Sozinha na areia, observando o loiro já na água, Kate se imerge num devaneio. O comentário de Chase sobre o momento deles horas atrás, na casa da garota, inundou sua mente com as imagens dele invadindo seu quarto enquanto Evan, irmão dela, dormia. A desculpa de precisar de um secador foi bem idiota, porém útil, assim que Kate subiu para o quarto, seu irmão se jogou no sofá e Chase foi atrás dela, só de toalha, ela hesitou no começo mas logo cedeu.
Ela sempre o achou atraente, óbvio, e como melhor amigo do seu irmão, estava sempre por perto, porém é o tipo de cara que ela evita, um pouco parecido com ela, o que é perigoso, mas do tipo sem limites, sem medos e, principalmente, sem compromisso. Kate fora forçada, por certos acontecimentos de seu passado, a se tornar uma garota com os pés no chão. Engraçado pensar isso de alguém que sempre teve tudo o que quis, podia viver sem preocupações, criada em berço de ouro, mas há coisas no mundo das quais nem o dinheiro consegue te livrar.
Agora Kate se afasta de toda possibilidade de se machucar, Chase é uma dessas possibilidades. Então ela se afastou, mesmo que em toda sua infância o loiro tenha estado presente com suas gracinhas e implicâncias, mais tarde Kate se afastou. Ele não entendeu bem, ou talvez tenha entendido em parte, eles cresceram, ela decidiu se afastar e procurar outras amizades, que aos olhos do rapaz não tinham nada a ver com ela. Era assim que ele enxergava, mas a garota tinha seus motivos para essa mudança repentina de personalidade, as pessoas logo imaginam que isso é parte da adolescência, mas para Kate não foi bem assim.
Naquela tarde, Chase surpreendeu a si mesmo quando entrou no quarto de Kate, mesmo depois do aviso do amigo pra não se envolver com a sua irmã. Evan notou como recentemente Chase a olhava de uma maneira diferente, mas a questão é que Chase sempre se sentiu diferente com relação a ela, podia ter todas as garotas que quisesse, tanto pela sua aparência quanto pela condição financeira.
Claro que ele era bem seletivo, não queria acabar na confusão de ter uma garota se dizendo apaixonada depois de apenas uma noite, seu tipo de garota era o tipo que queria o mesmo que ele, e quando as tinha na cama era sempre igual, não o ato, mas as sensações. Quando as olhava ou falava com elas, a atração que sentia, no fim tesão era só tesão, não que fosse algo ruim, longe disso, quem é que não queria ter a vida de garanhão que ele tinha?
Com a Kate era tudo diferente, mas com a pouca proximidade entre eles e o fato de que nenhuma conversa entre os dois terminava pacificamente, ele decidiu ignorar a maneira como aquela garota o atraía, principalmente quando escutava suas chatices, sempre procurando defeito nele, que rebatia irritado, mesmo sabendo que aquilo era só uma maneira de o afastar, ele conhecia sua real essência. Naquela tarde ele não se conteve e foi até ela.
Agora na praia, o sol já se pôs e Kate corre até água, que por sorte está numa temperatura agradável. Assim que ela se aproxima de Chase, os braços do mesmo a tomam pela cintura, enquanto ele ri da expressão confusa que se forma no rosto da garota.
— Viu só, gata? A água está ótima.
— É, tem razão, mas nada de ficar me chamando de "gata". — Ela ri e instintivamente coloca os braços em volta do pescoço dele.
— Você que manda, gata. — Antes que ela o repreenda, Chase leva uma mão até sua nuca e cola os lábios nos de Kate, que logo o corresponde. Ambos se perguntam o que estão fazendo, confusos, negaram o sentimento por tanto tempo que mal o reconhecem. A mão dele na cintura dela a puxa mais, com a água do mar indo e vindo, na altura da cintura, a mão dela nos cabelos dele, passando os dedos por entre os fios e puxando de leve. O beijo é calmo, mas de tirar o fôlego, demorado, os lábios dele são finos e macios, e ela adora, os lábios dela são carnudos e ele não consegue evitar em dar mordidas. Quando sentem que precisam respirar, afastam um pouco o rosto e se olham, Chase acaricia os cabelos da menina em seus braços, com um olhar neutro e um sorriso nos lábios, enquanto ela o olha confusa com suas demonstrações de afeto.
— Kate... — Ele começa, num sussurro. — Acha possível um cara como eu se apaixonar? Ela continua com um olhar confuso, processando o que ouviu e querendo que fosse verdade, mas por fim apenas solta uma leve risada.
— Engraçadinho, já cai numa palhaçada sua hoje, não vai acontecer de novo. — Rindo, ela joga água nele. — Podia esperar um pouco né, para ver se eu caia, uma atrás da outra fica muito óbvio e....
— Não Kate, é sério eu... — Ele interrompe, mas logo também é interrompido pelo som de It's My Life do Bom Jovi, em seguida Kate olha em direção a areia.
— É meu celular.
— Pra quê um toque tão alto hein? — Chase resmunga, amaldiçoando eternamente It's My Life e quem quer que tenha ligado.
— Pra conseguir escutar mesmo estando distante e ouvindo as baboseiras de Chase Luke Peters. — Ela responde já correndo pela areia até a bolsa.
Ainda na água, indo em direção a areia, Chase observa Kate atender o telefone e ouvir andando de um lado para o outro, quando se aproxima ela atira o celular na bolsa e, calada, troca de roupa ás pressas.
— Hey! O que houve? Aonde vai? — Pergunta confuso, enquanto ela anda em direção ao carro já vestida.
— Kate! — O loiro vai em passos rápidos atrás dela, pegando suas coisas pelo chão.
— Evan. Sofreu um acidente. Estou indo pro hospital. — Respondeu rápido antes de entrar no carro. Chase pensou em a impedir de dirigir naquele estado eufórico, mas nem teve a chance, então o que restou para ele foi entrar no seu carro e a seguir até o hospital.
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