Arcana Girls Witchery

3 O alvo foi decidido. Proteja a cidade!


Notas iniciais
Demorou mais chegou, o tão esperando (eu acho, não sei) terceiro capítulo está aqui... EEEEEEEEEEEEE (chega). Espero que vocês se divertam e gostem do cap. Agradecimentos no final e desculpem pelo cap. tão longo (a imaginação vem e vem com tudo). Criticas (construtivas ou não) é só deixar nós comentários que eu irei responder com carinho :*

P.O.V. Rainha Minerva

Tudo estava escuro naquele lugar como de costume, as únicas luzes que havia ali era velas com chamas negras que serviam apenas para nos orientar. O castelo úmido estava cheio de insetos passando para lá e para cá, não se via um raio de Sol nas redondezas. Na, verdade não existia Sol em um lugar que só havia Trevas. Isso tudo era maravilhoso para mim, sempre gostei desse tipo de habitat. Os gritos das pessoas que me desafiaram, dava para ouvi-los em toda parte do castelo e isso era um prazer imenso, me faz bem, me traz felicidade, mas ainda não é o suficiente para me satisfazer. Eu ainda quero a cabeça daquela que todos chamam de Salvadora e quando eu a tiver junto com o Reino Scarlet em minhas mãos, eu vou ser a mulher mais feliz de todo o universo.

— Conseguiram quebrar a barreira que impede a minha ida ao outro mundo? — perguntei olhando para o portal.

— Não, vossa majestade. — disse um dos servos, me deixando furiosa. — Mas descobrimos uma forma de enfraquecê-la, até que ela se quebre — continuou.

Respirei e me recompus.

— Como? — indaguei, me acalmando.

— Com magia. — Brayner respondeu entrando na sala onde se encontrava o portal.

— Pelo visto, foi você que descobriu isso, certo? — olhei-o de canto.

— É claro que fui eu, você acha mesmo que esses magos inúteis iriam servir para alguma coisa? — se gabou, parando ao meu lado.

— Vocês, saiam. — disse para os servos. — Vão! — gritei.

— Sim, vossa majestade. — eles disseram se retirando, deixando eu e Brayner a sós.

— Qual é o plano, Brayner? — perguntei olhando para o portal.

— Isso. — respondeu mostrando uma varinha e um frasco com um líquido negro.

— Como uma varinha e uma poção podem me ajudar? — olhei para os objetos, insegura.

— Você não confia em mim? — sorriu, me desafiando. Suspirei.

— Continue. — disse sentando numa cadeira que eu fiz com magia das Trevas.

— Apenas uma varinha e uma poção das Trevas podem fazer com que nossos planos se realizem.

— E como isso vai nos ajudar?

— Minerva, confie em mim. — ele disse confiante. — Eu irei demonstrar como isso vai nos ajudar. — ele disse usando magia, fazendo com que um dos meus prisioneiros aparecesse na nossa frente. Eu estava curiosa para saber qual era o plano dele. Continuei sentada apenas observando, o que ele faria.

— Não, por favor, não faça nada comigo! Eu prometo que irei fazer tudo que a minha senhora mandar, por favor, me poupem, eu não quero morrer, por favor! — implorou o prisioneiro por sua vida, o que me tirou um sorriso gratificante.

— Cale a boca! — Brayner gritou desferindo um tapa no prisioneiro, que caiu no chão gemendo. — Continuando. — prosseguiu, pegando o prisioneiro pelo pescoço. — Tome isso, seu verme. — Brayner tentou colocar a poção dentro da boca do prisioneiro, porém o mesmo se recusou a tomar, me deixando furiosa.

— Corporis Dominium — conjurei o feitiço assumido o controle sobre o seu corpo, o fazendo abrir a boca.

— Obrigado — Brayner agradeceu colocando a poção na boca do prisioneiro.

— O que está acontecendo comigo? — O mesmo gritou desesperado. — Parem, está doendo, parem, por favor!

Na mesma hora a poção começou a fazer efeito o derrubando no chão. Manchas negras eram vistas correndo por suas veias, seus olhos ficaram escuros como se ele fosse um demônio. Suas unhas cresceram como se fossem garras e as Trevas dominara-o completamente.

— E agora? — Perguntei curiosa.

— Exitium. — Brayner conjurou o feitiço fazendo com que o corpo do prisioneiro virasse uma fumaça e fosse sugado pela varinha. — Agora? Deixamos que ele faça todo o trabalho sozinho. — Brayner disse jogando a varinha pelo portal.

— Mas como isso irá enfraquecer a barreira?

— Com o sangue dos humanos, que iremos usar para criar uma poção que quebrará o feitiço que nos impede de sair daqui. — ele me respondeu.

Sorri, olhando para o portal que começou a disparar raios negros.

P.O.V. Safira Trevizan

— Não! — acordei assustada por causa de um pesadelo.

Minha respiração estava ofegante e eu estava assustada, sentei na cama e tentei me acalmar. Olhei para o lado e percebi que não estava no meu quarto. O lugar onde estava era sujo havia poeira no chão e nos móveis. Comecei a olhar para todo o lado até que resolvi me levantar, o que não foi uma boa ideia. Minha cabeça começou a girar e eu caí no chão.

— Safira? — Uma pessoa me chama abrindo a porta do quarto onde eu estava.

— Thomas? É você? — Perguntei olhando para a porta.

— Sim — ele disse abrindo a porta. — O que você está fazendo no chão? — Ele perguntou.

— Eu fui levantar, fiquei tonta e caí — respondi. — Onde eu estou? — Perguntei confusa ainda olhando em volta.

— Em casa, oras.

Olhei para os lados, ainda mais confusa.

— Que? Como assim em casa? Que lugar que é esse que eu não sabia que existia? — Perguntei surpresa.

— Agora que você sabe quem você é realmente, eu posso te mostrar essa parte da casa.

— Aquilo não foi um sonho? — Perguntei cabisbaixa.

— Não, não foi.

Eu fiquei feliz por não ter sido um sonho. Me fez bem, eu queria que minha vida mudasse e aconteceu, não poderia ficar triste, brava ou até mesmo achar que tudo aquilo era loucura,. A dor da noite passada ainda dava para ser sentida, mas mesmo assim eu estava bem e segura. Por enquanto.

— O que aconteceu depois que eu desmaiei? — Minha curiosidade sobressaiu, mesmo que ainda estivesse confusa.

— O bruxo sumiu de repente e eu te trouxe para casa, para tratar seus ferimentos.

— Espero que nenhum bruxo como aquele de ontem, apareça novamente.

— Ontem? — Thomas perguntou confuso.

— Sim, ontem — respondi.

— Uau! Achei que você teria percebido que já faz mais de três dias que você está dormindo. — ele pareceu surpreso.

— O quê? — gritei desesperada, ficando mais confusa. — Como assim mais de três dias? Por que você não me acordou? Ai, meu Deus! — desesperei-me, levantando do chão.

— Se acalme! — ele me estendeu uma xícara de chá. — Eu sabia que você iria surtar e trouxe o seu chá favorito.

— Obrigada. — agradeci sentando na cama e tomando um gole do chá, sentindo a calma voltar.

— Eu liguei na escola e disse que você está doente. Agora termine isso e venha aqui — ordenou e saiu do quarto.

“O que ele está aprontando?” — pensei. “É melhor eu ir logo.” — terminei de tomar o chá e sai do quarto.

— Uau! — me surpreendi. — Que lugar é esse?

O lugar era gigante, não parecia que estava dentro da minha casa e sim como se estivesse em outro lugar ou dentro de uma dimensão paralela. Livros voando como pássaros, poções borbulhando, livros de magia em todos os lugares, um cadeirão no centro da sala e até mesmo um bola de cristal tinha ali. No teto, a imagem do céu azul estava passando como se estivéssemos fora de casa. Eu estava realmente surpresa com tudo aquilo.

“Isso é magia?” — pensei. Nunca imaginei que estaria dentro desse mundo, que sempre me encantou.

— Está surpresa? — Thomas perguntou sorrindo.

— Sim, muito.

— Isso é só o começo da magia. — ele disse pegando um livro que veio em sua direção.

— Fascinante. — sorri.

— Agora que você sabe sobre tudo isso — ele disse abrindo os braços falando sobre onde estávamos. —, preciso te mostrar o que você vai enfrentar realmente, preciso te mostrar a nossa história. — ele foi ficando sério e desfazendo o feitiço que fez com os livros e objetos voltassem para os seus lugares.

O teto que estava azul como o céu, ficou negro como a noite, as luzes que iluminavam o lugar se apagaram e apenas uma imagem no teto começou a iluminar o lugar.

— O que você vai me mostrar? — indaguei assustada.

Ele suspirou e logo me respondeu.

— A nossa história. Como tudo isso aconteceu, da onde a gente veio e quem é sua verdadeira inimiga.

Balancei a cabeça concordando.

P.O.V. Thomas Trevizan

— Há muito tempo, o nosso reino estava em uma crise de descoberta. As pessoas tinham acabado de aprender magia, ficaram encantadas com aquilo, porém não sabiam como a controlar e a usavam para qualquer coisa, a todo o momento, e isso se tornou uma coisa ruim. Começaram a querer se superiores uns aos outros, começaram a mandar um nos outros e isso acabou se tornando uma guerra, e não era uma guerra entre dois reinos ou entre dois lados e sim uma guerra dentro de um reino, entre pessoas do mesmo lugar.

"Todos estavam se matando, matando uns aos outros, crianças foram mortas ou ficaram órfãs, perdemos cidadãos, alimentos e nossa dignidade. O rei, que é nosso avô, não conseguiu parar a guerra inteira, os outros reinos não quiseram nos ajudar. Tudo estava acabado e sem esperança, o reino todo estava perdido e destruído, até que as Witcherys chegaram para nos salvar. Eram bruxas que podiam usar magia e tinham todo o conhecimento sobre a mesma, realmente sabiam de tudo.

"Porém, achávamos que elas eram apenas uma lenda. Quando elas chegaram era tarde demais. Os cidadãos estavam mortos ou feridos gravemente, sempre gemendo de dor e crianças perdidas. Achávamos que nem elas poderiam nos ajudar, mas nos enganamos. Com apenas uma palavra, apenas um feitiço, todos os cidadãos estavam curados. Mais um feitiço e o reino se ergueram novamente, e em alguns minutos tudo já estava normal.

"O reino estava em pé novamente, as Witcherys ficaram e ensinaram os cidadãos a usar magia da forma correta. Eles, por sua vez, terminaram de reconstruir o reino sozinho. É claro que isso não foi da noite para dia, demorou algumas semanas, meses. O tempo foi passando os cidadãos sabendo usar magia criaram objetos mágicos para usar no dia-a-dia deles. A magia deles ainda era muito instável, e isso fazia com que eles perdessem o controle sobre ela facilmente. Esse foi o motivo da guerra ter acabado em tragédia rapidamente. Então as Witcherys criaram varinhas a partir de uma árvore chamada Ancient Soul.

"A madeira dessa árvore era prateada, as folhas nunca secavam ou caiam, os frutos dela tinham poderes beneficentes ou não. A sua madeira, se usada pela pessoa certa, nunca se esgotaria e por isso elas a escolheram. Cada bruxo tinha uma varinha, elas tinham formas diferentes e se adaptavam ao seu dono, ou seja, ninguém poderia usar a do outro. O ruim de tudo isso era se sua varinha quebrasse...”.

— O que acontece se sua varinha quebra? — Safira perguntou me interrompendo.

— Bom você perde toda sua magia... Na verdade, não toda, mas se você não consegue a controlar você não pode a usá-la e acaba tendo que se isolar dos outros. Mas não foi isso que aconteceu no nosso reino, graças à nossa mãe. O nosso pai acabou se apaixonado por uma das Witcherys que, por coincidência, é a nossa mãe...

— Quê? — Safira gritou, me interrompendo mais uma vez. — Nossa mãe era uma das Witcherys? — Um sorriso se formava em seus lábios.

— Sim — confirmei. — Agora, continuado... — parei por alguns segundos tentando lembrar aonde eu tinha parado. — Ela, como um ser humano, também acabou se apaixonando por ele. Depois de algum tempo os dois anunciaram o casamento, o que trouxe felicidade para o reino e muita festa também. Nossa mãe virou a rainha e o nosso pai o rei, obviamente.

"Nossa mãe sempre foi uma pessoa muito boa, então quando as pessoas precisavam de ajuda ela sempre estava lá para ajudar, mesmo que essa pessoa tivesse um coração ruim. Ela protegia as pessoas do reino como se fosse sua família, e mesmo que um membro dessa “família” tivesse sua varinha quebrada, ela não o deixava se isolar, cuidava dele e fazia com que todos o aceitassem e isso ajudou à todos. Eles não tiveram mais o medo de perder as suas varinhas, alguns as quebraram propositalmente por não precisar usá-las, afinal, existiam objetos mágicos que os ajudariam no dia-a-dia, o que tornou tudo melhor.

"O reino foi batizado de Reino Scarlet, por causa do pôr-do-Sol e da nossa vitória sobre todas as dificuldades. As Witcherys viraram as guardiãs do reino, o protegiam de monstros e de tentativas de ataque vindo de outros reinos. Foi criada uma escola de magia para as crianças e adolescentes aprenderem a usar magia, a criar poções, entre outras coisas. Nossa mãe podia usar magia de cura, uma magia perdida que poucos sabiam, enquanto as Witcherys usavam magia dada por Gaia.

— O que é Gaia? — Safira repetiu.

— Gaia é o nome que as pessoas deram para os criadores do nosso mundo. Eles são criaturas místicas que podem usar o poder dos cinco elementos da natureza: Fogo, Água, Terra, Vento e Raio. A forma verdadeira deles nunca ninguém viu, apenas as Witcherys, porém eles sempre se transformam em animais diferentes para poderem andar no mundo livremente. Eles ensinaram tudo o que eles sabiam sobre magia elementar que também são magias perdidas e tudo sobre magia comum para as Witcherys, para assim eles poderem entrar em seu sono profundo.

"Voltando ao desenvolvimento do reino, nossa mãe abriu um “hospital” e ensinou magia de cura para algumas pessoas para assim cuidar dos cidadãos. Os anos foram se passando o reino foi crescendo, eu nasci, teve festa como sempre, até que um dia as Witcherys previram que um ataque iria acontecer...

"Uma pessoa iria destruir todo o equilíbrio do universo e apenas uma garota iria poder nos ajudar. Os anos foram passando e acabou virando uma profecia. Treze anos se passaram após meu nascimento e você chegou. Foi ali que tudo começou, a profecia começou a se realizar, da forma que todos estavam esperando. Naquele dia, ela chegou para atacar nosso reino, veio com tudo sem pensar. Algumas horas depois do seu nascimento, todos os cidadãos ficaram com medo e tentaram se proteger dela e mais uma legião de seguidores que invadiram o reino e começaram a destruição atrás de você...

— Por que atrás de mim?

— Porque você é a garota da profecia ou é o que todos imaginavam. As Witcherys, junto com nosso pai, lutaram contra ela, mas não conseguiram a derrotar, então todas elas juntas de nossa mãe fizeram um feitiço que a prendeu no reino das Trevas. Isso custou à vida de todos do reino para nos proteger. Nossos pais e as Witcherys nos enviaram para cá, para que você possa ficar segura e ter uma vida normal... Ou não. — terminei a história, acendendo as luzes. — De alguma forma, o feitiço que nossa mãe e as Witcherys fizeram foi quebrado e agora ela está atrás de você, mas provavelmente ela ainda não conseguiu chegar até aqui ou ela não sabe onde você está. Pode ser que nossa mãe fez alguma coisa sabendo que isso iria acontecer... — falei pensativo, pegando um livro na prateleira. — Agora que você sabe de toda história está na hora de te ensinar magia. Só assim você vai conseguir se proteger.

— É... — ela tentou falar alguma coisa.

— Pode falar.

— Quem é ela? — perguntou com um pouco de medo.

— Minerva — eu respondi e continuei: — A rainha das Trevas, ela e sua legião trouxeram Trevas para o nosso mundo. As Witcherys a impediram e a prenderam no seu próprio mundo e de alguma forma ela escapou. Isso aconteceu justo no seu nascimento, o que tornou a profecia ainda mais real — suspirei entregado um livro para Safira.

P.O.V. Safira Trevizan

Terminando a história, ele me entregou um dos livros que estava nas gigantes prateleiras. Eu estava um pouco assustada, com medo, preocupada e feliz. Estava um pouco perdida ainda, mas alguma coisa dentro de mim estava me confortando e me deixando calma, e ter o meu irmão ao meu lado também estava me ajudando.

— O que achou da história?

— Isso respondeu várias perguntas que eu tinha sobre mim, sobre nós, sobre tudo.

— Que bom que isso te ajudou. Agora vamos para a parte boa disso. — ele disse sorrindo.

— Que parte boa?

— A parte que você vai aprender a usar magia. Magia básica, porém irá te ajudar muito.

— Ok! — balancei a cabeça me empolgando.

— Nesse livro tem vários feitiços para o dia-a-dia, não são muitos, mas são os essenciais. Qualquer um...

— Ipsum Transmutare — o interrompo conjurando um feitiço.

— Você está ficando louca? — ele perguntou irado, agachando. — Nunca mais faça isso com esse dedo apontado para mim ou para qualquer outra pessoa!

— Nossa! O que esse feitiço faz para te deixar tão bravo? — arqueei a sobrancelha, assustada.

— Invocatis. — ele disse fazendo uma maçã aparecer na sua mão.

— UAU! — exclamei. — Esse feitiço faz com que coisa apareça na sua mão? — Perguntei animada.

— Sim. — ele respondeu me deixando mais empolgada ainda. — Mas você tem que lembrar exatamente onde está o objeto.

— Aish! Empolguei-me à toa. — cruzei os braços perdendo a empolgação.

— Bom, já que você já “aprendeu” um feitiço, vamos colocá-lo em prática.

— Ok! — me empolguei novamente.

— Primeiro olhe para essa maçã, detalhadamente. — ele disse colocando a maçã em cima de uma mesa. — Agora diga Invocatis.

— Ok! — concentrei-me olhando detalhadamente para a maça. — Invocatis. — falei. Ao conjurar o feitiço a maça some da mesa e aparece na minha mão. — Consegui!

— Muito bem. — ele me parabeniza pegando a maçã da minha mão e colocando novamente na mesa. — Agora, você irá usar o outro feitiço que você quase acertou em mim.

— Ok... — Sorri, meio sem graça.

— Olhe para a maçã, pense em um objeto e diga o feitiço — ele explicou. — Apontando para a maçã, claro. — Chamou minha atenção. — Use sua varinha para isso, ela irá te ajudar melhor — ele disse me dando a varinha.

Eu respirei fundo, olhei concentradamente para a maçã e me preparei para lançar o feitiço.

— Ipsum...

De repente sou interrompida por gritos altos e nítidos. Eram muitos gritos que não pararam. Fiquei apreensiva e parei o que estava fazendo.

— O que está acontecendo?

— Não sei, está vindo lá de fora — Thomas responde preocupado.

— Rápido, vamos lá ver. — corri para a porta.

— Não precisamos ir lá fora, somos bruxos, podemos usar magia para ver o que está acontecendo. — ele disse zoando da minha cara.

— Ah! Verdade. — corei, voltando ao lugar em que estava.

Thomas pegou a bola de cristal que eu tinha visto mais cedo e colocou em cima da mesa na nossa frente. Ela estava um pouco suja, então ele pegou um pano e a limpou. Ao fazer isso, imagens da cidade começaram a aparecer.

— Minha escola. Agora o parque. O shopping. Emilly! — gritei. — A Emilly... O que está acontecendo? — indaguei ao vê-la no chão com a mão no pé e um homem na sua frente.

— Vamos lá ajudá-la.

— Sim.

O lugar onde ela estava era familiar, Thomas tinha uma ideia da onde poderia ser, então não pensamos duas vezes e fomos até lá ver o que estava acontecendo e ajudar Emilly.

P.O.V. Emilly Alencar

O dia estava maravilhoso. Eu e Yuta estávamos indo ver se a Safira estava bem, já se passavam três dias que não nos víamos e eu estava realmente preocupada. Liguei várias vezes para ela e Thomas dizia que ela estava doente e não queria ver ninguém. Achei estranho, mas entendi o lado dela e deixei-a sozinha, mesmo desconfiada de alguma coisa.

— Você está bem? — Yuta pergunta preocupado.

— Sim — respondi sorrindo. — Vamos rápido, ela já deve estar melhor, eu tenho certeza. — agarrei o braço dele e puxei-o correndo.

— Ei, ei, espere! — ele disse surpreso pela minha ação e um pouco envergonhado.

Chegamos ao centro da cidade, uma pracinha com um chafariz enorme no meio, flores e árvores por todas as partes, algumas lojas em sua volta que dava um charme muito lindo ao local. Fomos comprar algumas coisas para levar para Safira se sentir melhor e melhorar rápido, porém de repente as pessoas começaram a gritar e correr. O céu ficou cinza e um frio veio. Eu estava perdida não sabia o que estava acontecendo, apenas quando Yuta me segurou pelo braço e gritou para correr que eu percebi que ali não era um bom lugar para ficar.

— O que está acontecendo?

— Não sei, apenas corra! — Yuta disse me puxando ainda pelo braço.

— Não vai adiantar fugir ou correr, eu irei pegar vocês. — uma pessoa com um objeto disse. — Llamps Vénen! — ao dizer aquelas palavras, raios do objeto que ele estava segurando foram disparados para todos os lugares, destruído o chafariz e algumas árvores.

Eu parei por um tempo e o observei, o que não foi uma boa ideia, agora que ele estava atrás de nós.

— Rápido Emilly! — Yuta gritou mais uma vez.

— Sim. — eu disse voltando a correr.

Todos estavam com medo, todos estavam correndo, alguns caíam no chão e eu parava para ajudá-los, até que eu caí no chão e torci meu pé, não conseguindo me levantar.

— Emilly, você está bem? — Yuta pergunta preocupado.

— Não. — disse gemendo de dor. — Meu pé, eu acho que eu torci ele.

— Ora, irão ficar para apanhar? — aquele homem perguntou se aproximando da gente.

— Quem é você? O que você quer da gente? — Yuta grita entrando na minha frente.

— Eu não tenho paciência para quem banca o herói. Saia da minha frente. — ele diz jogando Yuta longe.

— Yuta! — gritei.

— Ele vai ficar bem, eu acho... Espero que não. Mas agora é sua vez. — ele disse pisando no meu pé.

O que tinha apenas sido torcido foi quebrado. A única coisa que eu consegui fazer foi gritar e chorar de dor.

— Para, por favor! — eu pedi, chorando.

— Não. — ele disse pisando mais ainda, me tirando um grito muito mais alto.

— Tormento vacuum! — ouvi um grito vindo de longe.

A dor que eu estava sentindo por ele estar pisando no meu pé tinha se aliviado um pouco, depois que eu ouvi aquele grito. Eu olhei para frente para ver o que tinha acontecido e percebi que aquele rapaz não estava mais ali e sim do outro da rua.

— Emilly! — ouvi Safira gritando meu nome.

— Safira! — gritei de volta olhando para trás e ainda gemendo de dor.

— Emilly! — ela chegou perto se agachando no meu lado. — Você está bem?

— O pé dela. — Thomas diz tocando no meu pé, o que me fez dar um grito.

— Precisamos tirar você daqui. — Thomas diz me pegando no colo.

— Yuta! — Digo apontado para ele.

— Eu cuido dele. — Safira assegura, indo até o mesmo.

Thomas me levou até um lugar seguro, não muito longe da onde tudo estava acontecendo, me colocou no chão e ficamos esperando Safira chegar.

— Aqui. — Safira diz, colocando Yuta no chão. — Thomas, cuide deles, eu irei até lá.

— Safira, não! — digo segurando ela pelo braço. — Ele é muito perigoso.

— Ela consegue. — Thomas diz segurando a minha mão.

— Conte tudo para ela, tudo mesmo, não deixe nenhum detalhe passar — Safira pede a Thomas, voltando para o chafariz.

— Eu irei contar.

Eu estava confusa e com dor, eu não entendi nada do que estava acontecendo, apenas que eu precisava descobrir alguma coisa.

— O que está acontecendo? Contar-me o que?

— Eu vou contando enquanto eu cuido disso. — apontou pro meu pé.

— Ok. — respondi ainda sentindo dor.

P.O.V. Safira Trevizan

E mais uma vez eu fui para o campo de batalha, mas dessa vez eu estava confiante e determinada. Eu sabia que esse era o meu destino e eu era única que poderia salvar todo mundo naquele momento.

“MAGIA ARCANA! TRANSFORMAÇÃO”.

Gritei e mais uma vez aquela luz me envolveu, liberando toda a magia que estava dentro de mim.

— Vamos lá, Safira, você consegue — disse para mim mesma.

— O que aconteceu? — o adversário levantou confuso.

— Ei, você ai! — gritei, chamando a atenção dele.

— Quem é você? — ele pergunta. — Espere... É você quem eu procuro Safira!

— Como você sabe meu nome? — indago assustada.

— A minha missão é vir atrás de você. É claro que eu adivinharia quem é você — ele riu. — Mas isso não importa. Já que você veio até mim, eu irei te matar aqui mesmo. Llamps Vénen! — ele grita conjurando o feitiço.

— Ventum Bóreas. — conjurei o feitiço, que colidiu com o dele.

— Você é boa. — me elogiou cinicamente. — A propósito, o meu nome é Guntur — revelou-se.

— E o que eu tenho a ver com isso? — fui grossa.

— Você está me deixando mais furioso, garota — ele diz. — Eu estou dizendo para que você saiba quem te matou.

— Você não vai conseguir. — eu digo com um olhar sério.

— Então vamos ver. — ele diz partindo para cima de mim. — Llamps Vénen! — jogou o feitiço apontado para mim. Por sorte, eu consegui desviar. — O próximo eu não errarei. — ele diz atacando novamente, mas dessa vez eu não consigo desviar e ele acaba me acertando.

— Ah! — gritei por causa do ataque.

— Ainda não acabou. — atacou novamente. — Mais uma vez. — repetiu. — E a última.

Todos os ataques me acertaram e foi forte o suficiente para me derrubar no chão e me deixar desacordada por alguns segundos.

— Agora é... A... Minha vez! — eu disse me levantando devagar.

E mais uma vez palavras vieram em minha cabeça e, como da última vez, eu apenas as repeti.

— Moinho de Vento! — gritei. Um cajado apareceu na minha mão e parecia que eu já sabia o que deveria fazer com ele, então eu comecei o girar e logo o atirei contra o inimigo.

— Você não vai me acertar. — ele disse desviando do ataque.

— Tem certeza? — pergunto olhando para o cajado, que faz uma volta e o acerta. Ele gritou, caindo no chão. — Isso! — comemoro pegando o cajado novamente.

— Você vai apanhar muito, garota. — ele diz levantando do chão. — Exanimes! — apontou a varinha para mim.

De repente, eu comecei a ficar sem ar. Era como se alguém estivesse ali na minha frente me sufocando e a cada segundo foi piorando. Eu achei que eu iria morrer, até que no meio de tudo aquilo eu acabo tendo uma ideia.

“Pensar e imaginar, pensar e imaginar, pensar e imaginar”.

— Ipsum Transmutare. — digo meio baixo por estar sendo sufocada. O feitiço acerta o pé dele e acaba transformando o sapato dele em brasa de fogo.

— Ah! — ele grita se desconcentrando e parando o feitiço.

Minha respiração voltou e tudo começou a bater mais rápido dentro de mim. Foi uma ideia boa, porém não o suficiente para distraí-lo por muito tempo.

— Sua desgraçada! — ele diz me atacando novamente. O ataque fez com que eu voasse para trás e me derrubasse no chão. — Desista garota, você nunca vai conseguir me derrotar. — ele disse me atacando novamente.

Desistir não estava no meu dicionário, eu nunca desistia e eu tinha ódio de quem falava para fazê-lo. Ele ter me mandado desistir meu deu forças para levantar e continuar lutando.

— Nunca — eu disse furiosa levantando. — me diga — naquele momento meu cajado brilhou e voltou para minha mão. — para — mais uma vez ele emitiu um brilho se transformando em um chicote. — desistir! — gritei dando uma chicotada dele, o que o fez ir bruscamente para trás e cair no chão.

— Ah! — berrou, caindo mais uma vez. — Sua vadia agora você morre. — ele disse tentando levantar.

— Quem vai morrer é você! Ventum... — dessa vez o vento envolveu o chicote que eu comecei a girar e logo ataquei o inimigo. — Bóreas! — gritei atacando-o.

A pressão do vento em volta do chicote foi forte o suficiente para matar Guntur, que desapareceu no meio do nada.

— Consegui! — comemorei comigo mesma. Eu já estava cansada e com dor, mas a vitória me fez continuar em pé e com um sorriso no rosto.

— Safira! — Thomas gritou vindo em minha direção. Olhei para ele e dei um sorriso. — Você está bem?

— Sim, está tudo bem — digo olhando para onde Guntur estava.

— Você conseguiu! — Emilly grita, me abraçando.

— Você já está melhor. — eu disse surpresa.

— Sim. Seu irmão fez alguns curativos e usou alguns desses feitiços para tratar do ferimento.

— Você contou tudo para ela? — perguntei.

— Sim. — respondeu. — Até que ela reagiu bem sobre tudo, achei que iria surta.

— Nunca que eu iria surta ou achar que isso é uma loucura, mesmo achando, ou não, não sei direito. Porém você foi incrível, simplesmente incrível! — ela diz.

— Obrigada! — digo abraçando ela.

— Você foi demais Safira-chan! — Yuta grita. — Ação, dor, poderes, ataques, tudo parecia uma cena de anime. — ele diz empolgado.

— Você também contou para ele?

— Sim... — Thomas responde. — Ele acordou no meio da luta e viu tudo, não tinha como escapar.

— Tudo bem. Agora que todos vocês sabem, eu estou mais confiante e segura. — digo fazendo todos sorrir.

— Agora que tudo acabou, é melhor a gente sair daqui, antes que alguém apareça e nos veja. — Thomas diz colocando seu braço em meu ombro.

— Sim. — todos dizem balançando a cabeça.

Realmente, o dia foi cansativo. Descobri minha história, salvei minha melhor amiga e a cidade, apanhei muito, consegui lutar sozinha e resolver tudo com calma... Ou quase isso. Eu tenho certeza que essa não vai ser à última luta muito menos uma das piores. O que eu irei enfrentar daqui para frente vai ser muito pior.

— Agora eu quero apenas tomar um banho e comer, porque comida resolve tudo. — comecei a andar na frente querendo ir mais rápido.

— Como você consegue pensar em comida depois de tudo isso? — Emilly grita. — Pensamento de gorda, fala como gorda, ri como gorda tudo gorda. — ela diz fazendo todo mundo rir.

— Eu não sou gorda, apenas estou pesando uns quilos a mais. — coloquei a mão na barriga.

— Safira-chan, alguns quilos é apelido, muitos você quis dizer. — Yuta diz arqueando as sobrancelhas.

— Yuta! — gritei correndo atrás dele, fazendo todo mundo rir mais ainda.

P.O.V. Amber

— Você acha que ela vai conseguir Amber? — A loira me pergunta.

— Sim, ela vai. — eu respondi. “Ela tem que conseguir”, pensei.

— Você está sempre confiante — diz a morena.

Ficamos ali vendo a luta e o potencial da garota, esperando que acabasse o que não demorou muito e logo ela saiu vitoriosa.

— Eu disse, não? — sorri. — Agora que vimos realmente o potencial dela, o nosso plano começa.

— Certo. — todas as outras concordam, entrando na floresta atrás de nós, menos eu, que fiquei um pouco mais observando a garota.

— Amber? — a ruiva me chamou.

— Estou indo — digo olhando para ela e logo voltando meu olhar para Safira. “Estamos chegando para te ajudar, princesa". — penso observando um pouco mais e indo à caminho da floresta.

Notas finais
Muito obrigado por terem lido, espero que tenham gostado, e irei dar o meu melhor para continuar e trazer mais de tudo isso para vocês... Agradeço mais uma vez ao meu revisor Gustava Santana (@FaDeBandinhaKR). E também a minha beta do "http://www.perfectdesign-pd.com";; PRIMADONNA, que graças a correção dela e dicas eu pode postar esse capítulo. Muito obrigado e até a próxima. Twitter: https://twitter.com/ValterTrevizan XOXO, Safira :*