Notas iniciais
As velhinhas foram baseadas na minha avó e as irmãs delas (ela que não me leia dizer isso)

É, mais um dia igual. Espancar o despertador, ir para a escola, almoçar, ir trabalhar, estudar para a prova no dia seguinte, dormir, acordar... Tem dias que se o tédio tivesse densidade, minha linda cabecinha estaria esmagada, como se um hipopótamo sentasse sobre ela.

Querer a independencia finaceira tem certos custos que me corroem. Vida social não passa de dez por cento do meu tempo, a vaidade foi toda por água a baixo.

Esses pensamentos normalmente me vêm a cabeça quando estou no banho. O metrô é um lugar tão corrido para se pensar nisso... Aliás, acho que perdi meu ponto.

-Para esse trem! Minha estação era ali atrás! Para! — Eu corria passando de vagão em vagão com a esperança de chegar no maquinista e conseguir fazer ele parar. por mais que fosse impossivel.

O metrô estava deserto. Tinham algumas velhinhas simpáticas e mal vestidas ainda esperando seus pontos, que era o último.

Parei ofegante depois da cena que assustara as coitadas. Sentei-me em um banco e dei um sorriso amarelo para elas. Que me olhavam como se eu fosse um louco.

- Perdeu o ponto né? — Um garoto vindo da cabine que eu acabara de passar correndo.

- Te interessa? — Emburrado, de cabeça baixa e ainda ofegante.

- Na verdade, de início não. Mais com todo seu berreiro, acabei sendo alarmado. — Sentando ao meu lado.

Olhei discretamente para o rosto do garoto, que aparentava estar debochando da minha situação.

Seu cabelo era castanho escuro e um pouco comprido. Seu sorrisinho que estava me causando um ódio mortal era extremamente branco.

- Tá rindo de mim porquê? Nem te conheço. — Eu estava bravo, puto, brasando, pegando fogo.

- Nada não. Sua cara de brava me faz rir. — Soltando uma gargalhada mais profunda e engolindo o sorriso. — Não seja por isso, sou Dylan. Prazer.

- Erm... Sou John. Ou se preferir, Jay. — Apertando a mão do garoto que eu nem conhecia à pelo menos dez minutos.

- Vamos descer. Ou quer perder o ponto mais uma vez? — Disse se levantando devagar.

- Claro. — Me levantando e saindo pela porta que se abrira estupidamente. — Porquê você quis ser tão amigável comigo? normalmente pessoas que não me conhecem não dirigem uma se quer palavra. — Andando sem pressa para as escadas que levavam para fora da estação.

-Não sei; alguma coisa em você me atraiu.- Andando.

Fiz um silêncio absoluto que metia medo em qualquer padre. Na minha mente remoíam coisas que seria melhor nem lembrar.

-Então eu vou! — Ele interrompendo o silêncio após subirmos a escada sem eu nem perceber. — Tchau! — Virando a esquina.

Liguei par minha mãe. Aliás, eu não sabia nem que onibus pegar. Se é que circulasse algum àquela hora.

Ela não se demorou a chegar. Sentei no carro com um breve e baixo \"oi\" e fiquei pensando no garoto. Como uma criatura que eu nem conhecia, teve a ousadia de me quebrar a rotina e no fim nem deixar um contato...