo achando saber a resposta.

– Pelo jeito que você falou como vocês saíram daquela armadilha, acho que você já sabe a resposta criança. – disse Quíron.

– Ainda estou um pouco confusa. – respondi.

– Ele precisava ter certeza de que você iria encontrar a sua coragem para enfrentar seus inimigos quando fosse necessário. – me esclareceu.

– Entendo. Mas, será que ele algum dia vai voltar? – lhe perguntei, com esperança nas palavras.

– Quando ele achar que você estiver precisando de ajuda para encontrar as respostas, e seguir em frente. – me respondeu, e se foi. Eu fiquei sozinha no cais, vendo o crepúsculo, e vendo o meu melhor amigo partindo, se libertando. Espero algum dia poder vê-lo outra vez e poder agradecer por me fazer criar coragem para superar meus medos; crescer e me libertar também.

Naquela noite na hora do jantar, Anibal e Renan chegaram ao acampamento. Fiquei muito animada em vê-los. Renan parecia mais sério, Anibal continuava da mesma forma que antes. O legal foi que no outro dia, depois de um caça bandeiras, Renan foi reclamado. Sei que ele se sentiu feliz, só que ele só não sabe demonstrar isso. Depois de uma quase execução de uma filha de Dionísio, um elmo negro apareceu pairando sobre a cabeça dele, havia uma aura poderosa e tenebrosa sobre ele. E ele foi mandado para o chalé 13, ele era um filho de Hades.

O motivo de eles estarem aqui seria revelado no outro dia, uma reunião importante iria acontecer para decidir sobre uma grande missão. E sei que Renan e Anibal não iriam aceitar que eu ficasse fora dela. Afinal, somos amigos e passamos tempo demais distantes.