Are you the one?
3 Capitulo 3
Acordei com o despertador gritando em meu ouvido, fiquei mais 5 minutos deitada na cama olhando para o teto. Fui para o banheiro, tirei o pijama e entrei no chuveiro com esperança de que a água me despertasse, e que não dormisse no boxe, pois o sono estava em alta.
Sai do banho, me arrumei, peguei a mochila, fui até a sala silenciosamente para não acordar meus pais, coloquei os fones de ouvido, peguei as chaves no balcão e uma barra de cereal. Peguei o elevador, e fui em direção ao ponto de ônibus. Chegando perto, vi Matthew mexendo no celular. Normal, todos os dias o encontrava ali, no ponto. Me posicionei ao seu lado, porém com uma certa distancia entre nós.
– Anna. — me espanto ao ouvi-lo me chamando, olho para ele.
– Ah, Oi. — disse ainda olhando-o.
– Me desculpa, por ter agido daquela forma. Quer dizer, faz 6 anos que vocês não se falam, você merece um desconto.
– Tudo bem. — sorri de lado e me virei para frente de novo, ele também.
Passou 1 minuto, e ficamos sem falar nada.
– Vem cá, me de um abraço. Preciso saber se esta tudo bem mesmo! – ele abriu os braços.
Sorri, e o abracei. Por ser muito alto, minha cabeça ficava encostada em seu peito. Ele me apertou, e beijou minha cabeça.
O ônibus então chegou, subimos e vimos Violet sentada, lendo com muita atenção o livro “Cidades de Papel”.
– Margo vai embora, e ela e Q não ficam juntos. – Digo me sentando no banco ao seu lado.
Ela fecha o livro com força, eu e Matt começamos a rir.
– Isso não tem graça. – ela nos olha brava. – Você sempre faz isso. Eu vou ler um livro bem antes que você, e te dar spoiler pra você aprender.
Continuamos rindo.
(...)
Seus lábios iam de encontro aos meus e...
– Srta. Hemmings. – Acordo assustada com a pancada que deram na minha mesa. Levanto o rosto ainda sonolenta e percebo que a Srta. Pillsberry, professora de Geografia, tinha violentado minha (pobre) mesa com o seu livro didático de “Geografia Australiana, Vol. 2”.
– Err... Oi? – falo sonolenta coçando a cabeça.
– Por que não compartilha com a turma o que sonhava em seu sonho profundo, Bela Adormecida? – ela disse com os braços cruzados e uma cara nada agradável.
Olho para os lados e percebo que todos olhavam para mim.
Droga.
Se tem algo que eu odeio, é quando as pessoas jogam toda a atenção em mim. E bem, eu não podia contar o meu sonho já que sonhava com o beijo mais perfeito com o Dylan O’Brien. E esse não é o tipo de sonho que você conta para a sua Professora de Geografia, ainda mais quando ela está um cão com você.
– Com a sua explicação divina sobre a matéria. – menti já com as bochechas coradas.
Ela me encarou por mais dois segundos, se virou, e continuou explicando.
Srta. Pillsberry podia ter uma cara de mocinha, 25 anos uma professora jovem. Mas ela era totalmente intolerável com qualquer coisa. Talvez seja tão amarga por seu marido ter a traído com apenas 1 mês de casados...
Desenhando, o sinal estridente de final de aula faz com que eu tenha que dizer Adeus para aquela árvore com galhos secos sobre o papel. Mas pelo o menos, era fim de aula. Guardei minhas coisas rapidamente, colocando meus desenhos organizadamente dentro da minha pasta que carregava na mão.
A organização foi em vão, pois graças a minha incapacidade de verificar se a pasta estava devidamente fechada, e a Matthew que me deu o maior susto, e fez com que todas as minhas (queridas) obras-primas caírem no chão.
Olhei para os papéis no chão e depois para ele com uma expressão zangada. Mas a única coisa que vi nele foi uma cara risonha seguida por uma forte gargalhada.
– Foi mal, Anninha querida! – Ele falou se abaixando para pega-los.
– Não me chame de Anninha, seu filho da mãe. Você sabe que eu odeio. – ele se levantou já com os papéis na mão. Alguns amassados.
Ai que dor no coração.
– Uau, seus desenhos são realmente bons. – ele disse antes de me entregar, sem conseguir tirar os olhos deles.
– Ei! – peguei de suas mãos. – Não era para olhar... – murmurei sentindo as bochechas queimarem.
– Anna, por que nunca mostrou esses desenhos? – começo a andar e ele me acompanha.
– Bom, porque, até alguns segundos atrás eram para ser desenhos que guardaria para mim mesma. – retruquei- Eram... – murmuro.
– Como quiser. São fantásticos! – olhei para ele finalmente parando em meu armário e vendo um sorriso em seu rosto. Não pude deixar de sorrir.
– Valeu. – agradeci sem graça.
– Não tem de quê. Ei, vamos fazer algo hoje?
– Como o que? – perguntei enquanto guardava algumas coisas em meu espacinho estreito chamado armário escolar, mesmo sentindo que ele me observava guardar os materiais com o seu olhar animado, mas encostado no armário ao lado para parecer desinteressado.
– Como... Jogar videogame na minha casa? – me virei para ele fechando a porta única de metal, e vendo uma careta estampada em seu rosto.
Sorri. Era incrível como mesmo fazendo uma careta, Matt continuava fofo.
– Claro. – sorri.
Começamos a andar lado a lado, enquanto ele pousava uma de suas mãos em meu ombro, me abraçando de lado carinhosamente.
Seguimos para o refeitório.
Logo após pegarmos nosso almoço, fomos para a mesa de sempre. E encontramos, como sempre, Violet que jogava um jogo de zumbis ou algo assim no celular.
Bom, na verdade não é bem sempre pois por uma semana aquilo não existiu para mim por causa da briga com Matthew. Então era bom voltar a sentar em minha mesa habitual.
Matt se sentou ao lado de Vio, enquanto eu me sentei em frente aos dois.
Vejo Will olhando ao redor do refeitório, procurando por algo, e ao parecer não encontrar, seu rosto se entristeceu, e com aquela expressão triste foi andando procurando algum lugar com sua bandeja na mão.
“Lerda”, penso comigo mesma. É claro que ele está procurando uma mesa para se sentar. Talvez eu, ou qualquer outra pessoa conhecida para lhe fazer companhia.
– Will! – grito, e quando ele olha para a direção de onde parecia ter vindo o som, comecei a acenar loucamente.
Ao me ver, soltou uma risada, e acenou de volta. Chamei o com as mãos. Então ele veio em direção a minha mesa.
– Anna. – Matt cochicha com a cabeça curvada para frente.
– O que foi? – digo olhando rapidamente para ele e depois me virando para Will que estava prestes a chegar.
– Oi. – falou tímido. Pude ver suas bochechas mais rosadas do que normalmente são.
– Sente-se conosco. – permaneci com um sorriso simpático. Então ele passou atrás de mim, se sentando ao meu lado.
Matt não estava com a melhor cara. Por algum motivo desconhecido.
– Oi. – ele cumprimentou com um sorriso simpático.
– E aí, Will? – Violet disse animada, porém sem tirar os olhos do jogo.
– Oi... – Matthew murmurou.
Me virei e dei um beijo em sua bochecha. E recebi um sorriso de agradecimento.
Aaah, aquele sorriso... É como se ao ver aquilo você estivesse tomando água depois de muito tempo passando sede. Era aliviante. Espera... O que? Ok, era bonito, realmente. Mas não tinha motivo para pensar dessa forma.
Percebi que estava olhando para ele ainda, e ele me olhava com uma cara confusa do tipo: “Você ta bem? Ou é louca mesmo?”. Então dei um sorriso amarelo, e me virei para frente, morrendo de vergonha do papelão que tinha acabado de fazer.
– Matei!!!! – Vile gritou, erguendo os braços como se fosse uma campeã.
Todos os alunos presentes no refeitório, olharam para ela como se fosse insana.
– O que foi? Nunca mataram um zumbi em Plants vs. Zombies??? – disse em um volume em que todos pudessem ouvir.
As pessoas, ficaram olhando para a nossa mesa por mais um tempo. E aquela sensação de ser o centro voltou, mas de uma forma mais divertida e engraçada. Até que todos começaram a rir ou comentar, e voltar para seus amigos e assuntos.
Não podíamos deixar de rir. Bom, menos Matt que permanecia sério e concentrado em mexer na sua salada com o garfo.
Pra lá, e pra cá.
– Pelo amor de deus! Enfia essa salada logo na boca, Matthew! Credo. – Vile, disse sem paciência.
Eu sabia porque ele estava assim. Apenas não entendia, ele e Will eram amigos quando mais novos antes de Will ir para os E.U.A do outro lado do mundo.
Fingi não saber, e continuei comendo meu almoço.
(...)
Aula de educação física mista... Will também fazia essa aula comigo. Lado a lado, ouvíamos a orientação do professor.
– Pra começar, vamos fazer apenas um aquecimento. 2 voltas correndo em torno do campo.
O campo em que estávamos fazendo a aula era o de futebol americano. Ou seja, para um sedentária, isso seria um grande esforço. Mas comecei a correr. Will na minha frente, porém a um grande espaço de diferençam enquanto eu tentava alcança-lo.
– Vamos, Anna! – ele se virou para mim rindo, e continuando a correr.
– To quase. – falei ofegante. Até que fico ao seu lado. Sorrio e olho para ele. – Pronto. – ele sorriu pra mim.
Por que Deus? Aquilo fez com que eu não visse o poste que tinha, já que era hora de virar para o lado.
Bam!!!
Dei com a cara no poste, caindo no chão.
Ai! Que dor...
Ainda zonza e com a mão na cabeça. Percebo Will rindo de mim, até perceber que eu estava tonta e que a coisa era séria. Então se abaixou, colocou a mão em meu ombro direito e segurou minha mão esquerda.
– Anna, você ta bem?
Minha cabeça doía tanto, e eu fiquei tão presa aos olhos dele que nem consegui responder.
– Venha. Vou te levar pra enfermaria. – ele me levantou. E eu quase cai no chão o que fez com que ele me segurasse e ficássemos bem perto.
Então luzes nos iluminaram, e eu apenas olhava para seu rosto. Pétalas de rosa começam a cair sobre nós. E o professor de educação física cantando uma linda musica.
“Leve ela para a enfermaria. Rááápido.”
Uma letra bem curiosa para uma música romântica. Estávamos prontos para selar um beijo. Mas meus olhos começam a ficar pesados, pesados, e...
– Meu, Jesus! Que cama dura! – acordo resmungando. Até que abro os olhos e vejo Will ao meu lado me olhando. – DEUS DO CÉU! QUE SUSTO. – Coloco a mão no peito.
– Desculpa. – ele ri. – Não queria te assustar.
Levanto a cabeça um pouco e observo. Por que eu to na enfermaria?
– Por que eu to na enfermaria? – digo em voz alta.
– Xiiu... encosta a cabeça ai. – ele afastou uma mecha que estava invadindo meu rosto, fazendo com que eu encostasse a cabeça no travesseiro. Então ele ajeitou o saco de gelo na minha cabeça, que eu nem tinha percebido que estava ali.
– Aaai! Ta doendo. O que foi que eu fiz?
– Você deu de cara no poste na aula de educação física. – ele riu, se sentando ao meu lado.
– Bem a minha cara. – ele ri e eu acabo rindo também.
– Inclusive... quando eu te levantei, foi uma cena bem engraçada.
– Ah meu Deus o que eu fiz? – disse preocupada.
– Eu sei lá. – ele falava rindo- Você fechou o solo, ficou com um biquinho como se fosse beijar alguém, e começou a balançar a cabeça.
– Ta zoando?
– Não. – ele riu.
– Que vergonha!
– Tudo bem. Conheço você muito bem. Eu meio que já prevenia que você ia acabar caindo, quando se trata de correr. Já que você corre que nem uma pata.
– Ei!!!! – me manifestei.
Rimos.
– Bom, a sua mãe esta vindo te buscar. Mas a minha aula de Francês vai começar e tenho trabalho para entregar então me desculpe.
– Tudo bem. Pode ir. – sorri.
– Descanse, Minhoquinha. – ele beijou o topo da minha cabeça, desviando o machucado, e mencionando o meu apelido de infância.
Uau ele lembrava!!!
– Obrigada, Lesmo. – dei um sorriso também usando o apelido que havia dado para ele.
Ele sorriu. E foi embora.
Fechei meus olhos, e voltei a dormir. Foi um grande dia.
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