Argonautas I

10 Kayolanne Porchera


Meu nome é Kayolanne Porchera, nunca tive uma vida normal e com 10 anos de idade, descobri que era mais anormal do que eu imaginava. Sempre me dei muito bem na escola, consigo entender facilmente os assuntos, mesmo tendo dislexia e TDAH. Meu pai é um cientista e diretor de uma faculdade. Minha mãe, segundo o que meu pai contou, nos abandonou quando completei seis meses de vida.

Estudei desde três anos em uma escola próximo da minha casa, lá conheci um dos meus melhores amigos, William era o nome dele. E fomos expulsos juntos dessa escola quando completei sete anos de idade.

Era um dia comum, eu e Wiliam fomos para o refeitório, lá a fila das meninas andou mais rápido. Servi-me e fui certa a mesa que ficava no canto do refeitório. Não esperei William, comecei a comer. Parei quando vi e ouvi pessoas se aglomerando e rindo, levantei-me e fui até lá abrindo caminho em meio às pessoas. E então vi William jogado no chão, todo sujo com suco de uva e seu almoço, os três garotos mais populares da escola, que viviam tirando saro de nos dois estavam perto de William. William se levantou e acertou um soco no rosto de um dos garotos. Então os três foram para cima dele e começaram a bater em William.

Tentei me meter na briga para defender William, mas outros dois garotos me seguraram com muita força. Eu me debatia e gritava para que parassem de bater nele. Então eu perdi a noção do que aconteceu. Só me lembro de todos me olhando assustados, os cinco garotos desacordados no chão e cheios de marcas roxas. Eu estava segurando uma bandeja de prata, me olhei nela e meus olhos estavam cinza quase da cor da bandeja. Meu pai foi chamado á escola, e eu e William fomos expulsos, porém meu pai conseguiu uma vaga para nos dois em um internato, e foi lá que conhecemos o Renan e o Anibal.

Os três anos seguintes na presença deles foi tranquilo, ninguém tirava saro de William, Principalmente quando estávamos juntos. Éramos considerados as pessoas mais estranhas daquela escola. Renan não possuía expressões que revelassem que tipo de pessoa ele era, e muita raramente se via um sorriso em seu rosto, era pensativo e possuía olhos penetrantes do tipo que diz: “Me irrite e estará morto.”. Anibal possuía uma expressão de atenção e vivia com um sorriso amigável no rosto, mas tudo o que isso revelava sobre ele era nada, apesar do sorriso não se via sentimentos em seus olhos. Só se via que ele não tinha medo de nada e também não é do tipo de fugir de brigas. Eu tinha a minha historia do por que sai da outra escola, e William tinha nossa proteção.

Uma semana depois que completei 10 anos, no fim de um dia de aula eu e Willian fomos para o ginásio, lugar que sempre encontrávamos Renan e Anibal. Anibal chegou sozinho e ficou fazendo arremessos, depois de um tempo Renan chegou pensativo como sempre, e me entregou uma bolinha de metal do tamanho de uma bola de tênis e falou que talvez eu fosse precisar dela e infelizmente ele estava certo.

Naquele dia fomos atacados por cinco lestrigões, Anibal se livrou de dois, Renan também de dois e eu de um, usando a bolinha que era um tipo de mini granada. Aquela luta foi muito estranho, Renan usou uma foice que nem sei se onde saiu e lutou com os monstros como se tivesse nascido para aquilo, Anibal lutou de uma forma mais assustada e calculista, bom, e

mecânica também. Depois do ataque William nos falou coisas sobre meio-sangues, pais Deuses e que deveríamos ir para um acampamento no qual ficaríamos em segurança.

Fugimos da escola e andamos por alguns dias, numa noite acampamos em um bosque. Ao amanhecer eu, Anibal e Renan ficamos arrumando as coisas para seguirmos viagem e William foi procurar algumas frutas para comermos antes de seguir. Estava uma manhã calma até que gritos e grunhidos vieram da direção que William tinha ido, saímos correndo para encontrar William. Renan já segurava a foice e Anibal tinha feito seu braço se transformar em um escudo.

Encontramos William agonizando no chão, sujo de sangue e com vários espinhos negros enfiados em seu corpo. “Manticores” Sussurrou William e seus olhos ficaram vazios e sem vida. Nos três estávamos ajoelhados ao seu lado, algo fez barulho atrás de nos, nos viramos e vimos duas criaturas com cabeça de homem, dentes de ferro, corpo de leão e cauda de escorpião com a qual disparava espinhos venenosos. Assim que nos viram dispararam uma saraivada de espinhos, Anibal pulou na frente com extrema velocidade e nos protegeu com o escudo e com seu corpo também, a força dos espinhos o fez cair quase encima da gente. Minha visão mudou, eu tomei a foice da mão do Renan e fui pra cima dos monstros.

Eles jogavam seus espinhos e eu podia prever aonde iam acertar e me desviava, eu também conseguia prever seus movimentos e no instante que um pulou para me acertar com suas patas de leão, eu o cortei em pleno ar e ele se desintegrou em pó dourado. Olhei rapidamente para Renan e ele estava se protegendo dos espinhos do outro monstro, usando um pedaço grande de casca de arvore. Anibal mesmo jogado no chão também se protegia com o escudo. Ataquei o outro monstro, cortei a ponta do ferrão de sua cauda do qual saiam os espinhos ele se virou para mim. “Sua semideusa maldita” disse com sua voz trovejante, ele veio para cima de mim, eu me desviei e tentei corta-lo, ele desviou e me acertou uma patada na barriga, cai, mas rapidamente me levantei. Desviei de sua pata que se tivesse acertado, iria destruir meu rosto. Acertei-o com o cabo da foice e fiz um corte diagonal em seu rosto, e ele explodiu em pó dourado.

Soltei a foice que foi absorvida pela terra, corri até o corpo sem vida do meu melhor amigo, e me ajoelhei perto dele. Renan colocou a mão no meu ombro, olhei para Anibal, ele estava encostado em uma arvore e arrancava alguns espinhos que acertaram suas pernas. Ficamos calados, provavelmente eles não sabiam o que dizer. E então o corpo de William começou a se desintegrar em pó verde, quando se desintegrou por completo, flores e grama começaram a brotar da terra. Renan soltou meu ombro e se afastou com uma cara de repudio, Anibal se aproximou de mim. A grama e as flores formaram uma moita de 30 centímetros, o cheiro era das flores era doce e suave. Mas Renan pareceu muito incomodado, algo se mexeu no meio das flores e Anibal as abriu para ver o que era.

Um filhotinho de coruja cinza estava abrindo os olhos como se tivesse acabado de nascer. Eu o coloquei no colo, Renan jogou sua jaqueta perto de mim, e eu aninhei o filhotinho nela. “Temos que achar esse acampamento, tenho muitas duvidas.” Falei Anibal balançou a cabeça em concordância, Renan continuou distante. Anibal e eu levantamos, Renan se aproximou e passou a mão por cima das flores, eles murcharam e morreram, não gostei daquilo, mas ele devia ter um grande motivo para odiar flores. Voltamos e pegamos nossas mochilas, devolvi a jaqueta de Renan e aninhei o filhote em uma blusa minha. Anibal achou um mapa nas coisas de William.

Seguimos viagem, até que encontramos um carro velho, e Anibal disse que o concertaria e eu ajudei. Renan ficou cuidando de Will, esse foi o nome que dei ao nosso novo amigo. O carro

não tinha muitos problemas, foi algo bem fácil concertá-lo. Ainda tinha gasolina também, na hora de liga-lo Anibal colocou a mão encima do painel de controle, cabos surgiram e se encaixaram em sua mão, a íris de seu olho ficou vermelha. E o carro funcionou, eu tomei a direção, me olhei no retrovisor meus olhos estavam cinza outra vez. Anibal sentou ao meu lado e Renan sentou no banco de traz com Will em seu colo. Pegamos a estrada, só parávamos para comer frutas que encontrávamos na estrada e casar pequenos insetos para Will.

Eu e Anibal revessávamos ao volante, até que estávamos que em uma cidade a gasolina acabou e resolvemos nos abrigar naquela noite em um enorme galão abandonado, foi uma péssima ideia. Dentro havia seis homens gigantes com apenas um olho no meio da testa, Ciclopes, eles bloquearam a saída. Os dois braços de Anibal se transformaram em espadas, e do chão uma fumaça negra surgiu e se materializou na foice de Renan. Eles tentaram lutar contra os monstros, mas estávamos cansados em com fome, Renan e Anibal transformaram dois em pó dourado e começamos a fugir. Entramos em uma sala e arrastamos uma estante até a porta os monstros batiam nela, logo iriam entrar.

A parede onde estava a estante era branca e lisa, com um símbolo de cinco centímetros que parecei ser feito a mão, era um delta, reconheci. Ao toca-lo ele brilhou na cor azul e uma porta surgiu, não pensamos muito entramos e a porta trancou. Os olhos de Anibal ficaram vermelhos e emitiam uma luz, que fraquejava. “Isso tem que ter outra saída” disse Anibal. “Então vamos procura-la, não podemos ficar aqui, essas criaturas podem entrar, eu acho.” Falou Renan, os olhos de Anibal apagaram, Renan respirou fundo. “Siga-me” ele saiu andando e eu e Anibal o seguimos, ele parecia ver no escuro, nos avisava sobre degraus e coisas bloqueando o caminho. Andamos por uns 30 minutos, eu acho. Até que paramos em um local que tinha uma pequenina luminosidade. O Iris do olho de Renan tinha se dilatado e seu olho estava completamente negro, mas com alguns segundos começaram a voltar ao normal. Descansamos por um tempo ali e depois continuamos andando.

Até que de longe vimos um forte foco luminoso, “uma saída” falamos juntos e antes de chegarmos ouvimos silvos que vinham de traz de nos. Anibal acendeu seus olhos e uma criatura metade mulher, metade cobra estava a certa distancia de nos. Ela sibilou e fugiu. “vamos sair logo daqui.” Falou Renan e corremos até a saída. Saímos em meio a um amontoado de pedras. Fomos recebidos com flechas, até que uma criatura metade homem, metade cavalo ordenou cessar fogo. Logo estávamos cercados por jovens fortemente armados com espadas, ascos e marretas. O homem que era um centauro nos levou até uma casa e lá nos explicou quem éramos e lamentou a morte de William, foi então que lhe mostrei Will e o centauro sorriu.

À noite minha mãe que era uma deusa me reclamou, encima de minha cabeça apareceu uma coruja enorme que se desfez em letras. “Salve Kayolanne, filha de Atena.” Quiron o centauro, me saudou com um brinde. Dei-me muito bem no chalé de Atena, minhas irmãs e irmãos eram atenciosos, e eles amaram Will, que cresceu muito rápido e com muita vitalidade.

Algum tempo depois eu fui manada, junto com alguns irmãos, para uma missão, era algo sobre resgatar um pergaminho antigo. Dias antes eu tive que escolher uma arma, e bem, todos ficaram surpresos, pois eu escolhi uma espingarda. Anibal junto com seus irmãos, os filhos de Hefesto, fizeram uma de bronze celestial e com alguns cartuchos mágicos que tinham 100 tiros cada um, as balas também eram de bronze celestial. Eu a achei excelente.

Antes de sair para a missão, fui ao chalé de Hefesto agradece-los e falar com Anibal. Renan não foi reclamado, então ficou no chalé de Hermes, também fui até lá falar com ele. Eles me desejaram sorte, e eu então eu parti junto com dois irmãos.

Alguns quilômetros depois de sairmos do acampamento, fomos atacados por três cães infernais, e foi até fácil se livrar deles, acertei um com um tiro na testa, outro com um tiro na garganta e o outro meu irmão o transformou em pó dourado usando uma espada. No caminho Will sempre aparecia, voava perto de nos e ia embora. Até que chegamos a um templo, que era o local onde acharíamos o pergaminho, pegamos o pergaminho facilmente, porém antes de sair do templo ele começou a pegar fogo e um dragão apareceu, sua pele era tão dura que as balas ricocheteavam. Logo outro dragão chegou e à espingarda era inútil contra eles, e meus irmãos não tinham tanta habilidade com a espada.

Peguei a espada de sua mão e fui atacar o monstro, eu previa seus ataques e me esquivava, ele abriu a boca para me morder e eu enfiei a espada em sua garganta, meus braços ficaram feridos pelos dentes do monstro, mas ele se desfez em pó dourado e só restou sua carcaça vazia. Fui à busca do outro que perseguia meus irmãos, o dragão os encurralou, e se preparou para soltar fogo, pulei entre ele e meus irmãos. Como que em câmera lenta, pude ver o fogo se formando em sua garganta. Atirei a espada, ela entrou pelo fogo, o jato de fogo me acertou em cheio e a espada acertou a garganta do monstro, ele se desfez. Cai no chão, queimada mortalmente, cada centímetro do meu corpo ardia. Então minha visão escureceu completamente.

Acordei em um lugar muito estranho, me lembraria se já estivesse ali antes, mas com certeza nunca estivera. Era um salão grande e escuro, feito de pedras pretas polidas. Até que me levantei do chão e quando fiquei de pé vi uma pequena luz de uma tocha se acender, então pude ver o local com mais clareza. À minha frente havia uma espécie de bancada enorme, uma mesa de júri. vi três figuras estranhas, pessoas usando máscaras douradas, me pareceram ser de ouro, reconheci os três seres de livros antigos que já tinha lido, eram Minos, Éaco e Radamanto, os juízes do mundo inferior, foi quando percebi o que havia acontecido, eu estava morta.

Eu não podia acreditar que estava morta, eu não queria acreditar. Os três homens assaram um bom tempo falando sobre coisas que eu tinha feito em vida. Quando terminaram, me mandaram para o Elísio e disseram para eu aproveitar o paraíso.

Com toda certeza aquilo não era o paraíso, pelo menos não para mim. Não poderia passar a eternidade me sentindo completamente estúpida e inútil, me sentia como se meu trabalho ainda não tivesse acabado e faltava algo pra eu poder me sentir feliz naquele lugar, mas eu não poderia fazer nada pra mudar minha sorte, afinal ninguém poderia voltar da morte, bem era assim que eu pensava.

Não conseguia contar os dias no Elísio, não sabia ao certo como o tempo funcionava naquele local. Mas sei que certa vez eu estava em um lugar onde havia várias outras almas que tiveram a “sorte” de irem parar no naquele paraíso, e aconteceu algo que mudaria tudo pra mim. Estava distraída apenas levando uma boa morte quando senti uma mão no meu ombro, fui puxada de uma forma muito rápida e forte. Quando percebi estava no colo de meu amigo Anibal. Ele olhou pra mim e disse: “Olá moça. Hora de ir”. Então ele começou a correr de uma forma que nunca tinha visto antes. Nunca pensei que um ser humano pudesse ser tão rápido, me sentia viajando em um trem, as coisas passavam por nós de uma forma tão rápida que eu não conseguia distinguir o que eram ao certo, via uma linha de luz formada por um conjunto de tochas enfileiradas. Quando percebi estávamos nos aproximando de um portão enorme, já havia passado por ele antes. Reconheci as duas figuras que estavam depois do portão, uma era alta de cabelos cumpridos e com asas negras, a outra era pequena, usava capuz e se movia de forma muito estratégica. Meu amigo Renan estava lutando sozinho com Thânatos.

Aproximamo-nos depressa. Quando o deus nos viu, olhou para trás e tentou nos impedir de passar, mas Renan enfiou sua foice em um de suas asas e o puxou para trás, ele não consegui

fechar os portões antes que pudéssemos passar. Anibal deu um pulo bem alto e longo, ele aterrissou bem encima do rosto do deus e com um chute deu um impulso para trás e deu um mortal e caiu no chão de uma forma tão suave que eu não senti o impacto.

Não consegui assimilar direito oque estava acontecendo. Quando passamos pelos portões, Renan nos seguiu, estávamos correndo muito rápido, mas tínhamos diminuído o ritmo, acho que Anibal não queria que Thânatos pudesse alcançar Renan quando estivesse sozinho. Infelizmente o deus também era muito rápido, ele nos alcançou. Um golpe certeiro vinha em nossa direção, minha e do Anibal, mas Renan conseguiu interferir e impedir o ataque, Renan estava diferente, estava mais preciso, mais ágil e parecia mais forte naquele lugar.

Uma luta começou, Anibal me deixou em um lugar seguro e voltou para ajudar Renan. De onde estava podia ver tudo, mas não me lembro do que exatamente aconteceu, eu ainda estava em estado de choque.

A luta foi muito dura, Renan e Anibal tiveram muito trabalho. Quando olhei novamente percebi que eles tinham um plano, os dois estavam atraindo o deus para um buraco grade e escuro. Renan conseguiu quebrar uma das asas do deus e Anibal usou uma corrente para amarrar uma à outra, Thânatos com certeza não poderia voar. Quando percebi, eles tinham conseguido jogar o deus naquele lugar, mas ele não queria ir sozinho, ele agarrou o braço direito de Anibal e queria leva-lo junto, ele possuía uma espécie de peso nos pés que o impedia de subir. Anibal tinha estendido os dois braços, eles estavam muito longos, um para ficar o mais longe possível do deus e o outro para se segurar em uma estalactite. Foi quando vi Renan olhando para Anibal e pela primeira vez ele parecia sem reação, até que Anibal deu um aceno com a cabeça e os dois se entenderam. Então em um longo e único golpe Renan tirou o braço de Anibal fora. O deus caiu e pela primeira vez vi Anibal demonstrando dor.

Meus amigos estavam se aproximando de mim, minha mente estava a mil, me sentia um lixo, mais uma vez os outros estavam lutando por mim. Quando eles chegaram mais perto pensei que iriam gritar comigo e jogar na minha cara oque tiveram que passar por mim, baixei minha cabeça e comecei a chorar. Eles já estavam bem na minha frente e pra minha surpresa, eles não fizeram nado do que pensei.

Eles apenas me olharam, Anibal continuava com seu sorriso, a dor parecia ainda o incomodar um pouco, Renan continuava como sempre, com seu olhar segura e firme e tentando não parecer fraco. Anibal se abaixou na minha frente, levantou meu rosto e enxugou uma lágrima, “tudo bem?”, ele perguntou, eu não respondi. Renan nos apressou para sair dali, pois o deus não ficaria lá para sempre, então fomos embora.

Já tínhamos saído do mundo inferior quando eu começava voltar a mim. Prometi a mim mesma que o que tinha acontecido naquele dia nunca mais se repetiria, não iria deixar que os outros lutassem minhas batalhas, não seria a “menininha indefesa”, não seria mais fraca, nunca mais.

Nossa viajem ao acampamento meio sangue foi mais tranquila que a primeira, não encontramos muitos monstros, apenas alguns cães infernais, mas nem ao menos precisamos lutar, Renan deu um jeito neles. Eles me contaram sobre sua viagem até o mundo inferior, seus desafios seus sonhos com os pais. Renan ainda estava agitado, não por ter acabado de lutar com um deus ou ter acabado de tirar uma pessoa da morte, era outra coisa, nem perguntei. Anibal ia juntando peças e pedaços de metais, só os mais adequados, para reconstruir seu braço, usava também um pouco de carvão mineral, com um pouco de energia o transformava em uma liga de carbono muito resistente e maleável.

Conseguimos voltar ao acampamento com segurança, estávamos no topo da colina quando eu desci até a casa grande, mas quando olhei para trás não vi mais meus amigos. Todos ficaram muito surpresos e curiosos por eu estar viva, me fizeram várias perguntas. Eu não falei tudo

oque tinha acontecido, mas expliquei a eles como voltei. Quíron mandou algumas equipes de busca para encontrar meus amigos, isso ocorreu por mais ou menos uma semana, mas eles não foram encontrados, então Quíron suspendeu as buscas, e disse, somente a mim, que os dois estavam bem, mas não voltariam ao acampamento, pelo menos durante um bom tempo.

Continuei no acampamento, durante alguns anos treinei pesadamente, não fui como os outros filhos de Atena que se dedicavam na maior parte do tempo aos estudos, claro que estudava muito também. Consegui novas armas e melhorei muito, sempre tentando me superar tendo meus amigos que um dia arriscaram tudo por mim, com certeza eles treinam e eu queria ser como eles.

Tive uma surpresa certa noite. Minha mãe apareceu em sonho para mim e me avisou sobre uma coisa que deveria fazer, mas precisaria de ajuda, era algo muito perigoso, mas precisaria ser feito. Disse também que eu iria gostar dos novos visitantes.