Arc Of Dreams

1 A chuva, o chá e o laço vermelho


Notas iniciais
Espero que gostem..~

“Chuvas eram sinônimos de tédio para algumas crianças. Muitas não podiam sair de casa porque estava molhado, ou porque podiam pegar algum resfriado. Mas entre essas crianças que detestavam chuva, havia uma que a amava mais que tudo.

A garotinha ficava admirando os pingos de chuva caírem e molharem o chão, que mudava de cor ,isso a encantava. Esperava a chuva passar sentada na varanda do templo enquanto tomava chá e comia doces.

E quando o sol voltava a aparecer, corria pela entrada pulando nas poças, sempre caindo cara nelas, por ser bem desajeitada. Ah, mas sempre havia “aquela pessoa” por perto, que lhe estendia a mão para levantar. Aquilo era a melhor coisa que poderia lhe acontecer.”

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Nessa época costuma chover bastante nessa cidade.

Não só aqui como em outras vilas também.

Não só aqui como em outros mundos também.

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O sol iluminava as folhas molhadas pela chuva, que refletia em tudo ao redor. A entrada do templo ainda tinha algumas poças espalhadas pelo chão. Várias pessoas já saiam nas ruas e voltavam a sua vida normal antes que a chuva recomeçasse. Cada um fazia sua parte antes da chuva voltar. Uma garota de cabelos castanhos claros amarrados por um laço vermelho secava a parte da frente do templo, com um pouco de dificuldade, já que cinco minutos depois a chuva voltou a cair.

-Francamente, é inútil secar isso agora! — reclamava aos ventos a jovem, que depois de perceber que a chuva havia voltado, foi se sentar na varanda do templo enquanto tomava o chá que já estava esfriando.

A garota usava um laço vermelho no cabelo, uma jaqueta com as mangas dobradas até o ombro e uma calça jeans também dobrada até o joelho, uma roupa bastante incomum para alguém que cuida de um templo, principalmente um templo como aquele.

Enquanto a chuva não passava, ficou sentada na varanda observando os pingos que molhavam o que havia acabado de secar. De vez em quando olhava para a entrada, esperando que alguém surgisse subindo as escadas no meio da chuva, mas logo percebia a idiotice que estava fazendo e mudava o foco do olhar.

-Ora, ora, aqui anda chovendo bastante, não é, Rynosuke-chan?

Uma voz madura saiu de trás da jovem, que logo se virou para ver quem tinha acabado de dizer seu nome. Uma mulher de longos cabelos loiros, algumas mechas presas por pequenos laços, postando um guarda-sol bem estranho e um chapéu igualmente bizarro a olhava com um olhar sedutor, o que não mudou em nada a expressão de Rynosuke.

-Essa época é sempre assim — respondeu num tom desinteressado — Mas o que te trouxe aqui hoje, Yakumo-sama?

-Estou aqui para ver minha miko favorita — disse, abraçando a garota por trás, e a balançando de um lado para o outro.

-Hee~, não me lembre disso... — disse enquanto continuava tomando seu chá com a mesma expressão enquanto era sacudida pela moça.

-Porque? É um titulo tão legal, até combina com você, Miko Rynosukenojo, a jovem de cabelos castanhos e olhar penetrante, com seu visual de “oi, posso consertar seu carro”, que luta contra as forças anormais que aparecem em seu templo, e isso envolve fantasmas, coelhos da lua e até yokais...

Ela nem conseguiu terminar a frase, já estava rolando no chão rindo da própria piada.

-Você veio aqui apenas para sujar o meu chão? — Ryno olhava para ela com uma cara de desprezo profundo.

-Ai ai..te ver irritada é o meu melhor passatempo — disse recuperando a postura e dando uma piscadela para a garota

- Mas,vamos falar serio.- Yakumo abriu um sorriso e olhou Ryosuke com o mesmo olhar sedutor de mais cedo. -Eu trouxe isso para você — disse estendendo a mão, de onde surgiu uma carta — Pediram para te entregar.

-Hm.. o que é isso? — A garota pegou a carta e começou a examiná-la – Hei, Yakumo-sa......ma..

Ela não estava mais lá. A jovem olhou ao redor do templo e nada, logo desistiu e sentou-se no mesmo lugar que estava antes. Era típico dela, aparecia do meio do nada e desaparecia igualmente. A chuva estava bastante forte e toda a entrada já estava coberta de água.

“-Rynosuke, bonito nome

-Ne, quem é você,senhora?

-Senhora!? Não me chame de velha.

-Então do que posso te chamar?”

-Yakumo Yukari-sama ,você só me trás problemas — resmungava sozinha enquanto virava e desvirava o envelope. Antes que pudesse abri-lo, ouviu passos rápidos pisando nas poças d’água. Havia uma garota subindo as escadas do templo com uma capa de chuva por cima de um sobretudo, e uma mochila do correio local.

— Ryno-san~ — berrou a garota da capa de chuva que vinha em sua direção

-Ah..Anna-chan, cuidado para não....cair — A menina acabou caindo de cara na poça mais próxima ao tropeçar no último degrau.

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Alguns minutos depois...

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-Seu chá. — Ryno vinha com uma bandeja com dois copos de chá e alguns doces enquanto a outra esperava deitada na varanda, com a roupa trocada e uma toalha encima do rosto.

-Obrigada — disse Anna, tirando a toalha da cabeça para tentar ver o copo — Quer dizer que a Yukari esteve aqui hoje...

A garota sentou-se ao lado da amiga, enquanto tomava o chá. Ficou vendo a chuva aumentar enquanto a entrada ficava cada vez mais encharcada.

-É, ela apareceu aqui agora pouco, veio fazer nada como sempre — disse, dando uma pausa para pegar a carta que estava do seu lado — E me trouxe isso.

A garota de laço vermelho começou a revirar a carta de novo, não tinha lido ainda, estava esperando alguma coisa mais interessante acontecer para abri-la. Anna olhou para a carta na mão de Ryno e depois para o teto, estendendo a mão, que segurava o copo.

-Cá pra nós, aquela velha não arranja nada pra fazer e vem pra cá -resmungou enquanto sacudia o copo de um lado para o outro — Ela é realmente muito estranha.

“Tenho a ligeira impressão que ela ouviu isso” pensou Ryno, ao ver que o copo se soltou misteriosamente da mão de Anna e caiu em cima do seu nariz, fazendo chá derramar sobre o seu rosto. Anna ficou agonizando de dor enquanto rolava de um lado para o outro numa mistura de chá e sangue, enquanto a amiga tomava seu chá com a mesma cara de desinteresse de mais cedo.

-Mas, você veio aqui apenas para sujar o meu chão? — olhou para Anna numa cara de desprezo profundo.

-Ahn, que maldade, só queria esperar a chuva passar perto da minha amiguinha.. — respondeu Anna com a toalha em cima do nariz — Ta,vamos deixar de brincadeiras, tenho um trabalho pra você...

-Mais um daqueles seus bicos de lavadora de carros? — Perguntou Ryno enquanto comia os bolinhos que havia trago.

-Rynosuke, isso é serio — Anna mudou totalmente o tom de voz, sentando-se na varanda como a amiga – Um numero imenso de yokais anda invadindo a cidade a partir daquela barreira, e é o seu papel como Miko desse templo resolver a situação. As pessoas não vêem, mais esses yokais podem causar grandes problemas tanto pra mim quanto pra você.

Ela agora apontava para Ryno que continuava a tomar seu chá olhando pra frente. A garota parecia muito concentrada no horizonte e nem sequer ouvia o que a amiga falava. A chuva cessou por um tempo,mas logo ela voltaria. O sol finalmente mostrou sua face depois de uma tarde toda coberta por nuvens, e agora ia pintando o horizonte de laranja. Depois de terminar o chá, Anna decidiu ir, haviam muitas cartas para entregar. Se despediu e começou a correr descendo as escadas do templo. Ryno via a menina desaparecer de vista após cair e rolar escada abaixo.

Shameimaru Anna tinha mais ou menos a sua idade, cabelo curto e claro que sempre andava preso por duas pequenas tranças. Corria de um lado para o outro com o sobretudo entregando cartas. Por alguma razão sua família era encarregada de informar distúrbios sobrenaturais para as pessoas encarregadas de resolvê-los.

-E olha que irônico, eu sou a encarregada — reclamou Ryno enquanto terminava de comer os doces. Era seu trabalho acabar com yokais que poderiam interferir no seu mundo. Era um dever dos sacerdotes daquele templo manter o equilíbrio entre a barreira que dividia o mundo humano do mundo yokai, Ryno foi a escolhida e agora tinha que cumprir com esse destino.

O horizonte já se mostrava pintado de estrelas minúsculas e brilhantes. Parecia que não ia chover mais no dia seguinte.O vento frio soprava, mas apenas acariciava as arvores, que soltavam folhas escuras iluminadas pela lua. Agora a garota tomava o ultimo chá verde antes de sair para a noite escura. Estava com a habitual laço vermelho no cabelo, usava uma blusa branca por baixo do casaco vermelho e preto dobrado ate o cotovelo,uma fita amarela em volta da gola do casaco, também estava com a calça jeans habitual seguida por meias e chinelos. Segurava no ombro uma lança longa com guizos na ponta e lamina em formato de meia lua, enquanto colocava suas luvas de sacerdotisa. Apos terminar de se ajeitar pegou a carta que estava do seu lado na varanda, ia abri-la assim que voltasse. Saiu em disparada pela entrada do templo descendo as escadarias.

“A tarde, no templo, horas atrás.

-Ta aqui, é esse o yokai — Anna entregou um papel que mais parecia um guardanapo amassado velho para a garota. Ryno analisou o desenho, virando e desvirando a folha, afim de entender o que estava desenhado, inútil...

-Ok, é...o que é isso, um pato? –a garota virou o papel de cabeça para baixo, olhando para a amiga com um olhar de decepção. Anna desanimou por um momento,esperava que os outros entendessem o seu desenho,ou pelo menos tentassem, depois, impaciente, arrancou o papel da mão da garota e começou a explicar os rabiscos de caneta marca texto. Ryno continuava a encará-la com a mesma cara de antes.

-Bem, eu não sei qual o nome desse....bicho, mas, cof..cof, lá vai:espécie de tigre mitológico da cultura oriental, ta mais pra um tipo de Gato Monstro. Possui mais ou menos um metro de altura e ...suas patas possuem enormes garras — Enquanto falava, Anna rabiscava o desenho inteiro com um pedaço de carvão – Tanto a traseira quanto a dianteira soltam enormes labaredas de energia. Bem, digamos que ele seja..manso .

-Mais ou menos um metro? — Ryno comparava a altura provável do tigre com a mão. Voltou a olhar para frente enquanto tomava um gole de chá, abrindo um sorriso calmo — É...parece que vai ser fácil.”

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A lua brilhava e se refletia nas poças de água espalhadas pela cidade. As estrelas que pareciam dançar alternadamente pela noite competiam com a luz dos postes que piscavam igualmente. A jovem sacerdotisa pensava onde poderia achar o tal tigre. Existiam dois lugares onde todos os yokais que passam a barreira tendiam a ir: O templo do qual Rynosuke cuidava, e o parque das cerejeiras, os dois locais de maior concentração de energia espiritual da cidade. Alguns tipos de yokais se alimentam da energia das cerejeiras para se manterem vivos no mundo humano. As arvores não haviam florescido ainda, e as poucas folhas que cresciam dançavam com o vento de um lado para o outro. O parque estava vazio, ninguém saia a noite com esse frio, corria a chance de ser pego por um resfriado ou por um monstro noturno. Havia apenas um casal de adolescentes se pegando debaixo da árvore, ou \"trocando esôfagos\", como dizia Anna. Ryno andava pelo parque procurando por algum sinal do tigre, observando tudo ao redor. A garota parou por um momento e ficou encarando o tal casal na cara dura. Quinze minutos depois....

-QUE CÊ TA OLHANDO!! — berrou o garoto impaciente. A jovem apenas aponta para frente, e mantém a expressão desinteressada de sempre.

-Ne~, vocês não querem morrer, querem? — O casal olhou sem entender por um tempo, mas logo notaram a lança e as roupas da sacerdotisa.

-Não, porque?

-Porque se vocês não saírem daqui logo, o nosso amiguinho vai comer nos três — Ryno rodava a lança e já pegava alguns ofudas enquanto um vulto rápido de olhos vermelhos vinha correndo em direção do grupo.

O casal rapidamente desapareceu pelas ruas correndo — a menina berrava de medo — ficando apenas a jovem sacerdotisa e o tal tigre, que ate agora só parecia um bando de sombras. As nuvens que tampavam a lua logo se dissiparam graças a uma forte rajada de vento incomum, e seus raios fracos iluminavam e revelaram a verdadeira forma do yokai. Um imenso tigre sobre duas patas que faiscavam, assim como seus olhos e garras. Era branco, possuía pinturas tribais azuis e pretas pelas costas, seu corpo se assemelhava ao de um humano. Volto a repetir, um IMENSO TIGRE.

-Ne~~,”mais ou menos um metro” né? — Ryno olhava para cima comparando a altura do yokai com a qual pensava que realmente era.

-ANNAA! EU TE ODEIOOO!!!! Os pássaros se assustaram com o grito da garota que ecoava por todo o parque. O monstro então disparou em zig zag em direção a sacerdotisa, levantando bastante poeira ao atacar. Ela desviou pulando num movimento rápido e leve, caindo um pouco atrás, de frente para as costas da besta.

-Temperamento calmo...sei.. — e partiu para o contra ataque, lançando dois pares de ofuda, que explodiram ao encostar nele. O tigre começou a atacá-la sucessivamente com as garras, Ryno desviava de todos os ataques sem muita dificuldade. Bloqueou o golpe da cauda com uma parte da lança acertando a cabeça do felino com a outra, fazendo-o ficar atordoado. Se afastando um pouco, a garota lançou outros quatro ofudas em seus membros, fazendo o yokai perder o equilíbrio logo após a explosão. Ryno se aproximou para dar o golpe final com a lança, mas o tigre ainda estava lúcido, e acertou-a com a garra flamejante, arremessando a garota longe, fazendo-a bater com as costas numa cerejeira próxima.

— Desgraçado...- ela se recuperava do ataque erguendo a cabeça com um sorriso no rosto e um olhar que brilhava mais que os olhos do tigre. Arrumou a fita no cabelo e limpou sua roupa suja de poeira, partindo novamente para o combate.

No alto do poste, havia uma pessoa presenciando a luta da garota. Usava duas tranças que prendiam o cabelo curto. Observava todos os movimentos que a menina realizava, anotando tudo em uma caderneta. Havia também um pássaro em seu ombro.

-Parece que ela melhorou bastaste — uma voz feminina surgiu de trás da espectadora.

-A Rynosuke anda realizando seu trabalho muito bem... — As duas ficaram admirando a luta por um tempo.

-Mas porque você ainda cisma em querer que ela continue como sacerdotisa daquele templo? — Continuou a primeira, agora apontando um pequeno punhal envolvido por folhas para a outra. A moça, que se apoiava num portal do lado do poste, parou por um momento, abriu o leque em sua mão e deu uma risada leve. Olhou para a companhia ao seu lado, e antes de responder lançou-a um olhar um tanto quanto desafiador.

-Você sabe, eu simpatizo muito com o sonho daquela menina, por isso eu a ajudo. O objetivo dela é maior do que qualquer coisa. Além do mais, tanto eu quanto você sabemos do poder que ela tem, e da utilidade dela também. Rynosukenojo, a sacerdotisa do templo Hakurei deste mundo, e a única capas de romper o selo que liga o mundo humano com a antiga Gensokyo.

Uma forte rajada de vento balançou as árvores, fazendo-as cantar no tom da noite, enquanto a menina dançava ao ritmo frenético da batalha. Essa menina era encarregada de uma grande responsabilidade, e certamente aderia a ela sem exitar. Essa menina tinha um sonho... ver a chuva passar junto com a pessoa mais importante para ela. Mas agora essa pessoa estava longe, e tudo que essa menina podia fazer era lutar para se tornar forte, e de alguma maneira, encontrar essa pessoa...

-Ayaya, pelo visto terei que trabalhar dobrado este mês — reclamava a jovem espectadora,enquanto sumia junto com as rajadas de vento.

-- Fim do Capítulo 1

Notas finais
Yay! Reviews? Senão a Ryno vai te tacar um tijolo aumentado 900 vezes! >: