Argonautas I

9 Anibal Farias


Meu nome é Anibal, sou um semideus filho de Hefesto. Sou muito calmo e tranquilo, prefiro enfrentar os problemas com risos ao invés de gritos e preocupações. Sempre fui do tipo físico mais atlético, nem sei o porquê disso, pois nunca pratiquei nenhum tipo de exercício físico que me deixasse assim, só alguns esportes. Digamos que eu nunca fui uma pessoa muito normal e descobri, com o tempo, que não era normal nem mesmo para um meio sangue.

A verdade é que eu não me lembro de exatamente como eu descobri que era um semideus. Coisas estranhas sempre aconteceram na minha vida, lembro-me de quando tinha sete ou oito anos de idade e estávamos no Brasil, em Carajás no Pará pra ser mais exato, no emprego de minha mãe que trabalhava como diretora do programa de automação industrial. Estávamos apenas eu e minha mãe no pátio de saída da indústria de beneficiamento dos minerais, foi quando um homem enorme invadiu o local e começou a nos atacar. Não consigo lembrar-me de muita coisa, apenas do cara, que na verdade não era um “cara”, mas sim um ciclope, me acertando com um dos carros que estavam no estacionamento, ele lançou o carro para o alto e ele caiu bem encima de mim. Quando finalmente consegui sair debaixo daquele carro, que por sinal devia pesar aproximadamente meia tonelada, não consegui ver aquela coisa, só enxerguei a minha mãe em um monte de areia dourada. Depois disso nos mudamos para Seattle, foi onde conheci Renan, meu melhor amigo, e Kayolanne, uma amiga, estudávamos todos na mesma escola, um internato. Renan era órfão e passava praticamente todo o tempo naquela escola. Eu não conhecia muito da vida pessoal da Kayolanne, mas me parecia que ela tinha um pai e era órfão de mãe, umas vezes ele ia até a escola buscá-la.

Aquela escola era realmente muito chata, sempre odiei a maioria das matérias, principalmente história, filosofia e sociologia, minhas matérias preferidas eram as exatas, sempre me dei muito bem com números, diferente do Renan que parecia gostar apenas de história e Kayolanne, bem ela era uma nerd não assumida, gostava de todas as matérias e sempre fazia todos os trabalhos, diferente de mim, sempre a admirei por isso, pois ela tinha dislexia e TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) e Renan também tinha esse problema.

Eu era colega de quarto de Renan, sempre fomos melhores amigos, e ele era o único que sabia algumas coisas sobre mim, coisas anormais para a maioria das pessoas, mas ele aceitava tudo muito bem, pois também era muito estranho para as outras pessoas e eu sabia o porquê, também era o único em quem ele confiava. Kayolanne também era bem esquisita, era muito desligada de tudo e às vezes parecia viver em outro plano, não sei se era imaginação minha, mas sempre que via ela em um de seus “transes” seus olhos pareciam diferentes, de outra cor, cinza talvez, e tão intensos que me deixavam constrangido de estar perto, pareciam analisar e pensando em tudo a sua volta, mesmo que isso não fosse à verdade, isso a deixava com um ar de alguém que queria saber de tudo e, até mesmo, ler meus pensamentos.

Tínhamos outro amigo, William era o nome dele, também fazia parte do nosso “clube de esquisitos”, tinha problema nas pernas e andava de muletas, mas era bem rápido na corrida e pulava bem alto quando jogávamos basquete. Já se tinham passados dois ou três anos e eu tinha 11 anos até que tudo aconteceu de novo. Parecia um dia comum como todos os outros, mas minha vida estava prestes a mudar.

Renan e eu estávamos na ultima aula, era história, algo sobre Revolução Americana e eu estava ansioso para acabar, mas antes que isso acontecesse Renan me olhou um tanto sério, não sabia o porquê, mas entendi a mensagem, tínhamos isso, um entendia o outro apenas com um olhar, e pelo visto ele queria falar algo importante.

A aula terminou e do lado de fora da sala Renan me esperava guardar o material dentro da minha mochila inseparável.

– Eu encontro vocês depois lá no ginásio – falou ele.

– Posso saber oque é? – perguntei.

– Não, por enquanto não, eu acho.

–Ok, ok, s.r. “The secret”.

– até mais. – ele falou e seguiu pelo corredor.

Ok, ele podia ter segredos, mesmo sendo meu melhor amigo e eu entendia isso. Então fui para onde sempre nos encontrávamos, no ginásio da escola. Quando cheguei, Kayolanne e William já estavam lá.

–Onde está o Renan?- Perguntou Kayolanne

–Bem, eu não sei. Ele foi resolver algum problema eu acho – Respondi.

– Uau, isso é estranho, você não saber uma coisa sobre ele – Disse William.

– É? Bem, ele disse para o esperarmos aqui – me apressei a dizer enquanto pegava uma bola de basquete e me dirigia à cesta.

Ficamos lá durante um bom tempo. Eu fiquei dando uns arremessos enquanto Kayolanne e William estavam sentados nas arquibancadas, ela lendo e ele, bem, ele ficava como sempre, muito assustado e olhando em volta nervoso.

Quando percebi, Renan já estava lá, estava fazendo companhia a Kayolanne e William, mas eu preferi dar um tempo a mais pra eles e continuei nos arremessos. Foi então que uns caras estranhos, que eu posso jurar nunca ter visto antes na escola, apareceram na quadra, uns cinco, eram altos e fortes.

–Que tal um jogo? — perguntou um deles, o que parecia ser mais alto e mais feio também.

Já fazia tempo que não jogava e meus amigos eram mais do tipo sedentários.

– Ok! Preciso exercitar-me um pouco – Respondi.

Jogamos em meia quadra durante um bom tempo, até que percebi William mais nervoso do que o comum na beira da quadra olhando pra mim com desespero em seus olhos. Pra mim parecia tudo certo, Renan estava com fones de ouvido e Kayolanne continuava lendo. Não sei muito bem oque aconteceu, mas algo parecia diferente, como se alguma coisa estivesse fora do lugar e algo ruim fosse acontecer, e realmente aconteceu.

Quando pulei para fazer uma ponte aérea senti um forte impacto nas minhas costas e fui “voando” em direção à parede. Quando levantei percebi um buraco imenso na parede no lugar em que me bati, olhei para o lado e enxerguei meus amigos me olhando assustados, com exceção de Renan, que não pareceu muito surpreso. Dirigi meus olhos para a quadra e vi os caras olhando para mim e rindo.

–Eu sabia — Disse o mais feio, que parecia ser o líder deles – Sei que você não cheira como um meio sangue, mas você também não cheira como um mortal e nos conhecemos os monstros.

– Quê? — Eu disse ainda muito confuso com tudo – Bem eu estou jogando há um bom tempo, você não queria que eu cheirasse como um buquê de flores queria? E que história é essa de monstro?

– Não importa semideus, você já está morto – Disse outro enquanto eu voltava à quadra.

– Alguém quer me dizer oque está acontecendo aqui? — Perguntei.

Não obtive resposta, logo depois que terminei de falar um deles me pegou pelo braço e me arremessou uma segunda vez. Ou eu estava imaginando coisas ou eles estavam mais altos. Desta vez eu fui em direção ao pedestal de aço que sustentava a tabela, quando o acertei, ouvi um barulho muito alto e senti o metal se dobrando com o impacto. Se eu fosse uma pessoa normal teria quebrado alguma coisa ou até mesmo morrido, mas eu não senti praticamente nada.

Foi então que me dei conta de Renan e William correndo em direção a quadra para me ajudar, Kayolanne parecia ainda tentar assimilar tudo oque estava acontecendo. Bem, ela não era a única.

Vi três dos gigantes, indo em direção à Renan e William.

– Nos pegamos o sátiro e o do cheiro estranho. – disseram dois e o outro um corria em direção às arquibancadas, onde estava Kayolanne ainda descrente, e o outro já estava praticamente encima de mim, mas eu já estava prevenido.

– Não dessa vez — Eu disse. Esquivei-me dele e corri em direção ao gigante que estava tentando pisotear Kayolanne, mas ela era bem ágil e o gigante ficava gritando de raiva.

– Desistam semideuses, vocês será nosso almoço.

– Anibal, cuidado! – Ouvi Kayolanne gritar com seus olhos cinzentos, mas ela não parecia tão desatenta agora.

Uma olha em volta e vi William pulando de um lado para o outro se esquivando dos ataques e gritando.

– Não são humanos, são lestrigões!

– Que? Lagartixas? — Eu perguntei – Eles poder ser tudo menos lagartixas.

– Não é lagartixas – ele repreendeu – é lestrigões.

– E o que é isso? — perguntei enquanto me esquivava.

– Monstros – ele disse como se aquilo fosse óbvio. O que realmente era.

O monstro já estava bem perto quando eu corri em sua direção. Abaixei-me e escorreguei por baixo de suas pernas. Então vi algo que realmente me preocupou, um dos monstros carregava uma bola de um metal que parecia ser bronze que tinha buracos com fogo saindo de dentro, ele se preparava para arremessa-la em direção a William. Foi então que me meti no meio do caminho e agarrei a bola. O arremesso foi muito forte, dei dois passos para trás com a força da bola, e aquilo deixou os monstros assustados, não perdi tempo, agarrei bem firme e a joguei de volta com toda minha força. Ao alcançar o monstro, a bola passou pelo monstro e voou e atingiu a parede deixando um enorme rombo enquanto aquela coisa se desfazia em pó, um pó dourado.

Olhei para meus amigos que também estavam lutando por suas vidas como quem diz “você viu isso?”, e vi uma cena que me pareceu muito, muito estranho mesmo. Renan lutava com aquelas coisas como se tivesse feito isso à vida inteira. Ele se movia tão depressa que seus pés pareciam não se mover, então percebi que eles não se moviam mesmo, era como se ele apenas escorregasse pelo chão, vi também que ele estava perto de um montinho de areia dourada igual a que apareceu quando acertei aquele monstro, ele estava com uma espécie de espada egípcia na mão, uma lamina negra e que parecia ser bem afiada. Ele me olhou e abriu um pequeno sorriso.

Restavam apenas três daqueles monstros, mas ainda assim não estávamos a salvo. Quando os outros lestrigões olharam e viram o que havia acontecido com seus companheiros ficaram com mais raiva ainda.

Kayolanne atraía um dos gigantes para cima das arquibancadas, não sabia muito bem o porquê até que ela jogou alguma coisa, parecia ser uma pedra, nos bancos bem onde estavam os pés do monstro, então aquilo ruiu e o monstro caiu seguido de uma pilha de madeira e uma nuvem de poeira surgiu do buraco feito.

O monstro começou a me atacar com mais ódio, e eu tive uma ideia louca. Olhei fixamente para minha mão direita e me concentrei bastante. Ouviu-se um forte estalar como de peças metálicas se batendo e engrenagens em funcionamento, minha mão se dividiu ao meio e se dobrou fixando-se a meu antebraço, duas placas de metal sobreposta uma na outra, de aproximadamente um metro, sugiram onde deveria estar minha mão, várias catracas e engrenagens começaram a entrar em movimento com uma correia que foi se estruturando nas placas junto com vários pequenos dentes que estavam ao redor da placa. Transformei minha mão em um motosserra.

Meus amigos olharam surpresos. Renan ainda lutando contra um dos dois gigantes restantes, ele batia com o punho da espada em pontos de enlace muscular, o que fazia o monstro diminuir a velocidade. Quando o monstro não aguentou ficar de pé, por conta de seus ataques, ele caiu de joelhos e Renan passou sua lamina na barriga da criatura, de um lado a outro e o monstro se desfez em pó, mas não como os outros, uma fumaça preta vinda daquela coisa acompanhava a lâmina da espada e ela absorveu aquela fumaça.

– Anibal! – Gritou Kayolanne – A tabela.

Percebi o que ela queria dizer e concordei.

O ultimo monstro estava no local certo para um ataque. Fui até o pedestal da tabela que estava torcido e dei um golpe com o motosserra da minha mão. A tabela caiu bem encima do monstro, mas não foi o forte o suficiente para destruí-lo. Corri em sua direção e dei um golpe certeiro no monstro que estava caído, um golpe com a serra, seguia a coluna do monstro e a coisa também se desintegrou deixando apenas um pó dourado.

Virei-me para meus amigos que olhavam incrédulos para minha mão, ou onde ela deveria estar. Levantei meu braço e fiz o processo reverso, minha mão voltou ao normal.

Por um momento ninguém disse nada, apenas ficávamos olhando um para o outro, imaginando se o que acabara e acontecer fora real.

– Bem. – disse William para quebrar o gelo – várias surpresas para um dia. Mas não temos tempo, temos que sair daqui e ir direto para o acampamento. Não podemos mais esperar reforços.

– Pera aí – Kayolanne interveio – que acampamento? Oque está acontecendo aqui? E por que aquelas coisas nos chamavam de semideuses e estavam tentando nos matar?

– Não há tempo para isso, temos que ir logo – William insistiu.

– Não vou a lugar nenhum sem saber oque está acontecendo – interveio Kayolanne.

– Pode até parecer estranho – William tentou explicar – mas vocês são semideuses, filhos e deuses com mortais, é por isso que esses monstros estavam aqui, para matar vocês. Vocês precisam ir para um lugar seguro.

– “Pode parecer estranho”? — Kayolanne zombou.

Imaginei o que minha mãe tinha me dito na sua ultima visita, “Acreditar no improvável pode ser a coisa mais sã a se fazer”. Finalmente intervi.

– Deveríamos ouvi-lo, vocês viram oque acabou de acontecer e isso não teve nada de normal.

Renan concordou e assimilou aquela história muito fácil, como se já soubesse a verdade. Kayolanne era a única que parecia ainda estar tentando engolir toda aquela história, mas hesitante aceitou.

– para o acampamento meio sangue, o lugar mais seguro para semideuses.

Pegamos vários mantimentos e coisas pessoais, peguei minha mochila e saí. Andamos por dias com William por uma boa parte do caminho até que algo terrível aconteceu e tivemos que seguir caminho: eu, Kayolanne, Renan e um novo amiguinho que ganhamos após a morte de Willian.

Depois de muito tempo e por acaso, ou será que era destino? Encontramos uma espécie de túnel que nos levou direto para um amontoado de pedras que era rodeado por uma densa e vasta floresta, quando saímos daquele buraco não tivemos uma recepção muito amigável.

– Intrusos – Uma voz gritou de dentro da floresta. De repente vi uma flecha na coxa da minha perna esquerda, várias outras vindas em nossa direção. Conseguimos impedir que as outras flechas nos acertassem. Até que uma voz ordenou que parassem.

– Suspender fogo! – Gritou a sombra de um homem montado em um cavalo que vinha em nossa direção. Quando chegou perto percebi que não estava montado em um cavalo, mas a metade de baixo de seu corpo era um.

– Um centauro! – Disse Kayolanne admirada – Impossível.

– Depois de tudo o que passamos você ainda acha que alguma coisa pode ser impossível? — Perguntei a ela baixinho enquanto tirava a flecha da minha perna e a examinava – Envenenada, por que tinha que estar envenenada?

Logo estávamos cercados por dezenas de crianças fortemente armadas com espadas, lanças e arcos, o pior era que estavam pretendendo nos matar.

– Acalmem-se – Disse o centauro – não são intrusos, são novos semideuses. – Mas pareciam não acreditar nas próprias palavras.

Tivemos uma longa conversa com o centauro, que disse se chamar Quíron. Ele nos explicou toda essa história de semideuses e seus pais divinos e nos mostrou um filme de orientação. Kayolanne foi reclamada ainda no primeiro dia, era filha de Atena, algo estranho na sua cabeça, uma coruja enorme. Demoraram uns três dias para eu ser reclamado. Fui direcionado ao chalé nove, o chalé de Hefesto. Fiquei com muita pena de Renan, pois não foi reclamado e ele continuava no chalé 11, claro que não disse isso a ele, porque ele odiava que sentissem isso por ele.

Os dias se seguiram e tudo estava indo muito bem, até que algo aconteceu, uma missão, não era exatamente minha. Kayolanne saiu em missão com alguns de seus irmãos e Renan estava muito estranho, ficava mais agitado como se soubesse de alguma coisa de muito ruim que poderia acontecer.

Uma noite antes de Kayolanne sair em missão, tive um sonho muito estranho, uma oficina enorme e tinha um homem muito feio, era meu pai, Hefesto. Ele me disse várias coisas alguma coisa sobre alguns sacrifícios, já tinha ouvido isso antes, era na profecia daquela missão, também me disse que eu era importante, assim como Renan e Kayolanne e que não poderia deixar que nada acontecesse de ruim nessa missão, mesmo que ela não fosse dada a mim e disse que tinha uma coisa para me dar, um presente para me ajudar em minha jornada.

Depois disso acordei e não consegui mais dormir, fui para fora do chalé, ignorando o toque de recolher. Caminhando pela floresta avistei uma coisa estranha, uma bola de fogo cortando o céu, ela caiu bem próximo de onde eu estava, fui olhar.

Quando cheguei ao local onde aquele meteoro tinha caído, havia uma cratera imensa com uma pedra bem grande fumegante. Não me importei com o calor, aquilo não me incomodava, toquei na pedra e de repente ela se partiu ao meio revelando uma marreta dupla. Quando a segurei ela, senti uma sensação ótima, ela era perfeita, peso ideal, não era muito leve como todas as armas do acampamento, tamanho ideal, tudo. Esse era o presente do meu pai.

Sentia que deveria estar preparado, voltei ao chalé nove e peguei a espada que tinha feito, tinha um metro de comprimento, duas lâminas sobrepostas, uma delas girava em 90˚, era muito boa. Peguei minha corrente, outra arma que construí no meu pouco tempo no acampamento, possuía lâminas e era retrátil. Peguei também vários suprimentos e roupas, pus na minha mochila e saí, mal sabia que não voltaria mais.

Encontrei com Renan, não sei o que ele estava fazendo, na verdade eu não sabia o que eu mesmo estava fazendo, só nos olhamos e saímos juntos do acampamento.

Então entramos em nossa própria missão, apenas dois semideuses em busca da morte. Renan sabia de um modo de trazê-la de volta, segui seu plano, ele também procurava por outra coisa, eu não sabia muito bem o que era, mas não perguntei, na verdade perguntei, ele é que não respondeu só me contou quando chegamos ao mundo inferior.

Quando chegamos ao mundo inferior, tivemos que lutar com Tânatos pela vida de Kayolanne. Conseguimos o que queríamos, mas eu não voltei do mesmo modo que era antes, nem Renan. Perdi meu braço direto, mas fiz um mecânico e o substitui, na verdade deve ser temporário, pois meu corpo se conserta, pois minha habilidade de transformação funciona dos dois lados, posso transformar meu corpo em formas mecânicas e fazer com que as peças mecânicas se transformem em partes perdidas, desde que tenham toda composição química de um corpo normal, já tinha feito isso algumas vezes, com dedos, e uma parte da minha mão, que tinha perdido em “acidentes”, mas demora um tempo pra isso.

Quando voltamos, Kayolanne ficou no acampamento, Renan e eu nem chegamos a entrar, decidimos viver fora do acampamento, e essa foi uma ótima ideia.

Nesse tempo aperfeiçoei todas minhas habilidades e descobri habilidades que nem sabia que tinha, o mesmo posso dizer de Renan. Passamos a maior parte do tempo treinando e caçando monstros para matar, passamos alguns anos desse modo.

Então em um sonho meu pai apareceu mais uma vez para mim. Ele disse que veio me avisar sobre algo que estava prestes a acontecer e que eu seria fundamental para essa nova missão, era algo grande. Fui avisar Renan sobre o sonho, ele não pareceu muito surpreso, como se ele já houvesse sido avisado. Partimos de volta ao acampamento meio sangue, em busca dessa missão que abalaria os pilares da terra.