Arc Of Dreams
5 Capítulo 3.8
Notas iniciais
Estava frio, tudo muito frio. Seu corpo doía, e seu estomago também. A garota abriu os olhos e só via a lua escarlate pairar no céu, uma chuva fina começava a cair. Anna estava ajoelhada ao seu lado, preocupada. Seus olhos brilhavam num tom de vermelho, diferentes de seu olhar claro, e vários arranhões haviam aparecido me seu rosto e corpo.
— Nee, Anna-chan, o que houve com o seu olho?
A garota começara a gaguejar, sem fala. Ryno se apoiou-se na amiga para levantar e começou a seguir em frente mancando. Anna tentou impedi-la, mas parou, ao ver que a garota estava focada em voltar para o pátio. Este estava mais destruído do que antes. Havia cortes em todos os lados e Flandre sentava-se numa pilha de concreto quebrado da parede, apoiando a laevantein no ombro.
- Então, vai querer que eu acabe com a sua vida agora? — A vampira via Ryno se aproximar, encarando-a com um olhar lunático.
A miko não dizia nada, apenas caminhava com dificuldades em direção à criança. Com um movimento da lança, Flandre fez varias balas voarem na direção de Ryno, que apenas andou alguns passos para o lado, desviando de todas. Isso fez com que a pequena vampira ficasse irritada, atirando mais tiros contra a adversária, sendo inúteis mais uma vez. Flandre se irritava cada vez mais com a situação, apelando para a laevantein, que rasgou o chão até a sacerdotisa. Antes que pudesse perceber, Ryno já a segurava pela gola, a desarmando totalmente.
— Não sei o que aconteceu...-Disse num tom alto, levantando o rosto, com os olhos brilhando. — Mas a ultima coisa que você pode dizer agora é que a sua irmã te odeia.
Ryno arremessara a criança contra a parede. Essa já partia para cima, com ódio, quando foi socada pela sacerdotisa, batendo na parede novamente. Sua ira se misturava com as lagrimas, que começavam a surgir.
— Mas ela me odeia, não sou importante para ela. — Ryno via a criança começar a chorar, partindo para cima novamente. — Porque eu sou um... um....
Flandre foi parada pelos braços da sacerdotisa. Tentou acertá-la, mas logo acabou cedendo, começando a chorar no ombro de Ryno. Apesar de tudo, ainda era uma criança.
— Ne~, sabe,sua irmã não te odeia. — Essa, com uma voz tremula,tentava acalmar a vampira. — Tanto que ela veio ate aqui só para te procurar.
— Veio?
— Sim, ela chamou a melhor sacerdotisa para te encontrar. — Ryno apontava para si com o polegar- Meu nome é Rynosukenojo, mais só Ryno basta.
O ar sombrio da vampira havia desaparecido completamente, agora olhava para a garota a sua frente, impressionada. A jovem sacerdotisa estava de pé, com a mão estendida para ela, sorrindo, como se nada daquilo tivesse acontecido.
-Vamos voltar pra casa, Flandre-chan?
A noite não estava mais tão assustadora como antes. A lua escarlate ainda pairava, mas estava fraca, como se a insanidade já tivesse passado. Chovia fino, o suficiente para deixar a frente do templo molhada, assim como as pessoas que nele acabavam de chegar. Flandre estava exausta, e acabara sendo carregada pela empregada, que esperava pela mestra na entrada do templo.
— Bem, desculpe o transtorno – Remilia agradecia as duas meninas que a encaravam encharcadas, sentadas na varanda.
— Ne~~, deu tudo certo no final. — A sacerdotisa olhava para a pequena vampira que dormia no ombro de Sakuya, mas voltou seu foco na menina a sua frente.
— A propósito, Remilia-san... você andou por ai cheirando alguns pescoços essa noite?
— Já disse que não estou interessada em humanos...
— Certo, então você esta interessada no nosso suco de groselha? – Anna apontava para a roupa da pequena, que estava manchada de vermelho.
A vampira fingiu não ouvir, virando para o lado vermelha enquanto assobiava.
— Nem sei do que você esta falando. — Limpava o vestido enquanto caminhava.
— É, sabia que tinha algo diferente com aquele seu chá. — Ryno a encarava com um olhar de provocação, sorrindo.
— Já disse que não sei do que esta falando. — Continuara a andar ignorando as garotas, que riam às suas costas.
As duas cochichavam baixo, apontando para a vampira que andava na frente do templo
— Ne~, acho que ela não sabe se controlar.
— Se controlar? Acho que ela confundiu a groselha mesmo.
— Ela não seria tão burra....Seria?
— Burra eu não sei, agora, cega...
— Ou talvez ela estivesse realmente desesperada e pegou a primeira coisa que fosse vermelha e quentinha!
— Tem razão... Hei.. Espera, groselha não é quentinho!
— EU OUVI ISSO!! — Remilia berrva impaciente, tacando uma pedra na direção das duas, que terminou de desacordar a garota de cabelo mais claro.
Ryno riu baixo, vendo a vampira se afastar. Olhava para a lua escarlate, que já fraca, voltava a brilhar normalmente, mas agora, coberta por nuvem de chuva fina. Aquele acontecimento não foi algo normal, nada naquela noite havia sido, a lua vermelha já respondia por si só. Mas algo não estava certo, havia uma duvida ainda em sua mente. Num pulo, Ryno saiu pela entrada, a fim de alcançar a vampira.
— Remilia!!! — Essa, parou, esperando a garota se aproximar.
A sacerdotisa a olhava curiosa
— Quem é Satsuki Rin?
Remilia, espantada, desviou o olhar, séria. Sakuya também não olhava para Ryno. Uma onda de silencio se seguiu, até a vampira abrir seu sorriso sádico e ao mesmo tempo sombrio.
— Satsuki Rin nunca existiu. Nem no meu mundo, nem no seu.
Ryno observara calada suas visitas sumirem diante da nevoa que se formara. A chuva fina já tomava conta da cidade, fazendo a noite mais fria a cada hora. O som de erhu ainda ressoava pela mesma noite fria, numa melodia melancólica. A pequena criança sorria ao ouvir essa melodia, um sorriso sombrio, mas, ao mesmo tempo triste, como se algo estivesse apertando seu coração escarlate.
— Não mais...
As palavras ecoavam pela escuridão da noite, que se estendia sem fim. A lua escarlate agora tinha a companhia de nuvens que tampavam tanto ela quanto as estrelas que tentavam brilhar. Porém, dentre as que tentavam, havia uma que brilhava mais, e superava a névoa.
Fale com o autor