Uma palavra para descrever o tempo no acampamento? Acolhedor. Por que eu escolhi essa palavra? Porque aquilo era uma nova casa para mim. Com meus irmãos, me senti como se eu tivesse uma família, coisa que eu não tinha há dois meses.

Eu acho que foi uma experiência de treinamento a mais para as minhas pouquíssimas habilidades, principalmente a de combate armado. Meu primeiro instrutor de combate foi o conselheiro do chalé de Apolo. Ahm, não lembro o nome dele direito, era Rickson, Richie... Era Ricardo.

Ele era de estatura média, com cabelos castanhos e olhos verdes, aquele típico cara com um rosto de surfista, porém tinha um sorriso que dizia: Será divertido machucar você. Era um cara muito temido, mas todos o chamavam de Rick por carinho.

Eu não sei a razão dele ser temido, mas há rumores que ele matou alguém em um excesso de raiva. O estranho é que em vez de uma espada de esgrima, utilizava uma arma de 65 cm, que ele dizia que era uma adaga, mas eu achava muito grande para ser uma adaga. Vai ver ele gosta de coisas grandes.

Ele era muito rápido em batalha, se movia como raios de sol. E falava muito. Era como uma locomotiva verbal, te atingindo no rosto com a força de uma tonelada. No meio do combate dizia várias coisas como:
"Não abaixe a cabeça. Levante sua guarda. Use o alcance da sua arma."
Aquilo me desconcentrava. Num momento de pura técnica, eu acertei o peito dele com uma estocada de Apistefta (minha espada) e ele caiu no chão, agonizando de dor. Então ele disse:
—Com uma espada mágica, todos ganham facilmente. Quero ver agora nós lutarmos com espadas normais.
Agora vou te dizer: Nunca, em hipótese alguma, lute com o Rick com espadas normais.
Ele começou a se mover muito rapidamente e me atacando com seus golpes laterais. Quando eu estava caindo no chão, comecei a pensar: Essa foi a pior surra da minha vida. Ele disse:
—Vamos, levante-se, você é um prodígio, mas tem muito que aprender.
Na hora, quis me levantar, mas não conseguia. Por minha sorte, Ana, minha irmã, me chamou para ir ao lago de canoagem com o Thiago, conselheiro do chalé.

Ana era uma menina de 15 anos, embora parecesse que tinha 13. Ela tinha olhos castanhos, cabelo levemente cacheado da mesma cor e era da minha altura.

Já Thiago era um cara moreno, baixo e levemente "magro", tinha os olhos castanhos escuros, mas ele era todo normal, exceto por uma mão dele, totalmente inchada e com um roxo enorme. Morrendo de dor, aceitei o convite deles.

Fomos até lá e treinamos navegar um pouco, embora pensei que precisaria fazer isso num breve futuro. Logo após isso, fui dormir, pois iria treinar esgrima pela manhã. Porém, sonhei com a mesma criatura azul do dia que eu fui trazido até o acampamento. Ela dizia com uma voz fria:
—Você sempre será uma pedra no caminho dos seus parceiros. Seu destino está selado.
De repente, eu vi minha antiga casa, onde minha mãe morava, despedaçada, com pessoas enfiadas em estacas e outras coisas ainda piores.
—É isso que você quer? É para isso que você treina? Junte-se a mim, e pouparei a aqueles que você ama.
No momento, o sonho "sumiu" e consegui dormir normalmente. Acordei e decidi manter o terror todo para mim mesmo. Quando eu ia para a Casa Grande, Thiago chegou para mim e disse:
—Precisamos conversar, temos um assunto sério para discutir.