Faz uma semana que Will voltou para Ohio. Tenho que admitir que não fui nenhum desses dias ao campo no fim das aulas. Eu e Will saímos a semana inteira para matar a saudade, fazer coisas que a gente fazia (é claro que não todas, porque somos amigos de infância e não dá muito certo brincar de pique-esconde quando se tem 17 anos) e falar sobre o que nos aconteceu nos últimos 6 anos.

Falei com Violet diariamente, claro. Por mensagens, todos os dias ela almoçou comigo, como de costume, ficou comigo nos intervalos, conversamos nas aulas de teatro, e ela até saiu comigo e com Will nesse fim de semana. Mas uma coisa que me fez falta foi a de Matthew. Ele simplesmente desapareceu. Mesmo seu armário sendo ao lado do meu, nunca o encontrava por lá, e quando o via, ele guardava as coisas e ia embora correndo. Sem contar nas infinitas mensagens que ele não respondeu, e os bilhetinhos que passava para ele nas aulas de Francês, em que ele apenas lia, e guardava de na sua pasta onde deixava todos os nossos bilhetes.

Era outra quarta-feira, resolvi que estava na hora de fazer uma visitinha para o Jerry. E aproveitar para ver se Matt se encontrava por lá. Sabia que não estaria lá logo que chegasse, pois hoje era quarta-feira. Então, me sentei na grama encostada na árvore, onde segurava Jerry, já que ali tinha sombra. Ia pegar meu livro para continuar a ler, mas estava ansiosa demais.

Matt é meu melhor amigo, uma semana sem falar com ele é quase uma morte. Sinto falta dele.

Ele chegou concentrado lendo "Os Instrumentos Mortais: Cidade de Vidro", com uma blusa preta escrito em branco "A Sorte nunca esta ao seu favor." e o tordo de Jogos Vorazes. Ele estava tão alienado no livro, que acho que nem notou que eu estava ali, sem parar de olhar para o livro, sentou no balanço, lendo. Me levantei e fiquei na frente dele, mesmo assim ele não notou minha presença.

– Não pode ser, eu devo ser um fantasma.

Ele deu um pulinho sentado no balanço, fechando o livro com força.

– Meu Deus! Você ta louca? Quase me mata do coração. — diz colocando a mão no peito.

– Meu Deus, digo eu! To aqui, antes de você e você nem notou minha presença. — falo rindo.

– É novidade você finalmente resolver aparecer aqui. Achei que nem lembrava mais desse lugar. — ele revira os olhos.

– Ah, Matthew! Fala sério! Eu não via Will a 6 anos, o minimo que eu podia fazer é sair com ele. E outra coisa, eu te mandei centenas de mensagens você não respondeu nenhuma. Não seja infantil.

– Vá e me deixe com meu jeito infantil. Se divirta com o Will. — ele abriu novamente o livro, e continuou lendo.

– Matt. — chamei- Matt. — chamei de novo, me sentei no chão colocando as mãos em seus joelhos, e tentando fazer com que ele me olhasse. — Matthew. Não fica com ciumes. Eu te mandei milhões de mensagens, esse seu silêncio ta acabando comigo.

– Anna... por favor, me deixa sozinho, ok?

– Ok. — me levantei, irritada. Peguei minha mochila. — Só se lembre que o que você ta fazendo é extremamente ridículo. — Fui embora.

Recebo uma mensagem de Will.

"Cade você? Estou aqui na frente do colégio." Lembrei que ele pediu para encontra-lo na frente do colégio. Não respondi pois já estava quase lá na frente.

Quando cheguei, espremi meus olhos para tentar acha-lo, o Sol naquele dia estava muito forte.

– Eu estou aqui. — ouço alguém atras de mim.

Me viro e vejo Will. Ele sorriu, aquele sorriso e os olhos verdes pareceram mais lindos do que o normal naquele momento.

– Ah, oi. — retribuo o sorriso, e lhe dou um beijo na bochecha.

– O que acha de irmos a uma livraria torrarmos nossas mesadas em livros? E depois irmos para minha casa, você me ajuda a estudar para a prova de Química porque eu estou simplesmente perdido na matéria... E depois pedimos uma pizza. — Deu outro sorriso.

– Você falou as 2 palavras mágicas: Livros e pizza. É claro que eu topo. — ri. Ele riu também.

Fomos andando para uma livraria perto da escola. Will me indicou alguns livros, e eu alguns para ele, compramos, e pegamos o ônibus para a casa dele.

Ele abriu a porta, e deixou um espaço para que eu passasse.

– Pode entrar. — ele disse então entrei, entrou também e fechou a porta. Foi andando até o que parecia ser o escritório. Sra. Young estava mexendo no computador, digitando sem parar, com seus óculos na ponta do nariz. Ele foi até a ponta da porta, que era grande e larga, colocando a cabeça para dentro do escritório. — Mãe, estou com uma visita. — Ela ergueu a cabeça e o olhou. Então ele me tocou como se fosse para eu aparecer mais ali na porta para que ela me visse.

– Ah, olá. — ela se levantou com um sorriso simpático, ela não tinha mudado nada. Nem parecia mais velha. Ela ficou em frente a mesa dela, encostada. — Entre aqui com ela para poder conhece-la. Eu e Will nos olhamos, vimos que Leila não tinha me reconhecido. Com vergonha, entrei junto a ele. — Prazer, eu sou Leila, mãe do Will. — ela sorriu, me cumprimentando com um abraço. — Uau, você é muito parecida com uma amiga que Will tinha, o nome dela era Anna, eles eram muito amigos e...

– Mãe. — Will interrompeu-a. — Essa é a Anna.

– Claro que não Will, a Anna era bem baixinha, e tinha 12 anos.

– Eu também tinha 12 anos. — respondeu rindo. Eu ri também.

– Anna?

– Acredito que seja. — falei rindo.

– Minha nossa, como você esta linda!!! Venha aqui me abrace. — Me abraçou forte. — Como estão os seus pais?

– Bem, e a senhora?

– Eu estou ótima! Não sabia que tinham se reencontrado, Will não me conta nada. — falou fazendo cara feia para Will. — Vocês estão no mesmo colégio? — eu afirmei com a cabeça. — Eu disse para ele que você ainda estaria nesse colégio, ele ficou com receio que não estivesse mais lá, já estava ficando paranoico, não parava de falar disso, era só...

– Mãe!!! — Will chamou atenção coçando a cabeça.

– Tudo bem, Leila. Sei que ele me ama. — Rimos.

– Vamos logo estudar. — ele me puxou, para o quarto dele.

O quarto dele até que era organizado, e legal. 3 prateleiras cheias de livros e CD's, em cima de uma escrivaninha preta, com um computador e coisas para estudo. No canto do quarto uma cama.

– Vamos estudar na minha cama. — Se sentou pegou alguns livros. — Senta aqui. — Me sentei ao seu lado.

Comecei a explicar a matéria. Ele começou a fazer alguns cálculos que passei para ele.

– Me passa a borracha que esta do seu lado? — disse, eu me virei e peguei a borracha. Ao me virar e devolver para ele, ficamos bem perto, e ele ficou me olhando, e eu ali segurando a borracha.

Me senti naqueles momentos, de filme de adolescente, em que a menina e o menino que ela gosta estão estudando e rola aquele clima, e eles acabam se beijando. A questão, é que não estava rolando um clima. Suspirei e disse:

– A borracha. — me afastei, sorri e mostrei a borracha na mão.

Ele sorriu, e pegou da minha mão.

– Você é bem competente.

Ri e dei um soquinho de leve em seu ombro.

– Idiota.

Ele terminou a conta então decidimos que ele já estava pronto para a prova. Largamos os estudos, então pedimos uma pizza.

Enquanto a pizza não chegava ele me mostrava algumas musicas que ele tinha, e ficamos escutando e conversando. A pizza chegou, voltamos para o quarto e comemos no chão um ao lado do outro encostados na lateral da cama.

– Sinto que você ta meio distraída hoje. — disse e depois deu uma mordida na ponta da pizza.

– Ah, é só que briguei com Matt. Mas ta tudo bem.

– Puxa vida, Matt! Não conheço ele direito, pois só estudamos 1 ano juntos, antes de eu ir embora... Mas queria falar com ele, perguntei para Violet, mas ela disse que não tinha visto ele no últimos dias... Como ele esta?

– Na verdade eu não sei... Ele esta estranho nessa ultima semana.

– O que houve?

– Acho melhor não falarmos disso... Ei, se eu não estivesse no colégio, nem Violet e tals... Como você reagiria? — falei após um gole de refrigerante, me virando para ele.

– Esse era meu medo. — ele riu. — Vocês não estarem no colégio. — Ia me sentir excluído, forever.

– Ah, eu acho que você faria seus amigos. — ele me olhou do tipo "está zoando com a minha cara, né?". — Ah sim, o "desinfetante de pessoas". Ok já entendi...

– Não sou "inturmável".

Eu ri.

– Essa palavra não existe.

– Eu sei, fui eu que inventei. Gostou? — ele sorriu, enquanto ria.

– Deviam colocar no dicionário. — sorri, mordendo a pizza.

– Sabe... nunca me senti a vontade em Oklahoma como me sinto aqui. Lá eu era só mais um, nunca tive amigos lá. Não que eu tenha muitos amigos aqui. Mas eu tenho você.

– Eu valho por 5 amigos.

– Exatamente... — estava de frente, mas consegui sentir outro sorriso em sua voz. Me virei, e sim ele estava sorrindo, onde fazia suas lindas covinhas aparecerem.

Aquilo melhorou meu dia.