Arcana Girls Witchery
4 Sussurros do Amor
Notas iniciais
P.O.V. Safira Trevizan
Sete horas da manhã: o horário em que o relógio da cidade toca em que os passarinhos começam a cantar e o Sol começa a nascer. Eu acordei um pouco antes do meu irmão para lhe preparar um café da manhã maravilhoso, ou não. O livro de feitiços para iniciantes que ele me deu na semana anterior foi de ótima ajuda para uma bruxa-maga-feiticeira iniciante, sim os três juntos. Mesmo ele já me dando um livro de magia eu queria ainda mais, então eu fui até a caverna mágica (o nome que eu dei para lugar) e fui ler alguns livros sobre magia, bruxaria, feitiçaria e acabei descobrindo que são conceitos diferentes, porém, eu me encaixo nos três, não sei se isso é bom ou ruim, mas estou feliz por pertencer a esse mundo, por ser saber quem eu realmente sou.
— Thomas! — o chamei da cozinha, porém não obtive uma resposta rápida. — Thomas! — chamei mais uma vez, levantando da cadeira em que eu estava. E mais uma vez o silêncio me ensurdecia depois de não obter resposta ao chamá-lo. — Thomas! — tentei mais uma vez e não obtive resposta. — Thomas Luca Trevizan! — gritei indo até o quarto dele. “O que ele está fazendo?” — pensei furiosa. “Se ele estiver dormindo, eu o acordarei com muita água.” — armei um plano, enquanto subia as escadas. — Thomas! — gritei, empurrando a porta do quarto dele. Estava tudo escuro no quarto, então resolvi acender a luz, para enxergar melhor o local. — O que? Ãn? Cadê ele? — procurei pelo quarto tentando o encontrar. — Aonde ele foi? — questionei, ao perceber que realmente ele não estava em casa.
P.O.V. Thomas Trevizan
A manhã começou muito cedo para mim, antes mesmo de todos da cidade acordar. O motivo de eu ter acordado tão cedo era para investigar como aqueles inimigos chegaram até a ilha, porém mais uma vez eu fracassei. Nem uma pista, nem um sinal de portal, nada que possa me dar uma esperança e descobrir como eles chegaram até aqui, porém uma coisa ainda uma coisa não se encaixava, se eles podem vir até nós, por que Ela não veio ainda?
— Safira! — entrei em casa, porém não obtive respostas. — Safira? — chamei novamente.
Provavelmente ela estaria dormindo, pois essa é a única coisa que ela sabia fazer.
— Já que ela está dormindo, irei tomar um banho e dormir mais um pouco. — bocejei, enquanto caminhava para meu quarto.
— Onde você estava Sr. Thomas? — ela perguntou sentada na poltrona da sala, enquanto me fuzilava com os olhos. — Responda? — cruzou as pernas e continuou com o olhar ameaçador.
— Ah... É... Eu... — gaguejei. — Eu estava correndo, fazendo uns exercícios sabe? Como estou prestes a fazer agora. — falei alongando os braços.
— Aham, sei. — continuou com o olhar ameaçador. — Mas enfim, já que você chegou, — ela disse se levantando. — Vamos comer! — gritou contente.
“Ainda bem que ela acreditou.” — pensei suspirando. “Se eu contar o que realmente eu estava fazendo, ela vai querer vir junto e eu não quero envolver ela nisso, não por agora.” — caminhei atrás dela até a cozinha.
P.O.V. Safira Trevizan
— Aham, sei. — continuei o encarando. — Mas enfim, já que você chegou, — me levantei. — Vamos comer! — gritei contente.
— O que você preparou? — Thomas perguntou, sentando na cadeira.
— Omelete. — coloquei o prato em cima da mesa. — Torrada. — fiz o mesmo. — Café. — o servi e logo sentei junto a ele. — Coma, está uma delícia. — ofereci a torrada para ele.
— Você já comeu? — pegou a torrada da minha mão e a observou.
— Não. — balancei a cabeça negativamente. — Eu quero que você experimente primeiro. — sorri.
— Aham. — sorriu falsamente, e logo deu a primeira mordida.
— E ai? — perguntei, criando expectativas boas, observando ele engolir.
— Uau! — se espantou. — Isso está uma delícia. — pegou outra torrada. — Onde você aprendeu a fazer isso? — perguntou com a boca cheia.
— Magia. — respondi contente.
— O que? — se espantou. — Como você aprendeu tão rápido, magia “coctione”? — continuou espantado. — Nem eu com 23 anos de magia a consigo usar tão bem. — indignou-se, parando de comer. — É uma magia tão complicada e complexa, os cozinheiros que a usavam em nosso reino demoraram anos para aprendê-la e aperfeiçoar, ai você vem e a usa como se você uma coisa simples. — continuou.
— Esse é o nome desse tipo de magia? Legal. — sorri por ter aprendido o nome da magia que eu usei para fazer o café da manhã. — Foi simples, tão simples que eu consigo fazer um bolo apenas estralando os dedos. — estralei os dedos.
— Cadê? — perguntou curioso.
— Abre a geladeira. — apontei para a mesma. — O seu preferido. — sorri, vendo ele se levantar e ir até a geladeira.
— OK! — ele disse parando em frente à geladeira. — Vamos lá. — a abriu.
Eu não tinha aprendido tão bem magia coctione ao ponto de fazer um bolo estralando os dedos, porém eu aprendi muito bem magia “iocus”, que nada mais é do que magia de travessuras.
— Safira! — Thomas gritou por causa da torta que foi na cara dele quando ele abriu a geladeira.
Eu comecei a rir descontroladamente, e não conseguia parar, não achei que ele fosse cair tão fácil na minha travessura.
— Como você ousa?! — gritou, mais uma vez furioso. — Agora é minha vez. — ele disse estralando os dedos, fazendo um balde d’ água aparecer sobre minha cabeça, o derrubando sobre mim.
Assustei me afogando na água. — Thomas! — gritei, fazendo uma ventania surgir na cozinha, derrubando tudo.
— Safira se acalma.
— Eu fiz isso? — perguntei assustada.
— Sim. — respondeu. — Sua magia é um tanto quando instável às vezes. É melhor você tomar cuidado ao ficar brava, se não você pode causar uma catástrofe.
— OK! — balancei a cabeça positivamente. — É melhor eu ir me arrumar para ir para escola. — disse levantando da cadeira e indo até meu quarto me arrumar.
— Eu arrumo essa bagunça. — suspirou. — Mas antes irei terminar de comer essa comida. — sorriu.
(...)
— Safira! — Thomas gritou para eu descer, porém o silêncio dominou a casa. — Safira! — gritou mais uma vez, indo até a escada.
— Aqui! — apareci atrás dele.
— Ah! — se assustou. — Co... Co... Como você apareceu aqui? — perguntou espantado.
— Magia. — disse fazendo uma torrada aparecer na minha mão. — Estou indo oppa. — beijei o rosto dele. — Bye, bye. — disse mordendo a torrada e saindo de casa.
— Você ficou quanto tempo estudando feitiços? — questionou.
— Não sei. — falei, pegando minha bolsa. — Só sei que eu fiquei sem dormir dois dias, estudando eles. — continuei a colocando nas costas.
— Só você mesmo. — suspirou, balançando a cabeça. — Enfim, boa aula. — disse.
— Obrigada, tchau. — abri a porta e sai de casa.
O dia estava tão belo que, ao sair de casa, eu parei na frente da porta no lado de fora, fechei os olhos, respirei profundamente, sentindo a brisa dá manhã passar por mim e o Sol me aquecer por alguns segundos, me deixando feliz e me revigorando das noites mal dormidas.
“Agora está na hora de ir.” — pensei, abrindo os olhos e me deparando com Christian na frente de casa olhando para mim. “O que ele está fazendo aqui?” — fiquei envergonhada e sem reação.
— Hey. — fez um gesto de Oi com a mão. — Você vai ficar parada ai a manhã inteira? — perguntou sorrindo.
— É... É... É... — gaguejei envergonhada.
Por que ele tinha que ser tão lindo? Por que ele tinha que passar perto da minha casa? Por que ele parou na frente da minha casa? Por que meu coração está palpitando mais rápido nesse momento?
— Você quer uma companhia para ir até a escola? — perguntou, ainda sorrindo. — Eu estou indo sozinho, uma companhia nessa manhã seria uma maravilha. — continuo fazendo meu coração palpitar mais rápido. — O que me diz? — olhou para mim, esperando uma resposta.
— Ah... É... — continuei nervosa. — Pode ser. — respondi, olhando para o chão, tentando desviar meus olhar do dele.
— Então vamos. — me chamou.
— Ah sim. — disse indo até ele.
— Safira, certo? — perguntou quando eu me aproximei.
— Sim, isso. — respondi olhando para chão, com as mãos na alça da bolsa.
— Você mora aqui faz tempo? — perguntou, colocando as mãos no bolso da calça.
— Sim, isso. — continuei com os olhos para o chão.
— Você tem um irmão mais velho certo? — perguntou, olhando para mim de canto.
— Sim, isso. — respondi.
— Você só sabe dizer isso? — falou, parando de andar.
— Sim, isso. — fiquei envergonhada e continuei na frente.
— Você não quer que eu vá com você? — voltou ao meu lado.
— Não, não é isso, não, eu quero sim. — disse olhando para ele.
— Então, você saber outras palavras. — sorriu.
— Sei. — sorri e olhei para ele. Estávamos chegando perto da esquina para atravessar a rua, quando eu ouvi uma voz na minha mente dizendo para eu parar e tomar cuidado. Como das últimas vezes eu as escutei, fiz o que ela me pediu.
— Você...
— Cuidado. — interrompi Christian, colocando a minha mão da barriga dele, o fazendo parar na hora.
— Por... — ele foi interrompido pelo barulho da moto que passou na nossa frente em uma velocidade alta, alta o bastante para nós jogar longe se tivéssemos continuado a andar.
— O que foi isso? — se assustou. — Como você sabia?
— Eu ouvi o barulho dela. — menti, desviando meu olhar. — Vamos.
— Sim. — falou ainda em choque.
(...)
O dia estava realmente maravilhoso, conversei com o menino que faz meu coração palpitar mais rápido, o conheci melhor, ele meu conheceu melhor e por fim eu o salvei. Se ficasse melhor, com certeza poderia piorar.
— Quero os trabalhos amanhã na minha mesa, sem falta. — o professor disse enquanto os alunos saiam da sala. — Safira? — ele me chamou.
— Sim. — respondi preocupada.
— Posso falar com você um instante?
— A... Sim, claro. — fui até a mesa dele.
— O que aconteceu com você hoje? — perguntou sentando em cima da mesa, mexendo no lápis em sua mão.
— Nada. — sorri indiferente.
— Você não prestou atenção na aula direito. Não fez nenhuma pergunta que é o seu costume, ficou quieta a aula inteira. Você está bem? — perguntou preocupado.
— Sim, professor, eu estou bem. — sorri alegremente. — Obrigada. — fui caminhando até a porta tentando sair dali o mais rápido possível. — Bye, bye. — sorri novamente, saindo da sala e ele respondeu sorrindo novamente.
— Safira. — Christian me chamou do lado da porta.
— Ai que susto Christian. — gritei.
— Você já está indo embora? — perguntou curioso.
— Ah sim. Irei com meus amigos, por quê?
— Ah sim. — ficou sem graça. — Bom estou indo então. — ele disse beijando meu rosto.
É claro que poderia ficar melhor meu dia, e eu duvidei que não. Com certeza esse foi um dos melhores momentos da minha vida, depois da descoberta da magia óbvio.
— Oh! — fiquei sem reação.
— Tchau. — acenou, caminhando até a saída da escola.
— Wow! Que beijo em. — Yuta disse.
— Foi só um beijo no rosto. — mordi os e virei os olhos. — Podemos ir agora. — apontei para a saída.
— Sim, vamos. — Emilly e Yuta disseram.
Como sempre a caminhada para ir embora é divertida, sempre riamos de tudo em nossa volta, riamos de nós mesmo e sempre parávamos para comprar churros em uma banquinha que tinha perto do supermercado da Ilha. Por alguns minutos eu me esqueci do Christian para poder me diverti com meus amigos.
Fomos para a casa da Emilly, que nada mais é do que uma chácara enorme dos pais dela, com uma piscina gigante, churrasqueira, cavalos e várias árvores frutíferas; e lá se encontrava nossa casa na árvore, nosso pequeno-grande esconderijo desde pequenos. Sempre dormíamos lá, sempre passávamos horas e horas ali conversando e rindo da vida. Aquele lugar tinha muita história e sempre vamos lá relembramos e revivemo-las.
— Nossa esse lugar nunca muda. — notei olhando para o teto.
— Esse é o bom daqui. Ninguém toca ou o muda, ele é apenas nosso, um lugar que a gente pode fazer tudo que quisermos. — Emilly sorriu.
— Safira-chan? — Yuta me chamou.
— Sim. — olhei para ele.
— Você poderia nos mostrar alguns truques de magia né? — pediu.
— Verdade Safira, nos mostre o que você aprendeu. — Emilly disse se empolgando.
— Estava esperando vocês pedirem. — levantei do colo da Emilly. — Vamos lá, meus amigos. — me empolguei.
— Irrah! — Emilly gritou. Eu olhei para e Yuta e começamos a rir do “IRRAH” que ela disse.
— O que foi isso? — perguntei, rindo e junto com Yuta.
— Meu deus, Emilly! — Yuta falou rindo descontroladamente.
— Parem de rir de mim, seus bobos. — ela disse se chateando e virando as costas para a gente.
— OK’ OK’. — parei de rir, ou pelo menos tentei parar, deixando alguns risos escaparem. — Agora vamos voltar para a minha apresentação de mágica.
— Sim. — Yuta parou de rir de repente.
— OK, vamos. — Emilly voltou a olhar para mim.
Eu mostrei alguns feitiços para eles que eu tinha aprendido como o tele transporte, invocação, magia iocus e um pouco da magia coctione. Eles ficaram encantados com tudo e falaram que sempre vão estar do meu lado se mais alguns daqueles inimigos aparecessem, o que me tirou um sorriso gratificante e algumas lágrimas também.
O finalzinho da tarde foi chegando, o Sol foi se pondo e a hora de ir embora se aproximando. Como de costume, o pai de Emilly nos levou embora para a casa, certificando que chegaríamos bem. Meu irmão estava preparando o jantar, eu apenas disse Oi e fui para meu quarto tomar um banho e me trocar para poder jantar e ir dormir.
Nossos papos na mesa de jantar sempre foram divertidos, a gente nunca escondida nada um do outro. Sempre fomos sinceros sobre tudo, o que me deixava muito mais segura e próxima dele.
— Pode ir, deixa que eu lave essa louça. — ele disse pegando os pratos da mesa. Balancei a cabeça, concordando, e subi para meu quarto.
Olhei meu celular para ver se tinha alguma mensagem, e para a minha surpresa tinha uma ‘‘Boa Noite’’ de Christian com uma carinha feliz no final, o que me tirou um sorriso e logo eu o respondi.
“Boa Noite! ^_^” — respondi a mensagem, esperando uma resposta rápida.
“Você me respondeu!” — me respondeu rapidamente, deixando-me muito feliz.
“É claro rsrs”. — sorri olhando para a tela do celular, ficando cada vez mais boba.
“Boa Noite novamente”. — respondeu, saindo.
“Tchau”. — comecei a dar uns pulinhos de alegria no quarto.
“Realmente tudo pode ficar melhor”. — deitei na cama muito feliz.
P.O.V. Brayner
— Christian? — olhei para a fonte no meio do castelo que mostrava Safira com um garoto. — Então é ele é o meu novo alvo. — sorri, saindo do hall do castelo.
Fale com o autor