Depois de estacionar de qualquer jeito no hospital, Kate corre desesperada até a recepção ouvindo os passos de Chase logo atrás.

— Kate! Se acalma porque tá assustando todo mundo aqui! Daqui a pouco te levam pra ala psiquiátrica.

— Cala a boca, Chase! Não tá ajudando. — Ela praticamente se joga no balcão e fala aflita fuzilando a recepcionista com seu olhar azulado. — Evan Scott.

Chase se aproxima e passa a mão por suas costas tentando a acalmar, enquanto percebe o olhar de confusão e medo da recepcionista.

— O irmão dela, Evan Scott, sofreu um acidente de carro. — Ele explica gentilmente. A mulher digita algo no computador e volta seu olhar para Kate.

— A identidade por favor.

Kate vasculha a bolsa rápido e bufando, logo tira a identidade e a recepcionista confere.

— Terceiro andar, quarto 27.

Em segundos, o furacão Kate dispara até o elevador, Chase a segue depois de agradecer a mulher da recepção. Logo chegam no andar e avistam o quarto, Kate anda em direção à porta e um médico sai por ela, impedindo a entrada da garota.

— Pois não?

— Meu irmão, Evan, está nesse quarto, ele está bem? Eu quero ver ele. — Chase se mantem parado atrás dela apesar de estar quase tão desesperado, afinal, Evan é seu melhor amigo.

— Certo... seria melhor a senhorita se sentar e eu te explico o estado dele.

— Não, não vou sentar, fala logo. — Ela tenta não gritar apesar da aflição que o tom do homem lhe causou. Vendo a firmeza na voz dela, ele não insiste.

— Tudo bem. — O médico toma fôlego antes de continuar.— Ele teve um traumatismo craniano, fraturou uma costela e rompeu o baço, o que resultou na perda gradual de sangue, mas imediatamente realizamos uma intervenção cirúrgica e transfusões de sangue que estabilizaram a situação dele. No momento... bem... ele está em coma Srta. Scott, consequência do traumatismo craniano, já realizamos todos os procedimentos e agora só nos resta esperar... ele pode acordar a qualquer momento, então tente ficar calma, está bem? Você deve saber que o coma é uma condição muito instável, ele pode acordar em segundos ou nunca acordar, mas estamos otimistas.

Cada palavra era um nó que se formava na garganta de Kate. Quando o médico termina de falar ela apenas assente, em silêncio e com os olhos marejados, em estado de choque. Evan e Kate sempre cuidaram um do outro e tiveram um ao outro, os pais nunca estavam em casa.

Assim que o médico se afasta, Chase se coloca diante dela, a olhando, sabia o quanto os dois irmãos se preocupavam um com o outro.

Kate não se movia e seu olhar estava distante enquanto Chase a fitava sem saber muito bem o que fazer, também estava abalado, mas quando a primeira lágrima cai dos olhos da pequena, ele a puxa para perto e a abraça apertado. Não a via chorar há muito tempo, desde a infância.

— Calma Katie... tenho certeza que ele vai acordar em breve, vaso ruim não quebra, você sabe. — Ele ri fraco na tentativa de a tranquilizar enquanto ela molha sua camisa com as lágrimas. Kate retribui o abraço apertando os braços em volta de sua cintura. O tom carinhoso do garoto, ao pronunciar o apelido usado apenas por ele, sempre aquecia algo dentro dela .

— Obrigada... será que devo ligar para os meus pais?

— Não, não, acho que alguém do hospital já fez isso, a não ser que você queira ligar, claro. — Kate se afasta desfazendo o abraço e secando o rosto.

— Certo... então vou ficar aqui até ele acordar. — Ela se senta num dos bancos em frente a porta do quarto, sabe que a ideia é absurda mas não consegue se conformar em sair daquele lugar sem seu irmão. Chase faz o mesmo, sentando ao seu lado.

— Melhor você ir para casa, não acha? Comer algo, tomar um banho e dormir... e se quiser chorar mais, tem o meu ombro, mesmo eu não sendo muito bom nesse lance de consolo. — Ele ri e logo depois ela faz o mesmo.

— Não quero ficar sozinha em casa, prefiro ficar aqui e você até que não é tão mal.

— Não?

— Não. Eu vou pegar um copo d'água e depois... vamos ver ele.

Ela se levanta e anda até o final do corredor, onde há um filtro. Chase a segue e espera ela terminar de se hidratar, a garota dá de cara com ele assim que se vira

— Porra, que susto Chase!

— Desculpa, podemos conversar sobre o que falei na praia? — O loiro toca gentilmente o braço dela, fazendo menção de irem até um canto, saindo do meio do corredor. Estava preocupado com o amigo, mas também tinha essa ansiedade enorme o consumindo.

— Certo, a sua brincadeirinha. — Ela cruza os braços e encosta as costas na parede enquanto ele se coloca na frente dela.

— Não era brincadeira Kate. Eu acho, de verdade, que... eu estou apaixonado por você. Eu sei que é confuso e parece repentino, mas sei lá... eu passei o dia inteiro sentindo essa vontade louca de arriscar e falar isso pra você mesmo sem saber no que ia dar, mas eu sempre fui um pouco inconsequente mesmo, não é?