Arabella

5 A Esperança


Notas iniciais
desculpem a demora para postar mas eu fiquei doente e estava sem tempo para escrever... enfim, boa leitura :)

Andrew estava definitivamente tentando matar Arabella. Seus golpes ágeis atingiam a sua armadura em cheio proporcionando barulhos terríveis de metais se chocando. A armadura era na realidade bem incômoda e pesada mas protegia Arabella dos golpes fatais que a acertavam. O treinamento não era como ela imaginara, bonecos espalhados por ai e armas diferentes que você poderia escolher à vontade e decapitar o seu boneco do jeito mais criativo que você encontrasse. Era um campo de batalha. Os guerreiros em treinamento lutavam entre si e sangue caía por todo o Campus (esse era o nome dado pela Rainha Branca para o local), os guerreiros que tinham o objetivo de fugir do Bem chamavam-no de Esperança, simbolizando a luz no fim do túnel que era o Centro de Treinamento para eles. Sua última chance de se tornar um grande guerreiro e servir ao seu reino, seja o Mal, ou os Humanos, e isso era o mais curioso. Os guerreiros com esse objetivo não brigavam entre si, eles haviam criado uma família unida, na verdade, vivendo sobre a pressão da Rainha April. Mas Arabella não tinha tempo para pensar em companheirismo, por que nesse momento todos os guerreiros estavam confrontando-se ferozmente. E o pior, as esperadas armas não se encontravam na Esperança, apenas alguns galhos secos, folhas e pedaços de metal e os guerreiros deviam construir suas próprias ferramentas de ataque. Isabel insistiu em juntar-se à Arabella e criar uma aliança, ela parecia confiante e já havia ferido uns três guerreiros com sua lança cravejada de espinhos. Patrick ainda estava de repouso, graças à deus, pensou Arabella. Ele já estaria morto nessa situação. Ela improvisou um cajado com um galho da árvore central e algumas cordas que uma menina ruiva havia deixado quando viu Andrew vindo em sua direção. De novo.

– Você está tentando me matar – gritou Arabella em meio a barulheira da Esperança.

– Sou encarregado de checar que você está se esforçando – disse Andrew, seu sorrisinho de sempre havia desaparecido, haviam cortes em sua bochecha e um curativo em sua perna.

– O que fizeram com você? – ela perguntou enquanto desviava-se do golpe da menina ruiva que havia voltado procurando suas cordas.

– Como seu instrutor e treinador, tudo o que você faz Arabella, é descontado em mim – isso foi tudo o que ele disse, mas ela pode entender tudo o que ele queria dizer. Depois de ela ter atacado April alguém tinha que ser castigado. Eles torturaram Andrew. O terror tomou conta de seu corpo.

– Sinto muito – ela disse, apenas. Provavelmente naquele mesmo segundo, todas as câmeras de segurança da Esperança estavam focadas neles.

– E eu não sei o que Isabel disse pra você mas... você pode escolher. Acho que seria melhor se você... provavelmente as feridas sarariam – ele disse, e Arabella entendeu novamente. Ele à deixaria fugir pelo simples fato de que ele não queria mais torturas espelhadas em seus atos.

– Obrigada. Será melhor para nós dois.

Ele confirmou com pesar e afastou-se de Arabella. Ela percebia a preocupação e a culpa em seu andar, pesado e inseguro. Sua fidelidade à Rainha Branca estava em jogo e Arabella imaginava se a tortura não aumentaria depois de sua fuga, mas provavelmente a guerra já estaria instalada e não haveria tempo para pensar em torturar os aliados. Mas a questão era... para onde Arabella seguiria depois que o alarme soasse? Como ela poderia escolher entre um lugar cheio de pessoas desconhecidas ou sua mãe, que ela não poderia ao menos olhar nos olhos? Pelo Bem ela não lutaria, aquele lugar artificial e persuasivo, certamente Arabella não pertencia aquele lugar. E os Humanos, sem conhecimento de guerra, enganados pela Rainha Vermelha, sua mãe. Arabella sabia que eles não tinham chance, seria melhor se eles fugissem, salvassem suas vidas. Afinal eles não possuíam a mesma raiva de antes, aquela raiva por terem sido tratados como inferiores. Arabella podia ajudar a evacuá-los do campo de batalha e explicar sobre seu passado à eles, falar sobre os motivos da guerra e as vantagens deles se ficarem fora disso. Mas o problema era que Arabella não sabia os reais motivos para a paz estar a poucos dias de desaparecer completamente. Ela perguntaria para Isabel mais tarde. Arabella não é do tipo egoísta que só quer salvar a própria pele, mas se ela se juntasse aos humanos e lutasse, ela colocaria seus amigos em perigo também. E então tinha o terceiro reino, que mais a atraía no momento. O Mal. Soava... “mal”, ela sabia, mas esses nomes só foram inventados por April. E se o “Mal” fosse o lado bom? O lado correto a escolher? Arabella tinha um plano bolado então, em poucos segundos: ela passaria na terra dos humanos, bem, no momento ela estava um pouco deslocada com a nova geografia mas com certeza ela se juntaria à um grupo de guerreiros prontos para seguir seu plano de salvação. E depois eles seguiriam para o Mal, com a esperança de encontrar o bem.

– Suicida – disse Patrick, após Arabella explicar o esquema.

Ela, Isabel e Patrick estavam no dormitório fedorento sentados na cama de Arabella discutindo o plano de fuga. Um burburinho tomava conta do ambiente, mais de 70 adolescentes conversando e rindo antes da hora de dormir, não que eles realmente dormissem. Os três não poderiam ser ouvidos, e se fossem, daqui um tempo todos os “desobedientes” teriam que saber, certo?

– Não, não... acho que funcionaria, sinceramente – retrucou Isabel – além de lutarmos contra o “Bem”, que é o que muitos dos guerreiros em treinamento querem, juntando assim muitos soldados com capacidade maior, parece ser a coisa certa a fazer, sabe. Escolher o Mal – disse Isabel com um sorrisinho de brincadeira, fingindo uma maldade que não a pertencia.

Arabella riu. Ela confiava plenamente em Isabel, toda a sua postura, determinação. Mas sem ser rígida. Isabel poderia virar-se contra Arabella no segundo em que estivessem fora do Centro, mas ela sentia que a vontade de Isabel em ajuda-la não seria jogada no lixo assim tão facilmente, ainda mais por ela mesma que se esforçou tanto para manter Arabella bem.

– Sabe, o motivo de eu ter te socorrido quando você bateu a cabeça, e ter arranjado comida e roupas que te agradassem era por que eu achava que você poderia nos tirar daqui em segurança – começou Isabel – eu ouvi sobre sua coragem, sobre o ataque à Rainha Branca. Bem, talvez você só houvesse feito aquilo por que não sabia das consequências, mas você também não sabe o que te espera do lado de fora desse Centro. E é o seu desconhecimento e a bravura para descobrir cada vez mais e mais que me fizeram achar que você podia salvar-nos, guiar-nos pelo caminho certo. E agora, Arabella, eu tenho certeza de que você pode.

Então era isso. A confiança de Isabel em Arabella a fez temer. E se ela fracassasse? E se não fosse forte o bastante para decidir? E se não fosse forte o bastante para salvar milhões de jovens? Por que agora, claramente, a responsabilidade estava em cima dela. Mas Arabella não conseguiu expressar sua dúvida, ela devia demonstrar segurança. Seus braços entrelaçaram Isabel em um abraço forte e caloroso. Essa foi a única coisa que ela conseguiu fazer.

– Eu ainda acho um plano suicida – disse Patrick, que estava mais quieto que o normal.

– Eu queria te perguntar uma coisa Isabel – disse Arabella ignorando-o completamente – a Rainha Branca disse que coisas ruins vinham acontecendo, mas ela... não mencionou quais coisas vinham acontecendo. Por acaso você...

Ela hesitou.

– Olhe – sussurrou Isabel – poucas pessoas sabem sobre isso, e não posso dizer como consegui a informação, mas... você se lembra de Voltar? O destruidor que incentivou o caos no nosso mundo? Nós não sabemos se ele é real, afinal a Rainha inventou milhares de histórias para nos dar a impressão de que esse reino é a escolha certa não é? Mas algumas pessoas dizem que Voltar está de volta... ou pior... que ele nunca se foi realmente. Dizem que o nosso pior temor esteve e está entre nós, dizem que Voltar, o Caos, nunca abandonou sua grande bola de desordem.

Notas finais
comentem se estiverem gostando :)