Seu rosto continuava sério e seu olhar vidrado, focado nos olhos dela. Por dentro tudo tremia, tamanho o nervosismo de admitir algo assim, o que nunca tinha feito. A recente proximidade que teve com ela, ascendeu algo nele, ou apenas reascendeu.

Tê-la tão próxima como teve horas atrás, no mesmo dia, o fez sentir o que nunca tinha sentido antes e por uma garota que esteve sempre por perto. Agora ela está ali, diante dele, tentando decifrar seu olhar e se forçando a não acreditar no que ele diz.

Chase não era do tipo que se apaixona e claro que não ia querer nada com ela, já foi surpreendente ele querer sexo quando pode ter isso de qualquer outra.

Kate tinha certeza de que ele havia nutrido um ódio por ela, devido a maneira como passou a ignorar o garoto, ele e qualquer outro desse tipo que só pensa em sexo e festas, festas em que rolam sexo, aliás.

Então dizer estar apaixonado seria só uma maneira de se vingar por todas as vezes que Kate o irritou.

Mas ela estava olhando nos olhos dele agora, ela havia feito muito isso nesse dia em particular, geralmente mantinha a distância, mas não hoje.E olhando nos olhos dele, durante todos esses momentos em que estiveram juntos com o passar do dia, ela ainda via aquele mesmo garoto com quem ela brincara na infância, junto com seu irmão, mesmo que na maioria das vezes ela só queria atrapalhar a brincadeira.

Apesar da certa repulsa que ela desenvolveu por esses garotos que aparecem com uma garota nova todo dia, claramente passando a impressão de serem desprovidos de sentimentos românticos, Chase foi um que ela nunca conseguiu realmente afastar. Não só por ele ser o melhor amigo do seu irmão, mas porque de alguma forma sempre ficavam desinquietos perto um do outro, e aí começavam as implicâncias.

Passados alguns segundos em que se olharam nos olhos, Kate mediu as consequências do que iria dizer a seguir e finalmente admitiu.

— E se... eu te dizer que eu também?

Chase, a ouvindo, se aproximou mais e sussurrou com o coração a mil.

— Você também o que, Kate?

— Estou apaixonada... por você.

Chase sorriu radiante, por um momento esquecendo o real motivo de estarem ali. Puxou Kate mais para si envolvendo os braços em sua cintura e, assim que ela inclinou a cabeça para olhar em seus olhos, ele a beijou.

Kate retribuiu imediatamente sentindo aquela felicidade que causava um frio na barriga, por uns segundos toda tensão e nervosismo pareceu sumir do seu corpo enquanto ela passeava os dedos pelos cabelos na nuca de Chase.

Chase sentia o corpo se arrepiar com o toque dela e a puxava mais contra ele, chocando seus corpos e deixando uma das mãos deslizar pelas curvas da garota, saboreava o gosto doce dos seus lábios, carnudos e macios, com um leve e distante sabor de café que só tornava o beijo mais delicioso.

No mesmo dia, mais cedo, eles haviam transado, mas nunca se sentiram tão próximos e conectados como naquele beijo, claro que haviam se beijado antes, porém, dessa vez era diferente. Neste beijo, neste momento, os dois estavam se entregando por completo e haviam muitos sentimentos envolvidos.

Além da paixão, um desses sentimentos era o medo, um pouco por eles, por estarem entrando num território desconhecido, perigoso, e um pouco por Evan que era tão querido por ambos e estava num daqueles quartos.

Toda a euforia de Kate parecia se acalmar com aquele beijo, o que era estranho, já que ninguém, além do irmão algumas vezes, conseguia acalmar o furacão que ela era.

As preocupações de Chase com relação aos seus sentimentos simplesmente sumiam enquanto a beijava, não sentia mais a necessidade de tentar entender por completo o que se passava em sua cabeça e seu coração, entender todos aqueles pensamentos sobre a morena, naquele momento sua única necessidade era a pessoa em seus braços.

Após alguns segundos naquele beijo que parecia ter feito o tempo parar, Kate voltou a si, lembrando do que acontecia a sua volta e se afastou um pouco.

— Am... Chase nós... Olha, não vamos ser impulsivos, eu estou com a cabeça cheia e não dá para falar de nós dois agora... o Evan..

— Tudo bem, tem razão, não é a melhor hora nem o melhor lugar. Mas fico feliz só de saber que existe um "nós". – Ele sorriu um pouco envergonhado com a própria cafonice, mas ficou radiante ao ver o sorriso enorme e brilhante nos lábios da garota. – E você devia ir descansar.

— Desiste Chase, não vou sair daqui até ele acordar.

O rapaz suspirou passando as mãos nos cabelos, sabendo que era inútil lutar.

— Certo garota, mas se precisar ir pra casa eu posso vigiar ele direitinho.

— Tá bem, então por que você não vai agora? Eu fico aqui digerindo isso tudo.. quando você voltar eu vou.

Chase abriu um leve sorriso e beijou sua testa.

— Que bom que pensou direito, sabe que ele ficaria furioso se você não se cuidasse. Vai ficar tudo bem, ele vai acordar logo e eu volto em breve. Prometo.

Depois de mais um sorriso ele se vai.