Arc Of Dreams
6 A estrela flamejante do Leste
Notas iniciais
A grande barreira Hakurei, criada mais ou menos há 124 anos, é o único local que divide o mundo humano da antiga e esquecida Gensokyo. Esta barreira impede a passagem de qualquer pessoa, ou youkai para ambos os lados.
Era o que diziam.
Os dias ficaram úmidos, graças às chuvas. O templo Hakurei do oeste, como era conhecido, ficava bem molhado, dando trabalho dobrado à sacerdotisa que ali morava. Fazia uma semana que os acontecimentos da lua escarlate haviam passado, Ryno fazia suas tarefas habituais e depois ficava na varanda tomando seu típico chá, esperando por alguma informação. Mas já que Yukari não viria tão cedo, esperava apenas Anna. Não via a amiga há mais de cinco dias. Não demorou muito para que esta viesse correndo escadaria acima.
-Ryno-san, olha só!!! -Anna vinha erguendo os braços, com um embrulho na mão.
Não percebeu um ofuda no chão, uma armadilha preparada por Ryno um pouco antes da chegada de Anna, no que acabou por tropeçar. O embrulho fez o exato caminho até o colo da sacerdotisa, que o encarou ate a amiga vir desesperada para pegá-lo
-Vamos ver... O que você arrumou dessa vez? — Ryno tomou um gole de chá, fazendo pouco caso do pacote.
Anna recuperava seu embrulho, o destruindo completamente. Ali estava uma câmera velha e empoeirada. O que fez com que a satisfação da sacerdotisa passasse num segundo. Esta correu para o templo, trancando-se lá dentro. Anna ficou alguns segundos sem entender, até vários ofudas começarem a serem arremessados em sua direção.
-Porque você voltou com isso?!
A jovem corria pela entrada, fugindo dos ofuda, enquanto protegia a câmera.
-Ninguém vai me fazer desistir do meu sonho!!! — Anna parou por um instante. Apontava para a amiga, que se escondia atrás da porta.
Uma chuva de ofudas vinha em sua direção. Anna desviava de todas numa velocidade espantadora. Rapidamente já estava na frente de Ryno, que num chute rápido, arremessou a garota quase longe, porque Anna agarrou numa pilastra, ficando frente a frente com a sacerdotisa.
-Diga “X”! — Anna já posicionara a câmera a sua frente.
-Nunca vai conseguir tirar uma foto minha... ENTREGADORA DE CARTAS DO INFERNO! — Com um soco rápido da miko, a garota voou campo afora.
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Anna acordou deitada na varanda, com alguns doces do seu lado. Ryno estava do seu lado comendo um onigiri, enquanto brincava com a câmera, rodando-a de um lado para o outro. A garota tentou pegar a maquina de volta, mas Ryno a afastava com a mão, até ela desistir.
-Finalmente vou poder deixar de ser uma entregadora e voltar com o meu hobby. — Disse Anna,que roubara a câmera num pulo.
A sacerdotisa apenas balançava a cabeça em negação.
- Ai, ai... Assim você até parece um corvo.
Anna engoliu em seco, parando fixamente, assustada. Disfarçou a inquietação por um momento, mas logo voltara a mexer na câmera.
- O-O que você quer dizer com isso? — Anna despistava o susto, enquanto mudava o foco da maquina.
- Sabe, corvos eram aves espiãs, igualzinho a você. — Ryno respondia calma. — Você sabe de tudo, e conhece tudo. Acho que sem você eu estaria muito mal agora.
Os olhos de Anna brilharam com a declaração da jovem. Ryno apenas tomava seu chá, enquanto a amiga a abraçava quase chorando.
-Ryno-chan! Eu sempre soube que você me amav....
Segundos depois, estava no chão, após um empurrão da sacerdotisa, que depois se levantou, indo para trás do templo ao escutar algum barulho suspeito. Anna ficou caída, com seu olhar para as nuvens de chuva que começavam a aparecer logo de manhã, um pouco irritada com a atitude da amiga, mas nada que a impedisse de abrir um sorriso, ignorando tudo aquilo. Aquela tranqüilidade toda, sabia que não duraria para sempre. Sabia que as palavras de Yukari para Ryno não eram brincadeira, havia algo acontecendo, e que se ela não tomasse cuidado, coisas piores poderiam vir a acontecer. Coisas piores do que aconteceram naquele dia.
”-Anna-chan, você sabe?
-Uhn?
-Existe um imenso mundo daquele lado. E é de lá que eu vim,e lá que eu devo ficar
-Quero ir com você!
-Não vai!
-Uh...
-Seu mundo é muito interessante. A visão dele lá de cima é maravilhosa.
-Mas...
-Então, porque não fica aqui e o conhece melhor, hm?”
Anna entendeu seu braço para o alto, e nele pousara um corvo. Ficou encarando a ave por um tempo, até que outra coisa a acordasse do sonho que estava tendo. Uma garota de boné a observava rindo, o que fez com que a jovem paparazzi desse um salto de susto, gritando.
Ryno veio correndo. Esperava encontrar um yokai ou algo do gênero, mas se deparou com Anna e a desconhecida destruindo seu templo. E isso adeixara um tanto irritada.
A jovem desconhecida corria, atirando pequenas estrelas, que não eram mais velozes do que a paparazi e seu corvo. Esta, preparava a câmera, enquanto protegia-se atrás das pilastras do templo. Anna ia partindo para o ataque,quando se deparou com a espectadora que, enfurecida, acabou com a alegria das duas.
- A-n-n-a – c-h-a-n! — Estalou os dedos, com um sorriso sombrio no rosto.
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-Então,podem começar me falando quem começou.
Ryno estava na frente das duas, com a mão na cintura e um gohei na outra, com que batia na pilastra, assustando Anna. Ambas apontavam para a outra, e isso irritara a jovem sacerdotisa ainda mais.No final as duas acabaram com um imenso galo na cabeça.
-Poxa, então é assim que você trata as visitas ao seu templo? — A jovem de boné sentava-se com os braços cruzados, olhando para Ryno.
-Trato muito bem as minhas visitas. — Respondeu - Só as Visitas, não ladras como você, Akira.
Esta se levantou rindo, depois de pegar o gohei da mão da sacerdotisa. Ficou parada em frente as duas, que a olhavam com o máximo olhar de desprezo que tinham.
-Por que essas caras? — Akira rodava o gohei, que soltavapequenas estrelas coloridas. — Vamos,sorri...
Uma forte pancada na cabeça, dada por outra garota de cabelo loiro e curto, fez com que Akira caísse no chão. Anna e Ryno olhavam a cena, sem ação.
-Akira, já falei não vir mais encher a paciência da miko pobre. — Disse a garota da fita vermelha. –Por favor, desculpe-a, Rynosukenojo-san
As duas saíram pelo templo afora, descendo as escadas. Akira era arrastada pelo braço, junto da sua mochila, aonde se pendurava uma boneca de uma bruxinha loira, enquanto a sacerdotisa murmurava algo como ”miko...pobre” sem expressão. Mas minutos depois, Ryno também arrastava Anna para a parte de trás do templo, onde havia um buraco e um gêiser jorrando uma quantidade mínima de água.
-O que é isso, Ryno-san? — A jovem analisava o gêiser, anotando no bloco –Não sabia que estava tão desesperada assim pra ganhar dinheiro, decidindo abrir uma fonte termal bem no quintal do templo...
Ryno apenas ignorava os comentários da amiga, também observando a cratera.
-Bela piada.
-Ta, você pretende ir lá embaixo ver o que aconteceu? -Anna desviara seu olhar do gêiser para pegar a câmera no pescoço.
-Eu não....Você. — respondeu a sacerdotisa, ignorando o olhar de “Que?!” da amiga.
E com apenas um chute, Anna despencara para dentro do gêiser. Ryno tentou escutar o barulho da garota chegando ate o fundo, inútil. Logo desistiu de esperar e voltou à varanda do templo, tomando seu habitual chá com doces.
A chuva fina não cessava e a cada minuto parecia aumentar mais. A tarde ia ficando mais e mais fria, era a prova que o outono estava acabando. O inverno viria, e chegaria mais frio que as tardes de outono. Ryno olhava para o céu e as folhas que dançavam nele com o vento. Aquilo era tão familiar, tão reconfortante...
Mas, logo outros fortes ventos começaram a bater, levantando todas as folhas no chão. Aquilo era um péssimo sinal, e ela sabia disso, tanto que já estava de prontidão quando percebera alguém subindo as escadas. Uma pessoa de longos cabelos roxos e um par de orelhas de coelho se apresentava na estrada. Usava um blazer azul e uma saia rosa, que combinava com o tom da gravata. Ela ficou parada, olhando para baixo, mas logo foi caminhando até a miko, que a encarava, sem abaixar a guarda.
-Entao aqui é o outro templo hakurei?-disse.
-você não é a primeira pessoa que vem aqui e fala isso.-a garota usara do mesmo tom desinteressado de sempre.-Mas antes de qualquer coisa,quem é você,senhorita usagi?
Ryno apontava para as orelhas no alto de sua cabeça. Percebendo a não ameaça eminente, relaxou, sentando na varanda. Fez menção para que também sentasse, enquanto pegava um doce do prato, encarando o nada. Assim vez a garota, pegando também um doce.
-Meu nome é Reisen, Reisen Udogein Inaba, um coelho da lua. Estou aqui em nome da princesa da lua, Houraisan Kaguya.
A sacerdotisa olhava para o céu nublado com a melhor expressão de desânimo que tinha.
“Princesa da lua?... Coelhos da lua?... Ta acontecendo tudo como a Yukari disse, agora o que falta... Fantasmas?”
Reisen continua, ignorando as múltiplas expressões da sacerdotisa, que rolava na varanda, brigando com a própria mente.
-Estou procurando a miko deste templo, para pedir um favor. — A jovem tirara uma carta do blazer, que rapidamente foi afastada por Ryno.
-Olha, a sacerdotisa daqui foi resolver uns problemas um pouco profundos... Então ela não ta aqui agora. — A garota parou de rolar, enquanto apontava para o gêiser. — Se você quiser, eu posso dar o recado...
A coelha se levantara. Estendeu a mão em forma de pistola, apontando para a cabeça da garota a sua frente com um sorriso e os olhos vermelhos, iguais aos de um coelho de verdade. Ryno balançava as mãos, enquanto se desculpava.
-Trate de não brincar comigo, tenho uma arma anti-tanque e não tenho medo de usá-la –Reisen abaixara a mão, caminhando ate o meio do pátio
Ryno caíra no chão de tanto rir. Isso fez com que o humor da coelha piorasse, atirando uma bala, que pegou de raspão no braço da garota.
-Claro, arma anti-tanque. Só falta você me ameaçar com um exercito de coelhos brancos e felpudos. -O tom de sarcasmo da sacerdotisa, que ignorava o arranhão, irritava-a ainda mais.
-Estou te avisando, isso pode afetar tanto a nós quanto a você.
A garota finalmente parou. Sentara séria olhando para a visita, esperando que essa começasse a contar sua versão do que queria a princesa da lua. O céu nublado ficava mais cinza a cada minuto que se passava, dando lugar a ventos fortes e frios, que levantavam as folhas do outono caídas pelo chão. Um sentimento de preocupação ia invadindo aos poucos a cabeça de Ryno, e isso a fazia desviar a atenção de Reisen, mas logo voltava a si para ouvi-la.
Havia um yokai que passara da barreira, na forma de espírito. E esse traria grandes problemas para esse mundo se não fosse banido logo. Assim, era dever de Ryno encontrá-lo e bani-lo, antes que ele trouxesse problemas, ou passasse na forma concreta, causando destruição.
-Certo... -Ryno se levantara para pegar a lança e os ofudas. -Acho que nem vou precisar da Anna.
A sacerdotisa já ia descendo as escadarias, quando Reisen a parou. Esta, séria, segurava o ombro da garota.
-Vou te avisando, esse yokai não é um simples yokai.
Mas aquelas palavras pareciam não afetar a jovem, que se virou, continuando até a rua. A coelha parecia não acreditar na calma da menina a sua frente. Ryno não tinha medo de yokais, mesmo sabendo que o que passava para o mundo humano era a parte má deles. Aquilo era tão comum, criaturas passavam da barreira diariamente e ela resolvia tudo. Os yokais não eram maus, já dizia uma pessoa muito importante para ela. Por isso não os temia, pois eles eram apenas uma parte de um mesmo mundo.
Tudo levava a um local, o parque das cerejeiras. Logo, Ryno já procurava por algum sinal estranho entre as árvores. Desistindo, foi sentar-se perto da fonte que havia ali perto.
-Pode esquecer. -Uma voz um tanto familiar exclamou, num forte tom de desafio -Esse caso é meu!
Akira estava a alguns metros da miko, com as mãos na cintura, numa pose de confiança. Seu cabelo estava preso por um rabo de cavalo, com uma mecha amarada com uma fita.
-Isso não é trabalho para você, ladra. -Ryno apenas fazia menção com a mão para que fosse embora. -Aliás, o que você está fazendo aqui?
-Esse é o mês de exterminar yokais da Akira –Esta, desafiava a miko com o olhar –O que você acha?
Ryno caíra no chão de tanto rir. Secava as lágrimas com a manga, e continuou ali, encarando a garota com o seu típico olhar de desprezo.
-Mês de exterminar yokais? Que hilário. Vamos, saia logo daqui antes que seja devorada.
-Então, vamos decidir isso do jeito que duas garotas maduras da nossa idade fariam. –Akira recuava alguns passos, estendendo a mão em direção da garota. -Vamos resolver isso com Danmaku!
“Que?”
Antes que Ryno pudesse responder, já havia uma sequência de tiros em forma de estrelas vindo em sua direção. A garota desviava, correndo para o lado. Mais sequências de estrelas vinham, mas foram paradas pela parede de ofudas da sacerdotisa. A jovem de laço vermelho tentava se aproximar da ladra, mas seus tiros não deixavam. Akira também não parava, movia-se de um lado para o outro, escapando da miko e de seus ofudas, mas um golpe de lança pegou de raspão em seu braço, fazendo a chuva de estrelas parar.
-Aha, belo golpe –Num passo rápido, Akira estava diante da sacerdotisa -Mas, nunca vai conseguir me pegar..
“Stardust Punch!”
O soco da garota atingiu Ryno como um meteoro, lançando-a para longe. Rolou alguns metros, mas se levantou logo depois. A miko acertou o chão com a lança, fazendo surgir um circulo ao seu redor, o que parou as outras estrelas lançadas. A poeira da batalha baixava, revelando o olhar concentrado de Ryno. Aquilo não iria continuar pro muito tempo, e ela estava decidida a acabar com aquela luta sem sentido, e sair vitoriosa. Logo abriu um sorriso, lançando a maior quantidade de ofudas que tinha, e disparou em direção à ladra.
Akira tentava fugir dos ataques, mas estes eram mais rápidos e acabaram por acertar seu braço e costelas. Já estava começando a perder espaço para a miko que atacava sem cessar. Sabia que ela não iria desistir. Se afastou o máximo, iria acabar com aquilo tudo agora.
-Se prepare Rynosuke! -Akira apontara para si, e depois para Ryno. -A estrela flamejante do leste não irá perder!
A ladra tirou o Hakkero de seu bolso, mirando na sacerdotisa que a encarava em pose de defesa. Akira se concentrara, fechando os olhos. Um circulo de magia se formou em baixo de seus pés, o que fez Ryno recuar um pouco. Aquilo não era um bom sinal, sua intuição dizia isso.
-Vou te mostrar o eletrizante poder do amor!!... .Nossa, que frase brega... Ah, que seja, Love sign “Master Spark!”
Uma imensa quantidade de energia em forma de feixe de luz atravessava o parque até a sacerdotisa. Nesse instante a única coisa a se fazer era ...correr, e ryno disparava para o lado, fugindo do laser que a seguia. Continuou assim ate tropeçar e cair. Por sorte, ou pela péssima mira de akira, o laser passou por cima de sua cabeça, se dissipando metros depois. As duas se entreolharam por alguns segundos, seguidos pela aura negra emanada por Ryno, e o desespero de akira em sair correndo.
-VOLTA AQUI! -Sacudia a lança, na inútil tentativa de acertar a ladra.
-Socorro!
-Daria para as duas pararem de correr e gritar?
No mesmo instante, Akira parou, sendo atropelada por Ryno que vinha logo atrás. Havia uma garota em pé na entrada do parque. Era a mesma pessoa que havia buscado Akira no templo, horas atrás. Carregava uma boneca nos braços, e olhava séria para as duas garotas no chão.
-A-Alice-chan, o que faz aqui? -A ladra parecia assustada. Alice irritou-se, fuzilando-a com o olhar.
Akira abaixou a cabeça, se desculpando. Ryno observava a loira de cima a baixo. Usava uma saia azul clara, e uma blusa branca, seguida por um laço vermelho. Ela era realmente estranha, e um pouco familiar.
-Vim ter certeza de que você não causaria problemas. -Alice voltara seu olhar para miko caída . –E quanto a você, Rynosukenojo-san?
As duas se encaravam e pequenos raios saíam de seus olhos. Akira tentava inutilmente fugir, já que Alice pisava na barra de sua calça, impedindo seus movimentos.
-Eu iria fazer a minha parte para a sociedade e acabar com essa ladra. -Disse,fincando a lança no chão, do lado da cabeça de Akira que gelou instantaneamente, e tomando impulso para se levantar. -E também caçaria um yokai ai...Então..
-Acho melhor você voltar pro seu templo... -Akira e Alice apontavam juntas para o templo Hakurei, de onde saía uma fumaça preta.
-Quê..? -Ficou imóvel por um tempo, olhando para a fumaça e os fogos de artifício que saiam de lá.
-...ANNAAAAA!!!!!!!
Fim do capítulo 4 — A estrela flamejante do Leste
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